23 de dez. de 2015

HISTÓRIAS DE GUERRA...E PAZ

Mais uma crônica da série "Memórias a Granel".
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Quando criança eu era fogo na roupa, como dizia minha mãe. Era uma expressão para definir quem era considerado uma pimentinha, gente que aprontava com todo mundo. Confesso: eu era assim mesmo. E o pior é que eu influenciava meus primos a serem também. Por isso a gente vivia sempre juntos – fora as horas em que eu gostava de ficar sozinho, sozinho, sozinho. A aldeia nos proporcionava bastante oportunidade para a gente aprontar.
Quando eu ia para a escola na cidade eu bem que tentava me comportar, mas quase nunca conseguia. Apesar dos desconfortos que passava por lá, eu me enturmava bem com uma garotada que também era um tanto desaforada. Acho que era uma forma de me defender. A gente aprontava umas com os garotos das outras ruas. Eram guerrinhas de pedras, brincadeira pesada em que quase sempre alguém saia machucado. Nos terrenos baldios do bairro onde eu morava, a gente se reunia e dividia os territórios entre os grupos. Cada um se armava com pedras feitas de barro, mais macias, mas igualmente letais se acertassem em cheio nos adversários. Na sequência alguém dava um sinal e a guerra começava. Eram pedras voando de um lado para o outro. Gritarias de ambos os lados, alguns choros ou gritos de guerra soavam para cá e para lá. A “brincadeira” acabava quando todos estivessem sem munição. Aí os grupos se reuniam para conferir os “mortos e feridos” em combate. Muitas vezes levei pedradas na cabeça ou lancei outras nas cabeças de meus “inimigos”. Era um jeito estranho de brincar.
Na aldeia eu contava esses jogos para meus primos e irmãos e eles quase nunca acreditavam que isso pudesse acontecer entre “gente civilizada”. Eu ria da inocência deles, mas ficava explicando que a lógica daquele jogo era a mesma em todos os lugares. Tudo não passava de uma maneira de marcar território. Assim todos ficavam sabendo quem mandava em quê. Do alto dos meus 12 anos eu ensinava para eles que sempre foi assim na história dos homens, sejam brancos ou não. Tudo não passava de conquista de espaço. A guerra é uma forma de dominar, eu dizia orgulhoso. Nosso povo é educado para ser guerreiro e dominar outros povos, outras gentes. Todos nós, eu dizia, somos ensinados a vencer ainda que para nós isso não importe muito.
No final do dia, depois de tantas tentativas de explicação, meus parentes continuavam sem entender o que eu estava falando, mas aquilo era uma espécie de ensaio para mim. E também uma forma de decorar os conteúdos que aprendia na escola. É que eu tentava fazer do que aprendia algo prático para minha vida e só assim é que eu conseguia fazer isso.
Uma tarde encontrei minha avó na beira do igarapé. Ela lavava sua roupa batendo-a contra uma tábua que se estendia na beirada. Aí eu quis entender o porquê daquele ritual. Ela simplesmente balançou a cabeça e disse sem pestanejar que eu estava querendo explicação demais para as coisas que não eram para ser explicadas. Fiquei encucado com aquelas palavras e disse isso a ela. Minha avó parou o que estava fazendo e mandou que eu sentasse. – Tem coisas que não são para ser entendidas, meu neto. A guerra, por exemplo, é algo incompreensível para nós mulheres, mas algo normal para os homens. Os rapazes precisam brigar entre si para provarem que são machos, fortes, robustos, valentes, corajosos, honrados. A guerra não serve para dominar os outros, mas para provar a si mesmos quem é o melhor. Numa guerra, todo mundo sai perdendo.

Eu tive que fingir que entendi o que ela me disse. Não entendi nada. Mas fiquei com aquelas palavras em minha cabeça porque sabia que um dia elas serviriam para alguma coisa. Bem depois, quando já crescido e vivendo na cidade grande, comecei a compreender as palavras de minha avó ao ver os adultos correndo e brigando uns com os outros por uma vaga no mercado de trabalho. Tudo era pura competição, briga, guerra, disputa. Todos querendo mostrar uns para os outros quem era melhor para ocupar a tal vaga de emprego. Apesar de “civilizados” os homens brancos tinham a mesma sede de domínio que aqueles que consideram selvagens, seus antepassados históricos. E quando conseguiam conquistar algum novo território, comemoravam se empanturrando de carne assada e bebidas fermentadas. Essas eram as novas modalidades de guerras que aos poucos eu fui percebendo ao longo de minha passagem pelo mundo do homem civilizado. Além disso, vi os derrotados, os humilhados, os excluídos sendo explorados, os “perdedores” vivendo na rua da miséria. E eu não havia nascido para ser derrotado, pensava. Mas numa guerra, todo mundo sai perdendo, dizia minha vó com toda razão. Depois disso não quis mais fazer guerra. Agora faço a paz. Só a paz.

1 de dez. de 2015

SOBRE ARANHAS E LIVROS

Mais uma da série "Crônicas a granel", para meus amigos.
Nunca fui chegado à leitura de livros. Houve um encanto inicial logo que entrei na escola. Tudo ali era um encanto, pura magia. As palavras saiam da boca de meus professores trazendo histórias que estavam dentro das páginas de livros que eles pegavam para ler para nós. Meus colegas e eu ouvíamos com certo encantamento imaginando de onde vinham aquelas histórias. Autor nunca sabia quem era. Quase sempre gente morta. Era um completo mistério.

27 de nov. de 2015

DANIEL MUNDURUKU EM BELO HORIZONTE


Registro de minha passagem por Belo Horizonte nestes dias 26 e 27 de novembro,
Primeira visita foi no Colégio Loyola. Ali rolou uma interessante conversa com os estudantes do 5o. Ano sobre o livro O HOMEM QUE ROUBAVA HORAS. Muito bom!

25 de nov. de 2015

O QUE SOU SÓ SERVE PARA MIM.

[ Mais um texto da série "Crônicas a Granel"]

O QUE SOU SÓ SERVE PARA MIM.
[À Cristino Wapichana]

Minha vida é um poema que escrevo a cada dia. Seus versos, sua métrica, seus sentidos, significados e significantes são palavras que componho a cada nova ação, a cada nova atitude, a sempre nova escolha que faço.
É assim que penso a biografia de cada pessoa. Entendo que cada um escreve, compõe seu verso único em sintonia consigo mesmo, com seus amores, com suas dores. A vida dos outros não é para ser seguida. Biografias não são para serem imitadas. Menos ainda interpretadas. Olho para cada pessoa como um poema único. Poema é para ser lido, não para ser interpretado. Acho que interpretar poema é a coisa mais sórdida que alguém pode fazer, na escola ou na vida.

24 de nov. de 2015

EM NOITES SEM LUA, HISTÓRIAS DE TERROR.

EM NOITE SEM LUA, HISTÓRIAS DE TERROR
As férias escolares no meu tempo de estudante eram bem diferentes das de hoje em dia. O ano escolar acontecia de março a novembro. Nos meses de férias eu ia para a aldeia. Lá eu esquecia da escola, de seus professores, exames e provas e também de suas tarefas. Esquecia também dos colegas chatos, dos apelidos que eu recebia e das provocações que me dirigiam. A aldeia era algo sensacional para um menino-quase-homem. Lá eu revivia muitos momentos gostosos, reaprendia costumes, palavras, gestos. Retomava a culinária composta por muita mandioca e seus derivados, peixes diversos, carnes de caça, cará, batata doce, inhame e frutas em geral. Também ouvia as histórias dos adultos e dos velhos. Corria no mato e nadava nos rios. Estas são lembranças muito felizes para mim!

Daniel Munduruku em Belo Horizonte.


21 de nov. de 2015

Daniel Munduruku em Uberlândia

Registro de minha passagem por Uberlândia. Imagens de minha conversa com estudantes durante encontro literário.
Gostoso bate papo sobre literatura indígena;
Estamos em movimento para fazer com que o Brasil conheça e reconheça a literatura que estamos produzindo e que é construída a partir de um pensamento ancestral;
Vamos em frente;

20 de nov. de 2015

Daniel Munduruku na Universidade Federal de Uberlândia - UFU


Na noite do dia 19 de novembro tive uma gostosa conversa com o público acadêmico da Universidade Federal de Uberlândia. Foi muito especial pela qualidade da plateia e da interação que aconteceu. Apresentei o pensamento que tenho desenvolvido ao longo dos meus 20 anos de atividade literária e social. Muito bom.

12 de nov. de 2015

BOSTA DE ANTA



Apesar de todo meu esforço eu não conseguia acompanhar os estudos. Não conseguia entender muito bem as coisas que meus professores ensinavam ou queriam ensinar. Para piorar tudo eu levava uma porção de tarefas para casa a fim de treinar, treinar e treinar. Diziam os professores que era a única maneira de aprender: decorar as fórmulas, os lugares, os verbos, as métricas. Isso me aborrecia porque me faziam sentir um burro incapaz de aprender o que todo mundo aprendia com rapidez.
Meus pais tentavam me ajudar, mas o que eles poderiam fazer? Nada ou quase nada a não ser me obrigar a treinar, treinar e treinar. Minhas brincadeiras ficavam prejudicadas por causa dessa dificuldade, minhas invenções e jogos paravam; as arapucas não podiam ser observadas para ver se tinham pego alguma sururina. Eu até me sentia culpado porque sabia que minha caça estava a mercê de uma cobra qualquer e sem poder se defender a coitada.
Meus irmãos estudavam em outras escolas e também não podiam me ajudar com os deveres. Nessas horas eu ficava imaginando o tamanho da solidão que o mundo da cidade vive. As crianças de lá não podem brincar porque ficam prisioneiras das tarefas escolares. Crianças que não brincam vivem presas na solidão.
Um dia meu pai disse que iria dar jeito na “minha doença de estudar”. Fiquei curioso para saber como seria isso. Ele me disse que nas férias escolares tudo iria se resolver. Confesso que fiquei feliz, mas curioso especialmente por não saber que se tratava de uma doença essa coisa de querer estudar. Como não estava muito longe das férias, fui embromando o máximo que pude com as tarefas da escola.
Quando as férias chegaram pegamos um ônibus e fomos para a aldeia. Ali era o paraíso na terra. Eu tinha tudo o que precisava para que minha felicidade fosse completa e ainda estava livre da escola e suas entediantes tarefas. Acontece que meu pai tinha outros planos para mim e que eu já havia esquecido. Tão logo chegamos lá ele me convidou para ir à casa de meu avô. Lá o velho já nos esperava como se adivinhasse que a gente chegaria. Meu pai explicou para ele o que estava acontecendo comigo. O velho ouviu tudo em silêncio e de cabeça baixa. Depois pediu para que meu pai saísse e nos deixasse sozinhos. Logo que ele foi embora, meu avô acendeu o cigarro de palha tauari e fez fumaça sobre minha cabeça. Cantou uma cantiga ancestral e me deixou inspirar o perfume do cigarro. Em seguida me olhou nos olhos e disse que eu precisava fortalecer minha memória, caso eu quisesse ir bem na escola.  – O que devo fazer, meu avô?, perguntei. Ele apenas mandou que eu retornasse à sua casa no dia seguinte bem cedo.
Quando voltei na manhã seguinte notei que havia um cheiro bem estranho no ar. O velho estava esquentando um pouco de água para fazer café. Quando notou minha presença mandou que sentasse num banquinho e mais uma vez jogou fumaça em minha cabeça. Quis perguntar que cheiro era aquele, mas achei melhor não saber. Ficamos assim por alguns minutos. Em seguida o velho começou a manipular um estranho monturo que estava ali e que era, eu percebia agora, a origem daquele odor. Ele mandou que eu ficasse ali sentado. Obedeci. Postou-se à minha frente e passou a jogar aquela pasta fedida em minha cabeça até que formasse uma espécie de chapéu. Protestei, mas ele mandou ficar quieto. Completou o serviço e foi logo me dizendo que eu deveria passar uma semana inteira com aquele chapéu na cabeça e não deveria tirar nem mesmo pra dormir. Fiquei passado com aquilo. Perguntei, então, o que era aquela pasta mal cheirosa. – É um chapéu confeccionado à base de bosta de anta. Ele serve para amolecer sua memória e ajuda-lo a aprender as coisas de maneira mais fáceis e rápidas. Não se preocupe porque depois ele vai endurecer na sua cabeça. Quando isso acontecer, sua capacidade de aprender será outra. – Eu vou ter que andar com isso uma semana toda?, perguntei desesperado. – Vai ter que andar sim. É para seu bem. Depois você vai notar que foi um bom remédio.
Não adiantava nada eu ficar questionando o velho. Saí da casa imediatamente sabendo que minha cabeça estava exalando um odor horroroso. Todos os que passavam por mim levavam a mão ao nariz e riam sem parar. As meninas ficavam enojadas com aquilo e me mandavam ir embora dali. Foi uma experiência cruel.

Nunca soube se aquele “remédio” foi bom ou ruim para aprimorar minha memória, mas o som da voz de meu pai dizendo que me levaria à aldeia caso eu reclamasse da escola, me arrepiava e eu corria para fazer as lições de casa.

3 de nov. de 2015

PROFESSORA DE PORTUGUÊS


Quando eu entrei na escola meu mundo se dividiu. Antes eu tinha o tempo todo para mim: brincava, corria, nadava no igarapé, subia nas árvores, ia para a roça acompanhar minha mãe, ouvia histórias dos avós, cuidava de minha cutia de estimação. Enfim, o dia não acabava nunca!
Quando minha mãe inventou de me colocar na tal escola da cidade para que eu crescesse sabendo mais coisas que ela, o tempo tomou outra dimensão. Na verdade não foi minha mãe que insistiu com a escola, soube disso depois, mas o governo havia criado uma lei que dizia que todas as crianças – inclusive as que moravam nas aldeias – deviam ser matriculadas e frequentar a escola. Era uma condição que não cabia nem questionar naquele tempo.
Acostumado a andar pelado pela aldeia, me agoniou usar uma farda e um sapato apertados. Era o início de uma prisão que meu corpo iria ter que se adaptar. Não adiantou reclamar, bater o pé, me esconder na floresta ou fazer birra. A decisão de ir para a escola estava tomada e a escolha não era minha. O tempo que era todo meu, agora eu tinha que dividir com colegas estranhos, com adultos mais estranhos ainda, com deveres de casa ou com aprendizados que não me diziam nada. Se no começo foi bom, confesso, depois foi ficando um tédio especialmente por conta dos apelidos e gozações que sofria dos colegas.
Por causa do português muito ruim que eu falava, as aulas eram terríveis. Quase não entendia nada. Matemática, ciências, história ou geografia eram gregos. No entanto, sempre procurava me esforçar o máximo porque eu sabia que se não o fizesse receberia castigos que eram, às vezes, físicos e, outras, uma penca de exercícios para fazer em casa. As lições de casa roubavam meu tempo de brincar e me divertir.
Haviam, porém, duas coisas que eu gostava na escola e que, para mim, nada tinham a ver com a obrigação de estudar: as aulas de educação física e a professora de português. A primeira vocês podem entender porquê, né? Eram nas aulas de educação física que eu me vingava dos meus colegas. Eles eram todos muito fracos, lentos, preguiçosos e eu o mais rápido, mais preparado e forte. As corridas pela mata, as subidas constantes nos pés de açaizeiro, as braçadas no igarapé e o café da manhã que minha mãe preparava me davam energia de sobra e me faziam ser mais desenvolvido que os frangotes da cidade. Eu procurava mostrar todo meu vigor nessas horas e meus colegas tinham mesmo que admirar o “bicho do mato”, como diziam.
A outra coisa era a professora Fátima. Ela lecionava português. Por causa dela eu até me perfumava com o cheiro de patchulli extraído da mata. Quando tinha aula com ela – e tinha quase todos os dias – eu me produzia todinho. Fazia minha mãe lavar minha farda pra ficar bem branquinha; lavava meu tênis conga azul celeste para ele ficar da mesma cor dos olhos dela; caprichava na lição de casa para que ela se orgulhasse de mim; e levava uma tira de ingá como presente para ela.
Professora Fátima era loira, branca, olhos azuis, jovem e tinha os dentes pra frente. Seu sorriso solto destacava sua arcada dentária e a deixava ainda mais bonita. Nunca tinha visto ninguém com cabelos daquela cor. Minha cutia de estimação era ruiva; as onças tinham tiras na pele; as araras eram de variadas cores, mas a professora Fatima era uma ave rara que eu gostava de contemplar.
Um dia ela olhou para mim com seus olhos cor de céu. Ela disse que eu era bonito, simpático, alegre e que ela gostava muito de mim especialmente porque eu me esforçava para aprender bem a língua portuguesa. Esse foi o dia mais feliz de minha vida até aquele momento. Alguém finalmente tinha dito alguma coisa que me servia de elogio. E esse alguém tinha sido exatamente ela, minha professora de português por quem eu nutria uma paixão secreta e indestrutível. Meu coração deu pulos de felicidades e meu espírito finalmente faziam as pazes com os homens brancos. Ou melhor, com as mulheres brancas. Daquele dia em diante meu esforço ficou muito maior para satisfazer minha professora de português.
Tempos depois haveria uma festa junina, dessas que acontecem em escolas durante o ano. Haveria dança de quadrilha e eu já havia escolhido meu par: professora Fátima, minha deusa. Seria a glória para mim. Preparei-me para fazer o convite uns dias antes quando tudo já estaria preparado. Fui à sala dos professores nutrido de coragem e determinação. Bati à porta para ser atendido. Lá de dentro saiu minha professora acompanhada de um homem. Ela olhou para mim, apresentou seu namorado e perguntou o que eu queria ali. Nada, eu disse.

26 de out. de 2015

UM AVÔ PARA CHAMAR DE MEU


Avós são seres estranhos. Alguns são muito bonzinhos e outros têm cara de malvados. Tem os que gostam de ser velhos e outros que não querem nem ouvir essa palavra. Parece que não gostam de envelhecer por medo ou por vergonha.
Na cidade conheci muitos velhos que não querem ser velhos. Acham que é um defeito ter vivido muito tempo. Tem homens e mulheres com idade avançada, mas insistem em continuar jovens. Eu sempre achei isso um tanto esquisito porque venho de uma tradição em que ser velho é o sonho dos jovens. Nesse lugar o velho gosta de ser velho e faz questão de ser tratado dessa maneira. Ok, vou explicar melhor. Sei que parece confusa essa ideia.
Desde cedo a gente aprende a diferenciar as pessoas. Sabemos quem é nosso pai e nossa mãe; nossos tios e tias; irmãos e irmãs, primos e primas; avó e avô. Essa ordem é importante para dar às crianças uma referência espacial. Ela sabe a quem recorrer em caso de precisão. Questão de sobrevivência.
Com o passar do tempo a gente vai entendendo a função que cada uma dessas pessoas ocupam em nossa vida. Vamos descobrindo que os pais são nossos provedores e educadores de nossos corpos. São eles que nos alimentam, nos banham, nos ensinam a andar, nos levam para passear, fazem nossos brinquedos, ensinam os caminhos da floresta, a confeccionar nossos utensílios, catam nossos piolhos e brigam com a gente também. Depois percebemos que os irmãos servem como suporte para esse aprendizado. Servem também para brigar com a gente. Os primos são nossos colegas de jogos e brincadeiras. Tios e tias são nossos outros pais. Mas para que serve um avô e uma avó?
Eles servem para educar nosso espírito. São pessoas que já passaram pela vida e carregam no corpo as marcas do tempo passado. Trazem consigo a experiência de ter vivido e compreendido os sentidos de existir. São pessoas reflexivas, equilibradas e muito doces. Sim, são doces. São eles que oferecem guloseimas escondidas dos pais; relevam as broncas que os pais nos dão; elogiam nossas decisões mesmo que não entendam direito o que estamos fazendo. Lá na aldeia, são eles os responsáveis por contar as histórias ancestrais e manter em nós o espírito da tradição. Eles formam nosso espírito para entender os mistérios da vida.
Lá de onde vim os velhos não abrem mão de seu papel de formadores do espírito dos mais jovens. Eles não querem ser jovens para sempre. Querem ser velhos para sempre. Querem ajudar os jovens a não perderem o rumo. Sabem que têm um papel importante na vida da comunidade, na sua continuidade. Isso que aprendemos desde cedo: fazemos parte de uma teia. Se cada pessoa fizer sua parte, tudo correrá sempre bem. Também por isso fazemos os rituais de passagem. Isso quer dizer que somos ensinados a viver bem cada fase da vida em que estamos. Criança tem que ser criança; jovem, jovem; adulto não pode abrir mão de ser adulto e assumir as consequências por ser assim; o avô e a avó – que chamamos carinhosamente de velhos – não podem querer ser outra coisa nesse momento. Dessa maneira vamos marcando cada fase da vida com o que chamamos de rituais de passagens que são marcações de tempo que determinam nosso momento de vida. Dessa maneira a gente não esquece quem a gente é.
Eu tive avós muito estranhos, mas também muito legais. Eram pessoas felizes em sua velhice e me ensinavam a viver bem minha vida. Minha avó era uma bruxinha muito esperta e inteligente. Deixou em mim muitas marcas e saudades. Mas foi meu avô que ensinou coisas muito importantes para o que eu viria a ser mais tarde. Ele me ajudou a vencer o medo que eu tinha da cidade e das pessoas da cidade. Ele foi me conduzindo para eu me tornar um ser humano feliz, ainda que tivesse que enfrentar os desafios de viver numa sociedade diferente da minha. Ele foi me conduzindo por uma picada na floresta que depois se transformaria em trilha e, por fim, num caminho seguro e feliz.
Hoje em dia eu penso que meu avô já antevira tudo o que eu passaria em minha vida e foi criando um jeito de eu pode enfrentar as dificuldades com desenvoltura e com uma dose de bom humor. Ele foi o filósofo mais sábio que eu conheci, o velho mais jovem, o homem mais íntegro e correto que passou por minha vida. Ele não me deixou em nenhum momento e não abriu mão de sua idade e experiência quando precisei. Lamento não ter nenhuma foto dele. Tudo o que tenho são as lembranças que minha memória deixa de vez enquanto escapar para eu não esquecer que tive um avô para chamar de meu.

9 de out. de 2015

FELIS - FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS/MA

"TRAGO COMIGO OS SONHOS DE MUITOS: UM BRASIL DE LEITORES"


Registro de minha conversa com crianças da rede municipal de São Luís do Maranhão, onde participo da FELIS - Feira do Livro de São Luís.É muito bom encontrar pessoas que compartilham nossos sonhos e lutam por construir um país tolerante, livres das amarras de uma história mal contada. Há muito o que fazer. Há muito pensamento torto para desentortar. Há muitas ideias morando na cabeça da sociedade. Tenho certeza, no entanto, que atuando com esperança conquistaremos novos horizontes.As fotos abaixo mostram o esforço da sociedade. Mostram rostos famintos. Mostram educadores dedicados. Mostram a esperança estampada.É para isso que trabalho e professo minha fé no ser humano.

8 de out. de 2015

DANIEL MUNDURUKU CONVERSA COM ESTUDANTES DA ESCOLA COOPEP/PIRACICABA

Na tarde do dia 06 tive a oportunidade de conhecer e conversar com os estudantes da Escola Cooperativa COOPEP, de Piracicaba. Tal oportunidade se apresentou por conta da Projeto Literatura Viva do SESI. Convite aceito desloquei-me para conversar com uma classe que tinha realizado leitura sobre algumas de minhas obras. Foi uma conversa muito interessante, muito rica e interativa. Além de terem um espaço privilegiado com área verde, os estudantes traziam consigo a alegria do encontro.
Fiquei muito feliz em poder conhecer a escola e participar desse rico momento de troca e interação.
É, certamente, nesta hora que sinto que o trabalho que realizamos se fortalece e se abastece do desejo de estabelecermos um novo encontro entre os diferentes saberes.
Eis abaixo o registro desse encontro. As fotos foram tiradas pela própria escola que me presenteou com elas. Meu agradecimento especial.

7 de out. de 2015

LITERATURA VIVA EM SANTA BÁRBARA D'OESTE/SESI

Neste dia 07 estive na unidade do SESI de Santa Bárbara D'Oeste para uma conversa com jovens do Ensino Médio sobre cultura indígena e sua literatura. Foi uma conversa muito boa, animada, alegre, participativa. Parabéns aos estudantes do SESI e aos educadores que participaram animadamente também.
"Trago em mim o sonho de muitos: Um Brasil de Leitores".
No peito, meus amigos de jornada: Instituto Uk'a, Instituto C&A, Polo de Leitura ValeLendo, FNLIJ e Movimento Por Um Brasil Literário.

6 de out. de 2015

LITERATURA VIVA/SESI - AMERICANA

Hoje, dia 06, estive na unidade do SESI/AMERICANA para participar do Projeto Literatura Viva.
Foi uma conversa muito agradável com estudantes entre 08 e 09 anos.
 Foi muito bom!
Carrego comigo o sonho de muitos: a construção de um país de leitores. No peito, meus companheiros de caminhada: Instituto UK'A, Instituto C&A, Polo de Leitura ValeLendo, FNLIJ, Movimento por Um Brasil Literário.
Seguem as imagens desse lindo encontro:

LITERATURA VIVA - SESI SUMARÉ

Neste último dia 06 comecei a percorrer unidades do SESI da região de Campinas participando da edição 2015 do Projeto Literatura Viva. Este projeto consiste em visitas de autores às unidades da instituição para conversar com os estudantes sobre o processo da escrita. Claro que no meu caso estas conversas vão bem além do interesse literário. Eu adoro isso!
Segue ecos de minha passagem por Sumaré.

17 de set. de 2015

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA III JORNADA LITERÁRIA DO VALE HISTÓRICO

A III Jornada Literária já se aproxima. Entre os dias 23 e 26 de setembro, o Vale Histórico estará recebendo a visita de importantes escritores de literatura infantil e juvenil que virão estreitar os laços com os seus leitores e admiradores. Trazem consigo a bagagem de quem escreve para entreter e educar os olhares infantis e juvenis para perceberem a beleza e as incertezas de um mundo em constante transição.
O Instituto Uk'a - Casa dos Saberes Ancestrais se sente orgulhoso em poder contribuir para que este evento aconteça apesar de todas as dificuldades para sua realização. Faz isso porque acredita no poder da leitura literária e na boa vontade dos educadores e gestores em não permitir que o desânimo e a frustração minem sua atuação educadora.
Este ano o tema será: "ONDE NASCEM AS HISTÓRIAS?" e objetiva apresentar os mistérios e segredos que envolvem a arte da criação literária.
Insistimos, por isso, que todos compareçam para prestigiar este evento que está se tornando uma referência literária em todo o Vale do Paraíba.

8 de set. de 2015

III Jornada Literária do Vale Histórico

A III Jornada Literária do Vale Histórico já se aproxima trazendo consigo presenças de importantes escritores para nossa região: Rogério Andrade Barbosa, Marco Haurélio, Heloisa Prieto, Ninfa ParreirasRoní Wasiry GuaráTiago HakiyCristino Wapichana,Mauricio NegroValdeck De Garanhuns e Volnei Canonica.
A programação completa estará disponível em alguns dias. Lembrem que a Jornada Literária é uma proposta do Instituto Uka - Casa dos Saberes Ancestrais com o principal objetivo de colocar escritores em contato com os leitores em seu principal local de aprendizado: a escola.

27 de ago. de 2015

FILHOS DA MESMA FLORESTA


Sou paraense com muito orgulho. Nascido no norte do Brasil trago em mim as marcas da Amazônia, seus cantos, seus ritmos, sua ginga, sua magia e seus dramas. Está tudo em mim e ainda que eu quisesse retirar não conseguiria. O Pará está em mim ainda que hoje não more nele. Ele reverbera em mim no meu jeito de falar, de gesticular; pela farinha de mandioca, pela tapioca, pelo tucupi, pelo tacacá; pelo prato misturado; pelo gingado corporal que me ajuda a dançar o carimbó do mestre Pinduca, o siriá do mestre Verequete; pelas cerâmicas que enfeitam minhas paredes ou pelos cocares de seus povos ancestrais que teimam em me lembrar quem sou eu.
Sou paraense porque trago em mim as marcas dos nossos rios, o gosto de nossos peixes, o canto de nossos pássaros, as danças dos antepassados, o caranguejo extraído dos manguezais, o remanso de nossas canoas, barcos, catamarãs e balsas; a crença no saci, na Yara, na mula-sem-cabeça, no fogo fátuo, no curupira, na matintaperera, no vira-porco, no lobisomem, na caipora, nos duendes, gnomos, fadas e espíritos encantados.
Sou paraense porque sou filho da terra. Sou filho dos filhos da terra. Filhos resistentes, teimosos, manhosos, valentes. Filhos capazes de morrer para não entregar suas riquezas ancestrais nas mãos dos gananciosos do sistema econômico que macula a generosidade da mãe terra com um desejo insano de destruição em nome do progresso, do desenvolvimento e do dinheiro.
Tenho muito orgulho da gente do Pará. Sempre tive. E não somente de meus irmãos ancestrais. Tenho orgulho daqueles que foram para lá e passaram a amar aquela terra como sua própria casa; que desenvolveram um orgulho digno e se dedicaram ao seu crescimento transformando a aridez de suas matas em locais habitáveis e sem desejarem o extermínio dos locais. Gosto dessa gente que sabe gostar de gente sem olhar a patente, sem olhar a aparência, sem se preocupar se uns furam os lábios, as orelhas ou preferem usar cocares ao invés de bonés; baterem chocalhos ao invés de merengue; a cultivarem mandioca ao invés de criarem gado. Sei que existe gente assim e alguns são muito bons paraenses, emprestados que foram de outros lugares.
Digo isso hoje por morar em outro Estado. Foi um autoexílio por forças das circunstâncias. Essas forças me jogaram em outro lugar como a me orientar para oferecer meu melhor em outro canto que não o meu. Não posso julgar essas forças, mas posso conjugar minhas forças com as delas para compor um novo panorama favorável para todos os seres humanos.
Há muitos que se mudam sem razões; outros mudam para sobreviver; há os que o fazem para resistir. Sei de muitos parentes da floresta que mudaram de lugar para sempre, infelizes que foram onde nasceram. Alguns esqueceram suas origens para não ter que explicá-la. Tem os que o fazem por vergonha ou por medo, fugidos que são da violência de quem é intolerante com a diferença. Tem os que abriram mão por pura gratuidade simplesmente porque não vêm dignidade em viver em um lugar que nos os suporta.
Eu sou paraense. Digo e confirmo. De pai, mãe, tios, irmãos, avós, amigos, companheiros. Nunca traí meu lugar, nunca reneguei minha origem por mais motivos que tivesse. Algumas vezes os parentes da floresta tentam me renegar. Dizem que não sou um deles porque não falo sua língua, porque não moro com eles, porque tenho conforto. Alguns me ameaçam. Alguns tentam me extorquir. Alguns tentam me amedrontar. Disso tudo apenas lamento. Lamento que não consigam compreender a dimensão da vida humana; lamento que não consigam enxergar além de seus próprios umbigos; lamento que tenham perdido a conexão com o universo criador; lamento que não entendam as razões além da razão. Lamento, sobretudo, que não sejam capazes de compreender que somos filhos da mesma seiva, do mesmo seio, da mesma mãe. Somos filhos da mesma floresta embora tenhamos histórias diferentes. Somos parte do mesmo rio embora navegando por braços separados. Somos galhos da mesma árvore embora apontando em outras direções. Quando não conseguimos compreender essas variações passamos a olhar o mundo com os olhos de quem nos maltrata, de quem nos faz sofrer, de quem mira o lucro como fim último. Quando assim agimos estamos abandonando o nosso lugar ainda que estejamos nele. Estamos nos exilando na nossa própria aldeia talvez para não enxergamos o que de novo o mundo nos proporciona.

Sou filho da floresta. Ela é o único povo que reconheço. Sei que ela jamais renega um filho. Ela não muda nunca e sabe acolher os seus legítimos filhos e todos aqueles que se tornam legítimos ainda que não tenham nascido de seu seio materno. É assim que me sinto. É assim que vivo. É isso que mostro aos que ouvem as palavras desse filho legitimo do meu Pará.

15 de ago. de 2015

ACADEMIA DE LETRAS DE LORENA COMPLETA 06 ANOS

No próximo sábado, dia 22 de agosto, a Academia de Letras de Lorena (ALL) irá completar seis anos de sua fundação. Com uma programação recheada de apresentações culturais, lançamentos de livros com autógrafos de seus autores, os novos eleitos tomarão posse de suas cadeiras completando o quadro da instituição que tem como membro, desde sua fundação, o escritor radicado em Lorena, Daniel Munduruku.
O evento é aberto para todos os interessados.
Confiram o convite com os dados complementares abaixo:


Fonte: Da Redação do Instituto Uk´a.

Senado Federal debate Jogos Mundiais Indígenas

O Senado Federal, através de sua Comissão de Educação, Cultura e Esporte, debateu, na manhã desta quarta-feira, 12, em audiência pública, em Brasília, os aspectos que envolvem a realização dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), que acontece em Palmas, de 23 de outubro a 1º de novembro.

Na abertura da audiência, o presidente da Comissão, senador Romário (PSB-RJ), falou sobre a importância do evento e confirmou presença na abertura. “O importante não é competir, e sim celebrar. Eu, particularmente, acredito que este mote que permeia os Jogos Mundiais Indígenas deveria permear todo tipo de evento esportivo. Pois não podemos mais pensar o esporte sem ter em vista o intercâmbio de culturas e estímulo à cooperação. Com certeza, estarei em Palmas para o início desta grande competição”, disse.

Na sequência, Romário passou a condução dos trabalhos para a senadora Lídice da Mata (PSB-BA), uma das autoras do requerimento que defendeu uma edição nacional dos Jogos na Bahia. A senadora Ângela Portela (PT-RR) lembrou a participação dos indígenas de Roraima no evento. Já o senador Donizeti Nogueira (PT-TO) ressaltou o potencial turístico que o evento traz para a cidade sede. “Estamos trabalhando para transformar Palmas na Capital do turismo de aventura.”

O primeiro palestrante da audiência, Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal (ITC), mencionou algumas especificidades do evento. “Durante os Jogos serão realizadas uma Feira de Alimentação Orgânica Indígena e um desfile de moda indígena. A cozinha que abastecerá os atletas durante o evento contará com a participação de índios que estudam Nutrição em todo o país.”

Itens do plano para sediar o evento foram destrinchados pelo secretário dos Jogos Mundiais Indígenas, Hector Franco, na ocasião representando o prefeito de Palmas, Carlos Amastha. “Elaboramos junto às entidades parceiras, um projeto amplo que contempla segurança, saúde, hospitalidade, mobilidade e turismo. O plano de segurança é integrado ao Ministério da Justiça e cuida da segurança dos atletas, das delegações e da cidade como um todo. O segundo plano é ligado à área de saúde, e conta com todas as instâncias - federal, estadual e municipal - e prevê desde a saúde dos atletas até a saúde do público e da cidade".

Franco deu detalhes sobre os planos de mobilidade e turismo. "Durante os Jogos, utilizaremos o transporte alternativo, através de ônibus de tração elétrica, que farão as rotas do Centro à Vila dos Jogos. No que diz respeito à hospitalidade, atuamos junto ao Ministério do Turismo para adequar o setor de hotelaria da cidade e incentivamos a hospedagem alternativa. Além disso, temos preparado a cidade para receber o espírito dos Jogos.”

O atleta Edson da Silva Xerente, da etnia Xerente, falou do significado dos Jogos para os povos indígenas. “Os Jogos Mundiais estão sendo muito importante para nós. Estamos nos preparando para representar o nosso país da melhor forma possível. Na Copa do Mundo as pessoas conheceram o futebol do Brasil. Agora vamos ter oportunidade de mostrar para o mundo nossos esportes tradicionais e também conhecer outros.”

No dia 19 de agosto, os Jogos serão pauta de mais uma audiência pública, desta vez, na Câmara dos Deputados, também em Brasília.

Fonte: http://esporte.surgiu.com.br/noticia/208675/senado-federal-debate-jogos-mundiais-indigenas.html

27 de jul. de 2015

Daniel Munduruku na Fundação Roberto Marinho

Estive na Fundação Roberto Marinho para um agradável bate papo com educadores que estão trabalhando com dois títulos de minha autoria que a prefeitura do Rio de Janeiro adquiriu para os alunos da rede de ensino.
A FRM montou um lindo material de apoio para que os educadores possam se aprofundar nos textos e extrair deles sua essência. Os dois livros adquiridos foram Catando Piolhos, Contando Histórias (Brinque Book) e Como Surgiu - Mitos Indígenas (Callis).
 Durante dois períodos tive a oportunidade de conversar com os educadores sobre o contexto das sociedades indígenas brasileiras. Fiz-lhes notar que não basta "ler uma história de índio" para que a tarefa educativa esteja cumprida. É necessário, antes de mais nada, contextualizar a realidade onde a história está inserida. Fazer apenas a contação sem oferecer outras informações é repetir estereótipos, maquiar a realidade, empobrecer a experiência de humanidade destes povos ancestrais e continuar tendo uma relação distante com eles e com sua compreensão de mundo e de humanidade.
Os educadores, grupos que estão num processo de formação bem adiantado, receberam a "novidade" com o coração muito aberto e puderam praticar a máxima de Paulo Freire: só ensina quem aprende.
No final recebi dois exemplares do material elaborado pela FRM. Posteriormente eu os li e, tirando alguns vícios de linguagem (índio, tribo...), o material é rico e merece ser conhecido por todos os educadores do Brasil.
Fica minha gratidão à FRM e a seus organizadores pela oportunidade de interagir com seus educadores e formadores.
Como Surgiu
Abaixo seguem as capas dos dois volumes preparado para os educadores.

23 de jul. de 2015

UM ÍNDIO EM MINHA CASA - DICA DE LEITURA

Eis um lindo livro que fala sobre identidade, descoberta, ancestralidade, descobertas e boas reflexões.
Minha dica de leitura para professores que desejam trabalhar a temática indígena na sala de aula.
Título: Um Índio em Minha casa
Autora: Tania Mara de Aquino
Editora: Escrita Fina
Idade: a partir de 08 anos
Conferir o video em https://www.youtube.com/watch?v=gxxFkBCeuXA


10 de jul. de 2015

MEU VO(O) APOLINÁRIO - Teaser Pré-estreia


Gravado na pré-estreia do espetáculo “Meu Vo(o) Apolinário” no teatro da Teresa D´Ávila da cidade de Lorena (SP), para o público do ECOHVALE 2015.

O ESPETÁCULO 
Com texto original do escritor Daniel Munduruku (Menção Honrosa Pela Não-Violência e Tolerância – outorgado pela UNESCO) e direção de José Sebastião Maria de Souza, “Meu Vo(o) Apolinário” é acima de tudo uma história de sabedoria, ensinamento e auto-conhecimento. Estrelado por Wesley Leal e J. Lopes Índio, o enredo é universal e para todas as idades. Ultrapassa barreiras como as aves.

No palco, Leal representa o índio-narrador da história – primeiro filho do de uma grande família Munduruku que nasce na cidade (Belém do Pará). Ele apresenta ao espectador sua vida na escola – onde sofre com as piadas em relação à sua origem indígena – e na aldeia Munduruku – refúgio das férias escolares.

Após sofrer uma “desilusão amorosa”, ao ser rejeitado por uma menina do colégio, o garoto vai para a aldeia triste com o acontecimento, exacerbando sua baixa auto-estima por ter que lidar diariamente com as provocações de seus colegas.

Eis que surge na trama o vô Apolinário (J. Lopes Índio), que traz para ele o saber de um ancião respeitado por todos à sua volta. Apolinário ensina o garoto a ter orgulho de suas raízes, de sua ancestralidade e a respeitar a natureza.

“”Meu Voo Apolinário” é uma viagem iniciativa que o índio-menino realiza na busca de uma identidade desencontrada no mundo urbano que dissolve agressivamente formas de pertencimento e de felicidade ligadas a uma `filiação´, à ancestralidade. Origem em sentido próprio, ela contém todas as idades das personagens que, em uma consanguinidade espiritual com o cosmos, se confundem em laços da natureza que resiste ao poder destruidor do tempo”. Olgária Matos

Autor
Daniel Munduruku

Direção
José Sebastião Maria de Souza

Elenco
Wesley Leal
J. Lopes Índio

Coordenação Artística e Técnica
Pedro Paulo Zupo

Produção Executiva
JSMS e PPZ

Trilha Sonora
Canções tradicionais Munduruku
Gravadas por Daniel Munduruku

Vídeo Cenário
VJ Scan

Preparação Corporal
Isabel da Silva Telles

Figurino
José Sebastião Maria de Souza

Desenho Corporal
Mario Lúcio

Desenho de Luz
Hugo Peake

Projeto Gráfico
Maurício Tramonti

Ilustração (Óleo sobre Tela)
Therezinha de Sousa (They)

Assessoria Contábil
Marcos Fernandes

Assistente de Produção
Maria Luiza Tramonti

Contra Regra
Silvia Lopes

Assessoria de Imprensa
Arteplural (Fernanda Teixeira)

Cabelereiro
Ray Ferro

Costureira
Isabel Cristina Beralde

Quituteira
Nicotinha (Liquinha)

Homenagem a
Antonio Abujamra
http://meuvooapolinario.com/

12 de jun. de 2015

12º Encontro de Escritores Indígenas – Entre Caminhos: Literatura Indígena e Letramento

12º Encontro de Escritores Indígenas – Entre Caminhos: Literatura Indígena e Letramento
Realização: Instituto Uka - Casa dos Saberes Ancestrais Apoio: Instituto C&A e FNLIJ.
Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós
Local: 17º Salão Fnlij do Livro para Crianças e Jovens
Espaço: Mezanino - Sala A
Dias: 16 de junho de 2015.
Horário: 9h às 17h30min.
Inscrição pelo e-mail: seminario@fnlij.org.br
Informações:http://www.salaofnlij.org.br/seminario.html?pid=1211&sid=1397%3ASeminario-FNLIJ-Bartolomeu-Campos-de-Queiros-12º-Encontro-de-Escritores-Indigenas-Entre-Caminhos-Literatura-Indigena-e-Letramento

21 de mai. de 2015

MEU VÔ APOLINÁRIO - Em cartaz no Teatro Jaraguá SP

MEU VÔ APOLINÁRIO - Em cartaz no Teatro Jaraguá SP
Um belíssimo espetáculo baseado na obra de Daniel Munduruku.
Com Wesley Leal e J. Lopes Índio
Direção: José Sebastião Maria de Souza
Ingressos: www.ingressorapido.com.br
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Xipat Oboré!




14 de abr. de 2015

Salão do livro de Lages

Neste dia 13 estive em Lages, Santa Catarina, para participar do II Salão do Livro. Foi uma visita rápida por conta da agenda concorrida, mas valeu a pena. O público curtiu bastante a conversa e participou de maneira intensa. Vejam as fotos!!!

Caravana Mekukdradjá na Fábrica de Cultura do Capão Redondo

No dia 10 de abril estive em visita na Fábrica de Cultura do Capão Redondo para um gostoso bate papo sobre literatura. O público era composto por crianças, jovens e por educadores que ouviram atentamente minha apresentação. Foi muito bom!
Seguem as fotos que registraram este lindo momento.

10 de abr. de 2015

Caravana Mekukradjá na Fábrica de cultura do Jardim São Luís

Seguem as fotos da Caravana na Fábrica de Cultura do Jardim São Luís. Um gostoso bate papo com as crianças da periferia de São Paulo ocorrido no dia 09 de abril.

Caravana Mekukradjá - Literatura Indígena em Movimento

O mês de abril começou com toda força e já estou na estrada procurando difundir a literatura indígena. Vou procurar deixar registradas aqui imagens destas atividades para que meus amigos possam acompanhar essa jornada.
A primeira atividade que realizei foi participar do Abril Indígena em Salvador onde fiz a abertura deste evento que contou com a participação de muitos estudantes indígenas que estudam na Universidade Federal da Bahia. No dia seguinte ministrei uma oficina com estes mesmos estudantes para falar sobre criação literária.
Abaixo o relatório de atividade feito por Vanessa, uma das alunas participantes.
Seguem as fotos

3 de abr. de 2015

Vamos Brincar de Índio?

O mês de abril traz em seu bojo o fato de lembrar do “índio”, o folclórico e legendário primeiro habitante do Brasil. Em muitas escolas os professores irão dedicar boas horas letivas para inculcar nas crianças ideias preconcebidas a respeito do nativo brasileiro. Talvez se encontre entre eles quem ainda acredite ser o silvícola um ser fora de moda e longe dos padrões econômicos em que vive. Este irá reproduzir antigas falas sobre o atraso tecnológico, a preguiça, o canibalismo e a selvageria. Haverá quem tenha ultrapassado essa visão tacanha e se preocupe em mostrar a outra face da moeda quem sabe até dando voz e vez aos primeiros habitantes. Haverá de tudo, certamente.

9 de mar. de 2015

Das Coisas que aprendi - Entrevista com Daniel Munduruku



8 DE MARÇO DE 2015

livroDaniel Munduruku é um nome que se destaca dentro da Literatura Indígena brasileira e é uma voz de destaque não só para os povos indígenas tradicionais do Brasil, mas do mundo todo; pois suas palavras não se restringem a questões exclusivas do povo Munduruku, elas expressam uma essência humana que vem se perdendo na proporção em que a “cultura” capitalista ganha espaço.

6 de mar. de 2015

SAUDADES DE CASA


Acordei com saudade de casa. Não com é saudade de gente, mas de lugar. Saudade do cheiro da chuva das três horas. Saudade do calor ventilado. Saudade do canto das araras voando sobre as mangueiras recheadas de magia.
Senti saudade do Theatro da Paz e da praça Batista Campos, um oásis de minha infância. Saudade do açaí com pirarucu na tigela. Do tacacá ao meio dia. Saudade de ver-o-peso e ver as belezas naturais. Saudade do boto e do peixe-boi.
Fechei os olhos e me vi lá banhando nos igarapés de minha criancice; subindo nas árvores gigantes, meu orgulho. Fui até meu maracanã, aldeia de outrora, para encontrar-me com os meus amigos invisíveis que habitavam o lugar. Banhei na chuva fina. Me lambuzei na lama. Corri no mato empunhando arco, flechas e sonhos.
Hoje acordei com saudade de casa. Me deu vontade de cantar para o uirapuru, imitar a Yara, gargalhar como o Curupira e encantar como o boto. Senti ausência do saber sagrado. Do silêncio do silêncio. Do farfalhar miúdo das folhas amazônicas. Das cantigas de rodas, do bumba-meu-boi, das quadrilhas juninas. Ausentou-se em mim o som dos tambores dos terreiros onde cresci, da estranha magia dos pais de santos.
Saudade de ver meu rio Pará, singrar suas águas, contemplar seu pôr-do-sol. Saudade de água em profusão, pororoca, piracema. Saudade de casa.
Ela parece me chamar. Não posso ficar surdo. Não vou.

4 de mar. de 2015

FICHA DE INSCRIÇÃO PARA O ECOHVALE - 1º ENCONTRO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS DO VALE DO PARAÍBA

ORIENTAÇÕES PARA EFETIVAR AS INSCRIÇÕES NO ECOHVALE

1] É obrigatório o preenchimento de todos os dados solicitados na ficha;

2] Só será considerado inscrito no ECOHVALE  quando for confirmado o pagamento dentro do prazo estabelecido (comprovante digitalizado de depósito, informação sobre número da operação ou fotografia do comprovante anexado ao email);
3] O pagamento dá direito a participar de todas as atividades abertas e a uma oficina. Caso deseje participar de uma segunda oficina, o inscrito deverá pagar uma taxa extra de R$ 10,00 (inscrições antecipadas);

4] O inscrito só poderá optar por participar de duas atividades dirigidas (maratona de contação de histórias, redemoinho de histórias, contação de histórias na Bibliuka, contação na biblioteca municipal) sendo uma de livre escolha e outra por indicação da organização;

5] As vagas são limitadas e estarão garantidas mediante comprovação de inscrição. Lembramos que as atividades abertas (palestras, shows, mesas redondas) acontecerão em um teatro fechado com capacidade para até 350 pessoas;

6] A inscrição dará direito a retirar um kit ECOHVALE no ato do credenciamento;

7] Outras questões sobre inscrições serão resolvidas caso a caso com a coordenação.

FICHA DE INSCRIÇÃO, clique aqui.  



1º Dia –13/05 - Quarta-feira (FATEA)

8h00 às 09h00 – Credenciamento
09h30min – Acolhimento Poético (Grupo de Contadores da FATEA - Lorena/SP)
Grupos de cultura local
09h45 às 10h15 – Mesa de Acolhida:
Daniel Munduruku - Presidente do Instituto UKA
Autoridades e apoiadores do evento

10h30 às 12h15 - Conversa com Regina Machado

14h00 – Grupo de cultura de Lorena
14h30 às 17h00 – Roda de conversa afro-brasileira
Facilitador:  Sansakroma Sem Fronteira – Cantos e Contos com  Arte Africana
18h às 18h50 – Redemoinho de histórias
Local: Praça da Matriz
19h00 – Audiência pública sobre a construção do plano Municipal do Livro, Leitura e Literatura
Local: Câmara Municipal de Lorena
Organização: Instituto Uka, Polo de Leitura ValeLendo

2º Dia – 14/05 - Quinta-feira (FATEA)

08h30min – Acolhimento poético (Grupo de Contadores Cirandeiros da Palavra/PA)
9h00 - Mesa redonda – Histórias de contadores de histórias
Grupo Malba Tahan de Contadores de histórias da FATEA (SP)
Sônia Santos (PA)
Mediação: Olga Arantes (Fatea)

10h às 10h30 –Debate

10h30 as 10h45 – Intervalo

11h às 12h15min- Mesa redonda – Mitopoética
Saci – Prof.ª Ms. Margareth Marinho (MG)
Boto – Juraci Siqueira (PA)
Makunaima - Cristino Wapichana (RR)
Mediação: Giselle Ribeiro (PA)
30 minutos de Debate
12h45 – Intervalo para almoço

TARDE - 14h às 18h - Oficinas
Oficina 01 – Reencantar o mundo contando histórias - Margareth Marinho (MG)
Oficina 02 – A oralidade: No principio era o verbo - Os fios da memória presentes na voz do Contador de histórias – Andréa Cozzi (PA)
Oficina 03 – Histórias que ecoam no vale do Paraíba – Olga Arantes e grupo Malba Tahan de Contadores de Histórias
Oficina 04 –Ler e contar, contar e ler  - Francisco Gregório (RJ)
Oficina 05 – Contando histórias de índio? - Cristino Wapichana (RR) e Tiago Hakiy (AM)
18h30min às 19h30min – Roda de histórias ou cortejo com música e poesia.

20h30min – Palestra-poética com Socorro Lira

3º Dia – 15/05 – sexta-feira
8h00 – Acolhimento poético
Tiago Hakiy (AM) e Antonio Juraci (PA)
8h30 as 9h30 – Roda de conversa sobre cultura popular
Valdeck de Garanhuns (PE) – Mitos e Lendas Brasileiras
Francisco Gregório (RJ) - Oralidade, afeto, cidadania e Práticas Leitoras: vivências de um contador de histórias.

9h30 as 9h45 – Debate
9h45 às 10h – Intervalo

10h00 às 12h00 – Roda de conversa Indígena
A história de Uma Vez
Daniel Munduruku (SP)
Cristino Wapichana (RJ)
Mediação: Edson Krenak (MG)
12h as 12h15 - Debate


TARDE - 14h às 18h - Oficinas
Oficina 01– Reencantar o mundo contando histórias - Margareth Marinho (MG)
Oficina 02 – A oralidade: No principio era o verbo- Os fios da memória presentes na voz do Contador de histórias – Andréa Cozzi (PA)
Oficina 03 - Histórias que ecoam no vale do Paraíba – Olga Arantes e grupo Malba Tahan de contadores de Histórias/Lorena
Oficina 04 – Ler e contar, contar e ler - Francisco Gregório (RJ)

Oficina 05 – Contando histórias de índio? - Cristino Wapichana e Tiago Hakiy

NOITE
18h30 às 19h30 – Caçada ao Saci
Local – Parque Municipal Águas do Barão.
20h00 – Palestra espetáculo com Bia Bedran

4º dia – 16/05 – Sábado

09h00 às 12h00 – Maratona de contação de histórias
Local: praça Arnolfo Azevedo (evento aberto ao público)
A ideia é que este momento seja vivenciado especialmente pelas crianças e os contadores de histórias presentes se revezem e realizem performances de contação de histórias.

ECOHVALE - 1º ENCONTRO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS DO VALE DO PARAÍBA
De 13 a 16 de Maio - 2015
Lorena/SP
www.institutouka.blogspot.com
ukacontato@gmail.com



MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...