Luto por vidas
[Em memória de Moacyr Scliar] Sei que o título de minha crônica pode confundir. É um título dúbio e que nos leva a pensar na faina cotidiana de quem milita em busca de espaço político ou cultural. Não é esta minha intenção. Hoje estou especialmente triste e em dias assim fico de luto. Pelos últimos acontecimentos da vida real, motivos há para ficar de luto indeterminadamente, mas o pouco de esperança que ainda trago me impede de lamentar à exaustão. Ainda bem que é assim! Estou de luto. Luto por vidas. Pela minha, pela dos meus amigos, pela de meus parentes, pela de minha família. Vidas que vêm e vão. Que se encontram, desencontram e sucumbem à passagem do tempo. Vidas que colorem a vida e descolorem as dores, ilusões dos corpos. Luto pelo dia de hoje, único, solitário, meu. Experiencia intransigente do corpo que me habita e que joga minhas vaidades por terra enquanto me recorda a frágil estrutura da matéria. Hoje, presente único. Descartável. Com pra...