15/07/2009 - 08:32:08
Se os índios não dominarem as técnicas de produção e transmissão de conhecimento, eles serão eternamente representados pela voz dos brancos. E para alcançar a autonomia de pensamento há um único caminho: a educação. A colocação feita por Teresinha Pereira da Silva, durante a abertura do I Congresso Brasileiro de Acadêmicos, Pesquisadores, e Profissionais Indígenas, na manhã desta terça-feira, resume o objetivo do encontro realizado na Universidade de Brasília.
Teresinha é índia potiguara de uma aldeia do semi-árido cearense. Graduada em Antropologia e com pós-graduação em Educação Indígena estava entre os cerca de mil índios, dos quatro cantos do Brasil, que chegaram à capital para o congresso. O reitor da UnB, professor José Geraldo de Sousa Junior, ressaltou o acolhimento à iniciativa como um fato marcante na reflexão sobre as questões indígenas. “No século XVII, o debate era se índio era gente ou não. Hoje, a luta é pelo reconhecimento de uma identidade sólida”, afirmou.
José Geraldo destacou ainda a formulação de uma agenda política, cultural e social para inclusão dos indígenas no sistema de ensino brasileiro como um dos objetivos do encontro, que segue até 17 de julho no Centro Comunitário Athos Bulcão. “Temos aqui estudantes e pesquisadores especializados na questão. É preciso deixar a relação hegemonista de lado e buscar novas formas de tornar o mundo mais justo”, afirmou o reitor, que destacou a presença de parte dos 40 alunos indígenas da UnB.
Formação IntelectualPonto alto na manhã de abertura do congresso, a palestra do pesquisador e representante do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep), Gersem Baniwa, traçou um perfil histórico da educação indígena no Brasil. “A colonização portuguesa trouxe, além do genocídio, um atraso uito grande na formação intelectual dos povos”, afirmou. “A presença de índios no Ensino Superior vem de cinco anos para cá. Muito recente se comparada a países vizinhos, como a Venezuela, colonizada por espanhóis”, completou.
O filósofo ressaltou o caráter elitista que acompanhou o acesso às universidades nos últimos séculos. “Sempre tivemos um modelo europeu, excludente. Pouco a pouco essa realidade começa a mudar e chegar às classes meos favorecidas”, afirmou. Munido de estatísticas, Gersem denunciou a situação precária em que se encontra a educação dos índios. “Um terço dos alunos indígenas das universidades não contam com apoio do Estado. E o ensino médio enfrenta a falta de professores e de oferta”, afirmou.
Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que há cerca de 6 mil indígenas no ensino superior brasileiro. Desses, 961 contam com bolsas em faculdades particulares, pelo Prouni. Cerca de mil recebem a bolsa em universidades públicas por meio de convênio com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e outros 1,6 mil professores indígenas recebem ajuda do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind). O ensino médio, porta de entrada para a graduação superior, conta com apenas 7 mil alunos. Já o ensino fundamental agrega 180 mil crianças indígenas.
O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, reconhece a deficiência no modelo. “É um círculo vicioso: a falha no ensino édio prejudica a acesso às universidades, que por sua vez dificulta a formação de docentes para as escolas”. Para ele, a voz do índio deve ser a primeira na transformação. “Começamos a trabalhar com a a singularidade das etnias e não mais por divisão no estado. Isso vai facilitar a aproximação de programas de apoio, como o Prolind e o Prouni”, destacou.
Protesto e CulturaApesar dos esforços do governo federal, um protesto dos alunos da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, chamava a atenção para a falta de apoio para os 15 indígenas da instituição. “Tudo que temos vem da universidade que já passa dificuldades para nos manter. Procuramos a Funai e secretaria de Educação, mas não somos ouvidos”, reclamou o tuxá Dorival Vieira, estudante de História.
A abertura do congresso também teve um momento cultural com o grupo Magutá. Formado por indígenas da aldeia Umariassú, que fica na beira do Rio Solimões, em Tabatinga (AM), os músicos apresentaram três canções de autoria própria que cantavam a luta pelo orgulho indígena. “Há três anos tocamos para divulgar nossas raízes. Apesar de morarmos em Manaus para estudar, não esquecemos de onde viemos”, afirmou a cantora e estudante de licenciatura em Informática, Djuena Tikuna.
UnB Agência
15 de jul. de 2009
Governo de São Paulo abre quatro editais de incentivo
ATENÇÃO PARENTES DE SÃO PAULO!!!!!
SÃO PAULO - A Secretaria da Cultura abriu quatro editais de incentivo à cultura, no valor total de R$ 4,5 milhões, dentro do Programa de Ação Cultural (ProAC). As áreas contempladas são Cultura Indígena, Culturas Tradicionais, Difusão da Literatura e Festivais de Artes.O edital de Promoção da Continuidade da Cultura Indígena no Estado selecionará 14 projetos, oferecendo prêmio de R$ 18 mil para cada. Serão aceitos projetos de apresentações públicas de manifestações culturais; realização de atividades de transmissão do saber; publicação de livro; produção de registro audiovisual (em DVD); produção de registro musical (em CD); e manutenção da infra-estrutura da comunidade. As inscrições estão abertas até o dia 10 de setembro.Para o edital de Promoção da Continuidade das Culturas Tradicionais no Estado, serão selecionados 45 projetos, e cada um receberá um prêmio de R$18 mil. Já o edital de Apoio Cultural para a Difusão de Literatura deverá selecionar seis projetos que estimulem o interesse pela leitura no estado. Serão destinados R$ 60 mil para cada projeto. Por fim, serão selecionados 43 projetos de Festivais de Artes, divididos em quatro módulos.
Fonte: Diário de Comércio e da Indústria
http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=8&id_noticia=292882
SÃO PAULO - A Secretaria da Cultura abriu quatro editais de incentivo à cultura, no valor total de R$ 4,5 milhões, dentro do Programa de Ação Cultural (ProAC). As áreas contempladas são Cultura Indígena, Culturas Tradicionais, Difusão da Literatura e Festivais de Artes.O edital de Promoção da Continuidade da Cultura Indígena no Estado selecionará 14 projetos, oferecendo prêmio de R$ 18 mil para cada. Serão aceitos projetos de apresentações públicas de manifestações culturais; realização de atividades de transmissão do saber; publicação de livro; produção de registro audiovisual (em DVD); produção de registro musical (em CD); e manutenção da infra-estrutura da comunidade. As inscrições estão abertas até o dia 10 de setembro.Para o edital de Promoção da Continuidade das Culturas Tradicionais no Estado, serão selecionados 45 projetos, e cada um receberá um prêmio de R$18 mil. Já o edital de Apoio Cultural para a Difusão de Literatura deverá selecionar seis projetos que estimulem o interesse pela leitura no estado. Serão destinados R$ 60 mil para cada projeto. Por fim, serão selecionados 43 projetos de Festivais de Artes, divididos em quatro módulos.
Fonte: Diário de Comércio e da Indústria
http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=8&id_noticia=292882
Letras indígenas: arma para preservar culturas ancestrais
Enviado por Rachel Bertol -15/6/2009-7:00Publicado no Blog do O Globo
Karú é o nome de um menino, em seu povo, escolhido para ser pajé. Tem entre 9 e 10 anos, e se pergunta o motivo de ter sido o escolhido. "Karú Tarú" (Edelbra), livro que o escritor indígena Daniel Munduruku lança no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, traz à tona os questionamentos do garoto. Mas se trata de uma criança indígena dos tempos atuais: que vê TV, domina o português e tem muitas vezes acesso a outros tipos de vida, como a das cidades - enfim, um índio que não se encontra mais isolado em sua aldeia como ainda supõe o clichê. Algo que persiste porque não se assimilou plenamente a ideia de que muitos indígenas, cultos ou não, podem viver entre os não indígenas trazendo as marcas de duas culturas, a da civilização Ocidental e a de seus povos ancestrais.
O próprio Munduruku é um exemplo dessa realidade. É formado em filosofia e, casado com uma não índia, vive em Lorena (SP) com os três filhos. Quando começou a escrever, não pensava, necessariamente, no público infantil, mas reconhece que seu interesse em educação - atualmente, faz doutorado em Educação na USP - pode ter contribuído para que seus livros acabassem se destinando, sobretudo, aos jovens leitores. Quase todos os seus livros se relacionam à cultura indígena.
- Eu nunca me defini como um autor de livros para criança, mas escrevo fácil. Para criança, jovem, adulto. Tenho algo ligado à educação na minha fala, e meu trabalho acabou se reportando mais às crianças, que acabam tendo mais acesso a ele. Mas boa parte do que escrevo continua a ser feito para um público geral - contou Munduruku em entrevista telefônica, realizada pouco antes da sua vinda para o Rio para participar, esta semana, do Salão FNLIJ para Crianças e Jovens, que acontece até o dia 21 no Centro Cultural da Ação da Cidadania, na Saúde.
Há seis anos, Munduruku organiza no Salão um encontro com outros autores indígenas, que, com o apoio do Instituto C&A, recebe este ano cerca de 30 pessoas, um número recorde. Esse sexto encontro, que tem como título "Oralidade indígena e novas tecnologias da memória", que acontecerá no Salão no dia 17, vai se desdobrar em diferentes atividades na cidade. Nesta segunda-feira, dia 15, haverá um encontro inédito na Academia Brasileira de Letras (ABL), às 17h (aberto ao público), que deixa Munduruku especialmente animado. Há uma possibilidade de que façam na Casa de Machado de Assis o ritual com que costumam abrir o Encontro no Salão.
- Fazemos uma roda, cantamos, batemos pé, na abertura e no encerramento do evento - conta Munduruku.
Em debate esta tarde, a questão da oralidade, marca da cultura indígena, face às novas experiências da escrita. Se havia suspeitas de que a escrita pudesse matar a oralidade, Munduruku acredita que, ao contrário, trata-se de uma forma de realimentá-la e, hoje em dia, uma maneira inevitável de preservar culturas e sensibilidades que, como ele observa, poderiam ter sido extintas há muito tempo.
- Vou usar uma palavra feia, mas que é fato. O fato é que nós somos vítimas. Fomos vítimas do sistema educativo e político. Fomos obrigados a ir para a escola, não era algo que queríamos. Mas acabou sendo positivo. O Estado queria apagar as nossas identidades, nesse processo houve muitas baixas, mas também permitiu que a gente pudesse usar o que aprendeu a nosso favor. É como se usássemos a arma a nosso favor - conta Munduruku.
Outros eventos em que os indígenas - que vieram de todos os cantos do país - estarão presentes, esta semana no Rio, são: nesta segunda, 15, das 9h às 15h, acontecem na UFRJ (segundo andar da reitoria; Av Pedro Calmon 550, Cidade Universitária) oficinas de grafismo e contação de histórias. Terça-feira, 16, no mesmo local, haverá de 9h às 11h30m, a roda "Catando piolhos, contando histórias". Dia 17, às 9h, será o dia dos debates no Salão do Livro para Crianças e Jovens. Na quinta-feira, 18, novo seminário será realizado, desta vez na Uerj, às 19h.
Acadêmicos indígenas se reúnem em Brasília a partir de hoje
A Universidade de Brasília será palco a partir de hoje, do I Congresso Brasileiro de Acadêmicos, Pesquisadores e Profissionais Indígenas.
Serão mais de mais de 600 indígenas universitários reunidos para debater entre outros temas, a Espiritualidade, Saúde, Línguas, Vida na cidade, Educação, Identidade e Diversidade. Um grande diálogo entre o saber tradicional e as demandas do mundo acadêmico.
No inicio dos anos 80, o então Ministro Golbery do Couto e Silva, um dos cérebros da ditadura determinou através do Presidente da FUNAI, o Coronel João Carlos Nobre da Veiga, a expulsão de 15 estudantes indígenas que viviam em Brasília.
Com o argumento da célebre frase: Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem sou, aqueles jovens resistiram e criaram o primeiro movimento indígena do País: a União das Nações Indígenas.
O líder indígena e Diretor do Memorial dos Povos Indígenas de Brasília, remanescente daquela época, o aquidauanense Marcos Terena, será o coordenador do tema Espiritualidade.
Segundo Terena, que é membro da Cátedra Indígena Internacional, “a espiritualidade é a base da resistência indígena e é superior a todos os dogmas da catequese e da religião, pois atua como ponte transversal entre passado e futuro e traz uma nova forma de ver o mundo com a afirmação da identidade cultural e o direito sobre a terra! O Índio sem terra não sobrevive. O Índio sem cultura, não é nada.”
Outras informações: Centro Indígena de Estudos e Pesquisas, fone (61)3322.6538.
Fonte: Aquidauana News
http://www.aquidauananews.com/index.php?action=news_view&news_id=149536
Serão mais de mais de 600 indígenas universitários reunidos para debater entre outros temas, a Espiritualidade, Saúde, Línguas, Vida na cidade, Educação, Identidade e Diversidade. Um grande diálogo entre o saber tradicional e as demandas do mundo acadêmico.
No inicio dos anos 80, o então Ministro Golbery do Couto e Silva, um dos cérebros da ditadura determinou através do Presidente da FUNAI, o Coronel João Carlos Nobre da Veiga, a expulsão de 15 estudantes indígenas que viviam em Brasília.
Com o argumento da célebre frase: Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem sou, aqueles jovens resistiram e criaram o primeiro movimento indígena do País: a União das Nações Indígenas.
O líder indígena e Diretor do Memorial dos Povos Indígenas de Brasília, remanescente daquela época, o aquidauanense Marcos Terena, será o coordenador do tema Espiritualidade.
Segundo Terena, que é membro da Cátedra Indígena Internacional, “a espiritualidade é a base da resistência indígena e é superior a todos os dogmas da catequese e da religião, pois atua como ponte transversal entre passado e futuro e traz uma nova forma de ver o mundo com a afirmação da identidade cultural e o direito sobre a terra! O Índio sem terra não sobrevive. O Índio sem cultura, não é nada.”
Outras informações: Centro Indígena de Estudos e Pesquisas, fone (61)3322.6538.
Fonte: Aquidauana News
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