9 de mai. de 2010

PONTO DE VISTA

COLIDER 08/05/2010

Estou acompanhando pelos meios de comunicação, internet, emails, telejornais, muitos problemas que estão acontecendo com nós povos indígenas no Brasil inteiro, como nossos parentes UMUTINA foram atacados na sua aldeia pela policia federal, força nacional, li também que um parente cujo assassino que o - matou  não foi punido e o delegado responsável pelo caso nem se quer quis ouvir- e tomar providencia que deveria ter tomado- o irmão do parente que foi morto.

Assisti também pela TV a entrevista do presidente da FUNAI sobre manifestação dos nossos parentes KAIGANG E GUARANI o decreto de reestruturação da tal FUNDAÇÃO NACIONAL DO INDIO. Na manifestação os nossos parentes entraram em conflito com os brancos que queriam passar como no dia a dia, no conflito um parente atirou uma pedra em direção ao carro e feriu uma mulher não indígena, mas não foi só isso, um parente também foi atingido por uma bala em sua perna. Esse relato todo eu assistir no jornal, e na entrevista o presidente da FUNAI Marcio Meira, afirmou que o indígena seria punido, e nem falou sobre a punição do branco que atirou em um parente nosso e disse também que não se pode resolver problemas administrativos com violência e manifestação Vejam como é a atual FUNAI. Nós indígenas nos manifestamos porque o governo e nem muito menos a FUNAI não quer ouvir nós, não quer receber nós para conversarmos, dialogarmos. Até mesmo agora tem policiais da força nacional em frente a Sede da FUNAI em Brasília, impedindo a entrada dos nossos lideres.

Será que estão realmente trabalhando para o desenvolvimento segurança e uma vida digna dos povos indígenas do Brasil ? creio que sim, mas são poucos pois existem muitos que estão na FUNAI somente por interesse financeiro. Até quando estarão elaborando e aprovando leis para os povos indígenas sem a consulta dos mesmos, que somos nós? Exatamente por isso eu critiquei o Instituto Socioambiental por fato de um coordenador-fundador apoiar a reestruturação. Concordo com as palavras do coordenador-fundador do Instituto Socioambiental, mas é somente teoria. Eu não pensei somente em minha gente, mas pensei nos Povos Indígenas do Brasil.

Recentemente a camara dos deputados aprovou o decreto que autoriza a livre circulação dos policias da força nacional e policia federal nas nossas terras. Será que é pra continuarem a nos tratarem mal como aconteceu na aldeia umutina? Será que farão com nós o que aconteceu na raposa serra do sol?  A senadora Serys - PT, afirmou que a presença desses policiais será para a nossa segurança. Isso é mentira. Pois os decretos e muitos decretos foram aprovados e de fato elas existem, mas são somente a teorias e teorias. E como já disse na pratica muitos desses decretos são problemas para os povos indígenas do BRASIL.

Garantiram a nossa presença nas audiências publicas sobre o Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Mato Grosso e elaboramos as nossas propostas, mas nem se quer foram incluídos pelos deputados que aprovaram o tal projeto.

Agora o projeto Belo Monte também será feito de qualquer jeito, como afirmou o presidente da República Federativa do Brasil-Luíz Inacio Lula da Silva em sua entrevista coletiva aos jornalistas. Existem outros parentes nossos morando naquela região onde o governo quer construir a usina hidrelétrica, são os JURUNAS os índios ARARAS e outros que não me recordo o nome. E ai pessoal, vejam que nem o Presidente da Republica quer saber da causa indígena. A lei não esta sendo cumprida pelos brancos, NEM ELES RESPEITAM AS LEIS DELES MUITO MENOS RESPEITARAO AQUELAS QUE FORAM APROVADOS POR ELES MESMOS PARA GARANTIR A NOSSA PROTEÇÃO.

E a governadora do estado do Pará tem respondido ao protesto do Diretor do filme Avatar, dizendo que o projeto de desenvolvimento social daquela região não é uma ficção como no filme. Eu pensei, O filme mostra pelo menos a realidade de como muitos parentes nossos foram tratados e que ainda estamos sendo mal tratados, ou seja, esses problemas ainda existem na vida real. Nesse sentido o filme não é apenas uma ficção.

EU NÃO SOU ADVGADO, MAS FAÇO QUESTÃO DE INCLUIR NESTE TEXTO PARA QUE VOCES PARENTES LEIAM E REFLITAM SOBRE A REALIDADE NOSSA PERANTE O ESTADO BRASILEIRO EM PLENO SÉCULO 21.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;                                     
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; (o terrorismo e racismo existe no Brasil contra os povos indígenas)
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e
Coletivos
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano
ou degradante;

E ai será que isso é cumprido pela sociedade dita CIVILIZADA  E O SEU GOVERNO?

Somo maltratados pela sociedade do branco e pelo governo dele, por que somo vistos e considerados como empecilhos dos seus diversos projetos de desenvolvimento, mas isso tudo é uma mentira, pois não somos responsáveis pela administração do Brasil, pelos Estados e Municípios. E não fomos nós que implantamos o tal sistema capitalista. O próprio branco adotou esse sistema como, medida para o seu desenvolvimento social e econômico, mas que teve como resultado a desigualdade social, por isso existe a pobreza, a violência, o racismo, e principalmente contra nos indígenas.

Nós indígenas somente queremos viver em paz, dentro das nossas terras que foram demarcados e que muitos outros precisam serem demarcados ainda.

Não somos como o homem branco que quer terra somente pra si, como existem muitos fazendeiros. Somente um fazendeiro tem muita terra, somente um agricultor tem muita terra, enquanto isso a pobreza, a violência a desigualdade social continuam sendo a realidade dos brasileiros.

E ai somo responsáveis pelo atraso do desenvolvimento social e econômico do Brasil? Será que somos nós que administramos o Brasil e assim somos nós que roubamos o dinheiro publico em vez de investir em Educação, Saúde e outros projetos sociais?

Será que ainda assistiremos junto com o mundo, mais etnocídio, genocídio, chacino massacres com nós povos indigenas, como aconteceu no passado com muitos parentes nossos que desapareceram?

Lula não cumpriu a sua palavra, quando ele disse SE ATÉ O FINAL DO MEU MANDATO TODO BRASILEIRO TIVER TRES REFEIÇÕES AO DIA EU TEREI CUMPRIDO A MINHA MISSAO, somos culpados por não descumprimento desse objetivo? Ainda existe fome, pobreza a desigualdade social no BRASIL.

Ainda há muito que se fazer para melhorar a vida de todos os brasileiros (nao so os ricos mas também os pobres) em todos os aspectos sem acabarem com nós Povos Mebengokré no Brasil.


Patxon Metuktire
Indígena Kaiapó Mebengokré

Americano aceita devolver sangue de índio Yanomami

Folha de São Paulo, domingo, 09 de maio de 2010

CIÊNCIA

 Proposta do Brasil a cinco centros de pesquisa pode encerrar disputa iniciada em 1967

Livro acusou antropólogos de trocar material biológico por bugigangas; devolução divide opiniões de institutos que ainda detêm ampolas

Dario Lopez-Mills - 22.mar.98/Associated Press


ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

Uma proposta de acordo enviada pelo governo brasileiro em março a cinco centros de pesquisa americanos está prestes a resolver uma polêmica mundial que começou há mais de quarenta anos entre geneticistas e antropólogos estrangeiros e índios ianomâmis.
A disputa tem origem em 1967, quando equipes lideradas pelo geneticista James Neel e pelo antropólogo Napoleon Chagnon recolheram milhares de amostras de sangue ianomâmi no Brasil e na Venezuela.
No ano 2000, o jornalista norte-americano Patrick Tierney os acusou em seu livro "Trevas no Eldorado" de, entre outras coisas, "comprar" o sangue com armas e presentes e conduzir pesquisas sem obter consentimento dos índios. Neel morreu naquele ano sem ter sido investigado. Chagnon foi inocentado pela Associação Americana Antropologia.
Além de levantar uma das maiores controvérsias éticas e científicas da antropologia ao redor do mundo, o livro horrorizou os ianomâmis ao apontar para a manutenção até hoje de sangue congelado de seus pais e avós em centros de pesquisa.
Lideranças ianomâmis tentam há anos reaver as amostras para finalizar rituais mortuários, mas os centros inicialmente resistiram a devolvê-las, não só por sua utilidade em pesquisas, como por temores de problemas na Justiça.
Sob pressão dos índios, o Ministério Público Federal de Roraima deu início em 2005 a um procedimento administrativo para recuperar as amostras.
Foram enviadas cartas a diversas instituições nos EUA, das quais cinco confirmaram ter material biológico ianomâmi em seu poder: Universidade do Estado da Pensilvânia (a Penn State), Instituto Nacional do Câncer, Universidade Binghamton, Universidade do Estado de Ohio e Universidade da Califórnia em Irvine.
Após anos de consultas, foi feita em março uma proposta de "Acordo de Transferência de Material" para a devolução das amostras ao Brasil. As universidades, cansadas da polêmica, indicaram disposição em ceder.

Desativação
A proposta prevê que os institutos seriam responsáveis por enviar o material a Washington, onde a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recolheria as amostras e as levaria ao Brasil. Todo o processo seria acompanhado por representante do Ministério Público, que depois atestaria o destino final do material conforme indicação dos índios.
O acordo indica que seria feita desativação microbiológica do material antes da devolução. Há preocupações com a destinação das amostras pelos índios e com uma possível contaminação -os ianomâmis têm o costume de queimar os restos de parentes e comer as cinzas.
Ainda estão sendo negociadas questões jurídicas e de manuseio. Algumas universidades procuraram a Embaixada do Brasil em Washington para pedir pequenos ajustes: o Instituto Nacional do Câncer, por exemplo, tem dúvidas sobre o processo de esterilização.
Ainda assim, segundo Alexandre Vidal Porto, ministro-conselheiro da embaixada brasileira, "a expectativa é que a questão seja resolvida no menor espaço de tempo possível e que as amostras de sangue sejam devolvidas aos índios ianomâmis o quanto antes".
Contatadas pela Folha, três das cinco universidades se disseram ansiosas pela resolução da controvérsia e confirmaram a intenção de devolver as amostras rapidamente.
A Universidade do Estado de Ohio e a Universidade da Califórnia em Irvine, aparentemente a mais reticente quanto ao acordo, não haviam respondido aos pedidos de informação da reportagem até o fechamento desta edição.
O professor Kenneth Weiss, do departamento de antropologia da Universidade Penn State, disse que não há mais controvérsia sobre a devolução e que a questão é apenas legal.
"O acordo está sendo avaliado por advogados da universidade; depois disso, quero garantir que não haverá riscos biológicos de contaminação."
Ele diz que não tem indicação de que as amostras seriam perigosas, mas que é possível que parasitas e bactérias tenham sobrevivido congelados através dos anos.

Perda científica
Weiss afirma que o uso das amostras em pesquisas da Penn State foi interrompido cerca de um ano após a publicação do livro de Tierney. Do ponto de vista científico, ele crê que a devolução é uma perda.
"Não há valor financeiro [nas amostras], mas muito valor para a compreensão de como populações viviam no passado. Se os ianomâmis concordassem, eu adoraria manter e usar as amostras", explica.
O Instituto Nacional do Câncer disse que "está ansioso para completar o acordo e devolver as amostras" para o Brasil.
Karen Pitt, assistente especial para recursos biológicos do instituto, confirmou que o sangue ianomâmi foi usado em alguns estudos, que resultaram na publicação de dois artigos. Mas disse que "o uso foi bloqueado assim que ficou claro que o governo brasileiro estava interessado em reaver as amostras, em 2005 ou 2006".
Gerald Sonnenfeld, vice-presidente de pesquisa da Universidade Binghamton, disse que seus cientistas aceitaram devolver as amostras há muitos anos. "Estivemos esperando que o governo brasileiro nos dissesse como proceder, e estamos satisfeitos por ver a questão sendo resolvida agora."

saiba mais

Tribo quer fazer funeral para amostras

DA REDAÇÃO

Os ianomâmis sabem direitinho o que fazer com as mais de 2.000 amostras de sangue coletadas por James Neel e colegas quando elas voltarem a Roraima. Chamarão os velhos, chorarão pelos parentes mortos e despejarão tudo no rio.
Os índios acham inconcebível que partes de pessoas que não existem mais ainda possam estar zanzando por aí, trancafiadas em geladeiras a milhares de quilômetros de distância.
Não há lugar para a permanência dos mortos na Terra na visão de mundo ianomâmi. As cinzas dos parentes são misturadas a comida ou bebida para que não sobre nada do finado. Seu nome nunca mais é mencionado.
"É a maneira como você constrói a separação entre o mundo dos mortos e o dos vivos", diz o antropólogo Bruce Albert, da Comissão Permanente Pró-Yanomami, em depoimento no filme "Napëpë" (2004), da antropóloga Nadja Marin. "Se você não faz isso, os mortos voltam e ficam perseguindo os vivos."
Albert e o líder Davi Kopenawa Yanomami foram os principais responsáveis pela ação do Ministério Público junto aos EUA para a devolução das amostras.
Ambos estavam na Alemanha na semana passada e não responderam a pedidos de entrevista da reportagem.
Para Davi Yanomami, os cientistas não disseram o que seria feito com o sangue -só que as pesquisas trariam benefício. "Em parte vacinaram para sarampo, mas sangue eles não falaram, não."
Albert chama a coleta de "biopirataria". "Um dia [o DNA] pode ser explorado comercialmente, sem que os ianomâmis possam controlar qualquer coisa." (CA)

"Consentimento informado é relativo", afirma geneticista

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Para o geneticista gaúcho Francisco Salzano, ex-aluno e colaborador de James Neel por cinco décadas, a coleta de sangue dos ianomâmis foi feita "de modo absolutamente ético".
O pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul participou das coletas em 1967 e diz que não faria nada diferente se tivesse de repeti-las.
"Esse material é precioso para a nossa história", afirma, lamentando a sua devolução.
Neel e seus colegas tinham em mente uma série de questões científicas que poderiam ser respondidas com a análise do sangue e do DNA indígena.
Uma delas era estudar a microevolução humana, ou seja, o impacto do isolamento geográfico entre os grupos ianomâmis na sua diferenciação genética.
O DNA da tribo também foi usado para ajudar a mapear a migração do homem para a América, na Era do Gelo.
Outro objetivo, menos nobre, era usar os ianomâmis como grupo controle para analisar mutações genéticas em sobreviventes da bomba atômica.
Salzano diz que ainda havia muito o que aprender com as amostras e que só uma parte muito pequena do DNA foi sequenciada. "Quando se desenvolveram novas técnicas genômicas é que houve o embargo."
O pesquisador, de 81 anos, rebate as acusações de que não houve esclarecimento -o chamado consentimento informado- aos índios na época.
"Consentimento informado é relativo em qualquer grupo marginal, até mesmo urbano", afirma, explicando que não é possível esperar que esses grupos entendam o que a ciência planeja fazer com o DNA deles.
"Todo mundo tem direito ao seu DNA. Se os sujeitos de investigação se recusam, é uma posição que eu considero errônea, mas temos de respeitar."
Em nome de pesquisas que trariam o suposto "bem comum", cientistas acabam em atoleiros éticos. Nos anos 1990, um projeto do geneticista Luigi Luca Cavalli-Sforza de mapear a diversidade do genoma humano foi a pique sob acusações de índios e antropólogos -e o apelido de "Projeto Vampiro".
Na mesma década, foi a vez de antropólogos dos EUA se engalfinharem com uma tribo em torno do crânio do Homem de Kennewick, o mais antigo do país. Os índios queriam enterrar o fóssil de 9.000 anos, considerado por eles um ancestral, mas a Justiça deu ganho de causa aos pesquisadores.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...