12 de set. de 2010

Métodos levam em conta a cultura

Em Santa Catarina, vivem cerca de 10 mil indígenas das etnias Xokleng, Kaingang e Guarani. Os alunos índios são 2.180, atendidos por 35 escolas públicas estaduais específicas.

Ainda que exista influência do modelo da escola para os que não são índios, o método de ensino é específico e os professores recebem formação especializada para trabalhar com esta população.

– Uma das garantias é a língua materna em todos os níveis – explica Helena Alpini Rosa, técnica da equipe de Educação Escolar Indígena.

Isso inclui itens como artes (artesanato) e costumes. O trabalho na agricultura e atividades na casa de reza (templos) constam como curriculares. Seguindo as tradições, alguns feriados não são comemorados. Em compensação, o Dia do Índio tem as comemorações com encontros para debates acerca da realidade de cada povo.

Os Xokleng moram nos municípios de José Boiteux e Vitor Meirelles. Seus alunos estudam dentro da área indígena, em uma escola de educação básica, uma escola de ensino fundamental com extensão de ensino médio e uma escola com séries iniciais.

Os Kaingang residem nos municípios de Ipuaçu, Entre Rios, Chapecó, Seara, Porto União, Abelardo Luz e Concórdia. Estudam em uma escola de educação básica (Ipuaçu), uma escola de ensino fundamental e 16 escolas que atendem apenas as séries iniciais.

Fonte: Diário Catarinense

Seminário sobre povos indígenas acontece no dia 13

Fonte: Da redação
Foto: Ilustração
Na próxima segunda-feira (13), acontece a palestra “A corporalidade e o lúdico entre os povos indígenas”, às 13h30, com a professora Dra. Marina Vinha (UFGD).
A palestra faz parte da série de Seminários “Identidade e Fronteira – A questão indígena no Mato Grosso do Sul”, que acontece uma vez por mês no auditório do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS), na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Dentre os convidados, está a presidente da Comissão Especial de Assuntos Indígenas, Samia Roges Jordy Barbieri, que participa da série de palestras em novembro.
Os seminários promovem o debate acadêmico com o intuito de ampliar a visibilidade da questão indígena na busca de soluções e implementação de políticas públicas a partir da realidade destas sociedades indígenas.

Fonte: A Crítica de Campo Grande
Lá vem o Amarelão!
(Por Daniel Munduruku)
Desde algum tempo se diz que no Rio Grande do Norte não há mais indígenas. E também já faz tempo que disseminava esta informação durante minhas palestras para professores porque confiava nos dados fornecidos pelo órgão oficial e outros institutos. Até brincava com o fato das pessoas sempre imaginarem que um dos únicos estados brasileiros que não tem a presença de indígenas é o Rio Grande do Sul. A maioria das pessoas acreditam que lá – por conta da colonização européia forte e excludente – foram exterminados todos os indígenas. Não foi bem assim a história. De qualquer forma este sempre foi o imaginário popular.
Depois de algum tempo mudei a tônica de minha fala ao referir-me ao tema. Na verdade passei a incluir a palavra “supostamente” quando me referia à questão. Deixava subentendido que havia possibilidade de existir sim algum povo ainda “ocultado” em função das disputas de terra.
Os povos indígenas do nordeste foram os primeiros a serem “descobertos” pelos europeus. Por conta disso foram perseguidos e exterminados ao longo do processo colonizador. Quem fosse pego definindo-se como “índio” era fatalmente detonado da convivência social. Em função disso muitos grupos foram dispersados e os poucos que se mantinham vivos tinham que se “civilizar” para serem aceitos socialmente. Com isso acabavam esquecendo a própria língua, suas histórias, suas memórias ancestrais, seus rituais, cantos sagrados e crenças.
O tempo passou e o que parecia ter sido perdido no passado longínquo mostrou-se atual. Grupos inteiros estão buscando resgatar suas identidades esquecidas num movimento sociológico muito interessante e consistente. Estes grupos – povos ressurgidos, povos resistentes, para citar algumas denominações – passaram a reivindicar seus direitos históricos. Afinal, foram vítimas de uma história muito mal contada.
Estou dizendo isso porque há alguns dias atrás, enquanto participava do Encontro da Diversidade, um mega evento organizado pela Secretaria da Identidade e Diversidade (SID) do Ministério da Cultura[i], conheci Maria Ivoneide. Quem é ela? É uma indígena do Rio Grande do Norte. Ali estava a prova da existência de um povo antes negado. Ivoneide chegou-se a mim, apresentou-se. Disse que me conhecia. Fiquei lisonjeado. Argui algumas questões e fiquei sabendo que há mais de 10 anos estão pleiteando o reconhecimento de seu povo junto aos órgãos competentes. Alguns avanços já aconteceram. Nada vultoso. Um começo.
Descobri, então, que o nome de seu povo é Amarelão. Fiquei curioso. Por que este nome? A mim parecia uma invencionice. Não disse isso a ela. Apenas especulei. Ela explicou-me que o nome é oriundo de uma antiga tradição que lhes foi contada por seus velhos avós. Ela contou, então, uma história.
Segundo o costume dos antigos, os homens da comunidade – quando a noite se fazia alta – saíam floresta adentro para buscar o sol. Ficavam nessa função a noite toda e quando o dia se avizinhava voltavam e anunciavam para toda a comunidade: Lá vem o Amarelão! Lá vem o Amarelão!
Era uma referência ao sol que, àquela hora, já mostrava sua pujança.
Fiquei fascinado! Era uma história que tem tudo a ver com o pensamento mítico indígena. Senti que Ivoneide ficou feliz em me contar. Entendi o nome. É assim mesmo que os indígenas dão nomes às coisas e a si mesmos.
Ela ainda me confidenciou que antropólogos explicam o nome dizendo tratar-se de doença que descoloria a pele dos infectados. Nós dois rimos. É uma explicação racional de quem tenta explicar o inexplicável! Típico do ocidental!
O Povo Amarelão entrou no meu repertório. Rio Grande do Norte tem um povo. São cinco comunidades. Aproximadamente mil pessoas. A sociedade brasileira pode entender que não são “índios verdadeiros”. Não importa. O Amarelã(sol) sabe. Isso é que vale!
----------------
i) Este evento aconteceu entre os dias 04 e 06 de setembro

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...