13 de ago. de 2009

Massacre de índios é tema de 'Corumbiara'

Danilo Saraiva
Direto de Gramado

'Corumbiara', de Vincent Carelli

O premiado documentário Corumbiara, de Vincent Carelli, foi exibido em Gramado na noite desta quarta-feira (13) no Palácio dos Festivais. O filme, que demorou mais de vinte anos para ser concluído, acompanha o diretor na tentativa de registrar os indícios de um massacre de índios em Rondônia.

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Tudo começou em 1985, quando o indigenista Marcelo Santos denunciou um suposto assassinato de povos indígenas na Gleba Corumbiara (RO). Vincent Carelli gravou uma série de evidências de que os índios estiveram lá, mas o caso é fechado por ser considerado "fantasia" pelas autoridades.

Anos depois, o cineasta se reúne, mais uma vez, com Marcelo Santos e descobre supostos sobreviventes após uma jornada pela mata. O encontro com a aldeia, que parece perdida no tempo, foi exibido em rede nacional e destacado em diversos jornais do País. Os fazendeiros que dominavam a região, na tentativa de esconder seus passos criminosos, encontram os índios e tentam mascarar os indícios de que eles faziam parte de uma comunidade isolada. Na tentativa de prender os responsáveis, Carelli e Santos entram numa corajosa investigação de campo. A única prova que eles possuem para fazer tais denúncias são as imagens registradas pelo diretor com as declarações desses sobreviventes.

Quando Carelli iniciou as filmagens, queria apenas prender os supostos criminosos responsáveis. Depois de perceber que pouco do que eles pudessem provar surtiria efeito com as autoridades, tentam encontrar uma forma de proteger esses povos e contar a história que, invariavelmente, terá um triste final.

Como jornalismo investigativo, Vincent Carelli faz um trabalho brilhante, com muitas informações importantes. "Esse é um filme autobiográfico. Sempre falo em primeira pessoa", disse o diretor pouco antes do início da sessão.

"Eu gostaria que as pessoas meditassem de quantos Corumbiaras (referindo-se ao massacre) o Brasil foi feito", pediu. O resultado é um trabalho emocionante, que mostra a importância de preservar esses índios deslumbrados com as tecnologias dos "brancos", mas ao mesmo tempo resistentes em preservar suas culturas.

O documentário é repleto de cenas extensas, que se dedicam apenas a mostrar o cotidiano desses povos. A língua desconhecida mostra que eles tiveram pouco ou mínimo contato com a civilização. O curioso é que Vincent Carelli usou um recurso estético muito interessante para filmar a história e prender a atenção do espectador. Quando ele encontra as tribos, desconhece sua língua, assim como o público que assiste ao filme. Só depois, ao falar com especialistas e poucos parentes próximos que entendem o dialeto, é que usa as legendas na tela para explicar o que eles estavam dizendo. Assim, o cineasta mantém fresca sua jornada. É como se viajássemos com ele.

No filme, Carelli não poupa críticas à mídia brasileira, que omitiu parte dos registros feitos pela equipe. Por conta da polêmica, Corumbiara não teve patrocinadores.

Ao final da sessão, o filme recebeu uma longa salva de palmas, prova de que ele foi muito bem aceito pelos presentes.

Terra


Governo assina decreto instituindo Feira do Livro Indígena de Mato Grosso

Da Redação

O Governo do Estado instituiu, nesta manhã de quarta-feira (12.08) no Cine Teatro Cuiabá, a Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT), programada para ocorrer de 06 a 10 de outubro de 2009 na capital. O evento será voltado à divulgação da cultura indígena com lançamentos e leituras de livros, encontro de escritores, contação de mitos e histórias, oficinas, palestras, pinturas corporais e sarau.

A feira é organizada pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT) parao incentivar e abrir o diálogo entre as culturas. Cerca de 200 títulos de autores indígenas regionais e nacionais de 700 etnias serão expostos nos cinco dias da FLIMT no Centro Histórico de Cuiabá, no Palácio da Instrução e Praça da República. Segundo o secretário de Cultura, Paulo Pitaluga, o Governo também busca mostrar o diferencial da cultura indígena, inclusive nas produções literárias.

O diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi), Daniel Munduruku, lembrou que o Governo de Mato Grosso é pioneiro na iniciativa. Para ele, a realização desta feira é “um momento muito importante e gratificante aos povos indígenas brasileiros, porque é um reconhecimento. Os nossos povos têm algo a dizer à sociedade brasileira”, comentou Daniel Munduruku.

O evento abre a oportunidade para os autores indígenas mostrarem suas publicações no âmbito da leitura, tanto na divulgação como na distribuição dos conhecimentos tradicionais produzidos por meio da Literatura. O representante da Inbrapi informou que a maioria das produções dos índios é voltada ao estilo infanto-juvenil, romance, poesia, ficção e títulos dissertativos, inclusive bilíngue. Mas, também já publicam livros paradidáticos, conforme acrescentou o diretor-presidente.

A lei federal de nº 11.645/2008 determinou a inserção do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas brasileiras. Daniel Munduruku revelou que desde então a demanda pelas produções indígenas em todo o país aumentou, principalmente entre as editoras. “Uma coisa bacana neste movimento da literatura, da arte indígena, é que ela está alcançando o Brasil de Norte a Sul”, comemorou o representante da Inbrapi e comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República.

LEITURA

O Inbrapi defende que para a sociedade que o livro é um instrumento importantíssimo para se criar uma consciência tanto nas comunidades indígenas como na própria sociedade brasileira. “Queremos mostrar para a sociedade que temos um conhecimento, uma cultura muito rica, um jeito de existir e estar no mundo, que é um jeito muito próprio e peculiar e que não tem nada de contraditório com que a sociedade brasileira vive”, disse ainda Daniel Munduru, ao dizer que é isso que buscam divulgar por todos os “cantões” do Brasil.

O secretário de Estado de Educação, Ságuas Moraes, classificou a feira como um momento de intercâmbio cultural, para se refletir também as preocupações do Governo com relação às questões de garantia aos direitos dos povos indígenas de Mato Grosso. A solenidade no Cine Teatro contou ainda com a apresentação cultural do músico Márcio Bororo, que entre outras canções regionais entoou uma canção na língua Bororo.

Participaram ainda da assinatura do decreto que instituiu a FLIMT, os secretários-adjuntos de Estado Acelina Marques (Casa Civil) e Oscemário Daltro (Planejamento e Coordenação Geral), e outras autoridades regionais.

Fonte: Jornal O documento

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...