17 de mai. de 2011

Projeto resgata tradições de aldeia indígena no sudeste do Pará

Iniciativa conta com oficinas de liguística e vídeo para retratar os costumes e as histórias dos antepassados do povo Parkatejê

Anderson Dezan, enviado especial a Marabá (PA) |
 Um projeto da mineradora Vale em parceira com a ONG Vídeo nas Aldeias tem resgatado as tradições da comunidade indígena Parkatejê, localizada no município de Bom Jesus de Tocantins, no sudeste do Estado do Pará. No mundo atual, os índios cursam faculdade, trabalham e até se candidatam a cargos políticos. Esses avanços, no entanto, acarretaram um enfraquecimento da cultura local. O projeto tem como meta não deixar a história se perder. 
Lançada em novembro do ano passado, a iniciativa conta com oficinas para que os jovens indígenas aprendam sua língua de origem, que não estava mais sendo utilizada. Nos encontros, coordenados por duas linguistas da Universidade Federal do Pará, são registrados em textos as histórias contadas pelo cacique Tomprãmre Jõpaipaire Krôhôkrenhum. Também são ensinadas técnicas de transcrição com foco no vocabulário Parkatejê.


Foto: Anderson Dezan/iG
Índio da comunidade indígena Parkatejê mostra como usar o arco e flecha

Foto: Anderson Dezan/iG
Crianças da tribo Parkatejê, no Pará, apontam arco e flecha para o alto de uma árvore
Livro e DVDA meta é reunir informações sobre esse povo, como costumes antigos, localização de antigas aldeias e aproximação da comunidade com o mundo não-indígena. O resultado dessas oficinas vai virar um livro com as memórias do cacique, chamado de “capitão”.


“Os jovens relatam que com esse trabalho eles descobriram que desconheciam o seu chefe. Não conheciam muitas partes da história do seu próprio povo, das suas origens. Isso tem gerado neles o desejo de conhecer a história do próprio povo”, diz a linguista Marília Ferreira. “Estamos trabalhando na construção de um livro que já existia na mente do capitão”, completa.

Foto: Anderson Dezan/iG
Cacique Parkatejê conduz um ritual na aldeia
Além das oficinas de linguística, os jovens aprendem técnicas de cinegrafia e captura de imagens com a ONG Vídeo nas Aldeias, especializada no registro histórico de comunidades indígenas do Brasil. Todas as histórias contadas pelo cacique e as manifestações culturais da aldeia, como danças, competições e rituais são gravados. O material vai virar um DVD, que assim como o livro, tem previsão para ficar pronto em novembro deste ano.


“Buscamos levá-los à reflexão. É um jogo de espelhos”, diz Vincent Carelli, secretário executivo da ONG Vídeo nas Aldeias. “Muitos povos indígenas perderam sua cultura por causa do preconceito do branco. Os índios eram vistos como diferentes. Eles começaram a ficar iguais aos que os criticavam e foram perdendo suas tradições”, avalia Antônio Venâncio, responsável pela relação da Vale com povos indígenas no Pará. “Hoje eles começam a enxergar a riqueza da própria cultura. Ao perder isso, o mundo está perdendo”, completa.


Jovens só querem saber de jogar futebol

Foto: Anderson Dezan/iG
Depoimento do cacique é gravado por aluno de oficina de vídeo do projeto de resgate das tradições da tribo
Com voz firme, o cacique Tomprãmre Jõpaipaire Krôhôkrenhum se diz feliz com o resgate das tradições Parkatejê. “Meu coração fica alegre ao ver a cultura ser retomada. Estou lutando para criar o meu povo”, diz o capitão, que não sabe a própria idade – fato comum entre os membros mais velhos da aldeia. “Não quero acompanhar a lei do branco. Quero acompanhar a nossa lei”.


Segundo ele, entre as principais dificuldades para fortalecer os costumes locais – como pescar e caçar – não estão somente os avanços do mundo moderno. A lista vai além e inclui algo genuinamente brasileiro, independente da origem étnica. “Esse povo só quer jogar futebol. A maioria não sabe caçar, só quer saber de bola”, brinca o capitão, mostrando seu senso de humor.
Foto: Anderson Dezan/iG
Criança da tribo Parkatejê, no Pará, brinca com estilingue

Aldeia em MG recebe restos mortais de índio que morreu na Alemanha


Borum Kuêk viajou para a Europa em 1818 a convite de um príncipe alemão.
Urna com restos do indígena foram entregues para a comunidade Krenak.

Do G1 MG, com informações da Inter TV
 Uma cerimônia na cidade de Jequitinhonha, na Região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, marcou a entrega dos restos mortais de um índio mineiro que morreu há quase 200 anos na Alemanha. Borum Kuêk foi para a Europa a convite de um príncipe que queria conhecer a cultura do povo que habitava o Brasil. Comunidades Machacali, Pankararu e Krenak, tribos que mantêm a tradição indígena no estado, participaram da celebração. “Nosso relacionamento com outras culturas é antigo. É por isto que o nosso povo luta por esta questão do respeito cultural. Não só entre índios, mas entre toda a humanidade”, disse o indígena Douglas Krenak.
Neste fim de semana, o cônsul adjunto da Alemanha no Brasil, Macos Hass, entregou ao prefeito de Jequitinhonha, Roberto Botelho, uma urna coberta pela bandeira brasileira com os restos mortais de Borum Kuêk. “Devido às manifestações dos povos indígenas, a gente viu que o melhor final foi este porque todos eles aguardavam o retorno ansiosamente, ao longo destes quase 200 anos”, disse Botelho.
A relíquia foi repassada aos indígenas, que vão levá-la para a aldeia Krenak, em Resplendor, no Vale do Rio Doce. A comunidade vai realizar um ritual fúnebre, de acordo com as tradições. “Eles trocaram experiências sobre a vida, a língua dos Krenak, sobre o Brasil, sobre as ciências naturais”, disse o cônsul adjunto da Alemanha no Brasil, Macos Hass.
De acordo com a história contada pelos índios, Borum Kuêk nasceu em 1804. Em 1815, o príncipe Maximiliano chegou ao Rio de Janeiro. Dois anos depois, ele percorreu os estados do Espírito Santo e Bahia e, em seguida, se instalou em Minas Gerais. O príncipe conheceu o índio durante uma visita ao Vale do Mucuri e às terras do Rio Grande do Belmonte, o Rio do Jequitinhonha. Em 1818, Borum Kuêk e o membro da realeza alemã viajaram para a Alemanha.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...