31 de mar. de 2010

STF rejeita ação da CNA para restringir demarcação de reservas indígenas


Da Redação

O STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou uma ação proposta pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) que poderia dificultar a demarcação de terras indígenas no Brasil. A decisão foi tomada pelos ministros Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski, que integram a Comissão de Jurisprudência da Corte.
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A CNA pretendia que o Supremo aprovasse uma súmula vinculante declarando que os dispositivos da Constituição que garantem aos indígenas a posse das terras tradicionalmente ocupadas por eles não abrangem aldeias extintas antes de 5 de outubro de 1988 —data de promulgação da Carta Magna.
Para isso, a Confederação citou um precedente do ministro Marco Aurélio Mello (RE 219983), em que ficou fixado que os incisos I e XI do artigo 20 da Constituição (são bens da União as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios) não alcançam territórios ocupados por indígenas apenas em passado remoto.
Entretanto, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski ressaltaram que essa decisão de Marco Aurélio —que deu origem à Súmula 650—não tem nenhuma relação com demarcação de reservas indígenas, já que o processo tratava apenas de uma ação de usucapião.
Ao determinar o arquivamento da ação, os ministros afirmaram que a CNA “busca, claramente, obter uma nova e mais ampla dimensão do texto sumular, desvinculando-o, por completo, da restrita questão jurídico-constitucional que o originou”. Ou seja, segundo os ministros, a Confederação tentou utilizar um precedente que trata de ações de usucapião para dificultar as demarcações de reservas indígenas.
As súmulas vinculantes são utilizadas para uniformizar o entendimento do Supremo sobre determinado tema, e, uma vez aprovadas, tem de ser obrigatoriamente seguidas por todos os tribunais do país.
Segundo Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, a edição de súmula vinculante depende da existência de uma consolidação da jurisprudência sobre uma determinada matéria, o que não existiria no caso da ação proposta pela CNA. Eles entenderam que falta o requisito formal da existência de reiteradas decisões do Supremo “sobre essa complexa e delicada questão constitucional, que se encontra, felizmente, em franco processo de definição”.
Eles citaram a Ação Cível Originária 1383 e o Mandado de Segurança 28555, em que a questão já foi enfrentada em decisão liminar, “o que permite vislumbrar-se, num futuro próximo, seu pleno enfrentamento quando do julgamento de mérito desses processos pelo Plenário desta Casa”.
Assim, a Comissão de Jurisprudência do STF manifestou-se pela inadequação formal da proposta de edição de súmula vinculante e, consequentemente, pelo seu imediato arquivamento. Os ministros entenderam que não foi satisfeito requisito indispensável para a regular tramitação da PSV, seja pela total inadequação do uso de súmula de jurisprudência relacionada a tema diverso daquele tratado na proposta, “seja pela inexistência de reiteradas decisões que tenham dirimido definitivamente todos os aspectos de tão controvertida questão constitucional”.

Bonifácio José Baniwa assume Secretaria de Estado para os Povos Indígenas


Fonte: Portal Amazônia, com informações da Seind

Foto: Divulgação/Seind











MANAUS -
Waku sese, que significa muito obrigado em sateré-mawé. Foi desta forma que o líder indígena Jecinaldo Sateré-Mawé oficializou o desligamento dele como titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), nesta quarta-feira (31), no Fazendário Clube.


Tornar o movimento indígena cada vez mais forte e sólido no Amazonas. Este foi o tom do discurso de despedida feito, de forma emocionada, por Jecinaldo, durante o almoço que marcou o lançamento da agenda de atividades da Seind para 2010.

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O ex-presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas (Fepi) e então secretário Executivo da Seind, Bonifácio José Baniwa, assume interinamente a Seind. Ainda nesta quarta-feira, Jecinaldo entregou a carta de desincompatibilização ao governador Eduardo Braga. 

Antes de apresentar a Agenda, o sateré fez um balanço das atividades da Seind nesses quase sete meses de criação do órgão. Ele falou dos avanços e perspectivas da pasta para este ano.

Ações

Lembrou que entre as principais ações programadas estão a Inclusão Digital em Terras e Comunidades Indígenas; o Projeto Propriedade de Saberes e afirmação da Identidade Étnica; os projetos do Território da Cidadania Indígena no Alto e Médio Rio Negro e também no Madeira; e o Fortalecimento do Arranjo Produtivo do Artesanato Indígena no Alto Solimões, Vale do Javari e Médio Purus.

- Agradeço a confiança do governador e das organizações e lideranças indígenas em poder contribuir de forma participativa com o governo, disse.

- O Boni é do Rio Negro e o José Mário (Mura) do Madeira, eles vão continuar o projeto que nasceu das lutas indígenas, comentou.

Representantes

O evento teve a participação de representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Casa Civil, Coordenação das Organizações Indígenas Brasileira (Coiab) e Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Para o líder do Governo na ALE, deputado Sinésio Campos, um dos que lutaram pela criação da Seind, a secretaria chegou para ficar e tem demonstrado isso nesses sete meses.

- Esta secretaria está discutindo políticas públicas de inclusão social no Estado que tem a maior população indígena do Brasil, destacou.

- Por isso é bom que os outros estados criem suas secretarias, pois o Amazonas está dando um exemplo de cidadania, acrescentou.

Oficina com a Funai

Uma outra atividade da Agenda-Seind é a oficina que o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), e a Fundação Nacional do Índio (Funai) promovem nos próximos dias 7 e 8, em Manaus.

O objetivo é promover condições para um planejamento de atividades integradas, de modo a otimizar a gestão de ações de políticas públicas, além de identificar processos de acompanhamento e de orientação à implementação de agendas compartilhadas junto aos povos indígenas.

O evento é um dos resultados do Termo de Cooperação Técnica firmado entre o órgão e a instituição no último mês de dezembro, durante a realização do Fórum Amazonas Indígena (Forind), e faz parte da agenda de atividades da Seind para 2010.

Programação

A oficina começa às 8h30, no Lord Manaus Hotel. A abertura dos trabalhos será feita pelo presidente da Funai, Márcio Meira, e o líder indígena Jecinaldo Sateré-Mawé.

Entre os temas a serem debatidos estão a atuação da Funai no Amazonas e as ações previstas no Plano Plurianual (PPA); panorama da Seind sobre a atuação do Governo do Estado junto aos povos e comunidades indígenas; gestões territorial e ambiental das terras indígenas; e promoção dos povos indígenas no Amazonas, na perspectiva de valorização do patrimônio sócio-cultural indígena. (JK)

Palestrantes indígenas sugerem sistema educacional específico


Ministério da Educação


Edson Brito é professor indígena do povo guarani, em São Paulo. O educador, filho de pais da etnia caiapó, veio à Conferência Nacional de Educação (Conae) trazer uma sugestão: que as avaliações educacionais para os indígenas seja diferente das avaliações dos não-indígenas.

“Nossas escolas, na maioria das vezes, se saem mal em avaliações estaduais e federais. Ficam taxadas de ruins”, salienta.

A razão, segundo Brito, é de que o ensino nas escolas indígenas não segue o padrão das outras escolas de educação básica; é diferenciado por ser bilíngue e voltado para culturas específicas.

O coordenador de educação escolar indígena do Ministério da Educação, Gersen dos Santos, afirmou, nesta terça-feira, 30, durante um dos colóquios da Conae, que as ações na área indígena ganham um novo rumo, o da construção de um sistema próprio de educação. “Esse sistema deverá levar em conta as especificidades de cada povo e a noção de territorialidade”, disse.

Segundo Gersen, o território é a base de um povo e vai além do aspecto geográfico; contém a identidade e a cultura de cada etnia. “Escola diferenciada só tem sentido se fortalecer a vida coletiva”, ressaltou.

Hoje, a gestão do ensino dos povos cabe ao ente federado no qual estão localizados. “O problema desse sistema é que a educação escolar será diferente para uma mesma etnia. Os xavantes, por exemplo, estão espalhados por vários municípios do Mato Grosso e há etnias que se encontram em mais de um estado.”

Para o coordenador, a escola para os indígenas tem que se basear no conceito de território etnoeducacional, que ultrapassa o modelo de estados e municípios.

Maria das Dores de Oliveira, representante do Conselho Nacional de Educação (CNE), citou os avanços das discussões na área, realizadas durante a 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (Coneei), em novembro de 2009.

À época, foram debatidos o respeito à diversidade dos povos, os processos próprios de aprendizagem e a utilização das línguas maternas no ensino. “Agora, os resultados devem ser agregados à Conae”, sugeriu. Assessoria de Comunicação Social

Deputada Janete integra Federação para cidadania dos povos indígenas

 
Brasília, 31/03/2010 – Diretoria e conselhos da Federação Indígena Brasileira – FIB – reuniram-se em solenidade de posse no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. A FIB é presidida pelo professor Alfredo Silva, Eli Leão Catachunga (vice-presidente) e Maria Janete de Souza (tesoureira) que tomaram posse em setembro do ano passado junto com os conselhos deliberativo, consultivo e assessorias. A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) foi convidada pelo presidente e integra o conselho consultivo da entidade, que trabalha pela organização social, política e econômica das comunidades indígenas.

“É preciso consolidar os direitos das populações indígenas, como cidadãos e cidadãs brasileiras, respeitando e valorizando suas peculiaridades e diferenças culturais entre si e com os não índios, suas terras demarcadas e seus espaços históricos tradicionais, além de torná-los cidadãos plenos de direitos e soberanos nas suas decisões. Os povos indígenas do meu estado e os povos indígenas do Brasil tem renovado meu compromisso na mobilização permanente pela consolidação dos seus direitos seus direitos e com sua causa”, afirma a deputada Janete Capiberibe.

Após a solenidade que aconteceu dia 23 de março, os convidados foram recepcionados em jantar com pratos típico da Amazônia, por onde inicia-se o trabalho da FIB. Abaixo, os membros da Federação Indígena Brasileira, cuja sede é em Brasília e o trabalho pode ser acompanhado em http://fibbrasil.blogspot.com/.

1. Alfredo B.P.Silva - presidente - Brasília-DF
2. Eli Leão Catachunga - Vice-presidente - Brasília -DF
3. Maria Janete O. Souza - Tesoureira - Brasília -DF
4. Jacimar Oliveira Gouvea - Conselho Fiscal - AM
5. Edson Oliveira Santos - Conselho Fiscal - MT
6. João Alfredo P. Silva - Conselho Fiscal - RR
7. Kohalue Kajará - Conselho Deliberativo - TO
8. Carlos A. Pereira - Conselho Deliberativo - RR
9. Wilsom Matos da Silva - Conselho Deliberativo - MS
10. Joana Euda Barbosa - Conselho Deliberativo - TO
11. Marcos Mariano Justino Terena - Conselho Deliberativo - Brasília-DF
12. Anmily Paula dos Santos Martins - Conselho Consultivo - RJ
13. Edson Santos - Conselho Consultivo - Brasília -DF
14. Hariessa Cristina Villas Boas - Conselho Consultivo - RJ
15. Maria Helena Veronese Rodrigues -Conselho Consultivo - RR
16. Vanessa Grazziotim - Conselho Consultivo - AM
17. Alexandro da Anunciação Reis - Conselho Consultivo - Brasília-DF
18. Francisco Joaci Freitas Luz - Conselho Consultivo - RR
19. Emília Fernandes - Rio Grande do Sul -RS
20. Janete Góes Capiberibe - Conselho Consultivo - AP
21. Alda Freire de Carvalho - Conselho Consultivo - Brasília - DF
22- Eliane Thaines Bodah - Assessoria Internacional
23. Ingrid Nicholl - Assessoria Internacional
 

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...