4 de jan. de 2012

O estranho amor dos norte-americanos aos indígenas brasileiros

O estranho amor dos norte-americanos aos indígenas brasileiros. 16220.jpegO indigenista Orlando Villas Boas tem uma opinião sobre esse curioso amor. Assista no vídeo abaixo. Por causa da construção de Belo Monte, ONGs estrangeiras - em sua maioria estadunidenses - mostram-se preocupadas com indígenas afetados pela construção da usina.

Estranho. Porque os estadunidenses praticamente exterminaram os índios que ocupavam seu território. Gerônimo (na foto) foi o último chefe apache, antes do massacre.

No século XIX, o governo dos Estados Unidos começou uma guerra de extermínio aos apaches para facilitar a colonização do oeste. Chefes como Mangas Coloradas, Cochise e Geronimo comandaram os apaches nas batalhas contra os Estados Unidos.

Mas, isso é passado!... - você pensa. Não é, não. Até recentemente, o maior inimigo dos EUA era Osama Bin Laden. Pois a Operação que o teria executado no Paquistão recebeu o nome de Operação Gerônimo, o que gerou protestos.
Leia mais:A frase é de Keith Harper, um membro da Nação Cherokee, ao The Washington Post. Gerônimo foi o nome de código escolhido pelas tropas americanas para se referirem a Bin Laden durante a operação que teria resultado em sua morte.

Gerônimo (1823-1909), na foto aí ao lado, foi um chefe Apache que, na segunda metade do século XIX, enfrentou os "homens brancos" numa guerra sem prisioneiros, cruel, que fez dele um herói para seu povo e um maldito entre os brancos.

"Ninguém teria concordado com o uso como codinome para um terrorista de Mandela, Revere ou Ben Gurion. Um herói extraordinário e um herói nativo americano merece o mesmo tratamento", prosseguiu Harper na entrevista ao The Washington Post. "Isso mostra até que ponto a ideia de índio / inimigo está incorporada na mentalidade deste país", disse ao mesmo jornal Suzan Harjo, de um grupo de advogados indígenas. [Fonte: El Pais, onde você pode ler mais sobre Gerônimo]


Se não se preocuparam com seus índios, por que dizem estar preocupados com os nossos? 
 E você?
Antonio Mello, em seu Blog

DIAMANTE INTERNO: O Despertar da Consciência‏

*Texto de: Eliane Potiguara














Toda a Humanidade em sua maioria e no seu mais profundo momento
íntimo busca o despertar da consciência humana. 
Nos seus momentos de silêncio e reflexão, por mais alienada que seja, a sociedade
certamente busca o resgate de algo que se perdeu no nosso passado
histórico. 


Há milhões e milhões de anos, seres humanos buscam dignidade de vida enfrentando poderes, não só ocultos, mas poderes culturais e sócio-econômicos. 
Não quero entrar na discussão do porquê de tudo isso, porque entraria em filosofias, correntes, divergências, processos históricos, etc. 

Quero apenas enfatizar que o ser humano é 
um eterno buscador. 
Ele busca a alegria, a felicidade, a paz, melhores condições de vida para si e seus semelhantes.
A maneira que a humanidade encontrou para resistir às adversidades da vida e encontrar as respostas para aquilo que perdeu ou esqueceu é através da religiosidade, da espiritualidade, da concentração e dos estudos, na busca do conhecimento contra a ignorância imposta,
subliminarmente forjada pelo Poder. 


Nesse sentido, aquele que procura, depara-se com o fenômeno do despertar da consciência.
"Séculos e séculos se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura e cosmovisão de cada povo, de cada etnia, principalmente de acordo com
os padrões sócio-econômicos da cada um. 

Imagens, cerimônias, mitologias, liturgias, símbolos, tambores, chocalhos e atabaques são
conseqüências das criações, não fazem mal a ninguém.
São expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade. 


O que faz mal é a pretensão de querer ser melhor do que os outros ou ser o dono da
razão, quando existe uma grande diversidade de pensamentos entre a humanidade", escrevi num texto sobre "intolerância interseccional", publicado na Agência de Imprensa Indígena (AIPIN), (México, 2005).

Lamentavelmente, algumas correntes religiosas associadas ao grande capital, no passado, buscaram a hegemonia, desconsiderando, a partir de seus próprios juízos de valor morais, éticos e filosóficos, a fé dos povos que subjugavam. 

Cada vez que povos ou etnias sentiam-se rejeitados, subjugados, racializados, mais crescia a sua fé e suas crenças através da liderança do pajé ou ialorixá/ babalorixá, no caso dos povos indígenas das Américas e da África respectivamente - povos resistentes que praticavam a conexão do homem com o sagrado. 

Cada vez mais fortaleciam suas culturas, tradições e cosmovisão. Assim foi a história dos povos aborígines, dos povos indígenas, dos povos nativos dos grandes continentes até hoje.
Por isso a resistência indígena é forte no planeta Terra. Há de se ouvir a voz indígena!
O capital dividiu povos ricos e pobres e fracionou as mentalidades.

Baseados em culturas particulares surgiram centenas de líderes religiosos e espirituais, como, por exemplo, Maomé, Buda, Jesus Cristo, Oxalá e Krishna, todos pregando a mesma filosofia através dos
tempos. Todos são atrelados à Poderosa Força Cósmica, ao Criador, ao Grande Espírito e ao Cristo Cósmico, ao Buda Cósmico ou a Oxalá, dependendo de cada cultura ou vertente. 
Tudo isto representa uma grande riqueza espiritual! É preciso enxergar a unidade na diversidade.

O xamanismo é um termo que designa a filosofia de estar em viagem entre mundos mentais, físicos, espirituais, psicológicos.
Não é uma religião. É uma forma de estar na vida e no Planeta. 
Povos contestadores das religiões impostas adaptaram-se a esse estar no
mundo, ao longo do tempo. 
Antigos povos já praticavam essa filosofia.
Na modernidade, seres conscientes adquiriram o sentimento de amor pela Mãe-Terra e entenderam que era necessária a prática da conservação do Planeta Terra - daí todo "ser xamânico" ser holístico.

Aqueles que verdadeiramente estiverem dentro desses padrões, são Visionários.
Os que mentem ou comercializam a fé, não permanecerão.
Povos indígenas, afeiçoados à sua cultura, tradições, educação, saúde e espiritualidades diferenciadas fortaleceram sua cosmovisão diante do mundo e mostraram sua defesa publicamente, através dos movimentos organizados, nos planos nacional e internacional. 


A exemplo disso, cita-se a defesa da cultura através da legislação específica que foi criada dentro das Nações Unidas, com o Grupo de Trabalho sobre Povos Indígenas, que trabalhou vinte anos para produzir a Declaração Universal dos Povos Indígenas.
No Brasil, centenas de organizações indígenas  buscam o mesmo objetivo: a defesa do conhecimento
ancestral, do patrimônio cultural.


Cito aqui um pequeno texto de uma carta elaborada por um conjunto de
pajés em 2004:
(...) "Tendo em consideração a necessária defesa do direito de nossos
povos diante dos processos de apropriação destes saberes e visões
próprias, herdadas de nossos ancestrais, insiste na afirmação de
princípios fundamentais à dignidade dos povos, pressupondo o respeito
à livre e esclarecida decisão quanto ao acesso e uso do acervo de
conhecimentos que envolvem a sensível e frágil Teia da Vida, que em
nossas culturas ainda se constitui no verdadeiro patrimônio da
humanidade, não podendo estar disponível para os usos e acessos
previstos nas discussões entre governos (OMC, OMPI) e representantes
das empresas no amplo processo de negociação das partes acerca dos
recursos genéticos, conhecimentos tradicionais e patrimônios
culturais dos povos indígenas". 


O patrimônio dos povos indígenas não está disponível para usos e acessos.

O povo brasileiro é um povo muito místico. É intuitivo, importa-se com os sonhos. É religioso. 
Traz no seu interior a herança dos povos indígenas, povos negros, povos amarelos, povos brancos - como se vê na nossa diversidade de religiões e espiritualidades.
O bonito é o respeito entre crenças, fés e doutrinas. 


O xamanismo e a pajelança são vertentes diferentes, por isso xamã é xamã e pajé é
pajé, assim como o padre é padre e o pastor ou pai ou mãe de santos são eles mesmos. 
Cada um tem seu tempo de trabalho e formação próprios e específicos. 
O intercâmbio é maravilhoso e o ecumenismo deveria ser mais ativo no Brasil!

Nas tradições indígenas, o pajé é a expressão máxima representada, em forma humana, da espiritualidade e da cura. 
Seu dom é nato, porque é passado de geração para a geração. 
Nenhum pajé faz curso para ser pajé, ele adquire conhecimentos através da ancestralidade tribal, e
desde a sua infância, ao ver seus avós e bisavós praticarem curas e
rezas pelo bem da comunidade. 


O pajé é um ser totalmente desprovido de valores materiais. É um visionário nato. Seu maior bem é o dom ofertado com honras pelo Criador. Ele está sempre em conexão com o mundo atemporal, com atitudes concentradas e observadoras.
O pajé é um sábio e está sempre disponível para atender o seu povo, doando sua cura de forma "solidária".


Não há uma relação capitalista entre pajé e doente, entre o pajé e a comunidade.
O pajé e sua pajelança representam, na realidade, a maior expressão nata dos conhecimentos
tradicionais, a propriedade intelectual indígena, mesmo que ele não tenha conhecimentos científicos para compreender a defesa dos seus direitos indígenas.
Por outro lado, cada pajé pertence a uma etnia específica indígena provida de valores, costumes, crenças específicas. Um pajé de uma certa etnia pode agir de forma distinta de um pajé de outra etnia. 


O pajé pode ter, se quiser, uma relação capitalista com indivíduos urbanos, pois o seu ofício equivale ao de um médico entre nós.
Nas tradições africanas, é o ialorixá ou babalorixá que representa estes conhecimentos. É ele quem mantém a resistência viva. O pajé, o xamã, os ialorixás, os babalorixás, os padres e os sacerdotes
despertam a nossa consciência, nos fazem lembrar que somos todos iguais.

O que nós humanos estamos precisando lembrar, no fundo de nossos corações, no fundo de nossos neurônios adormecidos e no fundo de nossa alma primeira, é deste bem precioso, um diamante que perdemos ou esquecemos, um passaporte ético para a verdadeira Nova Era. 
Esse é o esforço que temos que fazer para resgatar essa memória ancestral perdida através de milhões e milhões de anos - somente assim o sofrimento e as diferenças não existirão mais entre nós, seres terráqueos.

Para isso, é necessário que os espíritos da Inteligência, da Humildade, da Fraternidade, da Fé, do Amor Universal, da Justiça, da Força e da Paz - atrelados à grande Mente Ancestral (O grande
espírito, o Criador) que está dentro de nós - sejam trabalhados em todos os corações através da observação, da concentração, do estudo e da aplicação desses bens divinos à Humanidade.

Esses espíritos em cada cultura podem ser representados de formas diferentes como, por exemplo: na forma entes da natureza (aves, peixes, mamíferos); terra, água, ar, fogo; pontos cardeais (norte,
sul, leste, oeste); planetas e manifestações da natureza, como a lua, o sol, as estrelas, o trovão, os raios, as tempestades, os maremotos, os rios, as cascatas, as cachoeiras, os mares, as chuvas; os
mensageiros de Deus, os anjos, os arcanjos e os santos. Enfim, uma gama elementos da própria natureza. 


O importante é a essência, não a forma! 


Respeitemos a cultura de cada povo e suas representações simbólicas, porque tudo é muito lindo e abençoado é aquele que compreende essa riqueza de expressão e sentimentos.

(*) Eliane Potiguara , escritora, professora, autora do livro "METADE CARA, METADE MÁSCARA",
S. Paulo, Global Editora.
Série Visões Indígenas (Daniel Munduruku) INBRAPI.No prelo: A Cura da Terra ( Global Editora), História do dia e da noite ( ed. Mundo Mirim).

Guaranis a extinção pela indiferença

Os guaranis-caiuás de Mato Grosso do Sul voltam à cena. O Globo de hoje divulga material, de Paulo Yafusso, afirmando que na reserva de Dourados há mais assassinatos, proporcionalmente, que no Iraque.
No Iraque, as estatísticas são constantemente turbinadas por atentados terroristas. Os guaranis-caiuás estão sendo assassinados individualmento.
Os numeros apresentados: 145 assassinatos por cem mil pessoas, na Reserva Indígena de Dourados, contra 93 no Iraque. A média nacional brasileira é 24,5 homicídios por 100 mil pessoas.



Esses números são projeções mas partem de base real: 55 por cento dos homicídios de índios no Brasil foram registrados no Mato Grosso do Sul.
A primeira vez que fui à reserva, estávamos preocupados com o alto número de suicídios. Chegando lá, constatamos também o crescimento do alcoolismo. A idéia de confinar 15 mil índios em 3,3 mil hectares produz inúmeros problemas.
Aos problemas de convivência, somam-se os da corrupção das autoridades. As crianças guarani-cauiá estavam morrendo de desnutrição, enquanto o dinheiro era canalizado para campanhas políticas.
Lembro-me da passagem pela aldeia, onde fiz um ensaio fotográfico sobre eles. Usava ainda equipamento analógico e uma pequena câmera digital recém chegada.



Tudo o que pude fazer, além das denúncias, foi, junto com um deputado da região, Geraldo Resende, levanter o dinheiro para construir um estádio de esportes. Era um paliativo para a pressão especial que viviam.
Aproveitando o feriado, mostro algumas das faces dos guaranis de Dourados, na esperança de que novas iniciativas possam deter o processo de extinção.






Fonte: Blog do Estadão - Coluna de Fernando Gabeira

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...