8 de set. de 2011

POVOS INDÍGENAS - Índios brasileiros ordenam que Shell deixe suas terras


Índios da tribo Guarani, no Brasil, exigiram que a gigante da energia, Shell, pare de usar suas terras ancestrais para produção de etanol.Ambrosio Vilhalva, um Guarani de uma das comunidades afetadas, disse à Survival International, 'A Shell tem que sair das nossas terras ... as empresas têm que parar de trabalhar na terra dos indígenas. Queremos a justiça, e a demarcação das nossas terras.'
A Shell se tem unido com a Cosan, empresa brasileira de etanol, em um empreendimento conjunto chamado Raízen. Parte do etanol da Raízen, que é vendido como biocombustível, é produzido a partir de cana de açúcar cultivada em terras ancestrais dos Guarani. Em uma carta para as empresas, os índios advertem que 'Depois que começou a funcionar a usina, a saúde ficou ruim para todos- crianças, adultos e animais'.
Acredita-se que os produtos químicos usados nas plantações de cana estão causando diarréia aguda entre as crianças Guarani, além de estarem matando peixes e plantas. Os Guarani relatam, 'Acabou remédios de vários tipos, que dá no mato, na beira do rio. A planta acabou pelo envenenamento'.
Continuam, 'A usina nunca pediu permissão nem consultou com os índios para plantar em nossas terras'. Até agora o governo brasileiro tem fracassado em defender suas próprias leis, deixando de mapear e proteger as terras para que fossem de uso exclusivo dos Guarani, e deixando-os vulneráveis à exploração de canaviais.
O atual boom na produção de cana de açúcar está tomando conta da terra ancestral dos Guarani. Enquanto isso, muitos Guarani ainda vivem em condições desumanas, em reservas super-povoadas ou acampados à beira de estradas.
Dezenas de Guarani foram assassinados ao tentar reocupar suas terras, e muitos outros foram expostos a atos de violência. Os Guarani de Pueblito Kuê foram os últimos a sofrer ataques, uma vez que reocuparam sua terra no mês passado.
O Diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, 'É uma triste ironia que as pessoas comprem o etanol da Shell como uma ‘alternativa’ ética para combustíveis fósseis: certamente não há nada ético sobre o horrendo tratamento dispensado aos Guarani. O governo brasileiro precisa cumprir suas leis, e parar a destruição em massa de terras indígenas'.

Índios da Amazônia interpretam movimento das estrelas

Planetário em Manaus mostra calendário desenvolvido pelos indígenas.
Eles sabem a hora certa de caçar, pescar, de plantar e de colher.

Do Globo Rural
Uma réplica de como o céu é visto na Amazônia foi montada na reserva Adolpho Duke, em Manaus, Amazonas. O planetário tem formato cilíndrico, por dentro, um céu feito de fibra de vidro escuro ajuda a entender como os índios decifram o movimento dos astros.
Um projetor reproduz as imagens das estrelas formando os lados leste e oeste do céu da Amazônia, onde passa a linha do Equador. O programa de computador foi criado pelo astrônomo Germano Afonso, do Museu da Amazônia. Com oito metros de diâmetro, o planetário tem capacidade para 60 pessoas.
Os visitantes aprendem que, na Amazônia, o dia e a noite têm a mesma duração. As estrelas nascem no leste e se escondem no oeste, formando um ciclo que determina a passagem do tempo.
E foi observando o movimento dos astros que os índios montaram um calendário anual. Assim, eles sabem a hora certa da caça, da pesca, da piracema, da colheita e do plantio.
O índio da etnia desana ensina os estudantes como a tribo interpreta os sinais que vêm do céu.
A constelação das plêiades é chamada pelos desanas de nekaturu, que significa sete estrelas. Quando elas desaparecem no lado oeste do céu é o começo das chuvas, sinônimo de fartura com colheita abundante.
Na constelação de escorpião, os índios enxergam uma cobra surucucu. Na linguagem desana é a formação de anhá, responsável pela cheia dos rios.
As plêiades, conhecidas popularmente como as sete estrelas, e a surucucu ocupam lados opostos no céu. Quando uma aparece no leste, a outra some no oeste. Para os índios, as duas formações de estrelas significam diferentes condições de vida na Terra, saúde ou doença, fartura ou escassez de alimentos.
Na tribo desana, a cerca de 45 quilômetros de Manaus, à margem do Rio Negro, os sinais que vêm do céu influenciam nos costumes do povo. O sábio da tribo, o pajé Kassibi Kumu, mostra uma pequena horta e explica que cada planta tem o momento certo para o cultivo. A época é ideal para plantar a mandioca, usada para fazer o tucupi, prato típico da região.
As estrelas podem dizer muita coisa. Para os índios, a Terra é um reflexo do céu.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...