29 de jun. de 2013

NÃO VOU LIGAR MAIS PARA TI

Cansei. Não atenderei mais tuas chamadas. Cansei de servir de inspiração para os textos que escreves. É torturante saber que sempre falas de mim com um pouco de amor e uma overdose de mágoas.
Não atenderei mais tuas ligações. Elas são sempre vazias de sentido. Também não te ligarei mais. És sempre tão literal que me cansa ser alvo de textos - curtos ou longos - que falam de um amor que nunca é ou nunca foi.
Tu me deixas muito confuso, cafuzo. Falas pelas entrelinhas de mim mesmo ao simples som de minha voz ao atender tua ligação. Como podes ser tão sedenta de minhas palavras? Como podes me usar desse jeito?
Não vou mais ligar para ti. Nem uma única vez irei ligar mais para ti. Tenho que resistir à saudade que me atormenta e que alimenta tua escrita. Não posso mais ser teu muso inspirador, pois já fui tanto e tantas vezes! Tenho que me esforçar para não lembrar de ti com vontade de te ligar, ouvir tua voz macia e teu riso sedutor. Tenho que deixar de fitar teus grandes e deliciosos olhos que encantam e me adoçam a boca.
Não. Não posso mais ligar para ti quando estiver dirigindo. Eu sempre hei de falar coisas que não devo e depois reclamar do que disse. E ainda terei que te ouvir falando grosserias em meus ouvidos.
Dessa vez é definitivo: não vou mais ligar para ti. 
 

28 de jun. de 2013

Escritor juarense Marcelo Manhuari lançou seu livro em evento no Rio de Janeiro.


Escritor juarense Marcelo Manhuari lançou seu livro em evento no Rio de Janeiro.
Escritor juarense Marcelo Manhuari lançou seu livro em evento no Rio de Janeiro.
O escritor indígena juarense, Marcelo Manhuari, lançou no 15° Encontro da Fundação Nacional do Livro Juvenil que aconteceu no Rio de Janeiro, o seu livro “A cidade das águas profundas”. O evento foi acompanhado por vários parceiros do movimento da literatura indígena.
O livro “A cidade das águas profundas” foi publicado pela editora Melhoramentos, que sempre dá oportunidades para novos escritores, e particularmente aos indígenas. Quem tomou conhecimento do material de Marcelo, foi o próprio Daniel Mundurucu que após analisar o conteúdo indicou a editora e se incumbiu de ser o agente literário da obra.
Ao todo são pelo menos três mil exemplares já impressos, que serão distribuídos em todo território nacional, o material inicialmente distribuído pela própria editora e comercializado nas principais livrarias do pais.
No vale do Arinos, com o lançamento do livro de Marcelo Manhuari, surgiu a ideia da criação da Associação de Artistas Escritores Indigenas para facilitar o trabalho de lançamento e divulgação de obras literárias.
Fonte: Acesse Noticias

26 de jun. de 2013

Exposição ¡Mira!, no Centro Cultural UFMG, revela arte contemporânea indígena da América do Sul.



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O Centro Cultural UFMG inaugura na próxima sexta, 14 de junho, a exposição ¡Mira! – Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas. A mostra reunirá, pela primeira vez no país, obras de artistas indígenas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru. O evento se estenderá até 11 de agosto, e a entrada será gratuita.
Pinturas, desenhos, cerâmicas, esculturas, vídeos e fotografias estarão expostos durante dois meses em um dos mais antigos edifícios (recém-restaurado) do centro histórico da capital mineira. A proposta do Centro Cultural é trazer ao público as novas estéticas dos povos ameríndios, definida pela produção artística que alia saber tradicional às modernas tecnologias.
“As artes visuais que alguns indígenas estão fazendo, expondo e vendendo entram em nosso mercado, na cidade grande, como objetos e signos de outras realidades”, explica Maria Inês de Almeida, curadora e coordenadora da exposição. “O que distingue suas peças dos objetos e signos tradicionais, frutos da cultura oral, são a tensão e a perturbação, algo que um indivíduo é capaz de expressar quando vê o mundo de longe”, completa a diretora do Centro Cultural.
¡Mira! é resultado de pesquisa realizada por equipe formada por antropólogos, comunicadores e indigenistas, que percorreu milhares de quilômetros em busca da arte indígena latino-americana. Foram levantadas mais de 300 obras de 75 artistas de 30 etnias diferentes. Depois, um conselho curador, composto por especialistas em artes visuais, escolheu mais de 100 obras para a exposição.

Atividades
Na semana de abertura, seminário sobre as artes e culturas indígenas em sua relação com a        contemporaneidade será composto de oito mesas de debates, em que artistas da exposição, indígenas      convidados, pesquisadores e educadores conversarão sobre diferentes temas. A discussão vai girar principalmente em torno das relações entre as artes indígena e ocidental: ruptura da tradição, continuidade, ou diálogo? Quais as técnicas e as estéticas que os indígenas assimilam? O que índios trazem de inovação para a arte ocidental?

No pátio do Centro Cultural, uma oficina de tururi – tela feita com a fibra da entrecasca de uma árvore – será ministrada por artistas da etnia Ticuna, e haverá também bate-papos informais com artistas integrantes da exposição, que vão demonstrar seus processos de trabalho.
Segundo a organização do evento, através de múltiplas linguagens, a exposição ¡Mira! Promove, em caráter inédito, o intercâmbio entre as novas experiências artísticas desenvolvidas pelos povos indígenas da América do Sul e ainda oferece ao público a oportunidade de conhecer o pensamento e a perspectiva indígena em meio às artes visuais contemporâneas.

O Centro Cultural UFMG fica na Av. Santos Dumont, 174, Centro de Belo Horizonte. Informações: (31) 3409-8290.
(Com assessoria de comunicação da exposição)

Matéria original: https://www.ufmg.br/online/arquivos/028646.shtml

24 de jun. de 2013

Escritores e Artistas Indígenas fundam a DIROÁ - AssEArIn


Eu e Edson Kayapó fomos convidados pelo Diretor do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI, Daniel Munduruku, e pelo Coordenador do  Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas - NEArIn, Cristino Wapichana, para coordenarmos os trabalhos de concepção, constituição, fundação, eleição e posse de uma Associação que congregasse os escritores e artistas indígenas dos mais diversos povos indígenas no Brasil, inicialmente, os oriundos do NEArIn, que vêm se reunindo ao longo de 10º através do Encontro de Escritores e Artistas – EEAI, em eventos compartilhados com o Salão do Livro para Crianças e Jovens da (FNLIJ) - Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil evento, na cidade do Rio de Janeiro.

Após as três assembleias nos dias 10, 11  e 13 de junho, com esta finalidade, foi fundada para a representatividade legal dos escritores e artistas indígenas a bem da literatura indígena e das comunidades dos povos indígenas e do povo Brasileiro a DIROÁ – Associação de Escritores e Artistas Indígenas – AssEArIn.

Seu nome de significado indígena - Uma tentativa de socializar sobre a nominação DIROÁ, a qual foi uassim escolhida em seguidas rodas de conversas, e decidida na tarde do dia 13 de junho de 2013.

DIROÁ. Na tradição dos povos do Rio Negro, enfaticamente, entre os Tariano e Desana -, os Diroá são seres fantásticos, encantados, místicos, grandes pensadores que têm a dimensão dual do ser humano, portanto, podem fazer o Bem e o Mal, e, ao controlar entes e situações, podem transformar atitudes negativas em positivas. Na  língua Xavante tem o sentido de Grupo de Formação (inicial) para diversos fins de suas vidas e seu cotidiano.

Os escritores e artistas indígenas são criadores que têm como princípio a dimensão humana de produzir nas artes a filosofia e estética  do belo em sintonia cosmológica de sua ancestralidade e sua contemporaneidade, dentro e fora de suas comunidades.

Enfim, no dia de junho de 2013, às 15h00, fundamos, elegemos e demos posse a Diretoria da DIROÁ – AssEArIn, cujo, primeiro mandato ficou assim constituído:

Primeiro Presidente: Cristino Pereira dos Santos; Segundo Presidente: Edson Machado de Brito; Primeiro Secretário: Rosilene Fonseca Pereira; Segundo Secretário: Maria das Graças Ferreira; Primeiro Tesoureiro: Manoel Fernandes Moura; Segundo Tesoureiro: Carlos Tiago dos Santos; Coordenadores Regionais do Norte: Jaime Moura Fernandes e Elias Seixas Reis; do Nordeste: Ademario Souza Ribeiro; do Centro-oeste: José Márcio Xavier de Queiroz, Marcelo Manhuari Munduruku e Caimi Waiassé Xavante; do Sul e Sudeste: Olívio Zeferino da Silva.

De acordo com o Estatuto em seu Art. 15º Associados fundadores da DIROÁ - AssEArIn são aqueles que participaram de sua criação, assinaram o livro de presença e se comprometeram com as suas finalidades e os indicados pelos assembleianos, como Fundadores Beneméritos, em ordem alfabética: Ailton Krenak, Álvaro Tukano, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, Elizabeth D'angelo Serra, Graça Graúna e Raoni Menkture.
Fotos diversos do processo:








Celebrando nossos ancestrais e na contemporaneidade ampliando as fronteiras e parcerias para que a Literatura e Saberes indígenas sejam conhecidas e valorizadas em meio a esse mega caldeirão da diversidade étnico e cultural do Brasil.

Até breve!

Ademario Ribeiro
Sertanejo das Terras dos Payayá, filho de Amélia Souza Ribeiro e de Alberto Severiano Ribeiro (in memoriam)... Escritor (poeta e teatrólogo), diretor teatral, educador ambiental, pesquisador dos povos indígenas e pedagogo. Membro, conselheiro e fundador de diversos coletivos entre estes: ONG ARUANÃ, Associação Muzanzu do Quilombo Pitanga de Palmares, entre outras organizações. Tem publicações diversas em jornais e sites.


Matéria original: http://ademarioar.blogspot.com.br/2013/06/escritores-e-artistas-indigenas-fundam.htmli
Reprodução somente mediante comunicação prévia e citação da fonte. 


VOYEUR


Ela abre a porta de maneira tão vulgar que o deixa sempre atônito.
- Vulgar – ela pergunta – o que quer dizer com isso? Vulgar é a puta-que-o-pariu. Nada há de vulgar no meu ato de abrir a porta!
Ele não responde. O silêncio mudo é melhor que o silêncio falado. Prefere assim. É um método que aprendeu no tempo em que queria ser monge budista. É melhor calar diante da explosão  e contemplá-la que enfrentá-la e morrer. Morre-se tanto e tantas vezes nessa vida!!!
Preferia que ela não fosse vulgar ao abrir a porta. Preferia que ela fosse refinada, final, gentil. Abrir com leveza e finesse como faziam as madames da televisão. Como fazia a dama Fernanda Montenegro. Aquela sabe envelhecer com brio! Sabe ser uma dama! Sabe abrir uma porta com primor!
Faz tempo que a observa. Ela nem sabe disso. Virou um voyeur de sua própria mulher. A espia quando dorme após longo dia de trabalho. Sente sua respiração, dividindo o ar entre as narinas e a boca, vez ou outra solta um gemido.
- Pensou em mim – ele pensa iludido.
Outras vezes abre a porta do banheiro sem que ela perceba. Dentro do box ela se ensaboa sem notar que está sendo observada. Seus olhos fechados confessam seus pensamentos enquanto suas mãos percorrem o corpo molhado. Quando abre os olhos se depara com os dele pousados no corpo branco e desnudo.
Ele já a ficou espiando enquanto lava louças ou roupas na área de serviços. Acha que é uma visão do paraíso olhá-la assim, sem ser visto. Pensa que o que vê é seu: a pele branca, a bunda levemente arrebitada enquanto se curva sobre a máquina de lavar. A concupiscência de seu desejo quer tocá-la com sofreguidão. Nem sempre resiste. Ela sempre manda que pare. Ele sabe que não é verdade. Ela gosta. Faz-se apenas de difícil para não dar o braço a torcer. Ela finge não ter concupiscência. Ele nunca soube porquê.
Ele gosta de vê-la trabalhando sobre a mesa da cozinha. Espalha todo o material. Diz que é para ter uma visão de conjunto. Ele ri. Conhece-a.
Faz tempo que ele a engana. Faz tempo que ela sabe. Ela o prende. Grilhões impostos por doses de afetos perdidos. Bolas de ferro invisíveis amarrados a seus pés. Ele é voyeur; ela, senhora da senzala. Ele espia querendo encontrar-se nela; ela o amarra com seu cântico dos cânticos; ele, preso por vontade própria; ela, livre; ele pássaro; ela, linda; ele, só.

Então, por que? Porque tem que ser tão vulgar ao abrir a maldita porta?

21 de jun. de 2013

10º EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas - 12 de Junho de 2013

 
Prezados, aí vai uma pouco da participação de Daniel Munduruku no 10º EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas -"Buscando Horizontes. Gerando Metamorfoses.", evento que é um dos idealizadores.
O Instituto Uka Casa dos Saberes Ancestrais, agradece à todos os participantes do nosso 10º EEAI - Encontro de Escritores e Artistas Indígenas!
Foram duas semanas de trabalho em que passaram pelo stand do NEARIN no 15º Salão FNLIJ do Livro, alguns dos principais escritores, artistas e lideranças indígenas do Brasil, que trouxeram valiosas contribuições a respeito dos novos rumos deste movimento e celebraram juntos conosco essa data especial.
O auge do evento aconteceu no dia 12 de Junho, quando aconteceu nosso Seminário: "Buscando horizontes. Gerando metamorfoses". Que contou com a participação de grandes acadêmicos brasileiros que estudam e apoiam a Literatura Indígena.
A organização parabeniza à todos, pelas falas, pelas novas publicações dos autores indígenas, pelas perfomances com o público, pelo texto vencedor Concurso Tamoios, pelos debates internos, novos projetos, e pelos 10 anos do Encontro de Escritores e Artistas Indígenas.
Esta é uma conquista também dos Povos Indígenas brasileiros que a cada ano ganham mais voz, e se fazem ouvir através da palavra escrita que seus filhos direcionam às suas raízes.

Vida longa para a Literatura Indígena brasileira!
Um salve para todos os artistas indígenas!

Até o nosso próximo encontro!
 
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14 de jun. de 2013

Mundurukando a partir da foto de menino Munduruku de Juara/MT

Mundurukar é
Contemplar o tempo que passa pequeno.
Sentir a brisa do vento que acaricia o espírito.
Solfejar as notas harmônicas do universo.
Sentir o coração da deusa pulsar e acompanhar o doce movimento da vida que teima em sobreviver.
Harmonizar o Crer e o Compreender num mesmo espaço em conflito.
Descobrir o novo a cada dia.
Saber dizer o belo a quem se que quer bem.
Saber dizer o belo a quem não se quer tão bem.
Saber dizer Amém, Aleluia, Shalom, sim e não.
Saber Ser
Saber-se SER.

10 de jun. de 2013

SOBRE FORMIGAS E ELEFANTES

Sobre formigas e elefantes

Há muitas fábulas que falam da luta entre grandes e pequenos. Normalmente são narrativas que procuram oferecer como moral da história que os pequenos podem resistir diante da pressão dos grandes e, finalmente, vencê-los.
Fazemos nossa dança porque nos sentimos parte da grande
teia da vida.
Neste sentido podemos lembrar a história do pequeno Davi contra o gigante Golias. A narrativa bíblica nos aponta que bastou que o jovem acertasse a te
sta do monstro para por fim a uma tragédia anunciada. Estava tudo caminhando para um desfecho desfavorável ao povo israelita que estava acuado diante da grandiosidade do guerreiro filisteu (a narrativa bíblica fala que o moço tinha dois metros e noventa e seis centímetros de altura). Tudo parecia perdido até que se apresentou o destemido Davi que enfrentou e destruiu o gigante com um único e certeiro golpe. A arrogância dos filisteu acabou sendo massacrada por um minúsculo israelita que tinha a fé como arma.
Nas fábulas tradicionais aparecem outras figuras que nos reportam para um tipo desfecho muito semelhante. Quase sempre tratam-se  de uma disputa desigual que é resolvida graças ao tipo de relação que se estabelece, pois o grande aparece como um ser arrogante que pretende usar sua força e proporção contra o que considera frágil. Surpreendentemente, as narrativas trazem sempre a vitória do frágil sobre o arrogante principalmente para nos lembrar que quem quer tudo, quase nada consegue.
Outras narrativas nos trazem como personagens seres da natureza que também têm a marca da fragilidade disputando contra os que se consideram maiores e mais fortes. Nessas fábulas, o que está sendo apresentado é uma solução para a resolução do conflito presente em todas as sociedades: a sagacidade contra a força. Nessas histórias nem sempre ser mais forte ou maior é sinal de poder. A sagacidade, a esperteza, a criatividade e o espírito coletivo podem ser usado contra a arrogância de quem se sente forte e poderoso. É assim a eterna disputa entre o lento jabuti e a sagaz lebre, entre outros exemplos.
Enquanto o governo brasileiro tenta exterminar os indígenas,
 os indígenas tentam educar o povo brasileiro
Chamei essas lembranças para dizer que hoje vivemos esta eterna disputa não mais no campo da memória e das fábulas. As vivemos nos dias atuais. Vivemos a luta de formigas contra elefantes. As formigas aqui são representadas pelos povos indígenas (especialmente os Munduruku que são conhecidos como Formigas Guerreiras) e os elefantes representam o latifúndio, as empreiteiras e o próprio (des)governo brasileiro. Fique claro que não se trata de uma luta nova, mas renovada pelos interesses dos setores que se autoproclamam avatares do progresso e do desenvolvimento nacional.
O Brasil inteiro está acompanhando as notícias que têm pautado os meios de comunicação social: conflitos latentes nos canteiros de obras de Belo Monte; invasão de território tradicional dos Terena (invasão que tem o simbólico nome de reintegração de posse ainda que se saiba que o território em questão não é de quem se diz ser) que culminou na morte de um membro desse povo. É notório que se trata de uma estratégia engendrada por setores ruralistas e pecuaristas aproveitando a mão fraca do governo brasileiro que está criando uma situação vexatória para si mesmo e mostrando sua total incompetência para solucionar a questão ou, se preferirem, aceitando que é um governo radicalmente antiindígena.
O discurso usado é o de sempre. Nem vale a pena ficar repetindo aqui. Lembro apenas que o gigante Golias gritava em alto e bom tom palavras aviltantes para provocar a reação dos amedrontados israelitas que pensavam não poder vencê-lo. Eram palavras que desqualificavam seus inimigos. Com isso desejava desencorajá-los ou, ao contrário, “dar moral” para seu exército. É assim que agem os covardes, os medrosos, os corruptos, os imbecis, os mentecaptos de plantão. Pensam que ao desqualificar o exército inimigo por possuir melhores armas (nesse caso, o dinheiro ou a ideia de trabalho produtivo) se sentem vitoriosos. É, provavelmente, assim que se sente um elefante diante de uma formiga. Acha que não fará diferença ser mordido por uma única formiga e nada sentirá. Pura ilusão, eu penso.
O que posso tirar de conclusão de tudo o que está acontecendo é que os indígenas estão certos em reagir contra a construção de qualquer coisa que afete seu território tradicional. Estão certos em criar barreiras, fechar estradas, invadir locais públicos, fazer barulho diante do congresso nacional. Estão certos em fazer barricadas, gritar protestos, enfezar os aliados do (des)governo brasileiro. Digo sem receio de errar: fazem isso sem estratégia definida. Fazem por pura explosão ancestral. Não estão sob a tutela de ONGS ou sob a liderança de ninguém a não ser das vozes dos antepassados que lhes chega aos ouvidos repetindo a fábula do pequeno que vence o grande. Não pela alegria da vitória, mas pela honra que devem aos antigos, pela dignidade do pertencimento à sua memória ancestral. Isso o gigante não possui. O gigante só sabe olhar o espelho e a única coisa que vê é a si mesmo. Quando isso acontece vem a derrocada. O certo é sempre resistir.
Uma conversa com os brasileirinhos enquanto o governo brasileiro
admite assassinar os brasileiros mais antigos. Vai entender!!

Penso, também, que o povo brasileiro tem que acordar do seu berço esplêndido onde continua deitado. Precisa sair da frente da televisão e voltar às ruas para pressionar seu governo a cumprir o que a lei maior determina: direito dos povos indígenas ao seu território tradicional; direito à dignidade; direito à vida. Fazendo isso, estará garantindo sua própria sobrevivência futura. Os povos indígenas não lutam por si, lutam por ti Brasil.

Feira do Livro em Jaraguá do Sul

A cidade catarinense de Jaraguá do Sul está realizando, até o dia 16 de junho, sua 7a. Feira do Livro.
Nesta segunda feira, 10 de junho, Daniel Munduruku fez palestra para aproximadamente mil crianças e jovens durante a 7a. Feira do Livro.
A conversa durou aproximadamente uma hora e discorreu sobre os vários equívocos sobre as culturas indígenas, preconceitos e literatura. O autor pontuou sua trajetória de escritor e liderança indígena lembrando ao público as dificuldades atuais por que passam os povos indígenas brasileiros.
Abaixo algumas fotos deste importante evento.




Após a palestra o autor distribuiu autógrafos entre os presentes e pousou para fotos com os admiradores de sua literatura.









Na parte da tarde o autor visitou a Escola Municipal Jonas Alves e conversou com os alunos da instituição.







MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...