28 de jan. de 2015

I Encontro de Contadores de Histórias do Vale do Paraíba (ECOHVALE)

Evento reunirá os principais nomes do cenário nacional em uma programação que contemplará palestras, oficinas, contação de histórias, performances, shows musicais e maratona pública de contação de histórias. E a curadoria ficará por conta de Daniel Munduruku e Andréa Cozzi

O I ECOHVALE já tem presenças confirmadas de Regina Machado (SP), Valdeck de Garanhuns (SP), Francisco Gregório (RJ), Andréa Cozzi (PA), Cristino Wapichana (RJ), Roni Wasiry Guará (AM), Tiago Hakiy (AM), Juraci Siqueira (PA), Bia Bedran (RJ) e Maria Inez do Espírito Santo (RJ).
Agora é aguardar a programação e as inscrições a partir de fevereiro.

SOBRE PARTICIPAÇÃO NO ENCONTRO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS
Amigos/amigas,
O I Encontro de Contadores de Histórias do Vale do Paraíba (ECOHVALE) abrirá inscrições para os interessados a partir de fevereiro. As inscrições serão para todos e todas que quiserem vivenciar esse momento único. Para esta primeira edição estamos prevendo a realização de palestras e rodas de conversas com convidados nacionais e oficinas com alguns desses convidados. Quem desejar participar das oficinas deverá se inscrever previamente, pois haverá número limitado de participantes por tema e por sala. Para os eventos abertos como palestra, rodas de conversa e espetáculo também precisará inscrição, mas os espaços são maiores cabendo um número maior de pessoas. Informo desde já que iremos cobrar um valor simbólico para as inscrições para podermos cobrir parte do material gráfico que disponibilizaremos.
Lembro, ainda, que às pessoas que desejarem se hospedar em Lorena iremos disponibilizar informações sobre os hotéis disponíveis e seus preços.
Em nossa programação estamos prevendo uma manhã que denominamos MARATONA DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS. Para este momento aceitaremos inscrições para pessoas ou grupos que desejem se apresentar para o público em local aberto.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/985402238139982/


Abraço fraterno
Daniel Munduruku

SAUDADES DE AMANHÃ livro de Daniel Munduruku

Chegou o mais novo livro de Daniel Munduruku em nossa biblioteca comunitária.
SAUDADES DE AMANHÃ foi publicado pela editora Escrita Fina e conta o cotidiano das crianças indígenas que aprendem observando os adultos e enquanto brincam de aprender. Muito poético. Vale a pena conhecer.

https://www.facebook.com/instituto.uka 

17 de jan. de 2015

Daniel Munduruku no Programa Vivíssima da TV Aparecida

O Diretor-Presidente do Instituto Uka - Casa dos Saberes Ancestrais irá participar, na próxima segunda feira, dia 19, do Programa Vivíssima da TV Aparecida. O programa vai ao ar todos os dias a partir das 10 horas. Haverá sorteios de livros do autor para os telespectadores.

Contamos com sua audiência.
http://www.a12.com/tv-aparecida/programas/vivissima
 

Daniel Munduruku e a educação

Autor de 47 livros, educador fala da importância da presença da cultura e da literatura indígena nas escolas do Brasil

Arquivo pessoal
Munduruku pontua a importância de valorizar o conhecimento dos povos nativos nas escolas das cidades
“O padrão de escola que temos não é único, ele é apenas mais uma das formas de transmissão de conhecimento” diz Daniel Munduruku, escritor e educador nascido em uma das comunidades do povo munduruku no Pará. Com 47 livros publicados, ele saiu de sua comunidade e hoje espalha pelo mundo a cultura e a literatura indígena.
Segundo ele, a distância que existe entre a cultura urbana e as comunidades dos povos nativos brasileiros reforça, ainda hoje, preconceitos enraizados na população desde os tempos da colonização. Isso vale também para a educação indígena que passou a existir formalmente apenas com a Constituição de 1988. Atualmente ela luta para preservar os saberes ancestrais dos povos que sobreviveram.
Munduruku pontua a importância de valorizar o conhecimento tradicional nas escolas das cidades. Só assim as crianças serão capazes de entender que há outras formas de ensinar e de educar. “Entre esses saberes está a oralidade e outros conhecimentos que não permeiam as escolas convencionais e fazem parte da educação indígena brasileira”, completa.
Na posse da presidenta Dilma Rousseff, a pauta principal do discurso foi a valorização que o atual governo pretende dar para a área de educação. Sobre o uso do termo “pátria educadora”, no discurso de posse de Dilma, Munduruku afirma: “gostei dessa expressão, apesar de achar que ela não sabe ao fundo o que é. Trata-se de algo muito profundo. Significa enxergar além da educação formal. Entender a sociedade como um todo e compreender que há muitos espaços educativos além da escola”.
Em entrevista exclusiva ao Portal NAMU, Munduruku fala sobre a situação atual da educação no Brasil, a literatura indígena e os desafios de fazer com que a sociedade aprenda a enxergar as comunidades tradicionais sem o “olhar colonizador”.
Quais os maiores desafios que o Brasil enfrenta na área da educação?
Acredito que a primeira grande dificuldade é dar prioridade à educação. O governo terá de tomar providências para problemas como a desvalorização dos professores, a evasão escolar, a questão da alfabetização na idade certa. Outro desafio é acabar com o analfabetismo funcional. Também vejo a necessidade de se criar políticas que sejam mais regionalizadas e tratadas com mais autonomias pelos estados e municípios. Só assim é possível dar respostas locais. No caso da educação indígena, temos de formar indígenas não para serem não indígenas, mas para continuarem indígenas mesmo tendo formação escolar. A educação do Brasil como um todo não deve ser simplesmente técnica, seu principal objetivo deve ser produzir cabeças pensantes e profissionais qualificados intelectualmente para dar respostas criativas para os problemas brasileiros.

Qual sua opinião sobre o novo ministro da Educação, o político cearense Cid Gomes, do PROS?
Não tenho opinião formada. O que se pode pensar a respeito da atuação dele é verificando o que ele fez no Ceará e não me consta que tenha sido uma administração muito voltada para a educação. É um politico e não um educador e eu não posso esperar muito de um político. Se fosse um educador talvez eu tivesse mais expectativas positivas.
O que é a educação escolar indígena no Brasil hoje? Em que ela se difere da educação convencional?
Desde a constituição de 1988, as populações indígenas têm direito a uma educação diferenciada, que deve seguir os parâmetros das próprias comunidades. Os professores devem ser indígenas e ter formação superior. Além disso, é necessário materiais de acordo com essas populações, mas esse desenvolvimento está lento. Após quase 30 de promulgação da Constituição, não houve uma continuidade na política educacional para as populações indígenas. Houve um avanço significativo nessa área, mas isso ainda não responde às demandas. Na prática, os indígenas precisam entrar em contato com a educação formal sem abrir mão dos conhecimentos tradicionais.
Qual a importância de valorizar os saberes imateriais da cultura indígena na educação?
A cultura e os conhecimentos tradicionais indígenas são fundamentais para a identidade brasileira. Os cantos, os ritos de passagem, o jeito tradicional de transmissão de conhecimento devem ser mantidos nas comunidades e, ao mesmo tempo, precisam ser valorizados nas escolas convencionais para que as crianças entendam que há diferentes maneiras de ensinar e de educar. O padrão de escola que temos não é único, ele é apenas mais uma das formas de transmissão de conhecimento. Dar oportunidade para as crianças da cidade refletirem sobre os conhecimentos tradicionais indígenas vai criar nelas também um sentimento de pertencimento. A sociedade brasileira não é apenas uma sociedade ocidental, ela é o resultado do acúmulo de diversos povos, conhecimentos e tradições. Os saberes dos indígenas, dos africanos, dos ribeirinhos da Amazônia e de outros povos que vieram pra cá são importantes e devem ser ensinados nas escolas.
E como isso acontece na prática?
Efetivamente, com a Lei nº 11.645, que inclui no currículo oficial da rede de ensino brasileira a obrigatoriedade de história e cultura afro-brasileira e indígena. No geral, a lei é muito positiva, principalmente porque ajuda a criar uma visão positiva na cabeça das pessoas. Porém, há muitos educadores ainda sendo formados dentro da mentalidade que coloca os indígenas como seres inferiores. É preciso fugir desse modelo estereotipado. Mas vejo que as universidades e as prefeituras estão preocupadas em oferecer cursos de formação. Imagino que na perspectiva da presidenta Dilma, ela deve investir radicalmente na formação dos professores para lidar com a diferença e com a diversidade.
Como a educação pode se tornar uma ferramenta capaz de transformar a sociedade?
A educação é a melhor ferramenta, mas precisa se atualizar, assim como o mundo está se atualizando. Infelizmente a educação fica sempre correndo, a passos lentos, atrás da modernidade. É preciso criar uma forma de atualização mais rápida para que ela cumpra com seu papel. Por incrível que pareça, temos de voltar a aprender com o passado para que se pense nas pessoas como produtoras capazes de transformar a sociedade e criar uma massa crítica. É o questionamento que gera mudanças. A escola deve ser esse instrumento. Ela é o espaço onde jovens e crianças aprendem a questionar a sociedade em que vivem e assim se tornam sujeitos capazes de transformá-la.
Como compreender a literatura indígena como uma ferramenta de quebra de padrões e preconceitos?
A literatura indígena surgiu no Brasil há cerca de 20 anos. Existia sempre a crença de que o indígena é um ser da oralidade, mas muitos indígenas começaram a frequentar a universidade. Aprenderam os elementos da cultura ocidental e fazem aquilo que a cultura tem que fazer que é: se atualizar e assim criar respostas. Uma das respostas é a literatura. Os indígenas foram para o cinema, música, teatro, internet. A literatura não é só um instrumento de escrita, mas faz parte da essência. Adquirir essa técnica foi importante para que os indígenas fossem capazes de escrever a própria história. Fico feliz por ser um dos pioneiros nisso, ter passado pela universidade, feito mestrado, doutorado e, sobretudo, por poder ter usado todos os conhecimentos que acumulei na cidade aliados aos saberes que eu trazia do meu povo para poder criar o que é chamado de literatura indígena. Ela é uma maneira para educar a sociedade brasileira, ensina a olhar para os povos indígenas não com o olhar do colonizador, mas com o olhar das próprias comunidades. A maioria dos 47 livros que publiquei é para crianças e jovens, mas digo que é para todo mundo. Porque eu escrevo não exatamente para crianças e sim para a infância das pessoas e todo mundo tem e teve uma infância. Não que sejamos crianças o tempo todo, mas a nossa infância é sagrada.
Foto 2: Vanessa Cancian

Fonte: http://namu.com.br/materias/daniel-munduruku-e-educacao

10 de jan. de 2015

Livro Das Coisas que Aprendi, de Daniel Munduruku.

Uma publicação com reflexões poéticas e filosóficas deste escritor que tem sido destaque em eventos no Brasil e no exterior.
As imagens são do fotógrafo do Mato Grosso Antonio Carlos Ferreira Banavita e parte dos direitos autorais da obra será revertida para apoio à formação de estudantes universitários do povo Munduruku.

Está interessado? Pergunte-me como recebê-lo em sua casa e ajudar esta causa!!!

 Daniel Munduruku

 

4 de jan. de 2015

Awá-guajás estabelecem contato com índios isolados de reserva maranhense


Awá-guajas que vivem em aldeia mantêm contato com índios isolados
Awá-guajas que vivem em aldeia mantêm contato com índios isolados
Divulgação Funai

Após décadas resistindo ao contato com outras pessoas, inclusive de sua própria etnia, três índios awá-guajás que viviam isolados no interior da Terra Indígena Caru, na região oeste do Maranhão, aceitaram a aproximação de outros awá-guajás e seguiram com eles até aldeias onde vivem índios há tempos habituados ao contato com não índios.
Segundo o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Maranhão, Daniel Cunha de Carvalho, trata-se de duas mulheres e de um adolescente da mesma família (mãe, filho e avó) que moravam sozinhos. No domingo (28), índios da aldeia avistaram a família enquanto procuravam alimentos nas proximidades da Aldeia Tiracambu. As circunstâncias do encontro ainda não estão claras, mas é possível que ao aceitarem a aproximação do grupo, as duas mulheres tenham identificado algum laço de parentesco com eles, aceitando, assim, acompanhá-los até a aldeia.
O fato é tão incomum que a Funai interrompeu as férias do responsável pela Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados, Carlos Travassos, para que ele viajasse de Brasília para o Maranhão. Uma servidora da coordenadoria regional da fundação, que também estava de férias, teve que voltar ao trabalho e foi enviada à reserva indígena na segunda-feira (29) a fim de verificar a situação da jovem.
“Isso é um fato raro, já que há várias décadas esses grupos que vivem isolados têm resistido a fazer contato até mesmo com outros awás-guajás. Inicialmente, chegamos a imaginar que pudesse ter acontecido algo grave – como um problema de saúde ou reflexo da presença de madeireiros que atuam ilegalmente na terra indígena – e que se tratasse de uma tentativa de pedir ajuda”, disse Travassos.
De acordo com Carvalho, as duas mulheres e o adolescente passam bem. A Funai acionou o plano de contingência e pôs em prática as medidas necessárias à proteção dos índios isolados – suscetíveis a contrair alguma eventual doença contra a qual não tenham proteção imunológica. O coordenador garante que uma equipe da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, também já foi deslocada para o local.
Habituada aos costumes dos awá-guajás, com quem trabalha há quase 25 anos, a missionária do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Rosana de Jesus Diniz disse ter ficado “muito surpresa” com o fato. Segundo ela, há tempos os índios das aldeias relatam encontrar vestígios da presença dos grupos isolados. Esta, no entanto, é a segunda vez em ao menos uma década que um contato entre grupos foi estabelecido espontaneamente.
O outro caso ocorreu há aproximadamente dez anos, quando awá-guajás de uma aldeia da Terra Indígena Awá encontraram mulher e filho, hoje um adolescente, sozinhos em uma espécie de cabana. Os dois hoje vivem na aldeia, mas, segundo Rosana, a mulher se mantém arredia e de pouca conversa.
Daniel e Rosana acreditam que a curiosidade natural dos awá-guajás não explicaria que qualquer índio isolado deixasse sua comunidade e se aproximasse sozinho de outro grupo. Para ambos, a degradação florestal causada pela ação de madeireiros e a consequente desorganização da coesão interna dos agrupamentos indígenas podem ajudar a entender o desfecho do encontro do dia 28.
“Até hoje, todos os contatos entre grupos se estabeleceram em virtude da destruição do território pela ação de não índios”, ressaltou Rosana. “Toda a região vem sofrendo com o desmatamento. Como, culturalmente, cada grupo awá-guajá delimita seu território de caça e coleta, a pressão que a presença de madeireiros e o desmatamento exerce pode estar contribuindo para que os grupos isolados percam a referência territorial e, sem outros meios de sobreviver, se aproximem cada vez mais uns dos outros e de grupos aldeados”, completou o coordenador regional da Funai.
O Estado brasileiro reconhece as terras indígenas awá-guajás há décadas. Mesmo assim, a extração ilegal de madeira continua e é objeto constante das denúncias de organizações ambientalistas e indigenistas e pelo Ministério Público (MP). Em janeiro, a pedido do MP, a Justiça Federal condenou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Funai e a União a instalarem postos de fiscalização para impedir a extração ilegal de madeira no interior das três terras indígenas existentes na região (Alto Turiaçu, Awá-Guajá e Caru). O juiz chegou a estabelecer prazo de 120 dias para que os órgãos públicos federais comprovassem ter adotado as necessárias medidas para garantir a efetiva proteção das áreas. Segundo o MP, as determinações não foram cumpridas.
Das três reservas indígenas, a Caru é a mais desprotegida. Em razão disso, é a que mais tem atraído madeireiros. Ela foi reconhecida pela Funai em 1980, a partir do desmembramento da Reserva Florestal do Gurupi, que deu origem também à Terra Indígena Alto Turiaçu. Interligadas, as duas reservas (Caru e Turiaçu) formam, junto com a Terra Indígena Awá, homologada pelo governo federal em 2005, um complexo de áreas indígenas ocupadas principalmente pelos awas-guajás, mas também por índios ka’apor e guajajara.


Índio cursa mestrado na UFG para garantir melhor educação em aldeia

Índio cursa mestrado na UFG para garantir melhor educação em aldeia

Professor em sua aldeia, o índio xerente Dansonkekwa se esforça para concluir seu mestrado em direitos humanos na Universidade Federal de Goiás (UFG) para lutar por uma educação indígena de qualidade para que as tradições de sua cultura sejam mantidas. Para conseguir os objetivos, o indígena deixou sua casa no Tocantins para enfrentar as dificuldades da língua portuguesa e morar com outros estudantes.
Dansonkekwa se apoia no significado de seu nome para ultrapassar as dificuldades e conseguir se formar. “Meu nome significa aquele que abre o caminho, que faz a trilha”, diz com orgulho. Porém, para facilitar o seu convívio fora da aldeia, o índio escolheu usar o nome Ercivaldo.
O maior objeto é garantir que as leis relacionadas ao povo indígena sejam cumpridas, inclusive o acesso às crianças a livros didáticos na língua nativa da etnia, e não em português. “A minha busca vai ser nessa área de ser reconhecido a partir dos direitos garantidos pela constituição brasileira e nós temos esse direito. Precisa de alguém que está apto pra elaborar o plano de como que a escola seria na comunidade no dia a dia”, explica Ercivaldo.
Com isso, ele acredita que as tradições de seu povo serão mantidas e passadas às novas gerações. “No mundo escolar, a gente pode transformar a oralidade para escrita, nos documentários e pode servir de ferramenta para que possamos futuramente mostrar e valorizar a nossa cultura”, complementa.
O estudante é o primeiro indígena a cursar o mestrado em direitos humanos pela UFG. Ercivaldo se considera privilegiado por estar abrindo portas e por poder servir de exemplo para outros índios que também desejam usar a educação como forma de ajudar suas aldeias.
Para o professor do mestrado, Douglas Pinheiro, a participação de um indígena na sala de aula é benéfica para todos os estudantes. “Isso cria uma nova dinâmica de ocupação do espaço. E em um mestrado de direitos humanos, isso é fundamental, porque um dos aspectos que nos costumamos discutir é ocupar espaços sociais. E quando o Ercivaldo está aqui presente, ele está como pessoa, obviamente, e a presença dele já é um testemunho vivo, mas ele também verbaliza as suas demandas, as suas angústias”, relata.
Para os alunos, a troca de experiência também gera um grande aprendizado. “É uma grande vitória pra ele e para o grupo étnico dele também. E nós fazemos parte com muita honra. Ele nos ensina muito todos os dias e isso é muito bom”, disse Fabrício Rosa, que é um dos 15 alunos do mestrado.
Dificuldades – O caminho para a realização do sonho não tem sido fácil para Ercivaldo. Além da saudade dos seis filhos que ficaram na aldeia, em Tocantins, o estudante enfrenta dificuldades com a língua e também com a moradia.
“Eu tenho alguns problemas de compreensão das palavras acadêmicas e eu estou tentando me adaptar, porque a língua portuguesa, pra mim, é uma língua inglesa, estrangeira”, diz o indígena.
Além disso, por não ter bolsa de estudo, Ercivaldo depende da Casa do Estudante Universitário, mantida pela UFG, para morar. Ele foi acolhido por outros estudantes da etnia xerente que estudam na instituição, porém está em situação irregular. A moradia é apenas para estudantes de graduação e como ele cursa o mestrado, não poderia continuar no local. Para tentar se manter na casa, o estudante já escreveu uma carta para o reitor da universidade, pedindo ajuda para que ele possa continuar alojado e continuar os estudos.
Mas, para superar tudo isso, o indígena se apoia nas fotos que carrega da família e também na esperança que todos depositam nele. “Ele é uma pessoa que a gente tem visto que com certeza vai contribuir conosco. Essa é a esperança. A gente fica também muito feliz. Com certeza é uma conquista para o nosso povo”, disse o cacique da aldeia, José Xerente. (Fonte: G1)

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...