31 de jan. de 2013

Tese completa e com revisão das notas pele silenciosa, pele sonora

O objetivo desta tese de doutoramento é investigar a construção da identidade do índio pela perspectiva ocidental (de tradição européia) e pela perspectiva indígena, nas literaturas brasileira e norte-americana. Assim, estudamos textos produzidos no Brasil e nos Estados Unidos da América por escritores vinculados à tradição literária ocidental, do período colonial ao século XX, e pelo próprio índio, nas contra-narrativas do final do século XX. Ao longo de cinco séculos de dominação da América, o colonizador europeu construiu uma representação etnocêntrica do índio que ainda hoje preenche o imaginário ocidental. Lido e traduzido pelo olhar do outro, o ameríndio tem sua identidade elaborada a partir de eixos de representação europeus e de estereótipos. No entanto, o índio não ficou silencioso desde seu encontro com o colonizador; sua voz de resistência tem se manifestado há séculos por meio de multimodalidades discursivas que também constroem representações da identidade indígena.

30 de jan. de 2013

DA MÁQUINA DE ROUBAR ALMAS À MAQUINA DE REGISTRAR MEMÓRIAS

Naine Terena

Eu já me transformei em imagem. Mesmo que eu morra vocês irão me ver.(pajé do Povo HuniKui, no vídeo Já me transformei em imagem).

Numa referência realizada ao trabalho do fotografo Boggiane, em terras do povo kadiweu em 1934, Pavel Fricova e Yvonna Frici, escrevem sobre os retratos tirados pelo fotografo na aldeia, comentando sobre as relações mutuas, as desconfianças dos kadiweus para com a máquina fotográfica e o medo de perder ‘sua alma’ (1997). Pensando nesta observação, refletimos sobre uma das muitas trajetórias percorridas pelos povos indígenas brasileiros, num longo processo de manutenção da cultura. Se por muitas décadas acreditava-se que os índios seriam extintos e perderiam totalmente a sua cultura, vemos o processo de adaptação, assimilação e apropriação de elementos da cultura não indígena com o intuito de manter os costumes. Se a entrada das tecnologias (em especial a televisão) oferecem alto risco por causa dos valores transmitidos aos mais jovens, com o tempo os próprios indígenas conseguiram vislumbrar a utilização desses meios para mostrarem-se ao mundo e para si mesmo.
É o que diz o pajé Huni Kui no vídeo Já me transformei em imagem, Isaac Dias, liderança Terena, em Quem chorará por nós, e tantos outros anciãos que posicionam-se em frente a câmera para realizar suas narrativas. Com características orais, os povos indígenas vêm demonstrando cada vez mais afinidade com os equipamentos de áudio e vídeo. Isaac visualizou a utilização do registro de parte de sua memória na escola indígena de sua aldeia. Ele comenta durante as gravações de sua ‘entrevista’ que falaria naquele momento por que sabia que os realizadores deixariam uma cópia na escola: “Eu comecei a escrever (as memórias) e não enxergo mais. Mas se a senhora vai deixar uma cópia na escola, fica mais fácil”.Dois fatores são importantes na utilização dos equipamentos (ao meu ver) – o primeiro esta relacionado a preocupação com o registro da memória, da manutenção da cultura, da transmissão cultural; o segundo com a necessidade de se apresentar ao mundo dos não indígenas, para que estes entendam, compreendam e respeitem o sistema de vida indígena.
Se na década de 30 os kadiwéu (e talvez outros povos) temiam a captura da alma pelos equipamentos, hoje esse temor se transformou a ponto de que cada povo manipule seu equipamento e capture parte da alma que queiram que seja capturada. O domínio dos equipamentos pelos próprios indígenas lhes dão autonomia para que registrem apenas o que querem que seja registrado. Que divulguem apenas o que pensam que deve ser importante ser divulgado. É a autonomia tecnológica dos povos contemporâneos. Walter Benjamin escreve que o filme não deve ser considerado um mero instrumento de registro e reprodução, ele é autoral e capaz de representar o mundo. Neste caso, o mundo que os povos indígenas querem representar e apresentar (faça então uma reflexão mais apurada, o que se vê sobre índios nas tv´s brasileiras? Com que freqüência? como são apresentados?)
Podemos lembrar ainda alguns trechos escritos por Arlindo Machado, sobre como os diversos grupos indígenas estão aprendendo a dominar criativamente as modernas tecnologias de enunciação para utilizá-las em seu benefício – seja como registro de suas memórias, seja como luta política. Escreve Machado:
[...] vem sendo incorporado por algumas nações indígenas não apenas como instrumento de registro passivo de suas tradições, mas também de luta política. Para os povos sem tradição escrita como é o caso dos índios, o vídeo se converteu rapidamente numa forma de escritura que lhes permite comunicar-se rapidamente com outras tribos, registrar a ação dos emissários nas instituições de poder (como forma de prestar conta à tribo posteriormente) e angariar a adesão ou a solidariedade de instituições protecionistas ou ecológicas internacionais.
Os indígenas deixam de aparecer como objetos passivos, para garantir a preservação não mais da pureza étnica ou cultural, mas de sua autonomia política e de sua opção por um modelo de vida diferenciado, sem apelar para a estereotipação, mas identificando-se como índios perante os brancos, como povos diferenciados por tradições próprias, e sendo sujeitos de registros - antes o que era realizado pelo olhar do outro, agora se torna elemento para a visualização de si mesmo (Arlindo Machado).
Diante de tudo isso, penso que talvez, o temor não fosse pela máquina roubar suas almas, mas sim de não poderem escolher quais partes de suas almas gostariam que fossem resguardadas.

A citação foi lida e retirada do livro Fotografia e Antropologia – olhares fora-dentro de Rosane de Andrade.

Mais em: http://oraculocomunica.blogspot.com.br/p/artigos-e-textos.html

28 de jan. de 2013

O Festival do Júri Popular 2013 começa nesta terça.



Até o final de fevereiro, serão exibições em 20 cidades espalhadas por todo o Brasil. Os longas-metragens estão escalados para sete destes locais.

Abaixo, seguem todas as sessões do filme As hiper mulheres.

===

Belém/PA:
Cine Líbero Luxardo – Fundação Tancredo Neves – 86 lugares
Av. Gentil Bittencourt, 650 – Batista Campos – (91) 3202 4321
09/02 (sábado) – 20h – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

Curitiba/PR:
Cinemateca de Curitiba – 104 lugares
Rua Carlos Cavalcanti, 1.174 – São Francisco – (41) 3321 3245
04/02 (segunda-feira) – 20h – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

Goiânia/GO:
Cine Goiânia Ouro – Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro – 217 lugares
Rua 3 Esq. com Rua 9, 1.016, Galeria Ouro – Centro – (62) 3524 2541 / (62) 3524 2542
03/01 (domingo) – 20h – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

João Pessoa/PB:
Casa de Cultura Cia. da Terra
Pça. Antenor Navarro, Casarão nº 15 (1º andar), Varadouro
02/01 (sábado) – 20h10 – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

Porto Alegre/RS:
Cine Bancários – 81 lugares
Rua General Câmara, 424 – Centro – (51) 3433 1200
03/01 (domingo) – 19h – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

Rio Branco/AC:
Filmoteca Acreana – Biblioteca Pública – 114 lugares
Av. Getúlio Vargas, 389 – Centro – (68) 3223 6041
03/02 (domingo) – 19h – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

Rio de Janeiro/RJ:
Centro Cultural Banco do Brasil – 50 lugares
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – (21) 3808 2000
03/02 (domingo) – 19h – Programa Longa 06: “As hiper mulheres”

===

Mais informações no site: www.festivaldojuripopular.com.br

Atualizações constantes na página: www.facebook.com/FestivaldoJuriPopular

26 de jan. de 2013

Curso pré-vestibular Redes da Maré

Caros parentes,
O Raízes Históricas Indígenas (RAHIS), firmou parceria com a PUC- Rio e Redes da Maré no desafio de preparar indígenas para concorrer vagas nos cursos da PUC-Rio.
Aqueles que são residentes no Rio de Janeiro e estão querendo cursar Ensino Superior, terão a oportunidade de participar do Curso Pré-Vestibular da Redes da Maré.
Inscrições abertas de 28 de janeiro até 01 de fevereiro. http://www.redesdamare.org.br/ .
Para concorrer as bolsas os interessados devem anexar aos documentos solicitados pela Redes da Maré, uma carta pessoal identificando sua nação de origem e os motivos para o seu interesse nesta iniciativa.
Os resultados serão divulgados no dia 08 de fevereiro de 2013, a partir de 18h, em lista afixada nos locais de inscrição.
A data da prova de redação é dia 03 de fevereiro.
Mais Informações: Entre em contato com a Redes da Maré pelo telefone, (21) 3105-5531.
As inscrições podem ser feitas na sede da Redes da Maré, localizada na Rua Sargento Silva Nunes, 1012, em Nova Holanda - Maré - RJ.

 

12 de jan. de 2013

Livros indígenas em promoção !!!


Livros indígenas em promoção
View more documents from Insituto U`ka.



Sinopses dos livros em promoção:

A Onça e o Fogo - Cristino Wapichana - Ed. Amarilys
Este livro, ricamente ilustrado, resgata uma bela lenda indígena que narra de, maneira surpreendente e encantadora, o resultado do duelo travado entre a onça e o fogo, em um tempo fantástico no qual os homens viviam em plena harmonia com os animais e a natureza.

Criaturas de Ñanderu - Graça Graúna - Ed. Manole
Um emocionante conto indígena escrito por Graça Graúna no qual uma garota com nome de pássaro, ao tornar-se adulta, ganha asas e sai de sua tribo para conhecer a cidade grande.

Mundurukando - Daniel Munduruku, part. Ceiça Almeida (indicado para educadores) - UKA Editorial
Daniel Munduruku nos apresenta, neste volume, ensaios, entrevistas, artigos e pensamentos que o têm transformado em um dos principais pensadores indígenas do Brasil.
Mundurukando é um verdadeiro passeio pela nossa alma ancestral.


O Karaíba - Uma história do Pré-Brasil - Daniel Munduruku - Ed. Amarilys

Nesta história de ficção emocionante e cheia de aventuras escrita por Daniel Munduruku, o leitor descobrirá como era a vida dos índios e sua forma de organização pouco antes da chegada dos Portugueses ao Brasil. Daniel Munduruku é autor de 36 livros voltados para o público infantil e infanto juvenile para educadores. Recebeu diversos prêmios literários entre eles o Prêmio Jabuti e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras.

Karú Tarú - O pequeno pajé - Daniel Munduruku - Ed. Edelbra
Desde pequeno, Karú Tarú já sabia que teria um destino especial. Estava sendo preparado para ser um pajé, o grande líder de sua tribo. Mas tão importante missão o intrigava. Por que havia sido escolhido? Por que ele era considerado especial, se todos nasciam com o mesmo dom?

Pedidos:dmunduruku@gmail.com

Espero que aproveitem nossas promoções!Xipat Oboré (tudo de bom)!
Daniel Munduruku

11 de jan. de 2013

Palavra de índio - Teaser

Palavra de Índio é uma coletânea de depoimentos de lideranças indígenas do Brasil e do mundo ocorridos durante a realização da Cúpula dos Povos na Rio + 20 e na Kari-Oca -- Conferência Internacional de Povos Indígenas, eventos paralelos a Rio + 20, ocorrido em junho de 2012 no Rio de Janeiro.

Divulgado por: Raizes Históricas Indígenas

9 de jan. de 2013

UFPA realiza processo seletivo especial para povos indígenas 2013

Prova será realizada no próximo dia 13, em três cidades paraenses.
No Pará, existem 60 povos indígenas.

 

Do G1 PA


No próximo dia 13 de janeiro, a Universidade Federal do Pará (UFPA) realiza em todo estado o Processo Seletivo Especial para Povos Indígenas (PSE 2013-2). Em todo o Pará, existem cerca de 60 povos indígenas.
As fases do PSE 2013 ocorrem nos campi da UFPA em Belém, Altamira e Marabá. De 8h às 11h, será realizada a prova de Língua Portuguesa (redação). As entrevistas individuais com os candidatos e a verificação de documentos como o histórico escolar do ensino médio e a declaração de pertencimento serão realizadas no mesmo dia.
Esta política de ações afirmativas para estudantes de origem indígena já está presente nas quatro universidades públicas do Pará. Este é o quarto ano que a UFPA oferta duas vagas nos cursos de graduação para estudantes de origem indígena. O cartão de inscrição também já está disponível no site do Centro de Processos Seletivos da UFPA (Ceps).

“Este sistema corresponde à correção do acesso de povos indígenas ao ensino superior, direito conquistado depois de séculos de colonialismo. É obrigação constitucional produzir igualdade de acesso aos povos etnicamente diferenciados. A ‘indianização’ dos corredores da UFPA é imperiosa e espera-se que no futuro a presença seja mais massiva, contribuindo para a mudança de pensamento que desconsidera os conhecimentos tradicionais”, afirma Jane Beltrão, antropóloga e presidente da Comissão Permanente de Processos Seletivos (Coperps). Segundo ela, isso requer tempo, mas é possível. Neste mês acontece a contratação do primeiro professor indígena pela UFPA, após concurso de títulos e provas.
Evasão
Segundo Jane Beltrão, a evasão por trabalho dos estudantes indígenas que ingressam na UFPA é superior a 40%. “As condições para mudar esta realidade ainda estão sendo criadas, embora a Associação dos Povos Indígenas Estudantes da UFPA (APYEUFPA) insista e lute por bolsas e condições de permanência na Instituição. Há dificuldades e os estudantes precisam ser acompanhados diariamente. Para que além do ingresso, se cuide de permanência deles. Para isso, os professores e os técnicos precisam acolher e pensar em renovação pedagógica que abrigue os indígenas.”
Serviço
Processo Seletivo Especial para Povos Indígenas (PSE 2013-2), dia 13 de janeiro, de 8h às 11h, e entrega dos documentos de 14h às 18h, e nos dias 14 e 15, de 8h às 12h e de 14h às 18h. Para imprimir o cartão de inscrição, acesse: www.ceps.ufpa.br.

http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2013/01/ufpa-realiza-processo-seletivo-especial-para-povos-indigenas-2013.html

2 de jan. de 2013

10 º Concurso Curumim Leitura de Obras Indígenas

[SE VOCÊ DESENVOLVEU, EM SUA ESCOLA, ALGUMA ATIVIDADE QUE ABRANGE A LEITURA DE OBRAS DE ESCRITORES INDÍGENAS, ESTA É A OPORTUNIDADE PARA TORNAR SUA EXPERIÊNCIA CONHECIDA POR PROFESSORES DE TODO O BRASIL.]

Aí está o cartaz do 10 º Concurso Curumim, Realizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ e NEARIN - Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do INBRAPI.
Produção, Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais.
Com apoio do Instituto C&A, Instituto ECOFUTURO e o Grupo de Pesquisa LEETRA da UFSCAR.
A premiação acontece anualmente no contexto do Salão Nacional do Livro para Crianças e Jovens da FNLIJ, paralelamente ao Encontro Nacional de Escritores e Artistas Indígenas, na cidade do Rio de Janeiro.
Em 2013 comemoraremos uma década de parcerias e realizações em prol da literatura indígena, e de seus autores.

É com grande satisfação que viemos convidar a todos.
Participem de nossos concursos de incentivo a literatura indígena, faça parte dessa história.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...