25 de set. de 2012

MEGARON, A AVÓ DO MUNDO E A CONVENÇÃO 169 DA OIT


Eliane Potiguara
Megaron, sobrinho de Raoni contemplava infinitamente o céu e com seus olhos de águia penetrava o universo como quem busca o ponto certo e focal, a definição de uma resposta aos problemas sociais, políticos, étnicos e existenciais dos Povos Indígenas atrelados pela linha da vida e a linha dos clãs do povo xinguano escolhido propositalmente pelo Universo para fazer acontecer as mudanças que precisam acontecer na Terra.

O comando estrelar unido à força das luas crescente e cheia foram captados pelo guerreiro xinguano e seu povo, e ajudado pela força da avó ou mãe do mundo, da mulher que não precisa estar presente em nada ou em nenhum lugar porque ela já está em todos os lugares em alma e força espiritual. Ela está viva no espírito, coração, cultura e língua dos guerreiros e guerreiras para que ela possa fazer exercer e abastecer a grande transformação, que virá cedo ou tarde.

É só ouvi-la e para os mais sensitivos senti-la ou vê-la através dos tempos e da história. É a mulher que percorre por debaixo dos leitos dos rios, é a mulher que cria o leite quente para saciar a fome dos desesperados e despossuídos. É a mulher que ao mesmo tempo nasce, morre e nasce de novo para perpetuar as gerações indígenas deste país. É a mulher que possui o casco duro nos pés pelas andanças! É a mulher, cuja voz ecoa no passado e no presente!

No norte do planeta, montados a cavalo e montados à Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e à Declaração Universal dos Direitos Indígenas entre outros instrumentos jurídicos, olhares de lince e cabelos negros bisbilhotam ações dos governos e tratados.

Esses instrumentos jurídicos foram trabalhados arduamente por guardiões do fogo criativo e assimilados por líderes políticos que convocam Assembléias para que esse “ tempo” utilizado pelos ancestrais não seja desperdiçado pelo descrédito. As famílias espirituais da flora, fauna, mares, rios, cachoeiras, montanhas, serras, morros, cavernas, vales, seres encantados e animais do céu, das águas e das terras e de todas as espécies, enfim toda a biodiversidade da Tera escolheram a dedo os líderes indígenas pontuais e geográficos para assegurarem as leis que definem, garantem e fortalecem a política dos povos indígenas do Brasil e do mundo. Um homem jovem sentado em seu barco _ora em seu cavalo e ora em seu jumento_ proseia em suas preces e é abençoado pela Mãe Terra.  É a Pachamama para os meso e sulamericanos, a mãe natureza, as benzedeiras, as curandeiras e pajés disfarçadas pelo grande poder estrelar cósmico da categoria “indígenas”.

Povos indígenas! Sigam os sinais que são apresentados para a fortaleza futura e garantir a cultura e espiritualidade.Farejam como animais! Unam-se fortes pelo objetivo único comunitário: nações, grupos, etnias ou comunidades com ou sem Rio+20. Só existe um inimigo: aquele que não deseja ver a sua prole prosperar. Na fé e confiança ouçam a voz que sai das entranhas da Terra. “Eu moro, miro e admiro encima de uma copa de árvore robusta numa casa branca iluminada pela luz eterna a querer o reflorestamento da Terra. Ali faço ninho com as irradiações das luas crescente e cheia, e recebo ordens do comando estrelar”, diz a avó do mundo disfarçada em pajé, aquela que anda por baixo do leito dos rios e espia o mundo. Ela diz: “Aquele que crê em mim ajudará na evolução de uma nova mentalidade da juventude indígena”. Dizem que ela é uma bruxa! Ela é apenas a “mulher que sabe”, a que possui o olhar desconfiado das sábias! Megaron continua a olhar para o infinito e a sentir as evocações do espaço.

Texto de Eliane Potiguara, escrito dia 22/09/2012, às 4 horas da manhã.


Eliane Potiguara é escritora indígena. Foi indicada em 2005  ao Projeto Internacional "Mil mulheres ao Prêmio Nobel da Paz", é escritora, poeta, professora, formada em Letras (Português-Literatura) e Educação, indígena Potiguara, brasileira,  fundadora do GRUMIN / Grupo Mulher-Educação Indígena. Membro do Inbrapi, Nearin, Comitê Intertribal, Ashoka (empreendedores sociais), Associação pela Paz, Cônsul de Poetas Del Mundo e Embaixadora da Paz, pelo círculo da Fança. Trabalhou pela Declaração Universal dos Direitos Indígenas na ONU em Genebra. Escreveu “METADE CARA, METADE MÁSCARA”, pela Global Editora.E seu último livro é “O COCO QUE GUARDAVA A NOITE”, editora Mundo Mirim.Ganhou o Prêmio literário do PEN CLUB da Inglaterra e do Fundo Livre de Expressão, USA.
Site pessoal: www.elianepotiguara.org.br    
Institucional:   www.grumin.org.br
E-mail: elianepotiguara@uol.org.br
Cel: 021-9335-5551

http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2012/09/megaron-avo-do-mundo-e-convencao-169-da.html

Programa de Educação Intercultural Bilíngüe - Povo Mapuche

23 de set. de 2012

Retomada Indígena V - Pindorama: 10 anos de inclusão indígena na USP




























Programação:
Local dos debates: Pátio do Museu da Cultura (Prédio da reitoria)
24/9 – 2ª. feira – 18:45h – Abertura da Semana e da Exposição no Museu da Cultura.
19 h – Sala 333 – Ato em solidariedade ao povo Kaiowá, com a presença de Valdelice Veron, liderança Kaiowá, e professores da PUC: Carmen Junqueira, Rinaldo Arruda (Faculdade de Ciências Sociais PUC-SP). Promoção: Apropuc e Comitê de Solidariedade ao povo Kaiowá.
25/9 – 3ª. feira – 19 h – Debate: PUC-SP x Programa Pindorama: um diálogo difícil?
Profa. Marli Pitarello (Serviço Social PUC-SP); Profa. Marisa Penna (Psicologia PUC-SP); Aila Villela Bolzan (mestranda de C. Sociais PUC-SP) e Sabrina Paula (aluna História PUC-SP).
26/9 – 4ª. feira -10h – Debate: A questão indígena no ensino fundamental e médio.
Profa. Maria Stela Graciani (Pedagogia PUC-SP), Profa. Sílvia Alves Mariano (Profa. Rede estadual) e Marly Barbosa (Escola Cooperativa).
19 h – Projeção do vídeo A beira da estada (Cimi). Debate: Apresentação do relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil-ano 2011 (Cimi).
Profa. Lúcia Helena Rangel (Ciências Sociais PUC-SP).
27/9 – 5ª. feira – 19h – Debate: Escritores indígenas hoje.
Escritor Daniel Munduruku, Emerson de O. Souza, Guarani, e Prof. Benedito Prezia (Pindorama), autores de A criação do mundo e outras belas histórias indígenas e Profa. Dorothea V. Passetti (Antropologia PUC-SP). Com lançamento do livro.
28/9 – 6ª. feira – 19h. sala 100 (prédio novo) – Sessão de encerramento dos 10 anos do Programa Pindorama.
Com o Magnífico Reitor Prof. Dirceu de Melo; Prof. Hélio Deliberador (Pró-reitor de Relações Comunitárias); Prof. Miguel Perosa (coord. Pindorama), representante do Colégio Santa Cruz, Cursinhos Foco e Poli e lideranças indígenas.
MUSEU DA CULTURA:
Exposição: Crianças indígenas e escola (desenhos e brinquedos infantis). Mostra de livros de autores indígenas, livros paradidáticos, CD e filmes curta-metragens sobre a questão indígena.
Realização: Programa Pindorama e Museu da Cultura.
Apoio: Cimi-Equipe Grande São Paulo, Pastoral Indigenista de São Paulo e Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos.
http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/2012/09/21/programacao-da-retomada-indigena-v/

18 de set. de 2012

No Pará, índios Munduruku clamam pela defesa de seus direitos ao território e à saúde

Os indígenas denunciam que há pessoas entrando nas terras indígenas para fazer pesquisas para instalação de hidrelétricas sem autorização das comunidades. 


Por Agência Brasil de Fato, com informações do MPF

Os 1,5 mil indígenas Munduruku das Terras Indígenas (TIs) Sai Cinza e Praia do Índio, no sudoeste do Pará, estão indignados com a violação de seus direitos representada por medidas dos poderes Executivo e Legislativo federais que alteram a forma de demarcação e uso de seus territórios. Eles também protestam contra a invasão de suas áreas por supostos técnicos a serviço do planejamento de hidrelétricas na região, contra o fato de não terem sido consultados sobre a instalação dessas hidrelétricas e contra a precariedade no atendimento à saúde nas terras indígenas.

As demandas foram apresentadas ao Ministério Público Federal (MPF) em assembleias indígenas realizadas na última semana nos municípios de Itaituba e Jacareacanga. Para os eventos foram convidados os procuradores da República Fernando Antônio Alves de Oliveira Júnior e Felício Pontes Jr., representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e lideranças indígenas de outras etnias da região.

“Nós somos contra esses decretos porque nós temos muitos filhos, netos e bisnetos para criar” , disse Maria Leuza, liderança das mulheres Munduruku na região, referindo-se à portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU), e à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215.

A portaria 303 possibilita intervenções militares e empreendimentos viários, hidrelétricos e minerais em terras indígenas sem consulta prévia de seus povos, além de prever revisão das terras demarcadas. A PEC 215 atribui competência exclusiva ao Congresso Nacional no que diz respeito à demarcação de terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação.

“O governo não respeita os nossos direitos, eles querem só que a gente respeite o decreto que eles criaram. Deus mandou a terra não para destruirmos, mas para criarmos nossos filhos em cima dessa terra, e por isso enquanto nós formos vivos a gente vai defender o que é direito dos nossos povos indígenas”, complementa a liderança Munduruku.

Na TI Sai Cinza, o procurador da República Fernando Antônio Alves de Oliveira Jr. Lembrou a todos que o direito indígena ao território é um direito fundamental que será defendido de todas as formas pelo MPF no Pará e em Brasília (DF), por meio da Procuradoria Geral da República.

‘Não vivemos de enlatados’

“Nós das etnias Munduruku, Apiaká, Kayabi e Kayapó não queremos barragens porque não vivemos de comida enlatada, vivemos de caça e pesca” escreveu Roberto Crixi, liderança Munduruku, em carta entregue aos procuradores da República no evento.

Segundo índios que manifestaram-se durante as assembleias, os projetos hidrelétricos para a região causam preocupação nas Tis não só por causa dos impactos futuros (migração em massa para o sudoeste do Pará, alagamento das terras, aumento da especulação fundiária e do desmatamento, mudança dos regimes hidrológicos, interrupção da navegação, entre outros), mas também por causa dos impactos que já começaram a ocorrer.

Os indígenas denunciaram que há pessoas entrando nas Tis para fazer pesquisas sem autorização das comunidades. As lideranças ficaram de realizar um levantamento dos locais sagrados que podem ser destruídos caso as hidrelétricas saiam do papel. “Há lugares sagrados que os brancos não podem tocar, senão haverá destruição”, alertou o cacique Luciano Saw.

Os investimentos milionários previstos na proposta de construção de sete hidrelétricas nos rios Tapajós e Jamanxim são vistos com perplexidade pelos indígenas diante da falta de recursos para saúde e educação nas comunidades. Lúcio Akai As, da aldeia Abrin Kaburuá, disse que, atuando na região como agente de saúde há 12 anos, muitas vezes precisou pagar do próprio bolso medicamentos e equipamentos necessários para o atendimento de pacientes indígenas.

O posto médico da aldeia Sai Cinza, por exemplo, não tem aparelho para medição da pressão arterial nem estufa para esterilização de materiais de enfermagem. Sem forro, o teto do posto virou morada para morcegos.

“Esse dinheiro deveria ser colocado em saúde, não em coisas que destroem a vida. Por que que os governantes não vêm aqui pra falar sobre esses projetos? Aí eles iam ouvir nossa opinião”, criticou Saw.

O coordenador da associação indígena Pahyhyp, do médio Tapajós, Francisco Iko Munduruku, apresentou um resumo da assembleia geral indígena realizada no final de agosto em Itaituba, na Terra Indígena Praia do Mangue. Segundo ele, cinco comunidades indígenas foram unânimes em declararem-se contra os projetos hidrelétricos.

Garimpo

Representantes indígenas relataram que o anúncio da chegada dos projetos hidrelétricos já está provocando a invasão de garimpeiros ilegais, madeireiros e grileiros em terras indígenas, em busca principalmente de ouro e diamante em áreas de unidades de conservação que podem ter seus limites alterados por medidas governamentais.

Segundo as lideranças, os rios da região já estão sendo bastante contaminados pela operação dos garimpos ilegais e a pesca praticada nas Tis está sofrendo redução drástica de produção devido aos impactos dessa atividade garimpeira ilegal.

Áreas onde até há pouco tempo haviam três pontos de exploração garimpeira hoje contam com vinte ou mais desses pontos, informaram os indígenas. Os garimpeiros estariam vindo principalmente do Estado do Mato Grosso e do Suriname.

O MPF ficou de articular com a Polícia Federal a realização de operações para prisão dos responsáveis pelos garimpos e apreensão dos materiais utilizados.

Brasil de Fato - EcoAgência

XI FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E VÍDEO DOS POVOS INDÍGENAS


14 de set. de 2012

ESTANTE VIVA - Encontros Literários com Daniel Munduruku





Projeto literário do SESC Belenzinho traz bate-papo com Daniel Munduruku
por Esteta Beleza e Arte em Poesia e Literatura 




No dia 20 de setembro, quinta-feira, o projeto Estante Viva do SESC Belenzinho recebe o escritor e professor Daniel Munduruku, autor de mais de 30 livros sobre a cultura dos povos nativos. No encontro – que acontece na Biblioteca, às 20 horas, com entrada gratuita – o autor vai conversar com o público sobre os livros e as leituras que foram marcantes em sua formação.

Munduruku selecionou 30 publicações da Biblioteca do SESC Belenzinho que serão os focos do bate-papo. O escritor vai justificar a escolha das obras literárias e revelar a importância de cada uma delas em sua vida pessoal e trajetória profissional.

Durante um mês, os livros escolhidos pelo autor ficam expostos em uma estante especial. Entre os títulos, selecionados por Munduruku destaque para: O Pequeno Príncipe (Saint-Exupery), Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach), Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol), Longe é Um Lugar Que Não Existe (Richard Bach), O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder), As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley), Tao Te Ching – O Livro Que Revela Deus (Lao–Tse), Memórias Inventadas (Manoel de Barros), Minha Guerra Alheia (Marina Colasanti), Os Amores Difíceis (Ítalo Calvino), Rasif - Mar Que Arrebenta (Marcelino Freire) e Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (Mia Couto).

O escritor Daniel Munduruku pertence ao povo Munduruku do Pará. É graduado em Filosofia e Doutor em Educação pela USP. Também é autor de mais de 30 livros voltados para o público infantil e juvenil e para educadores. É Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República e Diretor-Presidente do Instituto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais. Recebeu diversos prêmios literários, entre eles Prêmio Jabuti e Prêmio Unesco para Literatura em Prol da Tolerância Entre os Jovens.

Alguns livros publicados: Como Surgiu - Mitos Indígenas Brasileiros (2011), Karu Taru - O Pequeno Pajé (2009), O Karaíba - Uma História do Pré-Brasil (2009), Kabá Darebu (2002) e O Homem que Roubava Horas (2007).

Bate-papo: Estante Viva

Com: Daniel Munduruku
Dia 20 de setembro – quinta-feira – às 20 horas
SESC Belenzinho - www.sescsp.org.br/belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho/SP - Tel: (11) 2076-9700
Biblioteca - Grátis - Duração: 60 min – Classificação etária: Livre
Estacionamento: R$ 6,00 (1ª hora) + R$ 1,00 (p/ hora) - não matriculado no SESC; R$ 3,00 (1ª hora) + R$ 1,00 (p/hora) – matriculado no SESC.

Estante Viva

Estante Viva é um projeto sobre livros, leitores e leituras. Como a imagem criada pelo escritor argentino Jorge Luís Borges, esse tema assemelha-se a um jardim de caminhos que se bifurcam, onde um livro leva até outros livros, a leitura desperta novas leituras do mundo, onde há sempre um novo começo, uma outra história, um lugar a ser desvendado ou redescoberto.

Em 2011, o projeto recebeu os escritores Ferréz, Ignácio de Loyola Brandão, Evandro Affonso Ferreira, Pedro Bandeira, Antonio Cícero, Nuno Ramos, Beatriz Bracher e Índigo. Cada um selecionou cerca de 30 livros do acervo da biblioteca do SESC Belenzinho que consideraram especiais para sua formação. Em encontros com o público deram seu depoimento sobre esses livros, que os tornaram leitores: os primeiros contatos com a leitura, os autores preferidos, o momento de uma história ficcional marcante; sobre como livros, “escondidos” em estantes de biblioteca, podem revelar os caminhos de cada um.

As seleções revelam sempre diferentes caminhos, encontros e formas de aproximação com o livro e com a leitura, trajetórias diversas e diferentes olhares para o acervo. Esta iniciativa do SESC Belenzinho busca incentivar a leitura, promover o diálogo do público com o acervo de sua biblioteca e, desta maneira, mantê-la “viva”.

Em 2012, na segunda edição do projeto, além de poetas e prosadores, foram convidamos filósofos e tradutores. A proposta é ampliar o olhar ao acervo da biblioteca, destacando não só a leitura literária, mas também das áreas do conhecimento que compõem o acervo. Neste ano, já passaram pelo projeto Ricardo Azevedo, Olgária Matos, Reinaldo Moraes, Luiz Ruffato e Lourenço Mutarelli. Após Daniel Mundukuru (20/9), os encontros são com Mamed Mustafa Jarouch (25/10) e Sérgio Vaz (22/11).

13 de set. de 2012

"TUDO ESTÁ SEMPRE BEM"

(Texto e imagem de Daniel Munduruku)





O hoje começa enquanto dormimos. Os sonhos são nossa porta de entrada para o mundo alheio ao que pensamos dominar. Dormir, sonhar, acordar são movimentos únicos que nos integram com o universo ao nosso redor. Viver integrados na teia universal é a garantia da sanidade que une diferentes seres no mesmo processo de conhecimento.

Nosso mundo é repleto de mistérios que só podemos desvendar quando fechamos os olhos na direção do infinito que mora dentro de nós. O caminho da partida e da chegada é o mesmo. Eterno retorno. Luta inglória para transformar o outro enquanto pensamos na perfeição que nos habita. Doce ilusão! A nossa “perfeição” não cabe no outro. Ela é uma roupa feita sob medida: só cabe em nossa pessoa.


O hoje começa e termina em mim. O hoje é minha eternidade frágil, lapso da luz de um raio que ilumina por um tempo infinitamente curto. Só hoje EU SOU. Só hoje estará tudo bem. Só hoje serei mais risonho, alegre, forte. Só hoje trarei meus sonhos à baila e dançarei com eles a harmonia do universo. Só hoje murmurarei melodias inaudíveis para sintonizar a música da natureza.



Que hoje o teu silêncio reverbere em partilha. Que tua música expresse teu corpo. Que teus sentidos busquem a perfeição do outro para que as perfeições se contemplem. E que tudo esteja sempre bem.

12 de set. de 2012

I Colóquio Internacional de Direito e Literatura

A Escola de Direito e o KATHÁRSIS – Centro de Estudos em Direito e Literatura da IMED realizam o I Colóquio Internacional de Direito e Literatura, de 3 a 5 de outubro no Auditório Central da IMED, em Passo Fundo.
As atividades a serem desenvolvidas durante o evento incluem conferências, conversas cruzadas, painéis temáticos e apresentação de trabalhos.

O evento contará com a presença de um convidado internacional -  José Calvo González, de Málaga/Espanha, além da participação de professores de todo o Brasil. Segundo os coordenadores do I CIDIL, professores André Karam Trindade e Fausto Santos de Morais, “o colóquio reunirá grandes nomes e inscreverá, definitivamente, a IMED entre os principais centros de referência no estudo do Direito e Literatura”.

Os interessados na Apresentação de Trabalhos devem consultar o Edital (clique aqui). O prazo para o envio dos artigos científicos é até 21/09/12. Os trabalhos aprovados serão apresentados através de "comunicações orais", cujo cronograma será divulgado oportunamente.

A organização do evento oferece alojamento aos participantes, que deverão entrar em contato com antecedência em razão da restrição do número de vagas: katharsis@imed.edu.br.

O investimento é de R$ 30,00 (evento) e de R$ 50,00 (apresentação de trabalhos e evento). As inscrições estão disponíveis no Portal da IMED (clique aqui).
Clique aqui para conferir a programação completa. Confira também as versões eletrônicas do cartaz(aqui) e folder do evento (aqui).

Mais informações: katharsis@imed.edu.br ou pelo telefone (54) 3045-9081.

Publicado em: http://portaldecomunicacao.imed.edu.br/noticias/ver/i-coloquio-internacional-de-direito-e-literatura

11 de set. de 2012

Projeto "Calçada Cultural Casa Aberta"

Não percam neste sábado a abertura do Projeto "Calçada Cultural Casa Aberta" com exposição fotográfica de Caio Perim e participação dos índios Guaranis com exposição e venda de artesanatos indígenas.


























4 de set. de 2012

Simpósio: “Arqueologia, Memória e História Indígena”


Apresentação

O simpósio “Arqueologia, Memória e História Indígenaa ser realizado na Universidade Federal de Santa Catarina é fruto de uma parceria tripartite entre o recém criado laboratório LEIA, Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia da UFSC, o LINTT, Laboratório Interdisciplinar de estudos sobre tecnologia e território, sediado no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e o LETT, Laboratório de Tecnologias Tradicionais, da UFRGS. O evento será realizado entre os dias 7 e 9 de novembro no auditório do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MARquE). “Arqueologia, Memória e História Indígena” dá continuidade aos seminários do LINTT, atingindo assim sua terceira edição, a primeira fora do estado de São Paulo, unindo-se à VI semana de arqueologia e patrimônio da UFSC. Nesta edição, o seminário será promovido pelo LEIA, reforçando o vinculo deste novo centro no grupo de pesquisa CNPq sobre Tecnologia e Território, no qual os outros dois laboratórios mencionados já fazem parte.
O objetivo de trazer este simpósio para a Universidade Federal de Santa Catarina é fortalecer o crescimento da arqueologia nesta instituição, propiciando assim uma parceria com a USP e com a UFRGS. Esta parceria reflete também o crescente diálogo entre os docentes dosprogramas de pós-graduação das três universidades, a saber: Prof.Dr. Lucas Bueno – Programa de Pós-Graduação em História da UFSC, Profa.Dra. Adriana Schmidt Dias – Programa de Pós Graduação em História da UFRGS e Profa.Dra. Fabíola Andréa Silva – do Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Dessa maneira, a realização deste evento se confirma como uma ferramenta para o aprofundamento das discussões sobre arqueologia na universidade com professores e pesquisadores de diversas áreas e universidades. Ao estimular o debate na universidade, também incentivamos a participação dos alunos de arqueologia em eventos acadêmicos, oferecendo assim um estímulo para o aprofundamento de seus estudos motivados por professores e pesquisadores engajados em pesquisas arqueológicas internacionalmente reconhecidas.


O tema para este simpósio é História Indígena e Arqueologia. Busca-se assim refletir sobre as populações indígenas numa perspectiva de longa-duração, aliando abordagens teórico-metodológicas da história indígena e da arqueologia. Tendo como eixo temático os ameríndios, o simpósio busca conjugar pesquisas etnográficas com análises materiais abarcando contextos atuais, coloniais e pré-coloniais. O conjunto de abordagens propostas se desdobra em temas tais como memória, representações e formas de interação, tecnologia e território, cotidiano, cultura material, tradição oral/escrita, e educação e formação intelectual. De caráter multidisciplinar, tais abordagens buscam compreender a diversidade sócio-cultural destas populações atuais e pretéritas, pautando-se em reivindicações das comunidades indígenas com relação à memória, história e cultura. A integração desses diferentes eixos tem o intuito de conferir um caráter histórico para a situação contemporânea das populações indígenas, prerrogativa necessária para atuação em discussões relativas ao lugar do indígena na sociedade brasileira, sua diversidade e perspectivas de futuro.
A escolha deste tema se deve primeiramente a crescente demanda das populações indígenas por pesquisas arqueológicas em seus territórios. Esta por sua vez, se deve a um crescente processo de reafirmação e reconstrução identitária que as populações indígenas vêm passando, também relacionado a novas delimitações das atuais terras indígenas, numa tentativa de ampliação e resgate de territórios ancestrais. A luta pela permanência das populações indígenas em seus territórios e pela sua continuidade cultural sempre fez parte da relação destas populações com a sociedade nacional, no entanto, a relação destas práticas com a arqueologia é um processo muito recente no Brasil. O tema é, no entanto, muito discutido internacionalmente, com especial destaque em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, mas também está presente em outros contextos. As reivindicações das populações indígenas com relação à construção de sua própria história têm impulsionado uma série de mudanças teóricas e metodológicas na arqueologia, etnoarqueologia e antropologia, sendo cada vez mais aceito a necessidade da multivocalidade na construção dos discursos científicos. No Brasil, contudo, esta demanda indígena ainda encontra pouca interlocução no meio acadêmico da arqueologia e muito menos na arqueologia consultiva. Não obstante, alguns pesquisadores têm demonstrado a riqueza teórico-metodológica de abordagens colaborativas com populações tradicionais, entre povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. A organização de um seminário acerca deste tema permite um compartilhamento de experiências de pesquisa em diversos contextos brasileiros e enriquece o debate com pesquisadores internacionais que têm se voltado para este tema.
Pioneiro nos trabalhos de arqueologia em terra indígena com abordagens colaborativas e multivocais, o LINTT tem concentrado as pesquisas sobre este tema no Brasil. Sua parceria com o LEIA vem incentivar a formação desta nova linha de pesquisa neste recém-inaugurado laboratório. Neste mesmo sentido, o LEIA vem realizando uma parceria com o LABHIN, Laboratório de História Indígena do departamento de história da Universidade Federal de Santa Catarina. Este último laboratório com uma extensa trajetória de atuação junto às populações indígenas do sul do Brasil, especialmente os Xokleng, Kaingang e Guarani do estado de Santa Catarina.
O estabelecimento destas parcerias, em síntese, visa aprofundar o conhecimento sobre o passado das populações indígenas brasileiras integrando múltiplas e diversas visões em sua construção no presente. Este seminário nos proporcionará refletirmos sobre estas novas abordagens da arqueologia e da história em terras indígenas, proporcionando reflexões comparativas sobre esta construção multivocal do conhecimento.

Mais informações e inscrições: http://leia.ufsc.br/simposio/

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...