29 de mai. de 2012

UFGD inscreve indígenas para o vestibular da Licenciatura Intercultural – Teko Arandu



UFGD inscreve indígenas para o vestibular da Licenciatura Intercultural – Teko Arandu
Primeira turma do Teko fez a formatura em 2011
A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) inscreve até 15 de junho os indígenas as etnias Guarani e Kaiowá interessados em participar do Vestibular para o curso de Licenciatura Intercultural – Teko Arandu.

São 70 vagas e os candidatos devem ter Certificado de Conclusão do Ensino Médio ou equivalente e ser das etnias Guarani ou Kaiowá, residentes no Território Etnoeducacional do Cone Sul, conforme Portaria Normativa MEC nº. 931, de 13 de julho de 2011. Os candidatos serão isentos da taxa de inscrição.
O curso é organizado em módulos, com aulas concentradas em períodos pré-definidos e com atividades realizadas em tempo integral. O tempo mínimo para completar o curso é de aproximadamente quatro anos. 
O acesso à ficha de inscrição para o processo seletivo da Licenciatura Intercultural – Teko Arandu poderá ser feito de duas formas: via Internet, na página do Vestibular (www.ufgd.edu.br/vestibular/pslin2012 ), de 21 de maio a 15 de junho de 2012; nos seguintes órgãos: na Unidade Executiva Regional da FUNAI em Amambai; nas Coordenadorias da FUNAI de Ponta Porã e Dourados; na Secretaria do Curso de Graduação em Licenciatura Intercultural - Teko Arandu, na Unidade II da UFGD, no Bloco C, sala 8, de segunda a sexta-feira, úteis, das 13h às 17h; e ainda na Coordenadoria do Centro de Seleção, localizada na rua João Rosa Góes, 1919, de segunda a sexta-feira, úteis, das 8h às 11h e das 13h às 17h.
Os documentos para a inscrição deverão ser entregues até 15 de junho nesses locais ou remetidos por AR e/ou SEDEX, à Coordenadoria do Centro de Seleção da UFGD, Rua João Rosa Góes, nº. 1.919, Vila Progresso, CEP 79825-070, Dourados, MS.  Os documentos deverão estar obrigatoriamente acondicionados em envelope, devidamente identificado da seguinte maneira: PROCESSO SELETIVO PARA LICENCIATURA INDÍGENA PSLIN-2012/UFGD E NOME DO CANDIDATO.
As inscrições não homologadas serão publicadas em 25 de junho de 2012, no site do Vestibular e o candidato terá os dias 26 e 27 de junho de 2012 para regularizar a situação da sua inscrição, quando for o caso.
As provas serão realizadas simultaneamente nas cidades de Amambai e Dourados, estruturadas em 7 de julho 2012, às 13h, com provas de redação em Língua Portuguesa e em Língua Guarani e prova objetiva com questões de  Ciências Sociais, Fundamentos de Educação, Legislação Indigenista, Matemática e Ciências da Natureza. Já no dia 8 de julho será a prova oral em Guarani.
 A previsão é de que a relação dos candidatos aprovados e classificados no Vestibular da Licenciatura intercultural será divulgada em 19 de julho, em ordem decrescente da pontuação final  até o limite do número de vagas  do  curso  por sistema de ingresso.
Edital de Abertura e a ficha de inscrição: http://www.ufgd.edu.br/vestibular/pslin2012.

FEIRA DO LIVRO DE RIBEIRÃO PRETO 2012.

12ª12ª12ª12ªNo dia 03 de junho estarei participando da 12ª. Feira Nacional do 
Livro de Ribeirão Preto. Lá irei participar de uma mesa redonda que falará 
sobre a Literatura Infantil. Comigo estarão Heloisa Prieto e Chico Alencar sob 
a mediação de Alexandre Azevedo.
O evento acontecerá no palco do Teatro Pedro II, a partir das
14h30min.
Confira a programação completa em: http://www.feiradolivroribeirao.com.br/2012/

12ª

25 de mai. de 2012

VESTIBULAR INDÍGENA UFRR 2012

Parentes, vejam esta chamada para o Vestibular de Roraima.
Quem puder, participe.
Quem não puder, divulgue.
________________________

As inscrições para os vestibulares indígenas da UFRR estão abertas, podem ser efetuadas até o dia 06 de junho na CPV, bloco IV da Universidade.
Buscando facilitar as inscrições das pessoas que vivem em comunidades indígenas, faremos inscrições em algumas comunidades. Segue abaixo o cronograma com as datas e locais

...
 • Água Fria - dia 23/maio (quarta-feira)
• Uiramutã - dia 24/maio (quinta-feira)
• Maturuca - dia 25/maio (sexta-feira)
• Mutum - dia 26/maio (sábado)
• Enseada - dia 27/maio (domingo)
• Três Corações - dia 24/maio (quinta-feira)
• Boca da Mata - dia 25/maio (sexta-feira)
• Barro/Surumu - dia 26/maio (sábado)
• Raposa - dia 24/maio (quinta-feira)
• São Francisco - dia 25/maio (sexta-feira)
• Roça - 26/maio (sábado)
• Vista Alegre - 27/maio (domingo)

É importante observar que este ano solicitamos memorial e currículo em todos os vestibulares, segue em anexo as orientações para elaboração destes documentos.
Também em anexo um resumo com as principais orientações para as inscrições. Os editais completos podem ser encontrados no seguinte endereço: www.ufrr.br/cpv
Contatos:
Comissão Permanente de Vestibular - CPV
Telefones:             (95) 3621-3135       / 9904-3360
Email: cpv@ufrr.br

Anistia Internacional:"Situação de índios no MS é vergonhosa




O informe de 2012 da Anistia Internacional sobre direitos humanos destacou preocupação em relação às comunidades indígenas submetidas a discriminação, ameaças e violências envolvendo disputa de terras no Brasil. A situação mais grave, de acordo com a ONG, não está na Amazônia, onde projetos de infraestrutura como a usina hidrelétrica de Belo Monte já afeta a vida da população local, mas sim no Mato Grosso do Sul. Na região, a lentidão no processo de demarcação de terras indígenas expõe as comunidades a um “alto risco de violações dos direitos humanos”.

Levantamento do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) mostra que cerca de 1.200 famílias estão hoje acampadas à beira de rodovias à espera da restituição de suas terras na região. A situação levou a uma série de episódios violentos patrocinado por grupos armados durante todo o ano de 2011, lembrou a Anistia Internacional.

A Anistia Internacional lembrou que, em setembro último, homens armados usaram caminhões, fizeram disparos com balas de borracha, incendiaram barracos e espancaram os moradores de Pyelito Kue. “Diversas pessoas, inclusive crianças e idosos, ficaram gravemente feridas no ataque, que foi descrito pelo Ministério Público Federal como configurando genocídio e formação de milícias rurais.”

Em novembro, 40 pistoleiros, muitos deles encapuzados, atacaram o acampamento de Guaiviry, próximo à fronteira com o Paraguai. Eles atiraram no cacique Nísio Gomes e levaram seu corpo em uma caminhonete. O destino do líder indígena ainda era desconhecido.

O relatório destaca ainda a condenação por formação de quadrilha, tortura e sequestro de três homens acusados de matar o líder Guarani-Kaiowá Marcos Veron, espancado até a morte em 2003.

A ONG lembra também que grupos de homens armados vêm ameaçando e atacando repetidamente uma comunidade de 125 famílias Guarani-Kaiowá em Pyelito Kue depois que os índios reocuparam suas terras tradicionais no município de Iguatemi (MS).

“Essa situação é uma vergonha para todos nós”, define o diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil, Atila Roque.

Embora mais grave, a situação em Mato Grosso do Sul não tem sensibilizado a opinião pública da mesma forma como a dos indígenas afetados por obras de infraestrutura na Amazônia. “Eles vivem numa fronteira já muito deteriorada do ponto de vista da preservação do próprio território, uma área de muita disputa. É como se houvesse um silêncio em torno deles”, afirma Roque.

Outro agravante é a proximidade com a fronteira agrícola e o baixo controle do poder público sobre esses interesses privados (representados em diversas instâncias do poder, enquanto a população indígena segue subrepresentada politicamente).

“O Brasil possui um sistema político que gera um padrão de representação deficitária, que não garante a presença de diferentes populações. Isso vale uma discussão mais ampla sobre como política se financia e também o sistema de votos. Mas é um debate que o Brasil tem dificuldade de fazer porque o status quo se beneficia desse modelo.”

Outra dificuldade, segundo Tim Cahill, pesquisador de Brasil da Anistia Internacional, é a baixa participação desses povos na definição das politicas voltadas a eles e também a falta de acesso ao sistema de Justiça aos indígenas. Para Cahill, a situação do Mato Grosso do Sul não é difícil de resolver, pois as áreas indígenas são pequenas em relação a outros, como a Raposa Serra do Sol. “É uma população pequena e ameaçada pela violência e pela pobreza devido ao impacto da indústria da cana-de-açúcar, que os tira da terra e ainda os empurra a trabalhar nas plantações em condições degradantes. Isso poderia ser resolvido se houvesse vontade do governo em negociar com os latifundiários do estado e comprar essas terras para os indígenas. O governo diz que está fazendo isso e tentando arranjar uma solução.”

Apesar da situação no Mato Grosso do Sul, a Anistia Internacional considera que o Brasil possui hoje um arcabouço jurídico avançado em relação à preservação dos direitos indígenas. O problema, diz Cahill, é a implementação destas leis.

“Há um processo novo de expansão econômica que não está somente ameaçando o direito das populações, mas está levando a rever essa legislação [de defesa dos índios e demarcação de terras] com processos no Congresso”, afirma.

Além da situação na fronteira, a Anistia Internacional emitiu no documento uma série de alertas sobre o impacto de megaempreendimentos na vida de populações vulneráveis. A ONG lembrou que em outubro do ano passado a presidenta Dilma Rousseff expediu um decreto “para facilitar o licenciamento ambiental de grandes empreendimentos econômicos” que afetam as terras de comunidades indígenas ou quilombolas.

“O Brasil precisa reconhecer os direitos destes povos e garantir que sua expansão econômica não seja feita à custa da vida deles”, diz Cahill.

Sobre Belo Monte, o relatório destaca a recusa do Brasil a acatar medidas cautelares sobre o projeto determinadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos para proteger a saúde e a integridade da população local. “O Brasil, que tem uma tradição no apoio e valorização dos espaços multilaterais, reagiu mal”, lamenta Atila Roque.

A Anistia demostrou preocupação também com a situação de ativistas rurais e lembrou a morte do casal ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados a tiros há exato um ano por pistoleiros no município de Ipixuna, no Pará. Eles denunciavam as atividades ilegais de madeireiros, fazendeiros e produtores de carvão da região. Apesar da prisão de um mandante e dois supostos executores, as ameaças contra os familiares das vítimas permanecem na região.

A ONG destaca ainda a atuação de grupos de extermínio e milícias que no ano passado mataram a juíza Patrícia Acioli com 21 tiros em frente de sua casa em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, e casos de tortura e maus-tratos nas superlotadas penitenciárias brasileiras, que hoje abrigam 500 mil internos – dos quais 44% ainda esperavam julgamento.

Há um destaque para o risco de remoções forçadas de moradores nas grandes cidades para dar espaço às obras da Copa do Mundo de 2014.




Fonte: Carta Capital

15 de mai. de 2012

Aldeia começa a ser montada para a Rio+20

A Kari-Oca será composta de alojamentos, refeitório, cinco tendas para discussões de temas do evento e atividades culturais



Para interligar conhecimento indígena à tecnologia durante a Rio+20, uma aldeia será montada em plena metrópole. Da Aldeia Kari-Oca, que começa a ser erguida esta semana em Jacarepaguá, na zona oeste, os cerca de mil índios de países como Nigéria, Japão, Canadá e Brasil, esperados para a conferência da ONU (Organização das Nações Unidas), trocarão informações com aqueles que ficaram nas aldeias, independentemente das distâncias.

A Kari-Oca será composta de alojamentos, refeitório, cinco tendas para discussões de temas do evento e atividades culturais, além de duas ocas tradicionais de povos do Alto Xingu, que serão erguidas com vigas de madeira trazidas pelos índios. "Vinte guerreiros chegam esses dias para a montagem", contou um dos organizadores, o líder do movimento indígena Marcos Terena.

De acordo com  ele, a ideia é fazer uma reedição da Kari-Oca, da Rio 92. O objetivo será influenciar decisões da Rio+20 em três eixos: "a cultura como parte essencial da economia verde, a soberania alimentar no mundo moderno e a sustentabilidade", destacou Terena. Por isso, a aldeia ficará próxima ao centro de convenções, onde ocorrerão os debates oficiais.

Também está na pauta da Kari-Oca, a consulta obrigatória aos índios, por parte do Poder Público, nos casos de instalação de grandes empreendimentos em terras indígenas, como prevê a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O tema é prioritário nos debates que antecedem a conferência da ONU para índios de vários países.

"Queremos ser consultados antes de qualquer programa estatal ou privado nas aldeias", disse Terena. Segundo ele, a garantia da terra é fundamental para sobrevivência dos povos.

Na aldeia urbana, as questões relativas ao meio ambiente e ao combate à pobreza ocorrerão em uma das ocas tradicionais, a Casa da Sabedoria. A outra, batizada Techno-oca, eletrônica, abrigará computadores conectados à internet para uso pessoal e transmissão online das atividades.

"Dessa oca poderemos falar, por exemplo, com os índios Navajo, dos Estados Unidos, que são nossos parceiros. Mostrar o que é a Kari-Oca e conhecer a aldeia deles", exemplificou Terena.

Paralelamente, a Kari-Oca também promoverá atividades diversas como saraus. Uma visita ao bloco de carnaval Cacique de Ramos, na zona norte do Rio, ainda está prevista. Segundo Marcos Terena, a ideia é mostrar para os moradores de Ramos "que eles também tem a ver com a história dos índios". "Historicamente, Ramos, era uma aldeia dos índios Tupinambá", revelou.

RJ: concursos terão cota para negros e índios


20% das vagas oferecidas na cidade do Rio de Janeiro serão reservadas; medida vale somente para editais lançados após sanção da lei



A cidade do Rio de Janeiro vai reservar 20% das vagas oferecidas em concursos públicos para negros e índios. O projeto de Lei 1.081-A/2011 foi sancionado nesta segunda-feira pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes.


O projeto prevê que os próximos editais de concursos públicos para o preenchimento de vagas para cargos efetivos do Poder Executivo e das entidades da administração indireta em diferentes setores do município, deverão disponibilizar esse percentual de vagas para essas duas etnias.


A medida vale somente para editais de concursos que serão lançados após a sanção da lei, que terá um prazo de validade de dez anos a partir de sua publicação.


De acordo com a lei, a reserva de vagas deverá constar em todos o concursos públicos feitos pela prefeitura do Rio, onde caberá a entidade responsável fornecer aos candidatos as regras gerais estabelecidas no edital, assim como fazer constar todas as informações necessárias para os candidatos interessados. Para ter direito ao benefício, caberá ao candidato informar se é negro ou índio no ato da inscrição.


Oportunidade


Para Eduardo Paes, a partir da criação da Lei de Cotas, as oportunidades serão igualadas. Segundo ele, sua sanção representa a superação de um atraso, já que em algumas cidades do país essa lei já está em vigor.


"Essa lei passa a valer imediatamente para os próximos concursos da prefeitura, igualando as oportunidades.
Estamos fazendo com atraso, uma coisa para a gente ter vergonha. Que bom que a gente supera esse atraso histórico”.


O projeto prevê ainda que caso o número de vagas reservado para essas duas etnias não seja preenchido, as oportunidades serão redistribuídas para os candidatos não cotistas, observando a ordem de classificação.


Relatórios


A secretaria municipal de Assistência Social ficará responsável pelo envio de relatórios do resultado dos concursos a cada dois anos. Esses documentos serão analisados pelo prefeito, que poderá ou não prorrogar a validade da lei.


A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) ressaltou que a medida servirá como estímulo para outros municípios do Rio de Janeiro. Para ela, o sistema de cotas para os serviços públicos não apenas estimulará esses candidatos, como também garantirá uma igualdade de oportunidades para a população negra e indígena.


“Eu acho que é uma medida que não só vai estimular outros municípios como também essa cobertura para que haja igualdade de oportunidades deu um grande passo para a cidade do Rio. Na medida em que a política de cotas chega, ela chega também com qualidade, porque os negros e índios que disputarão essas vagas, têm apenas um percentual garantido, mas eles têm que fazer tanto quando os demais candidatos”.

14 de mai. de 2012

Indígena, "SER OU NÃO SER"?




Olá amigos, 

Convido-os a assistir ao documentário SER OU NÃO SER, que aborda o preconceito sofrido pelos indígenas na cidade de Manaus (AM). A obra tem 18 minutos e pode ser assistida online. 
Estamos divulgando-o para chamar atenção da sociedade brasileira sobre o tema do preconceito contra os indígenas. Espero que gostem da obra. 
Sugestões e Críticas são bem-vindas. Agradecemos a quem puder sugerir Festivais em que o filme possa participar.
Desde já agradeço a atenção.


Atenciosamente,

Marcos César de Oliveira Pinheiro - Manaus/AM

10 de mai. de 2012

GRUPO UMUTINA ENCERRA EVENTO CAXIRI NA CUIA NA UFSCar



Grupo de estudantes Umutina da UFSCar - Universidade Federal de São Carlos, encerrou o evento Caxiri na Cuia - Colóquios sobre literatura indígena - ocorrido nos dias 4 e 5 de maio - 2012.

8 de mai. de 2012

"Não somos donos da teia da vida, mas um de seus fios”













Moura Tukano

O Mundo foi tecido por um Criador. Sem limites e sem fronteiras. Nossos atos têm conseqüências imediatas por sermos fios dessa teia. Ele deu-nos a cada um a porção de responsabilidade própria de conduzir o seu fio de modo a garantir a sintonia com os demais, proporcionando todo o possível para a Teia se manter sólida, aconchegante, prazerosa. Bem tecida com amor, fartura e musicalidade ela foi deixada começada no Plano Original para Mãe Terra.

Uma Teia bem tecida, com a beleza da matéria-prima que inclui as cores, os rumores, os aromas, os sabores e as notas musicais e todos os elementos proporcionados pela Mãe-Terra com as garantias do seu Fundador, depende muito da solidez e da responsabilidade própria de cada fio que fará a segurança, a proteção e a manutenção da vida num eterno movimento comemorado em cada fase da Lua. Em cada plantio, cada colheita, cada dança, cada noite de luar. Nos acasalamentos e nos nascimentos. Nas festas da despedida e na grandeza da continuidade em todas as estações do tempo e do espaço.

Quando um fio irresponsável se rompe, certamente enfraquecerá ou afetará outros sensivelmente ao redor. Cada abandono é um fio rompido. Cabe ao homem manter limpo e fortalecido este elo inato. Isto se chama dignidade, integridade. Isto também se chama: alimentar o espírito. Urge de cada um a conservação fundamental da Teia, matriz que os ancestrais passaram de geração a geração.

São fios que ligam o passado ao futuro e que estão nas mãos do presente. Eles não podem se romper. São permanentes. São guardados na área sagrada da memória e no porta-jóias do coração. São sementes escolhidas bem embaladas no cantinho sagrado aguardando o êxtase da fecundação. Fio que começa como cordão umbilical oxigenando a vida. Guardá-los, é responsabilidade de cada um. A história não pode ser interrompida tragicamente por causa do rompimento de qualquer fio. O tênue fio de uma teia possui a força do Grande Tecelão, o Grande Espírito. Cabe a nós, que viemos como sementes guardadas e amadas, a responsabilidade de produzir sementes puras para o equilíbrio, paz, alegria desta teia formada por três inesquecíveis tempos da eternidade: o passado, o presente e o futuro. Não saia da Teia. E ajude a tecê-la cada vez que um fio pueril, doente ou enfraquecido precisar de você.

9º Encontro Nacional de Escritores e Artistas Indígenas - 2012 – Abril - FNLIJ - RJ

Foto: Roní Wasiry Guará

4 de mai. de 2012

Projeto conta história indígena em idioma falado por seis pessoas

MÁRIO MOREIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Uma iniciativa editorial vai ajudar na preservação sonora de idiomas indígenas.
O livro bilíngue (português-maraguá) "A Origem do Beija-Flor", de Yaguarê Yamã, da nação saterê mawé, sai em maio pela Peirópolis.
No site da editora (www.editorapeiropolis.com.br ), haverá um link para ouvir a narração do livro em maraguá, falado hoje por apenas seis pessoas, segundo a editora Renata Borges.
A obra será a segunda da coleção Peirópolis Mundo, em idiomas em extinção (o primeiro foi uma história em xhosa, língua sul-africana, já disponibilizado no site).
Borges diz que a ideia do projeto "é trabalhar com a diversidade linguística e cultural" e "proporcionar o contato da criança com a riqueza fonética" do idioma maraguá.
"Há 190 línguas indígenas em extinção no Brasil", afirma ela, que pretende editar, como volume seguinte da coleção, um livro português-crenaque (grupo indígena da região do Vale do Rio Doce). Os crenaques são estimados hoje em cerca de 350 pessoas.
A editora FTD já havia lançado uma coletânea com 20 histórias de povos indígenas de todas as regiões do país.
Foi escrita em português e na respectiva língua indígena, incluindo um CD com a narração no idioma original.
O projeto, intitulado "Antologia de Histórias Indígenas", foi capitaneado pelo escritor Daniel Munduruku, um dos principais autores indígenas do país.
Reuniu diferentes narrativas de povos indígenas do Norte (sete), Centro-Oeste (seis), Nordeste (duas), Sudeste (quatro) e Sul (três).
"A oralidade é a fonte mais primitiva da cultura indígena. Suspeitamos que muitas dessas histórias foram registradas pela primeira vez na língua original", afirma Ceciliany Alves, editora de literatura infantojuvenil da FTD.

Marisa Cauduro/Folhapress
O escritor Olívio Jekupé, que já teve 12 livros publicados
O escritor Olívio Jekupé, que já teve 12 livros publicados
NA GAVETA
Desde os anos 1990, os escritores índios vêm ganhando espaço, sobretudo na literatura infantojuvenil.
Hoje são mais de 30, de acordo com o escritor Kaká Werá Jecupé.
"Até os anos 1990, tinha sempre alguém escrevendo pelo índio. Hoje, de maneira ainda incipiente, já existe uma visão diferente daquela que enxerga o índio como animal folclórico e exótico."
O autor Olivio Jekupé, que na infância frequentou aldeias guaranis no Paraná, chegou a cursar filosofia na USP e já teve 12 obras infantis lançadas.
"Em compensação, tenho um livro sobre a situação dos índios, mas não consigo publicar. As editoras não acreditam muito em índio falando de seus problemas. Pelo menos a literatura infantil foi uma abertura para nós."

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...