30 de abr. de 2012


SESAI – Parteiras tradicionais indígenas passam por qualificação

Encontro realizado em Roraima faz parte da estratégia da Rede Cegonha e capacitará 30 mulheres para que auxiliem o os cuidados aos recém-nascidos nas aldeias
Trinta parteiras tradicionais indígenas das etnias Makuxi e Wapixana, ambas do estado de Roraima, participam de encontro de qualificação em cuidados com recém-nascido, que será realizado a partir desta segunda-feira (23) até 30 de abril, na comunidade indígena de Tabalascada, na cidade Cantá, município distante 40 quilômetros da capital Boa Vista. A iniciativa do encontro é da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Leste de Roraima, em parceria com Secretaria de Saúde de Roraima. A ação faz parte do programa Rede Cegonha.
O objetivo do encontro é capacitar as parteiras para que auxiliem nos cuidados básicos imediatos aos recém-nascidos nas aldeias e com isso ajudar na redução da mortalidade infantil. A abertura do curso ocorre nesta segunda, a partir das 9h, e contará com a presença chefe da DSEI Leste de Roraima, Dorotéia Reginalda Moreira Gomes, e do secretário Estadual de Saúde de Roraima, Antônio Leocadio Filho. Durante o evento serão entregues 30 kits com equipamentos básicos de assistência imediata ao recém-nascido. Os kits possuem 35 itens, entre eles, estojo de alumínio com tesoura reta, fita métrica uterina, capa de chuva e balança pediátrica. Os Kits foram fornecidos pela Secretaria de Saúde de Roraima.
A capacitação também faz parte da estratégia da SESAI de promover atenção integral à saúde por meio da integração entre a medicina tradicional indígena com as práticas da medicina ocidental. As parteiras são profissionais importantes na atenção à saúde indígena no que se refere ao auxilio às equipes de saúde no pré-natal e também no parto, principalmente em aldeias de difícil acesso. De acordo com o último levantamento do Distrito, atualmente existem cadastradas no DSEI 78 parteiras, sendo que 95% delas também são Agentes Indígenas de Saúde (AIS).
A metodologia utilizada na qualificação será a participativa baseada na educação popular. Assim, durante o curso, além das orientações sobre as principais doenças e complicações com recém-nascidos e a identificação de casos de gestação de risco, as parteiras irão relatar casos de partos que fizeram e descrever seus conhecimentos tradicionais relacionados à gestação e ao parto: como a concepção cultural de cada etnia sobre a gestação, o uso de ervas medicinais e restrições alimentares durante a gravidez e puerpério (pós-parto). O evento contará com a participação de um consultor do Ministério da Saúde, dois facilitadores do DSEI Leste e duas médicas pediatras.
Sobre o DSEI Leste de Roraima – O Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima é a unidade gestora descentralizada do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, responsável por organizar e prestar o atendimento básico de saúde aos indígenas que vivem na região leste e norte de Roraima, inclusive nas aldeias na fronteira com a Venezuela e a Guiana. A população atendida pelo Distrito é de cerca de 40 mil índios, de 12 etnias diferentes, com predominância da etnia Makuxi, seguida da Wapixana.
Por Aedê Cadaxa, da Agência Saúde.
            (61) 3315-6256      

MinC anuncia 79 novos Pontos de Cultura Indígena pelo país

26 de abril de 2012
Em 2012, o Ministério da Cultura vai implantar 79 novos Pontos de Cultura Indígena nas cinco regiões do país. No total serão 109 espaços com metodologia específica para a cultura indígena.
A região região Sul receberá 24 pontos, no Norte serão 22, no Centro-Oeste, 16, nove no Sudeste e oito no Nordeste, que se somarão aos 30 que já estão em atividade nos estados do Amazonas, Acre, Roraima, Mato Grosso e Rondônia.
Na última quinta-feira (19/4), Dia do Índio, o secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, assinou dois convênios para a implantação de 33 Pontos de Cultura Indígena, sendo 22 na região Norte e 11 na região Centro-Oeste. Além dos convênios, foi repassada a primeira parcela dos recursos para a instalação de novos pontos nas regiões Sudeste (9), Sul (24) e Centro-Oeste (5).
A ação tem como objetivo a promoção e o fortalecimento das identidades e da diversidade cultural dos povos indígenas do Brasil. Com os Pontos de Cultura, os beneficiários terão a oportunidade de potencializar as atividades que já executam e descobrir novos campos de atuação. Cada comunidade tem um plano específico que visa descobrir vocações e as melhores formas de desenvolver os trabalhos.
Descobertas as vocações, eles recebem kits multimídia para o desenvolvimento das atividades, como computador com acesso à internet banda larga, DVD, filmadora e câmera fotográfica digital e demais equipamentos que se julgar necessário. A comunidade pode trabalhar, por exemplo, com desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, projetos de valorização e divulgação das expressões culturais tradicionais.
A lista com os convênios assinados está disponível para download aqui:http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=20&data=23/04/2012

Projeto conta história indígena em idioma falado por seis pessoas

28/04/2012
MÁRIO MOREIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Uma iniciativa editorial vai ajudar na preservação sonora de idiomas indígenas.
O livro bilíngue (português-maraguá) “A Origem do Beija-Flor”, de Yaguarê Yamã, da nação saterê mawé, sai em maio pela Peirópolis.
No site da editora (www.editorapeiropolis.com.br ), haverá um link para ouvir a narração do livro em maraguá, falado hoje por apenas seis pessoas, segundo a editora Renata Borges.
A obra será a segunda da coleção Peirópolis Mundo, em idiomas em extinção (o primeiro foi uma história em xhosa, língua sul-africana, já disponibilizado no site).
Borges diz que a ideia do projeto “é trabalhar com a diversidade linguística e cultural” e “proporcionar o contato da criança com a riqueza fonética” do idioma maraguá.
“Há 190 línguas indígenas em extinção no Brasil”, afirma ela, que pretende editar, como volume seguinte da coleção, um livro português-crenaque (grupo indígena da região do Vale do Rio Doce). Os crenaques são estimados hoje em cerca de 350 pessoas.
A editora FTD já havia lançado uma coletânea com 20 histórias de povos indígenas de todas as regiões do país.
Foi escrita em português e na respectiva língua indígena, incluindo um CD com a narração no idioma original.
O projeto, intitulado “Antologia de Histórias Indígenas”, foi capitaneado pelo escritor Daniel Munduruku, um dos principais autores indígenas do país.
Reuniu diferentes narrativas de povos indígenas do Norte (sete), Centro-Oeste (seis), Nordeste (duas), Sudeste (quatro) e Sul (três).
“A oralidade é a fonte mais primitiva da cultura indígena. Suspeitamos que muitas dessas histórias foram registradas pela primeira vez na língua original”, afirma Ceciliany Alves, editora de literatura infantojuvenil da FTD.
O escritor Olívio Jekupé, que já teve 12 livros publicados
NA GAVETA
Desde os anos 1990, os escritores índios vêm ganhando espaço, sobretudo na literatura infantojuvenil.
Hoje são mais de 30, de acordo com o escritor Kaká Werá Jecupé.
“Até os anos 1990, tinha sempre alguém escrevendo pelo índio. Hoje, de maneira ainda incipiente, já existe uma visão diferente daquela que enxerga o índio como animal folclórico e exótico.”
O autor Olivio Jekupé, que na infância frequentou aldeias guaranis no Paraná, chegou a cursar filosofia na USP e já teve 12 obras infantis lançadas.
“Em compensação, tenho um livro sobre a situação dos índios, mas não consigo publicar. As editoras não acreditam muito em índio falando de seus problemas. Pelo menos a literatura infantil foi uma abertura para nós.”

29 de abr. de 2012

Caxiri na cuia

Pessoas amigas,
Continuamos com a nossa proposta de divulgar a literatura indígena por onde for possível.
Desta vez estaremos na Unuversidade Federal de São Carlos "coloquiando" com a academia sobre o fazer literário indígena.
Essa ação faz parte de nossa caravana que começou em abril, em Lorena, e que se encerrará em São Carlos depois de ter passado pelo Rio de Janeiro durante o 14o. Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens.
Os que puderem se fazer presentes serão sempre bem vindos. Os demais, torçam, divulguem, espalhem, esparramem, derramem, extravazem, detonem para seus contatos amigos...A literatura indígena vai junto.
O evento está sendo coordenado pela professora doutora Maria Silvia Cintra Martins, que tem desenvolvido pesquisas sobre a literatura ameríndia.
Grande abraço, 
Xipat Oboré (Tudo de Bom!)



25 de abr. de 2012

9º ENCONTRO DE ESCRITORES E ARTISTAS INDÍGENAS

É hoje o grande dia! Lideranças tradicionais, escritores e artistas indígenas, te esperam para um grande "caxiri literário"sobre literatura indígena e a Rio + 20! Não Percam!

Ikatureté



23 de abr. de 2012

“O DIA DO ÍNDIO É UMA FARSA CRIADA COM BOA INTENÇÃO”


Autor de mais de 40 livros infantojuvenis adotados em escolas de todo o país, Daniel Munduruku fala nesta entrevista sobre preconceitos à cultura indígena e sobre a educação para a diversidade.
Há anos vivendo entre cidades e aldeias, Daniel Munduruku ajuda índios e não índios a se conhecerem melhor. Esta definição, publicada na contracapa de O segredo da chuva (Editora Ática, 2003), dá o tom da produção literária do autor. Formado em Filosofia, História e Psicologia, além de doutor em Educação pela USP, ao longo de sua trajetória Munduruku tem conjugado tradição e contemporaneidade, sempre defendendo “a educação que dê sentido ao nosso estar no mundo”.
Batizado com sobrenome de branco, Monteiro Costa, Daniel nasceu em 1964 em Belém (PA). Cresceu vivenciando o preconceito que os indígenas sofrem na sociedade brasileira: se quando criança a figura do nativo selvagem assombrava a visão dos índios apresentada por seus professores, quando adulto percebeu-se encarado como “índio que deu certo” – percepção que é uma afronta, como ele gosta de salientar, por reforçar estigmas e “destacar quem se sobressai numa certa atividade e desmerecer, e muito, todos aqueles que também lutam, se esforçam e contribuem para o desenvolvimento da sociedade”. A seguir, o nosso bate-papo com Munduruku:
Como avalia a visão do indígena apresentada nas escolas brasileiras? Ainda há muitos estereótipos?
Todos os estereótipos são repetidos à exaustão. A escola está parada no tempo, muito embora sua função seja trazer novos elementos para que os jovens, sempre ávidos por renovação, possam pensar meios de fugir aos pré-conceitos que carregam consigo. O caminho ainda é longo, enquanto os indígenas continuam sendo pouco compreendidos e aceitos.
As datas comemorativas são uma forma de retomar grupos ou fatos históricos e de forçar a reflexão sobre eles. O que pensa a respeito do Dia do Índio?
O Dia do Índio é uma farsa criada com boa intenção. É preciso repensar o conceito do “índio”, de acordo com o novo momento que estamos vivendo. Há um entendimento ultrapassado, que precisa ser atualizado, sobretudo para o bem do povo brasileiro.
Em suas viagens Brasil afora, como observa a educação para a diversidade?
Minha experiência tem me mostrado disparidades entre educadores, de Norte a Sul do Brasil. Tem me mostrado como a formação deles é falha quando tenta oferecer uma educação para a cidadania. Vejo que as crianças e os jovens estão ansiosos por conhecimento que lhes mostrem um caminho novo, diferente, ousado, mas infelizmente não o encontram nas escolas ou nos professores, por vários motivos – o principal deles é o fato de os educadores não se sentirem motivados para exercerem a profissão, dado o descaso com que são tratados pelo poder público.
Como a literatura indígena, da qual você é um dos principais representantes, tem combatido estas falhas de formação?
O grande mérito da literatura indígena está no fato de trazer novas leituras da sociedade brasileira. Ao dizer que os povos indígenas são defensores naturais da natureza, ela se contrapõe à ideia de desenvolvimento trazido puramente pela lógica do agronegócio, por exemplo, ou pela construção de grandes empreendimentos como hidrelétricas. A literatura indígena questiona conceitos como esses, dados ou impostos.
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Trecho de O segredo da chuva, de Daniel Munduruku, com ilustrações de Marilda Castanha:
“– Quem está aí? É amigo ou inimigo?
Silêncio. Apenas o eco da voz de Lua. Parecia que toda a natureza estava acompanhando o medo dos dois. Lua repetiu mais duas vezes o seu apelo, mas não obteve nenhuma resposta. Encolheu-se ainda mais na moita, fazendo gestos para Tawé subir numa árvore e tentar ver algum movimento estranho. O amigo obedeceu. Arrastou-se pelo chão até uma árvore de muitos galhos e foi subindo sorrateiramente até a copa. Mas qual não foi o seu susto quando se deparou com uma enorme onça! Ela o olhava fixamente como que dizendo que faria sua primeira refeição do dia. Tawé apavourou-se. Não viu mais nada, e deixou-se cair num galho mais abaixo.”
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Para saber mais
Daniel Munduruku possui um blog, no qual publica notícias dos povos indígenas, artigos, opiniões, resenhas de livros que lê e que recomenda: www.danielmunduruku.blogspot.com.

http://blog.aticascipione.com.br/diversidade/o-dia-do-indio-e-uma-farsa-criada-com-boa-intencao-daniel-munduruku

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...