30 de nov. de 2011

Daniel Munduruku participará do I Encontro de Contadores de Histórias da Amazônia

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Começa nesta quinta feira, dia 01, o I Encontro de Contadores de História da Amazônia.
Daniel Munduruku fará uma participação no dia 02 falando sobre sua literatura e sua arte de contar histórias.
Abaixo segue entrevista que o autor concedeu aos organizadores do evento.

Outras informações podem ser encontradas no blog http://mocoham.blogspot.com/

A contação de histórias que envolve a linguagem indigena resgata de que forma a identidade cultural das crianças e dos adultos amazônidas?
Eu penso que não exista, exatamente, uma linguagem indígena quando se fala de contar histórias. O que os indígena têm é uma visão peculiar sobre o mundo, sobre a beleza que ele exala. Falar dessa beleza é uma reverberação do universo que está dentro da gente e que as palavras não dão conta. Contar histórias é mais que encenar uma linguagem, é vivenciar uma experiência. Sob esse aspecto, é dar sentido ao nosso estar no mundo. Creio que o humano que mora no Amazônida é privilegiado por pertencer a um universo tão rico em outras humanidades [povos indígenas, ribeirinhos, sabedores tradicionais]. Já é um privilegiado por saber das fantásticas presenças que existem no seu cotidiano. As histórias indígenas, penso, ajudam a estabelecer uma ponte entre as várias tradições que interagem no homem/mulher/criança, da Amazônia.

Foram criados inúmeros estereótipos do índio, que criam uma imagem distorcida dele. Contar histórias com valores indígenas é uma maneira de quebrar esse preconceito cíclico?
As pessoas não conhecem as tradições indígenas. Elas realmente têm tido acesso à superfície, àquilo que foi sendo mostrado pelos meios de comunicação e pela educação formal através da escola. E tudo parou por aí. Nossa visão genérica desses povos os diminuiu e enfraqueceu suas presença entre os brasileiros. Nós sequer sabemos como chamá-los [por isso usamos um “apelido”].
Contar histórias a partir das tradições indígenas pode ser um instrumento legal para diminuir essa distância, mas ela precisa ser contextualizada porque muitos contadores acabam replicando o estereótipo mesmo sem o saber. Ele faz isso quando não contextualiza, quando não explica a quem ouve de quem está falando, onde vive aquela gente, como é o cotidiano dela. Sei que é uma prática difícil já que quem conta história está focado na narrativa, mas é importantíssimo que esses profissionais-brincantes possam criar formas de educar quem os escuta.

A missão de um escritor infanto-juvenil exige uma carga a mais de preocupação com a linguagem ou o conteúdo? Dialogar com a fase que o homem começa a talhar o pensamento, exige um pouco mais de responsabilidade?
Eu diria que há um erro de compreensão da sociedade ocidental. Há uma separação que, de fato, não existe quando se busca formar a cabeça do ser humano. A cabeça da criança precisa de desafios. É importante dosar estes desafios com pitadas de conteúdo que as faça refletir. A formação de uma criança crítica exige que ela leia conteúdos que a façam interagir com a realidade em que vive. Minha experiência é que toda criança consegue transcender mais que o adulto. A criança costuma ir além do real do adulto, ao mundo da fantasia onde existe outra realidade capaz de fazê-la caminhar no mundo. Por isso não é incomum ver crianças “conversando” com seus amigos invisíveis enquanto brincam no quintal ou no igarapé. Nesse momento elas estão interagindo com este outro mundo. O adulto desavisado irá dizer que ela está “louca”, confusa e que precisa ser tratada. Quem está louco é o adulto que perdeu a capacidade de transcender. A transcendência não é algo místico, é algo humano. Só a criança sabe, melhor que ninguém, ser humana.

Ser contador de história é rememorar o passado, ensinar como lidar com o futuro, uma forma de falar expor as falhas da sociedade? Ou não é nada disso?
Contar história é encontrar a si mesmo. Quem narra tem que fazer o caminho para dentro de si. Não é possível contar uma história – contar de verdade – se ela não disser algo para seu narrador. O que ela vai dizer, depende de cada pessoa. As histórias tradicionais são reveladoras de um passado que se atualiza em nossa memória. Por isso ela nos compromete com o presente. Um bom contador de histórias não é quem traz o passado para o presente, é quem dá ao presente um significado a partir das histórias que conta. Se isso vai dar liga para questionar a sociedade ou educar alguém, depende de como aquela narrativa vai cair no coração de quem a ouve. 

Em alguns textos você fala que é importante que a criança seja plenamente criança. As crianças estão perdendo ou não recebendo o quê? Como você percebe a atual fase da infância brasileira?
A criança de hoje é educada para “ser alguém na vida”. Os pais as tratam como um investimento. Elas passaram a ser objeto da educação e não mais sujeitos para serem educados. As pessoas não entendem que se a criança não for tratada como criança que ela é, mais para frente ela virará um adulto frustrado. Poderá até ser um adulto bem sucedido profissionalmente, mas humanamente será um fiasco. Não sei se vale a pena o “investimento”.
Criança tem que ser tratada como criança e não como um adulto em miniatura ou como investimento. A ela tem que ser dado o direito de assim ser. A sociedade não entende isso – os pais também não – mas o que fazemos com as crianças é um ato de violência. É um “infanticídio” existencial. A criança precisa ser cuidada...e saber cuidar é oferecer liberdade.

O trabalho do contador de história é também um agente social transformador?
O contador de histórias é um poeta, um artista mambembe, um descobridor de memórias, é um abridor de caminhos, é um inventor de sonhos. Se tudo isso ajudar a transformar a sociedade...melhor.

O I Encontro de Contadores de Histórias da Amazônia surgiu inspirado nos seus livros, que sentimento tens em participar de um evento como esse?
Fico feliz ao sentir que inspiro gente a inspirar outras gentes. Fico feliz em saber que o que sei pode servir para os saberes de gente que não conheço. Fico feliz em me saber compartilhando sonhos com sonhadores que tomaram meus sonhos como ponto de partida...e talvez de chegada.
É assim que tenho construído minha história: confessando sonhos. A verdade do que sonho é a fantasia que conto transformada em palavras.
E é muito bom saber que meus conterrâneos estão me ouvindo. É muito bom saber que andam partilhando meus caminhos pela floresta e pelas ruas de Belém, do Pará e do Brasil. Um escritor não pode querer algo mais que isso.

Que tipo de debates e contribuições você deseja transmitir no Encontro?
Venho com a intenção de partilhar os sonhos que reverberam no imaginário da gente indígena. Venho para contar que a humanidade indígena é rica, mágica e poderosa. Venho (des)contar histórias contadas ao avesso para que as pessoas compreendam o sentido de ser indígena, povo que rema na contramão da existência ocidental.

15 de nov. de 2011

FLIMT - Feira do Livro Indígena do Mato Grosso terá atividades para todos os públicos

Há uma semana para o início da única Feira do Livro indígena existente no país e a única do Estado presente no Circuito de Feiras da Biblioteca Nacional, a Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso divulga a programação oficial do evento que tem início no dia 23 de novembro.
A solenidade de abertura acontecerá a partir das 19h30 do dia 23 com a presença de autoridades, escritores e artistas indígenas e não indígenas e é aberta ao público.

Durante o evento, haverá uma abertura espiritual e em seguida Shaneihu Yawanawa, do Acre cantará algumas canções pertencentes ao seu povo; no dia 24 acontece a partir das 9h a Reunião sobre o Plano Estadual do Livro e da Leitura de Mato Grosso - PELL/ MT, que pretende debater o fomento e difusão da leitura no estado; durante os três dias,  acontecem sempre das 10h as 11h as oficinas voltadas para educadores, estudantes, pesquisadores e o público em geral; ás 11h acontece também o Encontro com o Escritor, momento em que autores como Daniel Mundurku, Olívio Jekupé, Roni Wassiri, Carlos Tiago e Elias Yaguakã apresentam suas obras para o público. No dia 26 as 9h, o Cacique Raoni marca presença com suas ‘sábias palavras’.

Convidado especial do Evento, o Cacique vem até Cuiabá, dar voz aos povos do Xingu. No período da Tarde, iniciam as atividades como bate-papo, mesas e palestras.
A partir das 17h o Instituto INCA realiza a Mostra Audiovisual “Olhares sobre os Povos da Mata” e as 19h30, acontece a ‘Festa no pátio’, momento de música e literatura. No dia 24, a Festa no Patio realiza ainda a entrega do prêmio do Concurso da Logomarca dos 100 anos da Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça.

Além da programação o público poderá encontrar a ‘Livraria da Feira do Livro indígena’  e o ‘Espaço da editora’. Na Livraria, as editoras estarão comercializando as obras; já no Espaço da Editora, cada uma levará um autor e sua obra para confraternizar com o público presente. O Público poderá visitar exposições de Artefatos e fotos, além de conhecer um pouco mais do Palácio da Instrução, Patrimônio histórico do Estado.

A FLIMT integra ainda os Projetos Encontro da literatura indígena e Projeto Conversando sobre literatura e cultura indígena com o intuito de fortalecer os escritores indígenas, que nos últimos anos vem ganhando espaço no setor literário. Com relação a publicação de obras de autores indígenas, existe um número considerável de produção no país, considerando a característica oral dessas comunidades. Só no Catalogo do Núcleo de Escritores indígenas existem mais de 60 obras e Daniel Munduruku, é um dos autores com mais publicações, chegando a 42 livros em sua trajetória.
Nessa mapeamento não constam as obras publicadas de forma independente, através de Projetos e Instituições governamentais.
A FLIMT é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de MT, com patrocínio da Petrobrás e Governo Federal. Mais informações pelo blog WWW.flimt.blogspot.com , flimt@cultura.mt.gov.br e (65) 3613-0222


Naine Terena
www.imprensaprojeto.blogspot.com 

14 de nov. de 2011

Feira do Livro de Brasília



16h às 17h
14/11
Arena Cultural
Daniel Munduruku
Escritor indígena com mais 40 livros publicados, recebeu diversos prêmios no Brasil e Exterior entre eles o Prêmio Jabuti, Prêmio da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Érico Vanucci Mendes (outorgado pelo CNPq); Prêmio Tolerância (outorgado pela UNESCO).

Amigos/as,
Estarei nesta segunda feira, a partir das 16 horas, na Feira do Livro de Brasília.
Será uma passagem rápida pela Capital do Brasil, mas um grande prazer receber que puder vir ao Parque da Cidade.
Abraços.

Daniel Munduruku


13 de nov. de 2011

Vasos Sagrados - Mitos Indígenas Brasileiros e o Encontro com o Feminino

Prezados/as,
Segue o convite para o evento que estamos organizando aqui em Lorena - SP.
É para partilhar com vocês mais essa ação em prol das culturas indígenas brasileiras que faz parte de nossa missão pessoal.
Por favor, façam circular pelas listas. Aguardem notícias no blog.

Xipat Oboré (Tudo de Bom!)
______________
Daniel Munduruku


12 de nov. de 2011

Programação FLIMT 2011


















Dia 23
19h30 Cerimônia de Abertura
Shaneihu Yawanawa
Álvaro Tukano

Dia 24
9h Reunião sobre o plano estadual do livro e da leitura de mato grosso - PELL/ MT
10h às 11h Oficina: O indígena no Livro DidáticoProfessora MS. Arali Dalsico - Associação dos Amigos do Museu Rondon (ASAMUR)
Contação de histórias – histórias Umutina com Grupo Nação Nativa Umutina
11h Encontro com o Escritor:Daniel Munduruku lança Mitos Indígenas Brasileiros E Histórias que eu Li e  Gosto de Contar - Editora Callis.
14h Bate papo: A leitura literária no processo de formação de um país leitorDaniel Munduruku e Graça Graúna
15h30 Mesa: Grandes projetos em terra indígena: qual a saída?Estevão Taukane e Marcos Terena
16h Encontro com o Escritor:Olívio Jekupé lança Tekoa - conhecendo uma aldeia  indígena, Editora Global e 
A mulher que virou Urutau, Editora panda books.
17h Mostra Audiovisual “Olhares sobre os Povos da Mata”. Curadoria INCA:
Mopo´i – O menino Manoki de Sérgio Lobato

18h30 Espaço Editora Tantatinta 
Enawenê-Nawê - primeiros contatos (diário de campo)
Autor: Thomaz de Aquino Lisbôa – “Jaúka”
19h30 Festa no pátio com entrega do prêmio do Concurso da Logomarca dos 100
anos da Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça

Dia 25
9h Mesa: Lei 11.645/08: modos de usar.Ana Maria Ribeiro e Rosi Waikhon
10h às 11h Oficina: Pintura corporal Yakari Kuikuro e Samira Marcos
                                   Contação de histórias – Histórias Munduruku com  
                                    Marcelo Mahuare
11h Encontro com o Escritor
Roni Wassiri lança suas obras
14h Mesa: Ainda precisamos da Funai?Darlene Taukane e Álvaro Tukano
15h30 Contação de histórias – Histórias Terena com o grupo Aruak
16h Bate papo: Mitos indígenas: didática para educadoresMaria Inez Espírito Santo

17h Mostra Audiovisual “Olhares sobre os Povos da Mata”. Curadoria INCA:
Rio Entre as Arvores de Jorge Bodanzky

18h30 Espaço Editora Entrelinhas
Tecnologia Indígena em Mato Grosso: Habitação.
Autor:José Afonso Portocarrero

19h30 Festa no pátio

Dia 26
9h Sábias Palavras (Cacique Raoni)
10h às 11h  Oficina: O processo de criação de um livroAnna Claudia Ramos
                                     Contação de histórias 
                                      Histórias Kuikuro com Yakari Kuikuro
11h Encontro com o Escritor:
Lançamento Elias Yaguaka
 Historinhas Marupiaras - ed. Mercuryo jovem
14h Mesa: Literatura indígena e as novas tecnologias da memóriaMarta Manoki, Cristino Wapichana e Edson Kayapó
15h30 Bate papo: Mulheres indígenas: guardiãs ou guerreiras da memória?Eliane Xunakalo e Darlene Taukane
16h Encontro com o Escritor:Carlos Thiago Haky lança Awayató=pót - histórias indígenas para crianças - ed. Paulinas
17h Mostra Audiovisual “Olhares sobre os Povos da Mata”. Curadoria INCA:Panará – Ponto de Cultura amor pelo servir
18h30  Espaço Editora KCMDesidério Aytai E A Etnologia Nambiquara” - Organizadora: Anna Maria Ribeiro F.M. Costa

9 de nov. de 2011

No escurinho da maloca, a estréia do documentário da música Baniwa

O filme chama-se Podáali: um documentário da música baniwa e foi exibido em noite de gala na Maloca Casa de Conhecimento, na comunidade de Itacoatiara-Mirim, na zona periurbana de São Gabriel da Cachoeira, noroeste amazônico. Seus autores são os cineastas indígenas estreantes Moisés Baniwa e Paulinho Baniwa

Enquanto o mestre Luis Laureano cuidava dos últimos preparativos para a grande noite de estreia na Maloca Casa de Conhecimento, Luzia, sua esposa, circulava elegantemente com cuias de caxiri de cará e macaxeira, distribuindo-as aos parentes que vieram para ajudar na finalização de um dos últimos detalhes que faltavam: a pintura da parede da maloca. Lá dentro, Moisés Baniwa, o filho mais novo de Luis e Luzia, testava os equipamentos para que a projeção saísse perfeita.

Luzia serve caxiri na cuia a mestre Laureano e aos parentes que vieram ajudar



Maloca Casa de Conhecimento, em Itacoatiara-mirim, no dia da estreia


Assim, na noite da última sexta-feira (4 de novembro) estreou Podáali: um documentário da música baniwa, dirigido pelos estreantes cineastas indígenas Moisés Baniwa e Paulinho Baniwa. E reuniu cerca de 180 pessoas entre jovens indígenas, amigos e autoridades da região na imponente maloca que Luis e sua família ergueram na comunidade de Itacoatiara-mirim, e que tornou-se um ícone da vida cultural de São Gabriel da Cachoeira.
Para se ter uma ideia, logo depois da primeira inauguração, já passaram pela Maloca Casa de Conhecimento, os mais renomados pajés em atividade do Alto Rio Negro, importantes lideranças e intelectuais indígenas, além de autoridades não-indígenas como os antropólogos Eduardo Viveiros de Castro e Manuela Carneiro da Cunha, o chef Alex Atala, o empresário e candidato a vice-presidente de Marina Silva, Guilherme Leal e, recentemente, Gilberto Gil, também gravando um documentário. (saiba mais).

Cena de uma das festas realizadas na maloca, por onde já passaram ilustres convidados


O "segredo" das flautas enterradas
Podáali narra o processo virtuoso que a comunidade vem experimentando desde que decidiu retomar e valorizar práticas que s´po se materializaram com a construção da maloca. Tanto os anciãos quanto os jovens da comunidade se deram conta de que, mesmo vivendo na periferia da cidade, a maloca e os conhecimentos que ela permite experimentar são fundamentais para o viver bem no mundo de hoje.
Nesse contexto, realizaram, em outubro de 2010, uma viagem de reencontro com objetos sagrados mencionados na literatura antropológica como flautas e trompetes Kowai (Jurupari) e chamados waferinaipeem língua baniwa (em português, ancestrais, antepassados, avós). A comunidade os havia deixado submersos em igarapés do Rio Ayari, a jusante do Alto Rio Negro, de onde partiram para a cidade de São Gabriel há 25 anos, depois do último ritual de iniciação que realizaram.
A viagem foi registrada pelos cineastas indígenas e inspirou boa parte do documentário. Um dos desafios da equipe esteve relacionado ao “segredo” que envolve o som e a imagem das flautas, que são proibidas sobretudo para as mulheres baniwa e de outras etnias do Rio Negro. Raríssimos são seus registros sonoros. Durante a expedição ao Ayari foi preciso obedecer a um conjunto rigoroso de regras previamente acordadas entre todos em reuniões de planejamento que aconteceram na Maloca Casa de Conhecimento. (saiba mais aqui). (veja também).
Para Deise Lucy, etnomusicóloga do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas e parceira da iniciativa o documentário e o projeto como um todo demonstram que“a maloca e as iniciativas que ela vem estimulando são uma forma de atualizar a presença desta comunidade baniwa no mundo, abrindo e reforçando canais de comunicação e transmissão de conhecimentos numa dimensão vertical - no que diz respeito à relação com os ancestrais míticos e com as passagens dos ciclos de vida - e horizontal - no que diz respeito ao manejo das relações com os “outros”, com os parentes indígenas, e com o mundo dos brancos”.

Cerca de 180 convidados assistiram ao documentário na maloca


Depois de pelo menos 200 anos de forte repressão aos Baniwa, e aos outros 22 povos que vivem no Alto Rio Negro, a Maloca Casa de Conhecimento e as atividades que realiza vêm ganhando cada dia mais destaque entre as iniciativas de reafirmação e salvaguarda do patrimônio socioambiental dessa região, por estimular a música, os cantos, as danças, as narrativas, a cultura material e todo o universo sobre o qual ela atua. Tudo isso em intenso diálogo com o universo cultural mais amplo, incluindo o mundo dos brancos e de São Gabriel da Cachoeira, considerada a cidade mais indígena do Brasil.
Vídeo de Maloca
O processo de filmagem do documentário foi inspirado na iniciativa do Vídeo nas Aldeias, que prepara cineastas indígenas para a atividade audiovisual há pelo menos 25 anos no Brasil. Pedro Portella, um dos colaboradores do Vídeo nas Aldeias apoiou na definição de equipamentos e coordenou a primeira Oficina de Linguagem e Técnica Cinematográfica, sendo seguido por Petrônio Lorena, cineasta que se hospedou por uma longa temporada na Maloca Casa de Conhecimento em 2009, para compartilhar seus conhecimentos sobre cinema com os Baniwa.

Moisés Baniwa verifica todos os equipamentos para que a projeção saia perfeita


Para completar o time de formadores, duas oficinas de edição foram coordenadas pelo fotógrafo e pesquisador Hans Denis Schneider. O resultado do investimento em formação que o projeto trouxe pode ser percebido no dia-a-dia de eventos importantes que acontecem em São Gabriel da Cachoeira, onde Moisés e Paulinho se destacam realizando a cobertura áudiovisual. Para os jovens cineastas baniwa “agora é seguir gravando novos documentários e preparando outros parentes para a atividade aqui no Alto Rio Negro”. Ambos criaram a Vídeo de Maloca Produções, produtora pela qual pretendem transformar o documentário num longa-metragem, incorporando um farto e importante material não utilizado nesta montagem de estreia, de 30 minutos. E já estão em busca de patrocinadores.
Mestre Luis Laureano abriu e encerrou a noite agradecendo a todos que colaboraram, em especial a Petrobras, através do Programa Petrobras Cultural (edição 2006/2007), patrocinador oficial da iniciativa até o final de 2011. O projeto é realizado pela Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) e ACICC (Associação Cultural Indígena Casa de Conhecimento) e conta com a parceria do ISA (Instituto Socioambiental) e da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) além de vários apoiadores individuais que conheceram o projeto e se sensibilizaram com ele.

ISA, Adeilson Lopes da Silva.

Novo Livro de Carlos Tiago Hakiy e Maurício Negro - Paulinas Editora

7 de nov. de 2011

III Festa Literária da Escola SESC - Rio de Janeiro

07/11/2011 - Hoje na Escola Sesc - Rio de Janeiro, acontece a III Festa Literária da Escola SESC de Ensino Médio, com Daniel Munduruku e Ana Rondon num "Debate Literário" sobre Literatura Indígena. Aberto ao público, apareçam.


1 de nov. de 2011

Seminário discute políticas para indígenas na Capital

Foto: Divulgação/PMPA
Seminário aborda cultura e política pública indígena na Capital
Seminário aborda cultura e política pública indígena na Capital
Em 8 de novembro, será realizado o seminário "Presença Mbyá-Guarani em Porto Alegre: Construção de uma Política Pública", com início às 9h. O encontro será no auditório do Ministério Público Estadual (MPE-RS) – praça Marechal Deodoro, 110, 3º andar, no Centro Histórico.

O seminário é uma realização do MPE com as secretarias municipais de Direitos Humanos e Segurança Urbana (Smdhsu) e de Governança Local (SMGL), o Ministério Público Federal (MPF) e da Fudação Nacional do Índio (Funai). O objetivo é apresentar e discutir aspectos relacionados à vida dos indígenas e os desafios atuais, a diversidade cultural e ocupação urbana e o diálogo para a construção de uma política pública na Capital voltada para estes povos.

Participarão dos debates o procurador da república, Juliano Stella Karan, o cacique mbya-guarani José Cirilo Pires Morinico, e o antropólogo da Ufrgs, Sérgio Baptista da Silva, além da procuradora de Justiça do MPE-RS, Maria Regina Fay de Azambuja e Marcelo Beckhausen, procurador regional dos Direitos do Cidadão da 4ª Região. Integram a mesa de diálogo os antropólogos da Smdhsu, Luiz Fernando Caldas Fagundes, e da SMGL, Carlos Fernando Simões Filho, além de representantes do Conselho Estadual dos Povos Indígenas e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através do Centro de Apoio Operacional de Direitos Humanos do MPE, com Beatriz Lang – fone (51) 3295 1141 ou pelo e-mailbeatrizlang@mp.rs.gov.br.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...