27 de nov. de 2009

Política indigenista é discutida no Congresso das Cidades Amazônicas

Da Redação
Agência Pará

A programação do segundo dia do I Congresso das Cidades Amazônicas, que acontece em Belém, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, foi iniciada com um debate sobre Logística de Transporte na Amazônia, contando com a participação de representantes do Ministério dos Transportes e do Ministério da Defesa. Em seguida, entrou na pauta de discussões o tema "Questões Indígenas", do qual participaram o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e o secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Fábio Filgueiras.

O presidente da Funai afirmou que o órgão federal, que estabelece e executa a política indigenista no Brasil, orgulha-se de ser o responsável por boa parte das terras indígenas demarcadas na Amazônia, contribuindo para a preservação da região e das futuras gerações. Sobre as críticas ao desmatamento no Pará, Márcio Meira considera muitas delas de "má fé", já que "mais de 40% do Pará é formado por unidades de conservação ambiental e terras indígenas", o que, segundo ele, é um número positivo.

O secretário da Sejudh falou sobre os recentes avanços do Pará na defesa dos direitos indígenas, tais como a realização da 1ª Conferência Estadual dos Povos Indígenas, ocorrida em 2008, que contribuiu para a construção da Política Estadual para o setor. Para Filgueiras, a participação dos municípios e dos Estados é fundamental, apesar do que diz a legislação brasileira, que determina que a responsabilidade sobre a política indigenista é do governo federal. "A União não tem como tratar da questão indígena sozinha, por isso estamos mudando essa ótica. Hoje estão em construção 17 escolas de ensino médio que serão inauguradas dentro de comunidades indígenas no Pará", afirmou o secretário, citando outras ações do governo do Estado em andamento, como a criação do Conselho Indígena e de um Fundo Estadual para o setor. "Independentemente da questão legal, não podemos dar as costas para o problema", enfatizou.

O prefeito do município de Ipixuna, Evaldo Cunha, elogiou o posicionamento do secretário da Sejudh e disse ser a favor da municipalização dos debates sobre os povos indígenas. "Se Estado, Funai e municípios caminharem de mãos dadas, será possível avançar muito mais", declarou.

Jurandir Silva, vereador do município de Paragominas (PA), também defendeu o estreitamento das relações entre órgãos públicos municipais e povos indígenas. Uma das ações de sucesso em Paragominas é a manutenção de escolas indígenas, que procuram manter a diversidade cultural e linguística das comunidades. As aulas são conduzidas tanto em português, quanto em língua materna. O município recebeu este mês a 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, que reuniu 1.300 índios de 28 diferentes etnias brasileiras. "A realização do evento demonstrou o quanto são ricos os povos indígenas, o quanto temos que aprender com eles e o quanto temos que evoluir para respeitá-los", afirmou o vereador.

Também participaram do debate o prefeito do município de Normandia (RR), Orlando Oliveira, e um representante da Prefeitura de Oiapoque (AP).

Jussara Kishi - Secom

23 de nov. de 2009

Índios de Paranhos são homenageados em conferência no DF

João Humberto

Os professores guarani Rolindo Verá e Genivaldo Verá, desaparecidos após confronto com fazendeiros em Paranhos, foram homenageados na 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, realizada de 16 a 20 de novembro e Luziânia, na periferia de Brasília.

Conforme informações do Blog da Amazônia, num artigo escrito pelo professor José Ribamar Bessa Freire, coordenador de Estudos dos Povos Indígenas, na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pesquisador do programa de pós-graduação em Memória Social, da Unirio, é citado que os dois professores foram mortos por pistoleiros, na fronteira com o Paraguai.

Os dois índios foram homenageados com um minuto de silêncio por mais de 700 participantes que discutiram a organização de um sistema educacional responsável, hoje, por 2,7 mil escolas indígenas em todo o Brasil.

Em seu artigo, Freire questiona a morte de Genivaldo e Rolindo. A pergunta foi feita por ele a um professor guarani presente na conferência, amigo dos primos e colega deles na Escola Municipal Adriano Pires.

O índio contou a Freire que no dia 29 de outubro os dois integraram o grupo que tentou retomar a terra indígena Tekoha Ypo’i, onde estão enterrados seus avôs, e que hoje, com o nome de fazenda São Luís, está ocupada pelo fazendeiro Firmino Escobar. Essa foi a última aula que deram, segundo escrito no blog.

A entrada dos guarani na área indígena ocupada pela fazenda visava justamente acelerar o estudo antropológico, que representa a única forma de evitar os conflitos, porque é ele que vai determinar quais são as áreas indígenas e quais não são. No entanto, no dia 31, pistoleiros expulsaram os índios.

“Eles chegaram atirando balas de borracha. Derrubaram a gente no chão, bateram, chutaram, gritando: Aqui não é terra de bugre, essa terra tem dono”, disse o amigo dos índios Rolindo e Genivaldo a Freire.

Quase todos retornaram à aldeia Pirajuí, com ferimentos e hematomas no corpo. Menos os dois professores, que desapareceram.

A partir daí, toda a saga em busca dos primos foi narrada a Freire pelo amigo deles. Ele citou que no dia 7 de novembro foi encontrado o cadáver de um deles, Genivaldo, no córrego Ypo’i, enroscado ao galho de uma árvore, com duas perfurações no corpo. O outro, até hoje, não foi localizado.

Os índios encaminharam documento ao MPF (Ministério Público Federal), divulgado ontem, na comunidade virtual ‘literatura indígena’, pelo guarani Chamirin Kuati Verá, denunciando “a violência armada dos fazendeiros” e indicando ao procurador Thiago dos Santos de Luz os nomes dos criminosos Joanelse Pinheiro, Toninho e Blanco.

A Freire, o índio amigo dos primos desaparecidos pediu sigilo em relação ao nome, para que represálias sejam evitadas.

Conforme o índio, Genivaldo, 21 anos, casado, pai de um filho, ensinava informática. Seu primo, Rolindo, 28 anos, com quatro filhos, era professor da quarta série. Ambos estavam concluindo o Curso Ará Verá de Magistério Guarani-Kaiowá. Suas respectivas mulheres estavam em adiantado estado de gravidez.

Na conferência foi questionado também “o silêncio espantoso, quase cúmplice, da mídia de circulação nacional, tanto sobre o assassinato dos professores guarani, quanto em relação à Conferencia Nacional de Educação Indígena, que desenhou as diretrizes para as escolas indígenas”.

A Conferência aprovou a criação dos chamados ‘territórios etnoeducacionais’, que reorganiza a educação escolar bilíngue e intercultural em novas bases, respeitando a territorialidade dos povos indígenas.

De acordo com o professor José Ribamar, “o Brasil generoso e solidário precisa manifestar sua indignação, exigindo a punição dos criminosos e apoiando a luta dos guarani pela recuperação de suas terras”.

Ainda conforme as informações do artigo de José Ribamar, oito dias depois do assassinato de Rolindo, sua mulher, grávida, pariu um filho. Uma semana depois, foi a mulher de Genivaldo quem deu à luz uma criança.

Fonte: Campo Grande News

Povos indígenas de Guajará-Mirim fazem reunião com MPF e relatam falta de atendimento em Saúde e Educação

Em Guajará-Mirim, no último sábado, indígenas de 13 etnias fizeram reunião com representantes do Ministério Público Federal (MPF) para pedir que o órgão interceda junto às instituições públicas que são responsáveis por saúde, educação e fornecimento da suas carteiras de identificação, entre outros assuntos. Durante todo o dia, os indígenas relataram dificuldades de atendimento por parte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Secretaria de Ação Social daquele município, INSS e Fundação Nacional do Índio (Funai).

O 10º Encontro dos povos indígenas de Guajará-Mirim teve a participação da procuradora da República Lucyana Pepe, que coletou todos os relatos para adotar providências e exigir dos órgãos públicos responsáveis ações para atendimento aos indígenas.

A procuradora explicou que a carteira de identidade indígena fornecida pela Funai deixará de existir e que todos os indígenas serão identificados pelo registro na FUNAI e pelo Registro Geral (RG) fornecido pela Secretaria de Segurança Pública do estado. Ela ressaltou que está em fase de planejamento a realização de um Mutirão de Cidadania, em que diversos órgãos públicos participarão para solucionar problemas de identificação.

"A maioria dos indígenas não tem registro de seus nomes em suas línguas maternas porque este direito era negado nos cartórios, obrigando-os a usar um primeiro nome em português e o sobrenome da etnia. Defendemos que o nome deva ser registrado integralmente como é na língua nativa. Por isto estas revisões são necessárias", disse a procuradora. Ela acrescentou que também há casos de indígenas que não possuem o sobrenome de sua etnia, o que dificulta o atendimento por parte dos órgãos indigenistas.

As principais reclamações dos indígenas foram sobre a saúde. Segundo eles, a Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) tem se recusado a atender indígenas que não vivem em aldeias. Representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) destacaram que muitos dos índios passaram a viver na cidade porque foram expulsos de suas terras e que têm dificuldade para receber atendimento médico na Casai. A procuradora foi enfática ao afirmar que "a Casai não pode se recusar a atender índios 'não-aldeados', existindo inclusive decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que obriga o atendimento médico e odontológico a esses indígenas".

Ainda com relação à saúde, os indígenas pediram ajuda para ampliar o número de médicos na Casai, com a contratação de pelo menos mais dois profissionais. Atualmente há apenas por uma médica pediatra, que trabalha meio período. Relataram também dificuldades para o atendimento odontológico, fornecimento de medicamentos e vacinas. "A vacinação contra hepatite, por exemplo, não foi feita. E sabe-se que os indígenas são mais vulneráveis a determinadas doenças", informou o médico francês Gilles de Catheu, missionário da Igreja Católica que atua no Cimi em Guajará-Mirim.

A indígena Eva Canoé argumentou que a prestação de contas das verbas de saúde indígena deve ser mais fiscalizada. Ela defendeu que os conselheiros locais e distritais dos Conselhos de Saúde Indígena, responsáveis por aprovação das prestações de contas da Funasa, não sejam indígenas com vínculo empregatício com aquele órgão. Segundo Eva Canoé, é temerário que índios sejam ao mesmo tempo funcionários da Funasa e conselheiros responsáveis pela aprovação de contas da própria Funasa.

Eva também relatou que os 29 índios que foram aprovados no vestibular da Universidade Federal de Rondônia estão tendo dificuldade para freqüentar as aulas. O curso de licenciatura em educação indígena começou a ser ministrado hoje, no campus de Ji-Paraná, mas não há garantia de alimentação, hospedagem e translado de suas aldeias até o local.


Fonte: MPF/RO (www.prro.mpf.gov.br)

19 de nov. de 2009

Índios Atikum temem perder terras para os quilombolas

Dezesseis índios da tribo Atikum, realizam uma manifestação esta manhã na sede da Funai, na Avenida João de Barros. Caracterizados, cantando e dançando, eles representam os 1.500 indígenas de nove aldeias localizadas no município de Salgueiro, no sertão de Pernambuco.

O protesto tem o objetivo de defender a demarcação das terras indígenas, que fazem divisa com áreas quilombolas. Os índios temem que decretos a serem assinados amanhã, no Dia da Consciência Negra, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retirem parte da área do domínio dos Atikum.

Nesta sexta-feira, em solenidade na Praça Castro Alves, em Salvador, Lula deve assinar 29 decretos para a titulação de quilombolas de 13 estados.

Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

17 de nov. de 2009

Representantes de 250 povos debatem rumos da educação em Luziânia

A 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (Coneei), foi aberta nesta segunda-feira, 16, em Luziânia (GO) com um canto indígena que apresentou as regiões de cada etnia. Cerca de 800 representantes dos 250 povos que existem no Brasil estão reunidos esta semana para discutir os rumos da educação escolar indígena.

A Coneei reúne especialistas, educadores, alunos e comunidades indígenas de todo o país e se estenderá até o dia 20. O objetivo é avaliar a realidade da educação escolar indígena brasileira, ofertada em 2.480 escolas, e consolidar um pacto nacional para melhorar a oferta e a qualidade do ensino aos povos indígenas.

“A grande expectativa do MEC para este encontro é ouvir as preocupações, reinvindicações e perspectivas de cada povo aqui representado”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele acrescentou que são grandes os desafios na área da educação escolar indígena. “Cada aspecto da educação tem que ser considerado de maneira diferente para cada etnia: material didático, merenda, transporte e licenciatura”.

De acordo com o ministro, a partir da conferência, será possível articular melhor os três níveis de governo – União, estados e municípios – e direcionar os investimentos para a educação indígena. Além disso, segundo Haddad, os debates fornecerão subsídios para a Conferência Nacional de Educação (Conae) do ano que vem, em que será discutido novo Plano Nacional de Educação.

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, destacou o protagonismo dos indígenas sobre suas aspirações e objetivos. “A atuação dos povos, em conjunto com o Estado, garantirá o direito à educação diferenciada, que leve em consideração cada costume, cada tradição e cada língua”, afirmou.

O encontro é realizado pelo Ministério da Educação, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), e a União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime).

Ministério da Educação

Morre o violonista Nato Lima, dos Índios Tabajaras

AE - Agencia Estado

NOVA YORK - O violonista brasileiro Nato Lima, da dupla Los Índios Tabajaras, morreu anteontem em Nova York, aos 91 anos. A informação foi divulgada pela família em uma nota à imprensa. Ele sofria de câncer no estômago. Ao longo de 50 anos, Lima gravou mais de 70 álbuns com o irmão Antenor, angariando fãs nos Estados Unidos, onde abriram portas para outros músicos brasileiros.




Indígenas e nascidos no interior do Ceará, adotavam também os seus nomes tradicionais, Muçaperê e Herundy, que significam, em tupi, terceiro e quarto. A dupla começou a carreira no Rio de Janeiro, antes de partir para o exterior, onde assinou, nos anos 1940, um contrato com a gravadora RCA. Um de seus maiores sucessos é "Maria Elena". Logo após o anúncio da morte, amigos do artista começaram a organizar um concerto em sua homenagem, ainda sem data e local confirmados.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

14 de nov. de 2009

Justiça obriga fazendeiros a indenizarem povos indígenas

Fazendeiros que retiraram madeira de terra indígena no Acre terão que pagar R$ 15 milhões.


Foto: Francisco Chagas

Redação,
Do oriobranco.net


A Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu manter, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), condenação milionária imposta a madeireiros do norte do país que retiraram, ilegalmente, madeiras da terra indígena Kampa, na região do Rio Amônia. Por unanimidade, os ministros da 2ª Turma do Tribunal consideram válida decisão das instâncias ordinárias que determinaram aos réus o pagamento de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Este valor foi estipulado como indenização pelos 1.374 metros cúbicos de mogno e 1.374 metros cúbicos de cedro, extraídos durante os anos de 1981, 1982, 1985 e 1987.

Os madeireiros foram condenados, ainda, a pagarem o valor de R$ 3 milhões a título de indenização por danos morais causados aos membros da comunidade indígena Kampa, e de aproximadamente R$ 6 milhões ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, para custear a recomposição ambiental na área explorada. Em valores atualizados, o montante da condenação soma aproximadamente R$ 15 milhões. A Ação Civil Pública contra os exploradores foi movida pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Julgamento no STJ -No julgamento do Recurso Especial os réus alegaram que a Justiça Federal era incompetente para julgar a demanda. No mérito, solicitaram a redução do valor da indenização e requereram que o processo foi considerado prescrito.
Esses argumentos foram rebatidas pela Funai, representada pela Adjuntoria de Contencioso da Procuradoria-Geral Federal (PGF). Em voto favorável à Fundação e ao MPF, a ministra relatora, Eliana Calmon, afastou os argumentos apresentados pelos madeireiros e ressaltou que a reparação de danos ao meio ambiente não prescreve, ou seja, pode ser requerida a qualquer tempo.

No que diz respeito à intenção dos réus de reduzir o valor da condenação milionária, a ministra ressaltou que os valores arbitrados pela primeira instância estão de acordo com a magnitude da degradação ambiental praticada com a invasão de terra indígena, abertura irregular de estradas, derrubada de árvores e retirada de madeira. A relatora lembrou que, de acordo com a Súmula 7, do STJ, não é possível revisar, em recurso especial, entendimento judicial que foi firmado com base em provas juntadas ao processo.

O STJ informou que nenhum dos réus impugnou objetiva e especificamente os valores fixados na sentença de primeiro grau. Isso impede a apreciação dessa matéria pelo Tribunal, nos termos da Súmula 284, do Supremo Tribunal Federal.
A Adjuntoria de Contencioso é unidade da PGF, órgão da AGU. Ref.: Recurso Especial nº 1.120.117/AC

11 de nov. de 2009

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE

O dia especial

Sou obrigado a enfiar a modéstia no saco de brinquedos e abrir o maior sorriso dos dias especiais. Muita coisa boa está prevista para me acontecer hoje. Primeiro, na Arena das Histórias, devo abraçar a Confraria das Letras em Braille, que faz emocionantes transcrições para leitores cegos. Um pouquinho depois, vou receber na Casa do Patrono estudantes que vêm de Nova Bassano.

O resto da tarde será ainda mais glorioso. Às 18h, no estande da Assembleia Legislativa junto ao calçadão da Rua da Praia, passarei à condição de laureado com a Medalha do Mérito Farroupilha, mais importante comenda concedida pelos deputados do Rio Grande do Sul. Por essa o Piá Farroupilha não esperava.

Medalha no peito, corro para o primeiro andar do Memorial. Preciso estar ao lado de Jane Tutikian, Alcione Araújo e Daniel Munduruku no lançamento de nossos livros pela editora Edelbra. Um Guri Daltônico, no aniversário de 25 anos, reaparece junto com os jovens espertos da Jane, o Papai Noel divertido do Alcione e o universo verde do Daniel, que escreve sobre a dignidade dos índios.

Por fim, na Tenda de Pasárgada, a partir das 20h serei personagem na dramatização de trechos de Admissão ao Ginásio. Coitado do patrono, paciente do cardiologista Eduardo Barbosa, está com o coração nas nuvens e 10 miligramas por dia de Marevan para segurar o coágulo de estimação.

CARLOS URBIM

10 de nov. de 2009

Notícias da 55º Feira de Porto Alegre

Escritor indígena encontra crianças da cidade

Luis Ventura, Divulgação  /
Daniel Munduruku durante sua palestra na Feira
Foto: Luis Ventura, Divulgação

Daniel Munduruku contou histórias do seu povo

Com palavras totalmente desconhecidas do “povo da cidade”, o escritor e contador de histórias indígena Daniel Munduruku cumprimentou a criançada que o aguardava na Arena das Histórias, no Cais do Porto, na manhã de hoje.

– Bom dia a todos os meus amigos aqui presentes. Espero que este encontro seja tão bom para vocês quanto para mim! Vocês estão bem? – disse no dialeto Munduruku, povo do qual Daniel faz parte.

Encantados – e um pouco confusos – com as palavras do escritor, os jovens acabaram por aprender expressões da língua indígena como “bom dia” e “estou bem”. Autor de obras de temática indígena, Daniel defendeu a utilização correta da palavra índio:

– Somos considerados indígenas porque nossos povos já estavam no Brasil antes dos portugueses chegarem aqui, mas somos todos diferentes, assim como os caingangues e os guaranis – explicou.

Daniel disse que os povos indígenas não têm o hábito de fazer cumprimentos corporais, não gostam do contato físico.

– Os indígenas se cumprimentam com olhos nos olhos. Nossos avós dizem que as únicas partes do corpo que não mentem são os olhos.

Com uma população estimada em pouco mais de 10 mil integrantes, o povo Munduruku vive no Pará, no coração da Floresta Amazônica, e já registra dois séculos de contato com a civilização, ou com “o homem da cidade”, nas palavras de Munduruku. Mas nem por isso abrem mão de seus hábitos e costumes. Por exemplo: eles não seguem o tempo do relógio ou um calendário, mas sim o da natureza de cada um. Comem quando sentem fome, dormem quando sentem sono, e assim por diante.

CLICRBS

7 de nov. de 2009

Jogos dos Povos Indígenas terminam neste sábado

Lancepress

Mais de 1.300 indígenas participam, na cidade de Paragominas, no estado do Pará, da 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, que conta com dez modalidades.

A competição, na qual participam representantes de 33 etnias, vestindo trajes tradicionais e com rostos e corpos pintados, inclui algumas modalidades esportivas características destes povos como: corridas com troncos, o arco e flecha ou diferentes estilos de luta corporal, e também conta com o futebol.

O cenário dos Jogos dos Povos Indígenas é a "Vila Olímpica" de Paragominas, que tem capacidade para até 7 mil espectadores.

Os participantes são acompanhados por suas famílias, incluindo as crianças pequenas.

Junto às provas esportivas, o programa dos Jogos Indígenas também conta com exibições e apresentações culturais das diferentes etnias que participam do evento.

A cerimônia de encerramento dos Jogos acontecerá amanhã.

A edição dos Jogos deste ano é considerada pelos responsáveis da organização como "verde", já que o município de Paragominas reflorestou nos últimos anos até 50 milhões de árvores nativas da região.

5 de nov. de 2009

Yanomamis brasileiros e venezuelanos cortam relações por causa da nova gripe

Governo da Venezuela confirmou oito mortes pela doença entre índios.
Funasa diz que vírus não chegou aos yanomamis do Brasil.

Mariana Fontes e Iberê Thenório - Do Globo Amazônia, em São Paulo

Por temer o contágio pelo vírus da gripe A (H1N1), os índios yanomamis brasileiros evitam visitar seus parentes nas aldeias venezuelanas. Segundo o líder indígena Davi Yanomami, há duas semanas, os índios de Platanal, no sul da Venezuela, enviaram mensagens informando que muitos já estavam infectados pela doença no país vizinho.


“Nossos parentes pediram para a gente se preparar para a gripe e não ir para lá. Agora, ninguém está visitando ninguém”, conta.

Foto: Fiona Watson/Survival

Segundo a Funasa, há cerca de 18 mil yanomamis no Brasil. Para não espalhar a nova gripe, eles deixaram de cruzar a fronteira para visitar parentes. (Foto: Fiona Watson/Survival)

De acordo com o Ministério do Poder Popular para os Povos Indígenas da Venezuela, oito índios morreram infectados pela gripe A no sul do país, nos últimos 15 dias, e outros 17 casos da doença foram confirmados na Venezuela.

A Funasa, responsável pela saúde indígena no Brasil, descarta que o vírus da nova gripe esteja circulando entre os yanomamis do Brasilde Roraima e do Amazonas, que somam cerca de 18 mil pessoas. De acordo com a fundação, uma barreira sanitária natural dificulta o contato dos indígenas brasileiros com os venezuelanos possivelmente infectados.

O distanciamento entre os índios do Brasil e da Venezuela representa uma mudança nos costumes desse povo.os yanomamis. “A vida social dos yanomamis é de visitar malocas que ficam a dias de caminhada pela floresta. A fronteira [entre Brasil e Venezuela] para eles não faz sentido", diz Fiona Watson, ativista da ONG inglesa Survival International, especializada na defesa de povos indígenas.

Foto: Arte/G1

Terra indígena dos yanomamis brasileiros fica na fronteira com a Venezuela, próxima às aldeias onde houve mortes e infecções pela nova gripe. (Foto: Arte/G1)

Baixa imunidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as populações indígenas como grupos que enfrentam um perigo maior de hospitalização e morte, quando infectadas pelo vírus H1N1. De acordo com a OMS, estudos apontam um risco de quatro a cinco vezes maior entre esses povos, em relação à população em geral.

O médico especialista em doenças infecciosas, Ulisses Confalonieri , professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que os yanomamis são mais suscetíveis a certas doenças, porque a imunidade depende do contato por um longo período com vírus e bactériascontinuado com agentes que causam as infecções.

“No Brasil, muitos jovens morreram infectados pela gripe A, porque nunca tinham haviam tido contato com o vírus H1N1. Com os yanomamis, pode acontecer o mesmo. Como eles vivem isolados da sociedade, em geral, são menos resistentes a essa doença”, diz.

Preocupado com a disseminação do vírus entre os yanomamis brasileiros, apesar de eles já terem se distanciado dos parentes venezuelanos, o líder indígena Davi Yanomami diz que as autoridades precisam estar alertas.

“Eu quero que os médicos brasileiros fiquem prevenidos e preparados para não faltar remédio e equipamentos quando a gripe chegar. Nosso governo tem que ficar atento para não deixar nossas crianças e o nosso povo morrerem”, diz.

Em nota, a Funasa informou que mais de 260 profissionais da saúde atendem os yanomamis em Roraima e no Amazonas, e que um novo alerta foi dado às equipes para que reforcem a atenção com relação às medidas preventivas para os povos indígenas. A fundação disse, ainda, está preparada com avião e helicóptero, caso precise fazer remoção de indígenas para tratamento em Boa Vista, a capital mais próximana capital.

Em Mato Grosso, índios ganham biblioteca de palha com 400 livros

Projeto 'O Caminho da Leitura' foi premiado há duas semanas.
Quase 300 índios se reúnem para ouvir histórias aos sábados.

Érica Polo Especial para o G1, em São Paulo


Crianças cultivam o hábito da leitura. (Foto: Divulgação)

Com o objetivo de combater o analfabetismo e valorizar a leitura, a aldeia Campinas, no município de Campinápolis, em Mato Grosso, ganhou uma biblioteca feita de palha este ano. Os próprios moradores a construíram em apenas um dia e o idealizador do projeto, o índio Ciro Sahairo, mora na tribo.

"Leio para quem quer ouvir as histórias aos sábados", conta Ciro, que é professor. Nas estantes, 400 livros sobre literatura, história de outros países e publicações infantis distraem os índios interessados por conhecimento. A biblioteca não alimenta só a curiosidade desta comunidade, mas também está à disposição de mais sete aldeias vizinhas. A soma dá um público de quase 300 índios.


Sahairo é o responsável pelo projeto, batizado de “O Caminho da Leitura”, e um dos vencedores do prêmio Vivaleitura 2009, iniciativa dos Ministérios da Educação e da Cultura. A premiação ocorreu em São Paulo, há cerca de duas semanas.


Quando a idéia surgiu, em janeiro, o professor Sahairo visitava as famílias da região e lia para elas. Ao perceber que o interesse era grande, achou que seria melhor montar a biblioteca, construída em abril. Mesmo que a leitura aconteça somente aos sábados, os livros ficam à disposição da comunidade todos os dias. O projeto contou com o apoio de outros professores e caciques da região, conta Rogério Prepe, que trabalha com Sahairo em uma ONG local. Os livros que fazem parte do acervo foram doados. “Alguns foram até tirados do lixo”, disse Prepe.


Os idealizadores do projeto querem construir uma biblioteca maior e que possa estar ao alcance das 143 aldeias presentes no município de Campinápolis. Como o prêmio recebido recentemente, de R$ 30 mil, não é suficiente, os índios vão procurar apoio do governo do estado.

Serviço:

Os interessados em fazer doações podem procurar por Rogério Prepe no telefone (66) 3437-1925 ou enviar correspondência para Rua José Viola, 1.145, CEP 78630-000, Campinápolis, Mato Grosso

2 de nov. de 2009

Greenpeace e Kayapó se unem contra Belo Monte

CONVITE
Se Lobão não vai ao Xingu, o Xingu vem até Lobão
Mais de 200 lideranças indígenas estão reunidas na Terra Indígena Capoto/Jarina, no entroncamento do rio Xingu e a MT 322 (antiga BR 80) desde a última quarta-feira (28/10) para protestar contra a implantação da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. A manifestação foi convocada em repúdio às declarações do ministro Edson Lobão, que disse ter a sensação de que há "forças demoníacas que puxam o país para baixo, impedindo que haja avanços" ao referir-se ao projeto de Belo Monte. Representantes do governo – Ministério Público Federal (MPF), Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ibama e Funai –, além da imprensa em geral, também foram convidados. A reunião segue até o dia 04/11...

O Greenpeace aceitou o convite e vai documentar a manifestação, colhendo depoimentos de lideranças indígenas e não-indígenas sobre os impactos socioambientais do projeto, com o objetivo de reforçar o trabalho das instituições envolvidas na defesa do Xingu. Para dar amplitude à voz que vem do Xingu junto ao governo federal, as imagens e depoimentos captados serão projetadas no prédio do Ministério das Minas e Energia, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na próxima quarta-feira (04/11), a partir das 18h30.

O Greenpeace acredita que, além dos impactos socioambientais significativos do projeto, os mecanismos legais previstos no processo de licenciamento não vêm sendo respeitados. Assim como também não foi considerada a manifestação de vários especialistas de renome, que produziram parecer apontando as deficiências, riscos e danos do projeto. Acima de tudo, os povos indígenas do Xingu historicamente contrários ao projeto precisam der ouvidos e respeitados.

Por não estar envolvido diretamente na questão de Belo Monte, nosso apoio, nesse momento, espera servir como um megafone da voz do Xingu voltado diretamente ao governo federal. As demandas de mídia serão repassadas, prioritariamente, para os povos indígenas e as comunidades atingidas, além de outras organizações que integram o Movimento Xingu Vivo ou atuam no tema.

Sua participação é muito importante! Contamos com a sua presença.

Contato: Raquel Carvalho 92-81144516

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Carta de Protesto dos Caiapó Contra Usina de Belo Monte

Nós lideranças indigenas mebengokre(Kayapó),Xavante,Yudja,Kawaiwete,Kisedje,Kamayura,Kuikuro,Ikpeng,Panará,Nafuka,Tapayuna e demais lideranças habitantes da bacia do Rio Xingu e das regiões circunvizinhas, reunidos em uma assembleia na aldeia Piaraçu( TI Capoto Jarinã) desde o dia 28/10/2009, não aceitamos a construção de Belo Monte e de qualquer hidreletrica na bacia do Rio Xingu.


Repudiamos o parecer Tecnico da Fundação Nacional do Indio (FUNAI),MEMORANDO n° 709/GAB/CGPIMA/09,referente ao componente Indigena do Relatorio de Impacto Ambiental (RIMA) do empreendimento denominado aproveitamento hidreletrico Belo Monte (AHE Belo Monte).


Ao contrario do que consta neste parecer, no qual a Funai" considera que o empreendimento em quetão é viável", o relatorio do painel de especialistas que analisou o EIA-RIMA,deixa evidente a inviabilidade economica, ambiental e social deste
empreendimento. No movimento que está sendo realizado na aldeia Piaraçu é contra não à construção da barragem Belo Monte.


Diante dessa reunião nós lideranças jovens não aceitamos que sejam construida a barragem no Rio Xingu,no Municipio de Altamira-PA.Estamos paralisando a atravessia da Balsa que atravessa o Rio Xingu,não sabemos até quando que vai voltar normalizar a atravessia,solicitamos aos autoridades que compreendem as nossas reivindicações e manisfestações que está acontecendo neste exato momento aqui na aldeia Piaraçu,nós lideranças juntos com os caciques ficamos muitos indignados com o pronunciamento do Ministro Edson Lobão,ele disse que "FORÇAS DEMONÍACAS QUE IMPEDEM A CONSTRUÇÃO",queremos que o Ministro chegar-se aqui falar isso para os caciques e lideranças assim pessoalmente,finalizando a esta carta espero que divulgue esta minha fala escrito.


Matudjo Metuktire
Chefe de Setor de Assuntos Indigenas
Prefeitura Municipal de São José do Xingu

1 de nov. de 2009

Ritual do fogo marca a abertura dos Jogos dos Povos Indígenas

Da Redação
Agência Pará

Com uma oração feita pelos índios Tembé, anfitriões da festa,foi aberta no Parque Ambiental de Paragominas, sudeste do Pará, no início da noite de sábado (31), a décima edição dos Jogos dos Povos Indígenas, promovida pelo Comitê Intertribal. Todas as demais etnias, com suas pinturas e adereços característicos, deixaram as ocas para dançar, cantar e tocar instrumentos de percussão.

Os Assurini, por exemplo, exibiram instrumentos de sopro de um metro e meio, feitos em bambu. Com a lua cheia já despontando, a poeira levantou com o movimento firme e ritmado dos pés descalços.

Jornalistas e fotógrafos não tiveram acesso a esse momento da festa. Apenas os atachê (ajudantes) e os organizadores ganharam permissão para ver o ritual coletivo de celebração. Aos poucos, os índios se organizaram em fila para entrar na arena. Na saída da aldeia instalada ao lado do Parque, dezenas de fotógrafos profissionais se concentraram para conseguir as primeiras imagens.

Reunindo quase 10 mil pessoas nas arquibancadas, a cerimônia começou às 18h20, com o anúncio das etnias. Os Tembé, que têm uma reserva em Paragominas, foram os primeiros a entrar, seguidos pelas delegações Kaiapó (MT), Kaigang (RS), Xokleng (SC), Xavante (TO)e outras representantes de todas as regiões do país.

Celebração - Após as apresentações das características de cada etnia foi realizada a corrida de toras. Duas equipes Xavante, sempre se revezando, deram três voltas na arena carregando uma tora de buriti de 120 quilos. A equipe número um ganhou, mas as duas celebraram, pois nos Jogos dos Povos Indígenas não há placar. "Aqui, mais importante que os vencedores é estar juntos, celebrando", explicou o apresentador do evento, Pacífico Júnior, com a experiência de quem já participou de todas as edições dos Jogos.

Os Terena, etnia do embaixador para as Nações Unidas (ONU), Marcos Terena, um dos idealizadores dos jogos, dançaram no ritual do fogo, em volta de uma grande fogueira. As piras dos totens, símbolos dos Jogos, foram acesas, junto com uma queima de fogos. A cerimônia de abertura terminou por volta de 20h30.

Jaqueline Araújo da Conceição, 21 anos, estudante do 3º ano do ensino médio, que assistiu à abertura ao lado das irmãs e de uma tia, gostou da cerimônia. "Adorei! Ainda não tinha visto um espetáculo tão bonito", afirmou.

Elielton Amador - Secom

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Em fila única, os índios entraram na arena do Parque Ambiental na abertura oficial dos Jogos dos Povos Indígenas

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O colorido das pinturas e adereços invadiu a arena do Parque Ambiental de Paragominas, na cerimônia de abertura dos Jogos Indígenas

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Índios Xavante fizeram a tradicional corrida de tora, carregando pela arena um tronco de buriti de 120 quilos

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Os índios Terena acenderam os totens olímpicos e dançaram no ritual do fogo, um dos pontos altos da festa de abertura dos Jogos Indígenas

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A beleza da dança em volta da fogueira chamou a atenção do público na arena de Paragominas, na cerimônia de abertura dos Jogos Indígenas


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