30 de set. de 2009

Retrato da leitura no Brasil e cultura “Nambiquara” são temas de palestras

Além de adquirir livros, conhecer escritores importantes da nossa literatura e participar de oficinas, os visitantes da FLIMT também podem aproveitar a programação para construir conhecimento sobre áreas específicas. Este é o objetivo das duas palestras agendadas para a tarde da terça-feira (6), uma com a escritora e pesquisadora Ana Maria Ribeiro, e outra, com o jornalista e escritor Galeno Amorim.

A primeira palestra está marcada para as 14h, no estande externo na Praça da República. O tema “Retrato da leitura no Brasil” será ministrado por Galeno Amorim, jornalista com cerca de 20 anos de experiência em importantes veículos nacionais, como O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado e Rede Globo. Autor de dez livros, a maioria deles para crianças, Galeno também foi professor na Universidade de Ribeirão Preto e dirigente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, ocupações que contribuíram para a construção do conhecimento sobre a “leitura no Brasil”. A palestra, ainda será aberta pela professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nelilda Ormond Braga, que contribuirá com o tema apresentado.

Já às 18h, o assunto será a cultura do povo indígena brasileiro Nambiquara. Tratada pela pesquisadora da Fundação Nacional do Índio (Funai), e doutora em história, Ana Maria Ribeiro, a palestra “Além do Artefato: Cultura material e imaterial Nambiquara” terá a duração de uma hora, e é destinada a estudantes, professores e pesquisadores.

Ana Maria Ribeiro é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e também do Conselho Editorial da Universidade Federal de Mato Grosso. Dentre suas cinco obras publicadas destacam-se “Senhores da memória: uma história do Nambiquara do Cerrado (1942-1968)” e “Hatisu Nambiquara: lembranças que viraram histórias”.

Fonte: Gazeta Digital

Feira do Livro Indígena reúne expositores de todo Brasil

A partir da próxima terça-feira (06.10) os visitantes da Feira do Livro Indígena vão poder conhecer obras literárias de várias editoras, distribuidoras e livrarias nacionais e da região.



A partir da próxima terça-feira (06.10) os visitantes da Feira do Livro Indígena vão poder conhecer obras literárias de várias editoras, distribuidoras e livrarias nacionais e da região. O estante localizado no estacionamento do Palácio da Instrução vai atender vinte e sete expositores, entre eles serão doze autores independentes compondo a equipe.



O evento vai contar com editoras que possuem grande número de obras escritas por índios com a temática indígena e as publicações do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas, o Nearim, parceiro da Flimt.



As escolas e toda criançada que visitar a feira terá a oportunidade de conhecer obras específicas da literatura infantil. Durante o evento ocorrerão promoções, lançamentos literários e descontos nos preços de venda dos livros.




Fonte: ExpressoMT

28 de set. de 2009

Feira do Livro Indígena oferecerá oficinas gratuitas

Professores, estudantes e o público em geral terão a oportunidade de participar de oficinas temáticas durante a Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT). As atividades serão oferecidas gratuitamente e terão 30 vagas. As inscrições serão feitas meia hora antes de cada atividade.

Na quinta-feira (8), Às 10h acontece na Tenda externa (localizada na Praça da República em frente ao Correio) a oficina “A arte Gráfica dos Povos originários”. A oficina será ministrada pelos indígenas Cleomar Umutina, Luciana Kaingang, Xohã Karajá e Yaguarê Yamã.

Às 15h, será a vez da Oficina Literária dos Escritores e artistas Indígenas, ministrada pela escritora e ilustradora Heloisa Prieto. Essa oficina será direcionada aos participantes indígenas. Na Sexta-feira (9), às 14h30 no Estande do Nearin acontece mais uma rodada da oficina “A arte Gráfica dos Povos originários com Xohã Karajá, Elias Maraguá e Luciana Kaingang.

Fonte: Gazeta Digital

26 de set. de 2009

Parceria entre prefeitura e Funai garante produção agrícola na comunidade

Da PMR

Auxiliar na produção da lavoura indígena da Aldeia Tadarimana. Este foi o objetivo do encontro realizado nesta sexta-feira (25), entre a Secretaria de Agricultura e Pecuária de Rondonópolis, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a comunidade da aldeia. O secretário Valdir Correia firmou a parceria com a Funai e cedeu máquinas e produtos para que os índios não percam o período de plantio e iniciem os trabalhos no mês de outubro.

Valdir Correia anuncia que na próxima semana dois tratores vão fazer a limpeza dos terrenos e o preparo do solo. “São 33 hectares para a produção de arroz, cinco para o milho, além de mais um espaço para o cultivo de cana-de-açúcar e mandioca”, fala.

“A manutenção dos terrenos e a colheita da lavoura vai ficar por conta da comunidade indígena”, lembra o secretário. De acordo com Valdir, o município vai estudar o projeto orçado em R$ 40 mil entre sementes e fertilizantes, com a representante da Fundação e avaliar quais serão as funções que a Funai deve desenvolver.

A administradora do Núcleo de Apoio Local da Funai em Rondonópolis, Ana Clara de Oliveira, reconhece que a Fundação passa por uma nova estruturação. “O projeto para a produção da lavoura indígena está passando pelo pregão, mas vamos ajudar no que for possível”, disse.

Para o cacique da aldeia Tadarimana, Cícero Kudoropa, a parceria é válida. “O que não queremos é que aconteça como na última colheita, onde só o município nos ajudou. A Funai tem que auxiliar também”, conclui.

23 de set. de 2009

Índios Tembé terão acesso a R$ 1,4 milhão para projetos agroecológicos

Da Redação
Agência Pará

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Representantes dos Tembé presenciaram um momento único na história do Pará, quando recursos públicos beneficiarão o povo do Alto Rio Guamá

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Ana Júlia Carepa assinou o convênio e destacou sua importância como estratégia de desenvolvimento sustentável para os povos da floresta

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Alex Keuffer, diretor do Instituto Vitória Régia, no momento da assinatura do convênio, cujas ações estarão a cargo da instituição

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O povo Tembé, da Terra Indígena Alto Rio Guamá, no nordeste paraense, receberá o apoio do governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), para o desenvolvimento de programas de geração de renda e segurança alimentar que beneficiarão 250 famílias, num total de 1.500 pessoas.

O convênio de cooperação financeira entre o governo do Estado e o Instituto Vitória Régia, que vai executar o programa, foi assinado pela governadora Ana Júlia Carepa; pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Aníbal Picanço, e por Alex Keuffer, representante da instituição, nesta terça-feira (22), no Palácio dos Despachos, em Belém. O documento teve por testemunhas o presidente da Fundação Nacional do Índio, Márcio Meira, e o cacique Valdeci Tembé, da Aldeia Sussuarana, no município de Paragominas.

O Programa Tenetehara (denominação do povo Tembé do Pará) é uma recomendação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério Público Federal no Pará. Com investimento total de R$ 1,4 milhão, a maior parte dos recursos será repassada pela Sema, resultante de leilões de madeira apreendida na própria Terra Indígena Alto Rio Guamá, que vive sob forte pressão da atividade madeireira ilegal.

"É histórico o que acontece hoje. É a primeira vez que o governo do Estado assina um convênio para trabalhar projetos que gerem renda dentro da comunidade. Estamos felizes e esperamos que outras fontes possam ser aplicadas, porque a nossa situação econômica é mínima e por isso os índios acabam se deixando levar por situações ilegais", disse o cacique Valdecir Tembé.

O presidente da Funai, Márcio Meira, elogiou o pioneirismo da iniciativa do governo do Pará, ao dar retorno, pela primeira vez, à comunidade indígena de recursos que foram retirados ilegalmente de suas terras. "Isso tem um efeito pedagógico, porque resulta de uma apreensão feita a partir de uma operação envolvendo Polícia Federal, Polícia Ambiental do Pará, Funai, o povo Tembé e Ibama, que servirá de exemplo para que os madeireiros ilegais saibam que a repreensão a eles não será aliviada. Também é importante porque os recursos serão aplicados de forma participativa, num plano construído em conjunto, em que a comunidade vai acompanhar, saber como e onde estão sendo aplicados", frisou Meira.

Dignidade - O procurador da República, Alan Mansur, que representou o Ministério Público Federal na cerimônia, destacou a importância da ação. "É claro que ninguém quer que haja desmatamento, mas havendo, retornar os recursos conseguidos a partir dos leilões para as comunidades é uma oportunidade de recompor parcialmente a dignidade delas", ressaltou.

Diante de representantes de várias aldeias Tembé e da lembrança do presidente da Funai, de que cerca de 23% das áreas de florestas do Pará são protegidas por povos indígenas, a governadora Ana Júlia Carepa destacou que o convênio é também uma demonstração da estratégia do governo estadual de criar alternativas ao desmatamento, que gerem desenvolvimento sustentável para os povos da floresta. "Também foi minha orientação, quando fizemos o convênio com o Ibama para o repasse de parte dos recursos obtidos nos leilões de madeira apreendida, que isso retornasse para investimento nas comunidades atingidas pela exploração ilegal", disse ele.

Atividades - A Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Prefeitura de Paragominas também custearão partes do programa, que terá duração de 12 meses e prevê a implantação de atividades agroecológicas, como a piscicultura, apicultura e avicultura, voltados à segurança alimentar, além de artesanato.

O programa estabelece ainda a gestão dos recursos naturais com ações de manejo florestal não madeireiro (frutas, essências florestais etc.), recuperação de áreas alteradas, com implantação de sistemas agroflorestais, manejo de plantas medicinais e formação de agentes ambientais.

Os produtores indígenas receberão ainda qualificação técnica e de organização social, possibilitando a gestão dos projetos e o fortalecimento das organizações sociais. O programa será implantado em oito etapas, dentre as quais a implantação de 250 projetos familiares de produção agroecológica, como roças e pomares, criação de animais de pequeno e médio porte, produção apícola, implantação de tanques-redes, manejo de açaí, aproveitamento de andiroba, copaíba e outras espécies florestais. Todos os projetos terão assistência técnica permanente e serão monitorados para garantir a sustentabilidade.

Aline Monteiro e Ivonete Motta - Secom

21 de set. de 2009

FLIMT terá participação de Mato Grosso do Sul



Flimt

Está confirmada a participação do Mato Grosso do Sul na Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT), que será realizada de 06 a 10 de outubro no Centro Histórico de Cuiabá. A confirmação da participação foi feita neste domingo (20.09) pela Assessoria da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC/MT).

Mato Grosso do Sul será representado na FLIMT pela Fundação Cultural de Mato Grosso do Sul e a Universidade Federal (UFMS) e ainda há a possibilidade da Universidade Católica Dom Bosco e o Pontão de Cultura Guaicuru também participarem do evento.

A FLIMT

A Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT) é um evento voltado para a divulgação da cultura indígena, onde serão realizados lançamentos e leituras de livros, encontro de escritores, contação de mitos e histórias, oficinas, palestras, pinturas corporais e sarau.

A realização da feira foi instituída pelo Governo de Mato Grosso no dia 12 de agosto de 2009, no qual sua organização e divulgação ficou a cargo da Secretaria de Estado de Cultura (SEC/MT).

Ao todo estão previstas a exposição de aproximadamente 200 títulos de autores indígenas regionais e nacionais de 700 etnias durante os cinco dias de evento no Histórico de Cuiabá, no Palácio da Instrução e Praça da República.

Confira a programação da FLIMT:

06 de Outubro – Terça

MANHÃ

9h - Cerimônia de Abertura
Apresentação indígena do grupo Nação Nativa
Lançamento do Concurso de Literatura Indígena
Lançamento da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas
Lançamento da Academia dos Saberes Indígenas
Com as presenças de Ailton Krenak, Alvaro Tukano, Marcos Terena, Estevão Taukane, Joaquim Crixi Munduruku, Daniel Munduruku.
Abertura do Seminário de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso

TARDE

14h00

PINTURA CORPORAL
Elias Maraguá e Xohã Karajá

14h
SEMINÁRIO DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS
Mesa: Salime D. Marques, José Geraldo Riva, Dênio Peixoto Ribeiro, Nádia Ferreira Montenegro

14h30 / 17h
CAXIRI LITERÁRIO
Público: aberto
Tema: Literatura Indígena: o tênue fio entre escrita e oralidade
Mediador:
Daniel Munduruku
Expositores:
Graça Graúna
Manoel Moura Tucano
Eliane Potiguara
Yaguarê Yamã

17h
LANÇAMENTOS
Cartões postais Nambikwara
O Banquete dos Deuses - Daniel Munduruku
Antologia de textos indígenas (a confirmar)

19h
ENCERRAMENTO
Sarau teatral
Grupo Nação Nativa

07 de Outubro – Quarta

MANHÃ

09h
CAFÉ LITERÁRIO
Público: educadores
Tema: A literatura e a Ilustração infanto-juvenil na sala de aula: caminhos possíveis.
Mediadora: Yasmin Nadaf
Expositores:
Jô Oliveira – Ilustrador
Maurício Negro – Escritor e Ilustrador
Heloisa Prieto – Escritora
Severiá Idioriê – Professora Indígena
Anna Claudia Ramos - Escritora e Presidente da AEI-LIJ.

09h
RODA DE HISTÓRIAS INDÍGENAS
Ely Macuxi e Eliane Potiguara

11h
PINTURA CORPORAL
Cleomar Umutina e Rony Wasiry

TARDE

14h
PINTURA CORPORAL
Jones Munduruku e Luciano Umutina

14h30
PERFORMANCE ARTÍSTICA
Mauricio Negro e Luciana Kaingang

15h00
RODA DE CONVERSA
Heloisa Prieto e Anna Claudia Ramos

15h30
RODA DE HISTÓRIAS INDÍGENAS
Yaguarê Yamã e Cleomar Umutina

17h
LANÇAMENTO
Estranhas Desventuras - Heloisa Prieto – Companhia das Letrinhas
Criaturas de Ñanderu – Graça Graúna - Editora Amarylis - um selo editorial da editora Manole

19h
ENCERRAMENTO
Sarau Poético com Carlos Tiago Saterê e Graça Graúna e Grupo Nação Nativa

08 de Outubro – Quinta

MANHÃ

9h
CAXIRI LITERÁRIO
Tema: Movimento Indígena e Educação
O movimento indígena como um importante instrumento na formação da consciência brasileira
Mediadora: a definir
Expositores: Ailton Krenak
Estevão Taukane
Álvaro Tukano

09h
RODAS DE HISTÓRIAS INDÍGENAS
Olivio Jekupé Guarani

09h
OFICINA
A arte Gráfica dos Povos originários
Cleomar Umutina , Luciana Kaingang e Xohã Karajá

10h
LANÇAMENTO SEDUC
UNEMAT

10h30
PERFORMANCE ARTISTICA
Jô Oliveira e Yaguarê Yamã

11h30min
RODA DE CONVERSA
Olivio Jekupé e Álvaro Tukano

TARDE

14h
PINTURA CORPORAL
Elias Maraguá e Rennê Nambikwara

14h30
TOQUE DA FLAUTA NAMBIKWARA

15h
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Luciano Umutina e Luciel Boroponepá

17h
LANÇAMENTO
A Onça e o Fogo - Cristino Wapichana

19h
ENCERRAMENTO: Sarau musical com Marcelo Munduruku e Cristino Wapichana

09 de Outubro – Sexta

MANHÃ

09h
CAFÉ LITERÁRIO
Palestra com Áurea Cavalcante.
Tema: As Línguas Indígenas em Mato Grosso: situações de contato e diversidade
Público: aberto

09h
PINTURA CORPORAL
Marcelo Munduruku e Umutinas

10h
Lançamento UNEMAT

TARDE

14h
PINTURA CORPORAL
Umutinas

14h30
OFICINA
A arte Gráfica dos Povos originários
Xohã Karajá, Elias Maraguá e Luciana Kaingang

14h30
CAXIRI LITERÁRIO
Tema: A temática indígena na Sala de Aula
Mediador: Jucélio Paresi
Expositores:
Edson Kayapó (doutorando em educação)
Darlene Taukane (mestre em educação)
Chiquinha Paresi
Marcos Terena

17h
LANÇAMENTO
A Palavra do Grande Chefe - Daniel Munduruku e Mauricio Negro - Global Editora

19h
ENCERRAMENTO
Sarau musical – Márcio Bororo

10 de Outubro – Sábado

MANHÃ

9h
PINTURA CORPORAL
Umutinas

9h30
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Olívio Jekupé e Luciana Kaingang

10h
LANÇAMENTO
Os Índios Xarayés - Paulo Pitaluga -
Os Índios Cuyabás – Paulo Pitaluga
O Fervo da Terra - Deborah Goldemberg

TARDE

14h
PINTURA CORPORAL
Umutinas

14h30
CAFÉ LITERÁRIO
Público: autores regionais
Tema: Caminhos para a literatura em Mato Grosso
Mediador: Yasmin Nadaf

17h
LANÇAMENTO
As pegadas do Curupyra - Yaguarê Yamã

19h
FESTIVAL DE ENCERRAMENTO
Danças indígenas
Umutina
Xavante
Bororo
Nambikwara
Encerrando com a música do Cristino e do Márcio Bororo.

15 de set. de 2009

Fazendeiros queimam casas vazias e revoltam índios

Ademir Almeida/Diário MS
Casebres de sapé que eram ocupados por 130 índios guarani-kaiowá na fazenda Santo Antonio de Nova Esperança, em Rio Brilhante, foram destruídos e queimados ontem à noite. As casas estavam vazias desde sexta-feira, quando os índios deixaram a área após 19 meses de ocupação e acamparam na beira da BR-163, a 10 km do perímetro urbano de Rio Brilhante.

“Os índios estão tristes. O fazendeiro não podia ter feito o que fez. Na tradição caiuá, não queimamos as casas que deixamos para trás. Para nós, quando a gente deixa uma casa vazia, fica um espírito para cuidar dessa casa. O fazendeiro matou 36 espíritos”, afirmou o cacique José Barbosa de Almeida, o Zezinho.

Por telefone, ele disse na manhã desta sexta-feira ao Campo Grande News que as casas foram queimadas por fazendeiros e por um grupo de pistoleiros. “Entraram uns 20 carros lá. As casas já tinham sido derrubadas com trator e logo vimos o fogo levantar”, afirmou o líder indígena.

Ele disse que os proprietários da fazenda desrespeitaram um acordo firmado pelo delegado da Polícia Federal que comandou a reintegração de posse da área. “O delegado Alcides nos garantiu que as casas não seriam destruídas, porque ele sabia que a gente ia usar o sapé para fazer uma casa de reza na beira da estrada”, reclamou o cacique guarani-kaiowá. Zezinho afirmou que amanhã vai denunciar o caso ao MPF (Ministério Público Federal) em Dourados.

As 36 famílias acampadas há quatro dias na beira da BR-163 viviam na aldeia Panambi, em Douradina, até dezembro de 2008, quando invadiram a fazenda Santo Antonio de Nova Esperança e montaram acampamento numa reserva ambiental. A área de 400 hectares pertence aos herdeiros do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Dourados José Cerveira, morto em 2001.

Após uma longa batalha judicial, a presidente do TRF (Tribunal Regional Federal), Marli Ferreira, determinou, no dia 24 de agosto, a imediata reintegração de posse da área, decisão ratificada no dia 3 pelo juiz substituto da 2ª Vara Federal em Dourados, Fábio Rubem David Müzel.

Fonte: Campo Grande News

14 de set. de 2009

Famílias Guarani Kaiowá correm risco na beira da estrada no Mato Grosso do Sul

Reintegração de posse determinada pela Justiça, afasta indígenas de um pedaço de seu território tradicional, mas ainda não demarcado, que ocupavam há dois anos.
Repórter Brasil
Índios Guarani Kaiowa estão sem água, sem lenha para fogueira, com pouca comida








As cerca de 35 famílias Guarani Kaiowá que viviam na aldeia Laranjeira Ñanderu, no município de Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul, montaram nessa sexta-feira (11), suas barracas de lona à beira da BR-163. Estão sem água, sem lenha para fogueira, com pouca comida e ameaçados por veículos que passam em alta velocidade a poucos metros do acampamento.



Os indígenas viviam há quase dois anos em um pedaço de seu território tradicional ainda não demarcado. Apesar de não poderem plantar, por que a terra está em disputa, eles criavam pequenos animais, como galinhas, patos e porcos do mato. Também havia árvores frutíferas e fonte de água na área.



A partir de agora, as 130 pessoas, incluindo idosos e mais de 60 crianças e adolescentes, viverão em barracos, numa área sem árvores e cheia de buracos. “Se chover forte, é certo que alaga”, prevê desanimado o antropólogo e pesquisador do Museu Nacional, Tonico Benitez, do povo Guarani Kaiowá, que acompanhou o despejo dos parentes. Até amanhã (12/9) - no mínimo - os indígenas devem ficar sem água. As lideranças devem pressionar a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para que ela garanta o fornecimento de água para a comunidade.



“Cumprimos a ordem da justiça, mas se algum carro a atropelar alguma criança? Eu vou cobrar o delegado!”, diz indignada a liderança da comunidade Farid Guarani. O acampamento fica numa região de fluxo intenso de veículos em alta velocidade. Além do incômodo com o barulho intenso, será preciso controle constante para prevenir acidentes. As famílias decidiram ficar em frente ao seu tekohá (terra tradicional), pois não tem outro lugar para ir. “Dizem que semana que vem vão começar a fazer o estudo para demarcação”, declara Farid, mantendo a esperança.



Demarcação das terras



A ordem para a reintegração de posse da área ocupada pelos indígenas foi dada pela Justiça Federal de Dourados. A Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF-MS) recorreram ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). No dia 26 de maio, a Desembargadora Federal e Presidente do TRF3, Marli Ferreira, suspendeu a ordem de reintegração e deu 90 dias para a comunidade permanecer na área.



Nesse período, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deveria realizar estudos para identificar se a área ocupada é território tradicional Guarani. Porém, os estudos não ocorreram. A principal razão é o clima de perseguição aos antropólogos da Funai que persiste no sul do Mato Grosso do Sul. Eles necessitam de proteção policial para realizarem seu trabalho. Além disso, uma decisão liminar do próprio TRF3º suspendeu os estudos dos Grupos de Trabalho de identificação de terras indígenas. Essa decisão, no entanto, foi derrubada há duas semanas. Atualmente, não há impedimento legal para o início dos estudos antropológicos para identificação de terras Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul.



Missionários do Cimi-MS e representantes de diversos movimentos sociais do Mato Grosso foram ao acampamento, prestar solidariedade aos indígenas. “A saída está tranqüila, mas as pessoas estão muito tristes, indignadas por terem que sair da terra que viviam”, relatou o coordenador do Cimi-MS, Egon Heck.

Cime MS/EcoAgência

12 de set. de 2009

Manifestantes pedem a parlamentares aprovação da PEC do Cerrado

[Foto:  senadora Fátima Cleide (PT-RO) e indígenas integrantes do Movimento Rede Cerrado.]

Para marcar o Dia do Cerrado, comemorado nesta sexta-feira (11), integrantes do Movimento Rede Cerrado realizaram manifestação no Congresso Nacional, pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 115/95, que transforma o bioma em patrimônio nacional, a exemplo do que já acontece com a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica.

Os manifestantes foram recebidos pela senadora Fátima Cleide (PT-RO) e pelos deputados Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Rômulo Gouveia (PSDB-PB), que assumiram o compromisso de lutar pela aprovação da proposição. O substitutivo à PEC em exame na Câmara inclui a Caatinga na mesma condição de patrimônio do país.

Participaram da manifestação no Congresso cerca de 30 índios de oito etnias, do movimento Mobilização dos Povos Indígenas dos Cerrados (Mopic). Eles realizaram um ritual esportivo - "a corrida das toras" - com dois troncos de palmeira, com o objetivo de simbolizar a luta pela preservação do bioma cerrado. Ao final, as toras foram deixadas no Salão Negro. Agrupados, os manifestantes também formaram as palavras "SOS Cerrado", no gramado em frente ao Congresso.

Desde o dia 9, cerca de 1,3 mil integrantes de nove estados, representando vários movimentos pela preservação do Cerrado, participam, em Brasília, no Memorial dos Povos Indígenas, do 6º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado. O encerramento do evento acontecerá no dia 13.

Denise Costa / Agência Senado

Estão abertas as inscrições para Vestibular dos Povos Indígenas

As provas serão realizadas no campus da Unioeste de Cascavel, em 14 e 15 de dezembro

Estão abertas até a próxima sexta-feira (18) as inscrições para o 9.º Vestibular dos Povos Indígenas. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), instituição que neste ano sedia a realização do vestibular, ou em uma das sete universidades estaduais e na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

As provas serão realizadas no campus da Unioeste de Cascavel, em 14 e 15 de dezembro. São avaliadas língua portuguesa (oral) e redação, língua portuguesa, estrangeira moderna ou língua indígena, biologia, física, geografia, história, matemática e química. Os resultados serão divulgados em 18 de dezembro, no site www.unioeste.br/vestibularindigena e nas sedes das universidade envolvidas. As matrículas serão efetivadas de acordo com o calendário das universidades.

Cada uma das instituições estaduais oferece seis vagas e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), dez, todas excedendo as oferecidas em concurso vestibular regular. As vagas se destinam a candidatos de etnias indígenas residentes no Paraná para os cursos de graduação das universidades estaduais ou da UFPR, e também de etnias indígenas no Brasil para os cursos de graduação oferecidos pela UFPR.

INSCRIÇÕES – As inscrições poderão ser feitas das 8h às 11h e das 14h às 17h, na Unioeste, junto a Pró-Reitoria de Graduação no prédio da Reitoria, em Cascavel; na UEL, na Pró-Reitoria de Graduação, em Londrina; na UEPG, no Campus Universitário de Uvaranas, em Ponta Grossa; na Unicentro, na Coordenadoria Central de Processos Seletivos, em Guarapuava; na UEM, em Maringá; na UENP, em Jacarezinho; na Unespar (Fafipar), em Paranaguá; e na UFPR, junto ao Núcleo de Atividades Formativas/Pró-Reitoria de Graduação, em Curitiba.

O candidato poderá ainda encaminhar ficha de inscrição, carta de recomendação e questionário socioeducacional para a Pró-Reitoria de Graduação da Unioeste, via Correio com AR (aviso de recebimento) até sexta-feira (18). A inscrição poderá ser feita por terceiros, desde que estejam munidos de procuração e apresentarem os documentos exigidos.

DOCUMENTOS – Os candidatos que optarem pelas universidades estaduais deverão apresentar os seguintes documentos: fotocópia da cédula de identidade, uma fotografia 3x4 (recente) e carta de recomendação da liderança da comunidade na qual reside, em que conste a etnia indígena. Já os que se inscreverem na UFPR deverão encaminhar fotocópia da cédula de identidade, uma fotografia 3x4, documento que recomende sua inclusão no programa, que deve ser assinado pelo chefe da aldeia onde reside e pelo chefe do posto local da Funai, além de documento da Funai que recomende sua inclusão no programa, no caso de estudantes indígenas residentes em áreas urbanas.

Mais informações podem ser obtidas na Pró-Reitoria de Graduação, pelos telefones (45) 3220-3057 e 3220-3108 e no site www.unioeste.br/vestibularindigena.

7 de set. de 2009

Centro amazônico preserva memória do povo Wajãpi

Casa abrigará documentos, fotos, filmes e DVDs sobre etnia composta por 900 indígenas

RAFAEL SECUNHO (*)
contato@agenciaamazonia.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

indiospintura060909







MACAPÁ, AP – Uma casa para preservar a memória dos índios Wajãpi. Com esse propósito, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Cultura inauguraram o Centro de Formação e Documentação Wajãpi, no posto Aramirã, entre os municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jarí, no Estado do Amapá. Erguida em plena Terra Indígena dos Wajãpi, a casa irá abrigar fotografias, filmes, DVDs e documentos sobre essa etnia, que é composta por cerca de 900 indígenas que habitam a região oeste do Amapá.

O centro é mais uma unidade do Pontão de Cultura Arte e Vida dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará, mantida pelo Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena – Iepé e pelo Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina. A outra unidade fica na capital Macapá.

O ato contou com a presença do presidente da Funai, Márcio Meira, da coordenadora de Salvaguarda do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Teresa Chaves, e da superintendente do Iphan no Pará e Amapá, Dorotéa Lima.

Cursos, oficinas e reuniões

O novo centro também será um espaço para oficinas, cursos e reuniões. Para isso, contará com salas de pesquisa e um local próprio para os encontros. Além disso, terá à disposição alojamentos para os Wajãpi residentes em outras aldeias e consultores atuando no processo de formação de professores e pesquisadores indígenas. A concepção do local teve o patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e os equipamentos foram adquiridos com apoio do Iphan, da Unesco no Brasil e da Embaixada da Austrália.

indiospintura060909a A responsabilidade pela manutenção e uso do CFDW será dos pesquisadores Wajãpi e dos membros da diretoria do Apina. Pretende-se também reproduzir documentos e registros audiovisuais dos Wajãpi e a sua distribuição para as aldeias. Com isso, mantém-se vivo o interesse dos jovens indígenas por sua cultura e também os prepara para transmitir conhecimentos sobre as práticas locais. No centro, os Wajãpi terão acesso ainda aos resultados das pesquisas realizadas junto ao grupo e a documentos sobre outros povos indígenas do Brasil e do mundo.

Patrimônio da humanidade

Os Wajãpi ocupam basicamente regiões do Pará, Amapá e da Guiana Francesa. Possuem uma vida cerimonial intensa, marcada por grandes ciclos de rituais como a festa do milho, promovida no inverno, a festa do mel e as danças dos peixes. A arte gráfica do Wajãpi do Amapá foi reconhecida inclusive como patrimônio da humanidade pela Unesco e registrada como bem imaterial pelo Iphan em 2002.

A linguagem gráfica destes indígenas é denominada kusiwa e sintetiza seu modo particular de conhecer, conceber e agir sobre o universo. Servem como uma forma de comunicação e interação entre eles e estão presentes nos corpos e também em artesanatos e cestaria.

As marcas são feitas utilizando sementes de urucum, gordura de macaco, suco de jenipapo verde e resinas perfumadas e representam animais, entre os quais, cobras, pássaros, borboletas ou objetos - a lima de ferro por exemplo. A pintura corporal é uma atividade do cotidiano, no âmbito familiar. Os homens são pintados pelas esposas e vice-versa.

(*) Da Assessoria de Imprensa do Iphan.

4 de set. de 2009

Antropólogo: estudo não é jogo de cartas marcadas por índios

A identificação de áreas indígenas desperta reações contrárias da classe produtiva. Em Mato Grosso do Sul, onde 45 mil índios reivindicam mais espaço, os fazendeiros taxam como "viciado" o trabalhos dos especialistas responsáveis pelos estudos.

O antropólogo Rubem Thomaz de Almeida, que há 30 anos estuda a região, garante que os levantamentos feitos para embasar as demarcações pelo governo federal não são um jogo de cartas marcadas a favor dos indígenas. Ele atribui a "desconhecimento de causa" as críticas dos ruralistas.

"É necessário que eles fazendeiros entendam que o estudo não vem definido. Em estudos passados, inclusive, deixamos de incluir área porque não tínhamos argumentos nem dados suficientes para colocar espaços como terra indígena. É fundamental realizar os estudos para que o governo possa atuar e decidir um problema social gigantesco, que são 45 mil índios que estão ali sem terra, sem ter onde plantar", afirmou Almeida.

"Temos atrás da gente a academia. Somos vinculados à Associação Brasileira de Antropologia e, se a gente incorrer em desvios na nossa produção científica, haverá facilidade em derrubar os laudos ", acrescentou.

Almeida diz ser contrário à "criminalização" dos fazendeiros e reconhece que eles deveriam ser recompensados pelo governo para deixar a terra, em valor além das benfeitorias."Dificilmente essa coisa vai resolver sem negociação com os produtores rurais. Não podemos criminalizar os fazendeiros, dizer que são todos bandidos. Ficará muito difícil dar conta do problema se não houver mecanismo para se pagar a terra aos fazendeiros", ressaltou.

Entretanto, o antropólogo classifica de "absurdos" os argumentos que tentam vincular a luta dos índios pela terra a interesses estrangeiros.

"São 45 mil pessoas que têm uma história, tradição, e sabem exatamente onde vivem e o que querem. Não tem Cimi Conselho Indigenista Missionário , antropólogo nem estrangeiro, absolutamente ninguém. Eles não vão deixar de reivindicar a terra. O fazem por sua conta. Quem fala o contrário é para jogar fumaça e não enfrentar o problema", criticou.

Pesquisa da década de 80 já alertava o governo para a necessidade de reconhecer mais áreas indígenas em Mato Grosso do Sul, após o processo de colonização que resultou no confinamento de índios em aldeias delimitadas pelo próprio governo. Hoje o sudoeste do estado é apontado por estudiosos e pela própria Fundação Nacional do Índio (Funai) como o espaço mais problemático da questão indígena no Brasil. Para Almeida, o país já poderia ter superado o quadro.

"Faltou um pouco de decisão política e de ânimo do governo para dar conta antes do problema. É necessário que o governo pegue esse touro a unha e decida levar adiante primeiro os estudos e depois as decisões de demarcação e homologação de áreas " , defendeu o antropólogo.

A expectativa dos profissionais envolvidos no trabalho de identificação em Mato Grosso do Sul é concluir a fase dos estudos em abril de 2010.

O antropólogo entende que as críticas de parte da população de Mato Grosso do Sul à vida dos índios em áreas homologadas, como a aldeia de Panambizinho, a 25 quilômetros de Dourados, deve-se a uma percepção equivocada da cultura tradicional. Na região, áreas antes produtivas viraram mato e os índios trabalham apenas com agricultura de subsistência.

"Não podemos esperar que os guarani vão produzir como nós produzimos. Eles têm um viés cultural e se mostram abertamente contra a produção em larga escala. Eles têm uma relação cosmológica importante com o mato. Buscam o mato, porque lá tem que ter bicho e tem que proteger a água. Mas eles também têm plena consciência de que quem não trabalha não come."

Se os estudos na região confirmarem as reivindicações indígenas, os antropólogos calculam que o problema fundiário das comunidades tradicionais estará resolvido para pelo menos três gerações, cabendo aos indígenas se organizarem futuramente para viver ali.

Durante os estudos antropológicos, as equipes deverão ser acompanhadas por representantes do governo estadual e de proprietários rurais na vistoria em fazendas, além de receberem escolta policial. No ano passado, quando os estudos começaram, especialistas foram seguidos e fotografados por desconhecidos.

"A presença da polícia é um modo de a gente entrar nas áreas que precisam ser verificadas", disse Almeida ao destacar a importância do estudo para o processo de demarcação.

Agência Brasil

Funai reconhece falhas na prestação de assistência aos guarani kaiowá

A administradora regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Dourados, Margarida Nicolleti, admite a ocorrência de atrasos na entrega de cestas básicas e de sementes para projetos agrícolas nas aldeias e acampamentos indígenas no sudoeste de Mato Grosso do Sul. Durante visita de quatro dias à região, a equipe da Agência Brasil ouviu reclamações de diversos líderes sobre a assistência prestada pela fundação às comunidades. Os índios da etnia Guarani Kaiowá sonham em recuperar áreas onde viveram seus antepassados e que hoje são ocupadas por fazendas. Segundo Margarida, a implementação de projetos agrícolas nas reservas depende do repasse de recursos pela Funai às administrações regionais. A Funai nacional, por sua vez, também precisa aguardar a liberação de verba pelo governo federal. Os atrasos na distribuição de cestas se limitam, de acordo com a Funai, a 22 comunidades que recebem o auxílio duas vezes por mês. "É um trabalho operacional difícil. Às vezes chove demais e as estradas ficam muito ruins", alegou Margarida, em entrevista por telefone.

A administradora considera, assim como o Ministério Público Federal (MPF), a estrutura funcional da Funai na região insuficiente diante do desafio de atender 40 mil índios, muitos vivendo em condição degradante.

"A gente também tem feito essa solicitação à presidência da Funai. É preciso melhorar o quadro, com profissionais qualificados de áreas afins como serviço social e agricultura de subsistência, para podermos prestar um bom serviço à comunidade, da forma que os índios merecem", disse.

Para a Funai, o preconceito agrava a situação dos índios confinados em pequenos espaços na região. "Infelizmente existe muito preconceito e desconhecimento da cultura indígena por parte da sociedade. Isso faz com que as pessoas tenham um entendimento diferente do que é o índio e da forma como ele vive", destacou a administradora.

Margarida criticou a postura de fazendeiros que responsabilizam a Funai pela precariedade das aldeias.

"No meu ponto de vista, a responsabilidade é de toda sociedade brasileira. Os governos do passado causaram esse problema, tirando índios de suas terras tradicionais e colocando em pequenas áreas. A Funai não tem como melhorar atendimento sem espaço. Há áreas que não tem onde plantar. Temos 23 acampamentos à beira de estrada onde não se tem o que fazer a não ser a ação emergencial de entrega de mantimentos."

Segundo a administradora, a Funai não pode remover os índios que vivem em acampamentos improvisados às margens de rodovias. Para minimizar o problema, a fundação distribui cestas básicas e doa lonas, casacos e cobertores para as famílias que esperam pelo reconhecimento de áreas tradicionais.

"A Funai não trabalha com a prerrogativa de tirar índio aqui e colocar lá. Os próprios grupos que foram para beira de estrada não querem retornar para aldeias velhas, porque saíram de lá para não brigarem entre si pelo espaço reduzido, com famílias muito próximas umas das outras. Não aceitam retornar por falta de condições de vida digna", explicou.

Agência Brasil

3 de set. de 2009

III Seminário Povos Indígenas começa na próxima semana

O Projeto Rede de Saberes da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) realiza na próxima semana, entre os dias 8 e 10 de setembro, o III Seminário Povos Indígenas e Sustentabilidade, que neste ano tem como tema “Saberes locais, educação e autonomia”. O encontro é direcionado a acadêmicos, pesquisadores e lideranças indígenas.



Para a realização do seminário, a UCDB conta com a parceria de mais três instituições de ensino: a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). O encontro reunirá nomes renomados de lideranças indígenas e pesquisadores como a representante do Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC), Avelina Pancho, e o pesquisador do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB), Dr. Henyo Trindade. O seminário já conta com 172 trabalhos inscritos.



Encontro


Acadêmicos indígenas do Estado participarão no dia 11 de setembro do IV Encontro Estadual de Acadêmicos Índios de Mato Grosso do Sul que está inserido na programação do seminário. O evento está com inscrições abertas até sexta-feira (4) os interessados devem acessar o site www.rededesaberes.org/eventos. Mais informações estão disponíveis pelo e-mail seminario@neppi.org ou pelo telefone 3312 3616.




Fonte: www.ucdb.br (Aline Araújo)

2 de set. de 2009

Está chegando a FLIMT-Feira do Livro Indígena do Mato Grosso !!!!

Índios Suruí de Rondônia denunciam a invasão de suas terras por madeireiros

Representantes dos índios da etnia Suruí que vivem na Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, em Rondônia, enviaram uma carta ao Ministério da Justiça denunciando a invasão de suas terras por madeireiros e pedem providências dos órgãos responsáveis pela defesa da área.

Na carta de denúncia, enviada também para Ministério Público, Polícia Federal e Fundação Nacional do Índio (Funai), os indígenas dizem que, embora parte da comunidade da TI seja hoje refém dos madeireiros, a maioria dos moradores do local já se posicionou contrária à extração de madeira na reserva.

"Não conseguimos entender quais são os verdadeiros motivos que impedem o poder público, com todas as suas leis e sua força policial, de resolver o problema da invasão madeireira na Terra Indígena Sete de Setembro de uma vez por todas", diz trecho do documento.

Para a administradora regional da Funai em Cacoal (RO), Arlene Amaral de Carvalho, os motivos são a impunidade e a pouca estrutura para a fiscalização que é disponibilizada pela central da fundação em Brasília. "Aqui a Funai precisa se desdobrar, só contamos com dois carros de fiscalização e falta os outros órgãos responsáveis atuarem", afirmou.

Segundo ela, outro problema é que a Justiça Federal da região vem agindo em sentido contrário ao da fundação. "Quando a gente prende um trator, o juiz manda soltar. Os madeireiros presos são soltos na mesma hora", informou.

De acordo com a carta de denúncia do povo Suruí, os madeireiros desmatam a área desde 1986, quando o então presidente da Funai, Romero Jucá, assinou contratos de venda do produto no território.

O documento também indica que os locais de acesso dos madeireiros à TI Sete de Setembro mais frequentes são as linhas 7, 14, 10 e 11, Boa Vista do Pacarana, Rondolândia, e Fazenda Cutuva. "Nas linhas 10 e 11 se verificam um número aproximado de 10 madeireiros atuando e nas outras localidades em torno de 25 a 30", denuncia a carta.

Arlene concorda que a extração ilegal de madeira na área é forte, mas garante que a Funai regional está agindo dentro de suas possibilidades para apreender tratores e instrumentos usados para o desmatamento no local desde a semana passada.

Ela diz que os madeireiros sempre agiram na TI, mas agora encontram resistência dos indígenas, que não querem mais viver da extração de madeira, mas sim, plantar para sobreviver.

"Os tratores, caminhões e caminhonetes apreendidos com os madeireiros deveriam ser revertidos aos índios pela Justiça. Assim, os índios poderiam usar essas máquinas como instrumento de trabalho dentro de suas terras", opinou a administradora.

Fonte: Amazonia

MPF defende ocupação da Funai no Acre por índios da etnia apolima-arara

Altino Machado às 12:53 pm
Sertanista Antonio Macedo detido pelos �ndios

Sertanista Antonio Macedo detido pelos índios

A administração da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Acre não obteve apoio do Ministério Público Federal (MPF) para o pedido de reintegração de posse que solicita o uso de força policial para retirada dos indígenas da etnia apolima-arara que ocupam a sede do órgão há mais de 20 dias.

O procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes considerou em sua manifestação que a ocupação da sede da Funai é inerente à liberdade coletiva de manifestação dos povos indígenas, prevista na Constituição Federal, exercida neste caso pela insurgência contra atos ilegais de responsabilidade do poder público.

De acordo com o procurador, a Justiça Federal determinou, ainda em 2007, que a Funai e a União iniciassem a demarcação das terras dos apolima-arara, o que até o momento não foi realizado.

A decisão judicial, que está sendo descumprida há mais de um ano, decorreu de ação civil pública movida pelo próprio MPF. No entendimento do procurador, a “irresignação” dos indígenas é legítima, pois pede simplesmente o cumprimento da decisão.

Por entender que a ocupação de espaços ou prédios públicos é uma das poucas formas de pressão que ainda restam aos povos indígenas, o MPF considera que a desocupação deva ocorrer de forma negociada, sendo os índios respeitados como indivíduos de direitos fundamentais e não como ofensores da Lei.

Na manhã desta terça-feira, 1, os apolimas-Arara fizeram refém o sertanista Antônio Macedo. Ele foi libertado após atuação da Polícia Federal. Os indígenas pediram auxílio da PF para mediar uma reunião no MPF, onde reivindicaram celeridade na assinatura de uma portaria do Ministério da Justiça que assegura a demarcação de 20,6 mil hectares para as 287 pessoas da tribo.

O processo corre na 1ª Vara da Justiça Federal do Acre, que decidirá sobre o caso.

Foto: Regiclay Saad/Página 20

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...