26 de out. de 2015

UM AVÔ PARA CHAMAR DE MEU


Avós são seres estranhos. Alguns são muito bonzinhos e outros têm cara de malvados. Tem os que gostam de ser velhos e outros que não querem nem ouvir essa palavra. Parece que não gostam de envelhecer por medo ou por vergonha.
Na cidade conheci muitos velhos que não querem ser velhos. Acham que é um defeito ter vivido muito tempo. Tem homens e mulheres com idade avançada, mas insistem em continuar jovens. Eu sempre achei isso um tanto esquisito porque venho de uma tradição em que ser velho é o sonho dos jovens. Nesse lugar o velho gosta de ser velho e faz questão de ser tratado dessa maneira. Ok, vou explicar melhor. Sei que parece confusa essa ideia.
Desde cedo a gente aprende a diferenciar as pessoas. Sabemos quem é nosso pai e nossa mãe; nossos tios e tias; irmãos e irmãs, primos e primas; avó e avô. Essa ordem é importante para dar às crianças uma referência espacial. Ela sabe a quem recorrer em caso de precisão. Questão de sobrevivência.
Com o passar do tempo a gente vai entendendo a função que cada uma dessas pessoas ocupam em nossa vida. Vamos descobrindo que os pais são nossos provedores e educadores de nossos corpos. São eles que nos alimentam, nos banham, nos ensinam a andar, nos levam para passear, fazem nossos brinquedos, ensinam os caminhos da floresta, a confeccionar nossos utensílios, catam nossos piolhos e brigam com a gente também. Depois percebemos que os irmãos servem como suporte para esse aprendizado. Servem também para brigar com a gente. Os primos são nossos colegas de jogos e brincadeiras. Tios e tias são nossos outros pais. Mas para que serve um avô e uma avó?
Eles servem para educar nosso espírito. São pessoas que já passaram pela vida e carregam no corpo as marcas do tempo passado. Trazem consigo a experiência de ter vivido e compreendido os sentidos de existir. São pessoas reflexivas, equilibradas e muito doces. Sim, são doces. São eles que oferecem guloseimas escondidas dos pais; relevam as broncas que os pais nos dão; elogiam nossas decisões mesmo que não entendam direito o que estamos fazendo. Lá na aldeia, são eles os responsáveis por contar as histórias ancestrais e manter em nós o espírito da tradição. Eles formam nosso espírito para entender os mistérios da vida.
Lá de onde vim os velhos não abrem mão de seu papel de formadores do espírito dos mais jovens. Eles não querem ser jovens para sempre. Querem ser velhos para sempre. Querem ajudar os jovens a não perderem o rumo. Sabem que têm um papel importante na vida da comunidade, na sua continuidade. Isso que aprendemos desde cedo: fazemos parte de uma teia. Se cada pessoa fizer sua parte, tudo correrá sempre bem. Também por isso fazemos os rituais de passagem. Isso quer dizer que somos ensinados a viver bem cada fase da vida em que estamos. Criança tem que ser criança; jovem, jovem; adulto não pode abrir mão de ser adulto e assumir as consequências por ser assim; o avô e a avó – que chamamos carinhosamente de velhos – não podem querer ser outra coisa nesse momento. Dessa maneira vamos marcando cada fase da vida com o que chamamos de rituais de passagens que são marcações de tempo que determinam nosso momento de vida. Dessa maneira a gente não esquece quem a gente é.
Eu tive avós muito estranhos, mas também muito legais. Eram pessoas felizes em sua velhice e me ensinavam a viver bem minha vida. Minha avó era uma bruxinha muito esperta e inteligente. Deixou em mim muitas marcas e saudades. Mas foi meu avô que ensinou coisas muito importantes para o que eu viria a ser mais tarde. Ele me ajudou a vencer o medo que eu tinha da cidade e das pessoas da cidade. Ele foi me conduzindo para eu me tornar um ser humano feliz, ainda que tivesse que enfrentar os desafios de viver numa sociedade diferente da minha. Ele foi me conduzindo por uma picada na floresta que depois se transformaria em trilha e, por fim, num caminho seguro e feliz.
Hoje em dia eu penso que meu avô já antevira tudo o que eu passaria em minha vida e foi criando um jeito de eu pode enfrentar as dificuldades com desenvoltura e com uma dose de bom humor. Ele foi o filósofo mais sábio que eu conheci, o velho mais jovem, o homem mais íntegro e correto que passou por minha vida. Ele não me deixou em nenhum momento e não abriu mão de sua idade e experiência quando precisei. Lamento não ter nenhuma foto dele. Tudo o que tenho são as lembranças que minha memória deixa de vez enquanto escapar para eu não esquecer que tive um avô para chamar de meu.

9 de out. de 2015

FELIS - FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUÍS/MA

"TRAGO COMIGO OS SONHOS DE MUITOS: UM BRASIL DE LEITORES"


Registro de minha conversa com crianças da rede municipal de São Luís do Maranhão, onde participo da FELIS - Feira do Livro de São Luís.É muito bom encontrar pessoas que compartilham nossos sonhos e lutam por construir um país tolerante, livres das amarras de uma história mal contada. Há muito o que fazer. Há muito pensamento torto para desentortar. Há muitas ideias morando na cabeça da sociedade. Tenho certeza, no entanto, que atuando com esperança conquistaremos novos horizontes.As fotos abaixo mostram o esforço da sociedade. Mostram rostos famintos. Mostram educadores dedicados. Mostram a esperança estampada.É para isso que trabalho e professo minha fé no ser humano.

8 de out. de 2015

DANIEL MUNDURUKU CONVERSA COM ESTUDANTES DA ESCOLA COOPEP/PIRACICABA

Na tarde do dia 06 tive a oportunidade de conhecer e conversar com os estudantes da Escola Cooperativa COOPEP, de Piracicaba. Tal oportunidade se apresentou por conta da Projeto Literatura Viva do SESI. Convite aceito desloquei-me para conversar com uma classe que tinha realizado leitura sobre algumas de minhas obras. Foi uma conversa muito interessante, muito rica e interativa. Além de terem um espaço privilegiado com área verde, os estudantes traziam consigo a alegria do encontro.
Fiquei muito feliz em poder conhecer a escola e participar desse rico momento de troca e interação.
É, certamente, nesta hora que sinto que o trabalho que realizamos se fortalece e se abastece do desejo de estabelecermos um novo encontro entre os diferentes saberes.
Eis abaixo o registro desse encontro. As fotos foram tiradas pela própria escola que me presenteou com elas. Meu agradecimento especial.

7 de out. de 2015

LITERATURA VIVA EM SANTA BÁRBARA D'OESTE/SESI

Neste dia 07 estive na unidade do SESI de Santa Bárbara D'Oeste para uma conversa com jovens do Ensino Médio sobre cultura indígena e sua literatura. Foi uma conversa muito boa, animada, alegre, participativa. Parabéns aos estudantes do SESI e aos educadores que participaram animadamente também.
"Trago em mim o sonho de muitos: Um Brasil de Leitores".
No peito, meus amigos de jornada: Instituto Uk'a, Instituto C&A, Polo de Leitura ValeLendo, FNLIJ e Movimento Por Um Brasil Literário.

6 de out. de 2015

LITERATURA VIVA/SESI - AMERICANA

Hoje, dia 06, estive na unidade do SESI/AMERICANA para participar do Projeto Literatura Viva.
Foi uma conversa muito agradável com estudantes entre 08 e 09 anos.
 Foi muito bom!
Carrego comigo o sonho de muitos: a construção de um país de leitores. No peito, meus companheiros de caminhada: Instituto UK'A, Instituto C&A, Polo de Leitura ValeLendo, FNLIJ, Movimento por Um Brasil Literário.
Seguem as imagens desse lindo encontro:

LITERATURA VIVA - SESI SUMARÉ

Neste último dia 06 comecei a percorrer unidades do SESI da região de Campinas participando da edição 2015 do Projeto Literatura Viva. Este projeto consiste em visitas de autores às unidades da instituição para conversar com os estudantes sobre o processo da escrita. Claro que no meu caso estas conversas vão bem além do interesse literário. Eu adoro isso!
Segue ecos de minha passagem por Sumaré.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...