27 de fev. de 2014

Festival é acusado de censurar filme porque contraria interesses políticos

Fonte: RDNews

Festival é acusado de censurar filme porque contraria interesses políticos
Glaucia Colognesi

Felipe Barros


O cineasta Luiz Borges garante que a acusação não procede e diz que o festival não se furta a nenhum tema e cita que houve a inscrição e exibição de inúmeras obras


Os cineastas Aluízio de Azevedo e Glória Albuez, conhecida como Glorinha no meio artístico, acusam a organização do Festival Mato-grossense de Cinema e Vídeo de ter vetado o documentário “Manoel Chiquitano Brasileiro” porque a obra contraria interesses de patrocinadores e políticos, dentre eles o cacique do PSD, deputado estadual José Riva.


Acontece que a obra aborda questões polêmicas que, segundo ele, vão contra interesse da classe política, que representa a classe produtora e pecuaristas. Já o festival mato-grossense tem como seu principal patrocinador a secretaria de Estado de Cultura, sob Janete Riva, esposa do deputado. A pasta doou R$ 400 mil para a realização evento.


A organização do evento, por sua vez, nega qualquer tipo de censura ou ataque à liberdade de expressão, garante que o festival não se furta a nenhum tema, inclusive, cita que houve a inscrição e exibição de inúmeras outras obras que abordam outras mazelas. "A acusação não procede porque há 19 anos este festival de cinema possui um regulamento que estabelece que há apenas duas formas de participar da competitiva que é a convite da organização - como sempre ocorreu com os longas metragens - ou através da seleção que é feita por meio de edital amplamente divulgado na imprensa", diz trecho da nota encaminhada pela organização do festival.


Aluízio e Glorinha são os criadores da produção audiovisual que foi, inclusive, premiada nacionalmente. A obra foi selecionada entre os 15 melhores roteiros em um universo de 890 filmes inscritos no festival nacional Etnodoc. O filme revela o drama de índios Chiquitanos, que vivem na fronteira do Brasil com a Bolívia, lutando com fazendeiros para manter o seu território.


O filme também faz remorar antigas denúncias de falhas no zoneamento socioeconômico ecológico do Estado feito pela Assembleia e pelo Governo estadual. Isso porque o documentário exibe falas de políticos como Riva, Zeca D’Ávilla e ex-governador Blairo Maggi (PR) negando que na região exista habitação de índios e/ou quilombolas. Os depoimentos das figuras políticas são contrastados com as imagens e a história do índio Manoel Chiquitano Brasileiro.


Antigas denúncias de estudiosos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) evidenciam também que o zoneamento ignorou estudo científico da universidade sobre a existência dessas comunidades indígenas no local.


Os criadores do documentário explicam que a censura ocorreu de forma velada. O organizador do festival, cineasta Luiz Borges, teria criado empecilhos de última hora para dificultar a inscrição da obra e assim não desagradar o principal patrocinador do evento. A organização, por sua vez, garante que não houve censura. Cita como exemplo os filmes “Buraco: A Herança do Diamante” do diretor Gian Piero Barozzi, que mostra os danos que a extração do diamante causou em Poxoréu. Além do longa metragem “Avaeté” do diretor Zelito Viana, que apresenta o massacre dos índios Cinta Larga na região de Forquilha onde hoje é o município de Juína.


O maior obstáculo, conforme Aluísio, foi a criação da regra que restringe de 25 para 20 minutos o tamanho das obras curta metragem aptas a concorrer. Ele reclama que este critério é válido apenas para as produções locais e não nacionais. Ele reforça ainda que a regra contraria o consenso existente em todos os festivais do país que definem o tempo de 25 minutos para um curta metragem. Também argumenta estranhar o fato de no catálogo do festival, na mostra competitiva de curtas, aparecer dois filmes com tempo superior aos 20 minutos exigidos do edital. Um deles é “O Florista” com 23 minutos e o outro é “O Ser Tão Cinzento”, com 25 minutos.


Em artigo, Glória Albuez fala que os organizadores do evento criaram táticas obscuras para vetar a obra e desafia a organização do festival a exibir o filme no último dia do festival, mesmo que em mostra não competitiva, para provar que nunca existiu censura. A organização reconhece que, no catálogo, o filme “O Florista” aparece com 23 minutos, mas garante que a obra tem apenas 18 minutos e que houve um erro dos produtores no registro do tempo/minutagem. A organização sustenta ainda que seria injusto com os outros 34 inscritos, que passaram por um processo normal de seleção, se nesta altura do campeonato o festival exibisse o documentário “Manoel Chiquitano Brasileiro”, que nem chegou a ser inscrito.
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Confira, abaixo, o documentário “Manoel Chiquitano Brasileiro” que está disponível no Youtube


24 de fev. de 2014

"Sapatos Trocados" - Novo livro do Cristino Wapichana!

Segundo livro de Cristino Wapichana, saindo pela Editora Paulinas: "SAPATOS TROCADOS - Como o Tatú Ganhou suas Grandes Garras", ilustrado por Maurício Negro.
O lançamento oficial será no dia 03 de junho as 14:00 horas, no 16° Salão FNLIJ do Livro Infantil e Juvenil, no Centro de Convenções SulAmérica, na cidade do Rio de Janeiro.
Em breve estará disponível nas livrarias de todo país. 

Contato: Cristino Wapichana


16 de fev. de 2014

Guaranis desmentem livros e revelam nova história

Rosana Bond

Os guaranis, que por muito tempo observaram o passado de seu povo ser escrito e deturpado pela ideologia das classes dominantes, decidiram dar um basta e tomar nas mãos a tarefa de desmentir os livros e contar sua própria História.

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— Chegou a hora de a sociedade não-indígena do Brasil conhecer a verdade, ninguém pode continuar pensando que perdemos a memória — afirma Werá Tupã (Leonardo), da aldeia do Morro dos Cavalos, SC, tido como um dos mais destacados intelectuais indígenas do sul do país.
Ele faz parte de um grupo de guaranis que vem pesquisando fatos históricos e episódios lendários com o objetivo de reapresentá-los ao povo brasileiro de um modo diferente daquele com que foi narrado pelo pensamento reacionário. Um dos temas, cujo estudo demorou anos e ainda não está totalmente concluído, é a verdadeira história de Sepé Tiarajú.
Sepé foi um dos maiores guerreiros indígenas do sul do país, líder da resistência dos Sete Povos das Missões (RS) contra tropas espanholas e portuguesas, na chamada Guerra Guaranítica, de 1753 a 1756. Essa guerra foi abordada (de maneira fantasiosa e truncada) no filme A Missão, com Robert de Niro e Jeremy Irons, em 1986. Tal rebelião foi consequência do Tratado de Madri, pelo qual Portugal e Espanha trocaram entre si os Sete Povos das Missões, sob domínio espanhol, pela Colônia do Sacramento, sob domínio lusitano. O acordo obrigava os 30 mil guaranis e os jesuítas das sete reduções a abandonarem o Rio Grande do Sul e passarem ao território castelhano, no outro lado do rio Uruguai.
A Companhia de Jesus, chefia jesuíta na Europa, ordenou a mudança, mas os guaranis não aceitaram. Sepé liderou a resistência e em carta à Coroa de Espanha deu o famoso aviso: "Esta terra tem dono!".

ARMAS DE CANA BRAVA

Sepé articulou uma espécie de Confederação Guaranítica, criando inovadoras táticas militares para a época, nas quais priorizava a guerrilha e evitava grandes batalhas. Chegou a idealizar e construir quatro peças de artilharia, confeccionadas com cana brava. Foi assassinado numa emboscada, por soldados espanhóis e portugueses, nos campos de Caiboaté, às margens da Sanga da Bica, em 7 de fevereiro de 1756.
O bravo e exemplar Sepé Tiarajú transformou-se num símbolo para os gaúchos. Há um rio e um município com seu nome e, em Santo Ângelo, uma estátua no centro da cidade. Os guaranis não vêem problema nisso, mas há uma questão de fundo que parece lhes desgostar e incomodar há muito tempo. Que é a "desindianização" de Sepé.
A História escrita pela cartilha das classes exploradoras e da igreja católica apossou-se da figura heróica, metamorfoseando-a quase num branco que era índio por acaso.
Os livros falam que ele "abraçou a doutrina cristã" e foi "o mais ardoroso defensor da obra dos jesuítas"; que "seus mestres foram os padres"; que ele lutou "sugestionado pelos religiosos"; que "era índio missioneiro, provavelmente já cristão de terceira geração"; que alguns padres foram "os principais estrategistas da resistência"; que, órfão de pai e mãe, "foi criado pelos jesuítas"; Werá Tupã discorda de tudo isso. Os livros erram até numa informação básica, sobre sua origem. Numa revelação inédita e surpreendente, Werá diz que Sepé não era guarani. E sim pertencia a "um outro povo indígena que não conseguimos identificar. Ele foi adotado pelos guaranis e criado como um dos nossos".
A pesquisa a respeito de Sepé baseou-se na história oral, preservada na memória de índios centenários que viveram no Rio Grande do Sul, entre eles a velha xamã Tatãty Yva Rete (Maria Candelária Garay), apontada por antropólogos da Universidade Federal de Santa Catarina (UF SC) e PUC de São Paulo como uma das lideranças femininas mais importantes e respeitadas da tribo. Nascida aproximadamente em 1874, Tatãty foi avó adotiva de Werá Tupã.
A verdadeira história de Sepé Tiarajú

[ele] não era um cristão mesmo, como dizem, porque na verdade ele respeitava mais a religião do avô, a religião do nosso povo. Karaí Djekupé foi e continua sendo um grande herói dos guaranis

O AND foi escolhido pelos guaranis para ser o primeiro órgão de comunicação dos djuruá (não-índios) a tomar conhecimento do conteúdo do estudo, que poderá se transformar em breve num livro. Eis um resumo, contado por Werá Tupã:

"Ao contrário do que se diz, Sepé não era guarani. Ele nasceu em outro povo indígena, que não conseguimos identificar. Quando ele tinha dois anos de idade, sua aldeia, que ficava no Rio Grande do Sul, foi atacada por portugueses ou espanhóis. Os guaranis correram para ajudar, mas o lugar já tinha sido invadido e quase todos tinham sido massacrados.

Os guaranis salvaram o menino e o levaram para uma aldeia nossa, perto da missão de São Miguel. Um casal adotou ele. O avô da família era um pajé muito poderoso e o menino adorava ele. Uma coisa que quase ninguém sabe é que o nome certo dele não era Sepé Tiarajú. Esse era o jeito que os padres das missões entenderam e escreveram.

Seu nome era Djekupé A Djú, que significava "Guardião de Cabelo Amarelo". "Guardião" porque era um guerreiro e "cabelo amarelo" porque não tinha o cabelo bem preto como os guaranis, era meio castanho. Mas era índio mesmo, não mestiço.

Quando o menino começou a crescer, pensaram que ia ser um pajé, um religioso, e ele começou a ser preparado para isso. Mas seu outro lado, de guerreiro, foi mais forte e aí mudou o seu destino. Recebeu nome de guerreiro, Djekupé A Djú. E também era chamado pelos guaranis de Karaí Djekupé, "Senhor Guardião".

O destino de guerreiro foi porque ele era revoltado com os brancos e tinha gratidão pelos guaranis. Queria lutar pelos guaranis. É que, na aldeia, nunca esconderam dele a sua história, tudo que tinha acontecido no ataque.

Os jesuítas não criaram ele, mas ia sempre nas missões porque os padres davam apoio na defesa e ele ficava uns tempos lá. Foi assim que aprendeu a língua espanhola.

Os padres não treinaram ele, foi preparado sim pelo grande exército guarani, os "kereymba" [pronuncia-se "krimbá"]. Era um ótimo guerreiro.

Além do mais, tinha facilidade para conversar com os homens brancos, uma coisa que os outros guerreiros não tinham aptidão para fazer. Djekupé A Djú lutava, fazia de tudo para que as aldeias guaranis não fossem perturbadas. Principalmente porque ele pensava no seu avô, não queria que nada atrapalhasse a preparação espiritual do seu avô [Werá não entrou em detalhes, mas é possível supor que, de acordo com a tradição, o velho pajé se preparava espiritualmente para "viajar" à Terra Sem Mal, a Yvy Mara Ey, uma espécie de paraíso, que segundo o mito pode ser alcançado em vida ou após a morte].

Por aí se vê que Djekupé A Djú podia se relacionar com os jesuítas, mas não era um cristão mesmo, como dizem, porque na verdade ele respeitava mais a religião do avô, a religião do nosso povo. Karaí Djekupé foi e continua sendo um grande herói dos guaranis e esta é a sua verdadeira história".

Estudos históricos e antropológicos vêm indicando, cada vez mais, que a falada conversão dos guaranis ao cristianismo, nas reduções jesuíticas, foi talvez mais aparente que real. Esses indígenas não se recusavam ao batismo e às missas, muitas vezes por apreciarem a estética dos rituais e para não desgostarem os padres.

Um sinal disso pode ser a não permanência da religião. O número de guaranis católicos, hoje, é ínfimo. Tem havido "ataques" de seitas protestantes às aldeias e muitos frequentam os cultos. Mas ainda não se pode avaliar a verdadeira dimensão do prejuízo cultural, pois os guaranis parecem possuir uma auto-defesa eficiente, baseada no ato de "desviar-se", com extrema diplomacia, que ilude inteligentemente os desavisados.
Fonte: http://www.anovademocracia.com.br/no-40/1515-guaranis-desmentem-livros-e-revelam-nova-historia

11 de fev. de 2014

II CONGRESSO INTERNACIONAL DE DIREITO DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS


Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE Temático 2013.

Confira o resultado do Edital de Convocação 01/2012 - CGPLI, referente à inscrição e seleção de obras para o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE Temático 2013.
A obra - O CARÁTER EDUCATIVO DO MOVIMENTO INDÍGENA BRASILEIRO (1970-1990), de Daniel Munduruku foi uma das escolhidas pelo PNBE Temático.
Compartilhem!
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20109
Resultado - Edital de Convocação



O caráter educativo do movimento indígena brasileiro (1970-1990) 
Sinopse: 
O caráter do movimento indígena brasileiro, do professor e escritor Daniel Munduruku, discorre sobre como esse movimento se organizou nos anos 1980 dentro do contexto histórico nacional - um período de intensa participação popular pelas mobilizações políticas em prol da democracia. O livro enfoca o movimento indígena brasileiro sob a ótica do caráter educativo, de modo que o movimento é narrado desde sua origem como um instrumento legítimo na defesa dos direitos indígenas e que, estruturado em seu processo de autoformação, também serviu como mola para promover mudança no olhar da sociedade brasileira sobre os povos indígenas. Daniel Munduruku optou por desenvolver o tema no estilo epistolar, como se estivesse escrevendo uma carta aos seus parentes indígenas. Embora não seja uma obra de estudo antropológico do movimento indígena, há capítulos que apresentam referências da antropologia, da história e do direito. O livro está estruturado em duas partes: "Colocando os pingos nos is" e "Somos aqueles por quem esperamos". Os capítulos podem ser lidos independentemente, porque tratam de conteúdos não lineares, mas "que estão estruturados para oferecer uma visão organizada de um tema complexo e que se apresenta com muitas faces e muitas possibilidades de aprofundamento". Outra peculiaridade que o livro traz é o fato de "ouvir" a opinião de personalidades indígenas, participantes do processo histórico do movimento. Para Daniel: "O Movimento Indígena é fruto da ação concreta de resistência de pessoas que, sem se conhecerem, deixaram rastros de solidariedade. Foram pessoas que viveram em tempos diferentes, mas sua resistência permitiu que as novas gerações sobrevivessem para atuar incisivamente dentro da sociedade brasileira". Nesse movimento de troca de experiências e saberes, algo que nasceu para se educar acabou educando.

Preço: R$ 25,00
Pedidos:ukacontato@gmail.com 

6 de fev. de 2014

Oficina de Pife e Tambor Terena

Adicionar legenda

ATENÇÃO - VEM AÍ, OFICINA DE PIFE E TAMBOR TERENA, PARTICIPE E APRENDA A FAZER UM DAS MAIS BELAS ARTES DE NOSSA CULTURA.
IDADE MINIMA 14 ANOS.

4 de fev. de 2014

Secretaria de Cultura abre edital para agentes culturais do Programa Aldeias

Inscrições estarão abertas entre os dias 27 de janeiro e 27 de fevereiro; atividades serão desenvolvidas em aldeias guaranis localizadas em São Paulo

A Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Núcleo de Cidadania Cultural, abre inscrições, entre os dias 27 de janeiro e 27 de fevereiro, para os interessados em prestar serviços como agentes culturais no Programa Aldeias, cujas atividades serão desenvolvidas nas aldeias Guaranis Tekoa Krukutu, Tekoa Tenondé Porã, Tekoa Pyau e Tekoa Ity e Tekoa Eucalipto, localizadas na cidade de São Paulo.

As inscrições devem ser feitas pessoalmente na Secretaria Municipal de Cultura, localizada à Avenida São João, 473, 9º andar, Sala do Programa VAI, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h.

O Programa Aldeias é fruto do diálogo instaurado entre a Secretaria Municipal de Cultura e as lideranças das aldeias indígenas do povo Guarani Mbya do Município de São Paulo, por meio de ações do Projeto Vocacional Aldeias realizadas desde 2008. Em 2014 o Programa Aldeias passa a ser coordenado pelo do Núcleo de Cidadania Cultural, que buscará aprofundar esta parceria dada inicialmente na abordagem artístico-pedagógica do Projeto Vocacional Aldeias, em reconhecimento ao contexto diferenciado da Cultura Tradicional Guarani Mbya.


 Maiores informações: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/noticias/?p=14179

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...