Índios de Rondônia viajam à Europa para conhecer acervo recolhido em suas aldeias
Vanessa Farias
Sete índios dos povos Aruá, Jabutí, Kanoé, Makurap e Tuparí, que vivem nas terras indígenas de Rio Branco e Guaporé, em Rondônia, embarcam neste sábado para a Suíça, onde terão a oportunidade de mostrar a cultura de cada etnia e trocar conhecimentos com pesquisadores suíços. A viagem no valor de aproximadamente R$ 70 mil está sendo financiada pelos museus etnográficos de Basiléia, na Suíça, de Viena, na Áustria; de Berlim, na Alemanha e do museu de Leiden, na Holanda.
O intercâmbio é resultado de um projeto de recuperação de costumes indígenas realizado a longo prazo das duas terras indígenas. “Os museus possuem arquivos do ano de 1934, quando as pesquisas com esses povos começaram”, conta a fotógrafa e jornalista Gleice Mere que faz a intermediação há dois anos entre os índios e os pesquisadores suíços.
Anísio Aruá, José Anderê Makurap, Marlene Tupari, Dalton Tupari, Analícia Makurap, José Augusto Kanoé e Armando Jabuti estão ansiosos para conhecer os objetos e registros fotográficos de seus antecedentes que estão guardados nos museus. “Além de querer conhecer os parentes dos homens que nos ajudaram no passado fazendo esses registros e levando a nossa cultura para outro país, nós queremos ver as fotos dos nossos pais e avós, identificar o nosso passado”, diz Marlene Tupari.
O indígena José Anderê anseia por uma única expectativa. “Eu nem sei ler nem escrever, nem sei quantos anos de idade eu tenho, mas única coisa que quero é poder ver meus pais que eu não conheci. Tomara que tenha fotos deles por lá”, dispara. A filha, Analícia, estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental e acredita que a viagem servirá para ampliar seus conhecimentos. “Nós vamos trocar experiências com pessoas que vivem em um país de primeiro mundo, e isso pode ser muito bom para o nosso conhecimento de vida”, declara.
Cestos de olho de palha usados na aldeia para “guardar” as galinhas que vão chocar os ovos, roupas tradicionais, arcos e flechas são a contrapartida dos indígenas para os museus. “Eles precisam levar novos arquivos para o museu para enriquecer o material que já existe lá”, explica Gleice Mere.
Registros
Em 1934, o pesquisador suíço Emil-Heinrich Snethlage chegou à região do Guaporé, onde morou por seis meses coletando materiais para os museus, conhecendo os costumes dos povos e registrando a história das tribos da área. Em uma segunda viagem à região, Emil escreveu um diário de 1042 páginas que nunca foi publicado, gravou um filme mudo e sons de cânticos indígenas que são reconhecidos pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.
“Essa viagem vai marcar a gente, com o que vamos poder ver de diferente no trabalho que nossos avós e pais faziam, as fotos, as músicas. Tudo vai ser importante para nós”, enfatizou José Augusto Kanoé. Para aqueles que nunca saíram do Estado, um medo que não é maior do que a vontade de viajar é revelado. “Eu nunca viajei de avião. Dá um medo de imaginar, mas eu vou conseguir”, diz Marlene Tupari.
Além de visitas aos cinco museus patrocinadores, está previsto também o encontro com as famílias dos pesquisadores que passaram pela região de Rio Branco e Guaporé, oficinas com crianças locais, apresentações de filmes sobre a Amazônia, dança e pintura indígena e o reconhecimento do acervo de objetos guardados nos museus. A chegada dos indígenas na Suíça está prevista para este domingo e o retorno da viagem será feito em 20 dias.
Fonte: Diário da Amazônia
Indígenas isolados correm risco de extinção, diz ONG
Segundo organização inglesa, grupos estão localizados no Maranhão e em Mato Grosso
Funai reconhece gravidade do caso, mas afirma que toma medidas preventivas; para antropólogo, solução está na demarcação de áreas
De Matheus Pichonelli:
Relatório da ONG inglesa Survival International aponta que duas tribos brasileiras de índios isolados estão entre as com maior risco de extinção na América do Sul.
O estudo indica que os territórios de índios awá (ou guaja), no oeste do Maranhão, e de índios kawahiva do rio Pardo, que vivem no norte de Mato Grosso, estão sendo destruídos pela exploração ilegal de madeira.
Juntos, os dois grupos somam, no máximo, 110 índios.
Indígenas isolados são populações que vivem até hoje sem contato com outras tribos ou órgãos indigenistas. De acordo com a CGII (Coordenação Geral de Índios Isolados), ligada à Funai (Fundação Nacional do Índio), foram identificadas 69 áreas no país onde podem existir índios não contatados.
A ONG aponta ainda que outras duas tribos do Peru e uma do Paraguai também correm risco de extinção. No Peru, o problema é a exploração de petróleo e madeira. Já no Paraguai, são criadores de gado brasileiros que ameaçam os índios. A existência dessas populações veio à tona em maio de 2008, quando a Funai divulgou imagens de grupos isolados no Acre. Fotos de índios tentando acertar o avião dos "invasores" com arcos e flechas tiveram repercussão internacional.
À época, o episódio gerou contestações sobre a existência dos grupos. No relatório, a ONG cita o caso de um jornal britânico que publicou reportagem lançando dúvidas sobre a história e, meses depois, admitiu a validade das imagens. Segundo Fiona Watson, coordenadora da Survival International, as fotos criaram interesse de pessoas que não sabiam da existência de grupos isolados em pleno século 21. Assinante do jornal leia mais em: Indígenas isolados correm risco de extinção, diz ONG
31 de mai. de 2009
15 de mai. de 2009
A milenar arte de educar dos povos indígenas
Daniel Munduruku · Lorena (SP) · 15/5/2009
Educar é dar sentido. É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito. Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência.
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo.
Esta visão de educação é sustentada pela idéia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente seu ser infantil. Nada será por que já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito.
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo.
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de “manter o céu suspenso”. A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores; contam que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se “forma”. Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo.
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora.
Resumo da ópera: A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase porque passa um indígena – desde a mais tenra idade – alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo maior e Único.
Olhar os povos indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si.
Pense nisso.
Educar é dar sentido. É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito. Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência.
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo.
Esta visão de educação é sustentada pela idéia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente seu ser infantil. Nada será por que já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito.
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo.
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de “manter o céu suspenso”. A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores; contam que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se “forma”. Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo.
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora.
Resumo da ópera: A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase porque passa um indígena – desde a mais tenra idade – alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo maior e Único.
Olhar os povos indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si.
Pense nisso.
12 de mai. de 2009
Curtas sobre os povos indígenas
Índios pedem autonomia e fim da tutela da União
Depois de quatro dias reunidos no 6º Acampamento Terra Livre, montado no gramado da Esplanada dos Ministérios, cerca de 1,2 mil lideranças indígenas de todas as regiões e etnias divulgaram quinta-feira o documento final do encontro, reivindicando a revogação de, pelo menos, cinco artigos do Estatuto do Índio para extinguir a figura jurídica que considera os indígenas cidadãos sujeitos à tutela da União. O estatuto restringe os direitos civis de quem vive nas aldeias e seus descendentes. A mudança no estatuto é apoiada pela Funai. A alteração do Estatuto do Índio implicará, necessariamente, em destinar aos mais de 200 povos espalhados pelo país o poder de opinar sobre decisões dos governos como, por exemplo, a mineração ou a construção de grandes hidrelétricas nas terras indígenas - CB, 8/5, Brasil, p.12.
Funai será cobrada sobre terras indígenas
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul deve encaminhar nesta semana um ofício cobrando da Funai o andamento da demarcação de mais terras indígenas para os Guarani Kaiowá, que se concentram no chamado cone sul do Estado. A área abrange cerca de 26 municípios, próxima ao Paraguai. O povo tem o maior índice de violência de todo o País, com 42 assassinatos entre índios no ano passado. Em 12 de novembro de 2009, o presidente da Funai, Márcio Meira, assinou termo em que se comprometeu a efetuar os procedimentos para a demarcação. A delimitação das terras e a extensão das áreas dependem de estudos antropológicos da Funai - OESP, 11/5, Nacional, p.A8.
Tenda dos milagres
A ONG Expedicionários da Saúde, de médicos paulistas, monta centro cirúrgico na comunidade de Novo Paraíso, no rio Solimões, a duas horas de lancha de Tabatinga (AM), para livrar índios de doenças simples, mas incapacitantes, como catarata e hérnia. São 32 voluntários nesta campanha cirúrgica (a 13ª da ONG desde 2004). A barraca gigante do centro cirúrgico, duas outras para operações menores e dois consultórios em tabiques de folha de palmeira ficam abrigados sob o telheiro construído pelos Ticuna em novembro, na primeira expedição cirúrgica da ONG ao local. Ao final de oito dias, os Expedicionários contam 299 cirurgias realizadas. O esforço quixotesco da ONG -mais de 1.800 cirurgias em cinco anos- é levar aos indígenas da Amazônia um tratamento de saúde de primeira - FSP, 10/5, Mais!, p.8 e 9.
Aculturados, índios Ticuna têm língua complexa
O Distrito Sanitário especial Indígena (Dsei) do Alto Solimões abarca 32 mil índios espalhados por 181 aldeias em sete municípios. Há um agente de saúde indígena em cada comunidade e 11 polos-base dotados de médico, enfermeira, dentista e farmácia. A mortalidade infantil em 2008 ficou na casa dos 35,7 por mil (a média nacional está em 23,3). No ano passado registraram-se 16 suicídios. A etnia predominante é Ticuna, povo indígena mais numeroso da Amazônia brasileira, com 35 mil pessoas. O contato com brancos data do século 17, quando jesuítas espanhóis criaram várias missões ao longo do Solimões. Hoje os Ticuna estão aculturados. Mantiveram, porém, a língua complexa e única. A Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngues cuida da alfabetização em ticuna e português. Em Novo Paraíso as crianças só falam ticuna - FSP, 10/5, Mais!, p.9.
Índios contra a Funasa
"Certamente não se pode aprovar o método escolhido pelo grupo representante das 37 tribos indígenas espalhadas pelo Estado de São Paulo, para apresentar suas reivindicações - a invasão, na terça-feira, da sede da coordenadoria regional da Funasa. Ao ocupar e paralisar o funcionamento de uma entidade pública, usando funcionários como reféns, os índios de São Paulo seguiram o mau exemplo dos movimentos ditos sociais. Embora escolhessem o método errado de reivindicar, tudo indica que os pleitos dos indígenas são justos. A queixa dos índios paulistas coincide com as denúncias que têm surgido contra a Funasa. O protesto dos índios paulistas teve o mérito de fazer vir à tona aberrações político-administrativas mais amplas envolvendo a autarquia que cuida de fundamentais setores da saúde pública no País", editorial - OESP, 9/5, Notas e Informações, p.A3.
Índios
"Nunca me esqueço de uma visita feita a uma aldeia indígena em Parelheiros (SP). A falta de condições sanitárias e o abandono em que estavam eram a completa negação da assistência humanitária que o governo diz dar aos índios. Não concordo com a opinião do senhor Aníbal Fillip (Painel do Leitor, 7/5). Antes de se manifestarem daquela maneira, no prédio da Funasa, eles devem ter recorrido às leis, sem terem sido ouvidos, pois aqui, no Brasil, é preciso sair na TV para que os responsáveis cumpram com suas obrigações", carta de Maria Dilma Watanabe - FSP, 9/5, Painel do Leitor, p.A3.
Depois de quatro dias reunidos no 6º Acampamento Terra Livre, montado no gramado da Esplanada dos Ministérios, cerca de 1,2 mil lideranças indígenas de todas as regiões e etnias divulgaram quinta-feira o documento final do encontro, reivindicando a revogação de, pelo menos, cinco artigos do Estatuto do Índio para extinguir a figura jurídica que considera os indígenas cidadãos sujeitos à tutela da União. O estatuto restringe os direitos civis de quem vive nas aldeias e seus descendentes. A mudança no estatuto é apoiada pela Funai. A alteração do Estatuto do Índio implicará, necessariamente, em destinar aos mais de 200 povos espalhados pelo país o poder de opinar sobre decisões dos governos como, por exemplo, a mineração ou a construção de grandes hidrelétricas nas terras indígenas - CB, 8/5, Brasil, p.12.
Funai será cobrada sobre terras indígenas
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul deve encaminhar nesta semana um ofício cobrando da Funai o andamento da demarcação de mais terras indígenas para os Guarani Kaiowá, que se concentram no chamado cone sul do Estado. A área abrange cerca de 26 municípios, próxima ao Paraguai. O povo tem o maior índice de violência de todo o País, com 42 assassinatos entre índios no ano passado. Em 12 de novembro de 2009, o presidente da Funai, Márcio Meira, assinou termo em que se comprometeu a efetuar os procedimentos para a demarcação. A delimitação das terras e a extensão das áreas dependem de estudos antropológicos da Funai - OESP, 11/5, Nacional, p.A8.
Tenda dos milagres
A ONG Expedicionários da Saúde, de médicos paulistas, monta centro cirúrgico na comunidade de Novo Paraíso, no rio Solimões, a duas horas de lancha de Tabatinga (AM), para livrar índios de doenças simples, mas incapacitantes, como catarata e hérnia. São 32 voluntários nesta campanha cirúrgica (a 13ª da ONG desde 2004). A barraca gigante do centro cirúrgico, duas outras para operações menores e dois consultórios em tabiques de folha de palmeira ficam abrigados sob o telheiro construído pelos Ticuna em novembro, na primeira expedição cirúrgica da ONG ao local. Ao final de oito dias, os Expedicionários contam 299 cirurgias realizadas. O esforço quixotesco da ONG -mais de 1.800 cirurgias em cinco anos- é levar aos indígenas da Amazônia um tratamento de saúde de primeira - FSP, 10/5, Mais!, p.8 e 9.
Aculturados, índios Ticuna têm língua complexa
O Distrito Sanitário especial Indígena (Dsei) do Alto Solimões abarca 32 mil índios espalhados por 181 aldeias em sete municípios. Há um agente de saúde indígena em cada comunidade e 11 polos-base dotados de médico, enfermeira, dentista e farmácia. A mortalidade infantil em 2008 ficou na casa dos 35,7 por mil (a média nacional está em 23,3). No ano passado registraram-se 16 suicídios. A etnia predominante é Ticuna, povo indígena mais numeroso da Amazônia brasileira, com 35 mil pessoas. O contato com brancos data do século 17, quando jesuítas espanhóis criaram várias missões ao longo do Solimões. Hoje os Ticuna estão aculturados. Mantiveram, porém, a língua complexa e única. A Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngues cuida da alfabetização em ticuna e português. Em Novo Paraíso as crianças só falam ticuna - FSP, 10/5, Mais!, p.9.
Índios contra a Funasa
"Certamente não se pode aprovar o método escolhido pelo grupo representante das 37 tribos indígenas espalhadas pelo Estado de São Paulo, para apresentar suas reivindicações - a invasão, na terça-feira, da sede da coordenadoria regional da Funasa. Ao ocupar e paralisar o funcionamento de uma entidade pública, usando funcionários como reféns, os índios de São Paulo seguiram o mau exemplo dos movimentos ditos sociais. Embora escolhessem o método errado de reivindicar, tudo indica que os pleitos dos indígenas são justos. A queixa dos índios paulistas coincide com as denúncias que têm surgido contra a Funasa. O protesto dos índios paulistas teve o mérito de fazer vir à tona aberrações político-administrativas mais amplas envolvendo a autarquia que cuida de fundamentais setores da saúde pública no País", editorial - OESP, 9/5, Notas e Informações, p.A3.
Índios
"Nunca me esqueço de uma visita feita a uma aldeia indígena em Parelheiros (SP). A falta de condições sanitárias e o abandono em que estavam eram a completa negação da assistência humanitária que o governo diz dar aos índios. Não concordo com a opinião do senhor Aníbal Fillip (Painel do Leitor, 7/5). Antes de se manifestarem daquela maneira, no prédio da Funasa, eles devem ter recorrido às leis, sem terem sido ouvidos, pois aqui, no Brasil, é preciso sair na TV para que os responsáveis cumpram com suas obrigações", carta de Maria Dilma Watanabe - FSP, 9/5, Painel do Leitor, p.A3.
6 de mai. de 2009
Noticias dos povos indígenas
Índios querem rever estatuto
A intenção dos cerca de mil indígenas reunidos no Acampamento Terra Livre é reformar, quase completamente, o Estatuto do Índio, que tramita no Congresso Nacional há 14 anos. Há um ponto específico considerado prioritário pelas lideranças indígenas: a exploração de recursos hídricos dentro das aldeias. "Existem 48 grandes hidrelétricas no PAC que vão inundar nossas terras", diz Marcos Apurinã, coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. Os índios defendem que a comunidade em questão tenha poder de veto. "Queremos ser consultados sobre o que pode ser feito nas nossas terras", diz Marcos Xukuru. A violência nas comunidades, que registraram aumento de suicídios e de mortes por falta de assistência médica em 2008 comparado ao ano anterior, é outro tema do encontro - CB, 5/5, Brasil, p.10.
Ministro busca diálogo com acampados
O ministro da Justiça, Tarso Genro, esteve ontem no Acampamento Terra Livre, montado na Esplanada dos Ministérios por mais de 100 etnias indígenas. Ele criticou a Justiça e deputados que tomam ações cotrárias em relação às demarcações de terras indígenas. Segundo ele, há um "processo de resistência dos tribunais" contra demarcações de reservas - OESP, 6/5, Nacional, p.A10; FSP, 6/5, Brasil, p.A4.
Índios ocupam Funasa de SP
Cerca de 100 índios invadiram ontem a sede da coordenadoria regional da Funasa, em São Paulo. Eles pretendem permanecer na entidade até que o coordenador regional Raze Rezek, seja demitido do cargo. Os indígenas atribuem a ele a responsabilidade pela piora nos serviços de atendimento médico e de saneamento que estaria ocorrendo nas 36 aldeias do Estado. À noite, Rezek anunciou que irá pedir demissão. Rezek assumiu o cargo em agosto de 2007. De lá para cá, admitiu, os serviços pioraram: "As reivindicações são justas". Mas ele atribuiu a piora à estrutura da Funasa, à lentidão nos processos licitatórios - OESP, 6/5, Nacional, p.A10; O Globo, 6/5, O País, p.11; FSP, 6/5, Brasil, p.A9.
PF faz operação para desativar garimpos
A Delegacia de Combate aos Crimes Ambientais da Polícia Federal desencadeou, na segunda-feira passada, a Operação Aracaça, destinada a combater o garimpo ilegal na região do rio Uraricuera, a noroeste da Terra Indígena Yanomami, no município de Amajari (RR). A ação executada foi encerrada ontem com a apreensão de equipamentos utilizados para a garimpagem. Os policiais chegaram até o local através de informes recebidos de indígenas da região. De acordo com o delegado Alan Gonçalves, durante o ano serão realizados diversos trabalhos na área de combate ao garimpo ilegal - Folha de Boa Vista, 6/5.
Entidade traça perfil de índios na cidade
Para o presidente da Organização dos Indígenas da Cidade (Odic), Eliandro Pedro de Souza, a saída dos não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) não provocará o aumento do êxodo rural indígena. "Acreditamos que a população indígena vai protagonizar seu próprio desenvolvimento econômico. Não acreditamos que um grande número de indígenas sairá da reserva. Pelo contrário". Segundo ele, o Diagnóstico da Situação dos Indígenas na Cidade de Boa Vista, publicado em 2007, permitiu traçar um perfil dos indígenas que moram na capital. O trabalho revelou que poucos dos indígenas que saem do campo conseguem, de fato, almejar o que os motivou a sair da zona rural. Como não possuem instrução nem condições financeiras, começam a ocupar as periferias de Boa Vista. A maioria da população dos bairros novos que surgiram em Boa Vista é composta por indígenas - Folha de Boa Vista, 6/5.
A intenção dos cerca de mil indígenas reunidos no Acampamento Terra Livre é reformar, quase completamente, o Estatuto do Índio, que tramita no Congresso Nacional há 14 anos. Há um ponto específico considerado prioritário pelas lideranças indígenas: a exploração de recursos hídricos dentro das aldeias. "Existem 48 grandes hidrelétricas no PAC que vão inundar nossas terras", diz Marcos Apurinã, coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. Os índios defendem que a comunidade em questão tenha poder de veto. "Queremos ser consultados sobre o que pode ser feito nas nossas terras", diz Marcos Xukuru. A violência nas comunidades, que registraram aumento de suicídios e de mortes por falta de assistência médica em 2008 comparado ao ano anterior, é outro tema do encontro - CB, 5/5, Brasil, p.10.
Ministro busca diálogo com acampados
O ministro da Justiça, Tarso Genro, esteve ontem no Acampamento Terra Livre, montado na Esplanada dos Ministérios por mais de 100 etnias indígenas. Ele criticou a Justiça e deputados que tomam ações cotrárias em relação às demarcações de terras indígenas. Segundo ele, há um "processo de resistência dos tribunais" contra demarcações de reservas - OESP, 6/5, Nacional, p.A10; FSP, 6/5, Brasil, p.A4.
Índios ocupam Funasa de SP
Cerca de 100 índios invadiram ontem a sede da coordenadoria regional da Funasa, em São Paulo. Eles pretendem permanecer na entidade até que o coordenador regional Raze Rezek, seja demitido do cargo. Os indígenas atribuem a ele a responsabilidade pela piora nos serviços de atendimento médico e de saneamento que estaria ocorrendo nas 36 aldeias do Estado. À noite, Rezek anunciou que irá pedir demissão. Rezek assumiu o cargo em agosto de 2007. De lá para cá, admitiu, os serviços pioraram: "As reivindicações são justas". Mas ele atribuiu a piora à estrutura da Funasa, à lentidão nos processos licitatórios - OESP, 6/5, Nacional, p.A10; O Globo, 6/5, O País, p.11; FSP, 6/5, Brasil, p.A9.
PF faz operação para desativar garimpos
A Delegacia de Combate aos Crimes Ambientais da Polícia Federal desencadeou, na segunda-feira passada, a Operação Aracaça, destinada a combater o garimpo ilegal na região do rio Uraricuera, a noroeste da Terra Indígena Yanomami, no município de Amajari (RR). A ação executada foi encerrada ontem com a apreensão de equipamentos utilizados para a garimpagem. Os policiais chegaram até o local através de informes recebidos de indígenas da região. De acordo com o delegado Alan Gonçalves, durante o ano serão realizados diversos trabalhos na área de combate ao garimpo ilegal - Folha de Boa Vista, 6/5.
Entidade traça perfil de índios na cidade
Para o presidente da Organização dos Indígenas da Cidade (Odic), Eliandro Pedro de Souza, a saída dos não-índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) não provocará o aumento do êxodo rural indígena. "Acreditamos que a população indígena vai protagonizar seu próprio desenvolvimento econômico. Não acreditamos que um grande número de indígenas sairá da reserva. Pelo contrário". Segundo ele, o Diagnóstico da Situação dos Indígenas na Cidade de Boa Vista, publicado em 2007, permitiu traçar um perfil dos indígenas que moram na capital. O trabalho revelou que poucos dos indígenas que saem do campo conseguem, de fato, almejar o que os motivou a sair da zona rural. Como não possuem instrução nem condições financeiras, começam a ocupar as periferias de Boa Vista. A maioria da população dos bairros novos que surgiram em Boa Vista é composta por indígenas - Folha de Boa Vista, 6/5.
1 de mai. de 2009
Sarney e Temer apóiam Comitê em favor das cotas
Grupo de ativistas favoráveis ao PLC 180/2008 se reuniram em duas audiências com os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados. Além das cotas para negros e índios os parlamentares também sustentam a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial
Brasília, 30 de abril de 2009
Um grupo formado por 11 entidades e movimentos que fazem parte do Comitê Brasileiro em Defesa do PLC 180/2008 foi ao Congresso Nacional nesta quarta-feira, 29/04, pedir o apoio dos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) ao projeto que tramita na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado há cinco meses. O projeto cria cotas raciais e sociais em universidades públicas e escolas técnicas federais.
Os parlamentares declararam apoio total à matéria. Sarney afirmou que o Brasil tem graves problemas de inserção social e que as cotas é o caminho para começar a solucioná-los. Já Temer comprometeu-se a conversar com lideranças da Casa vizinha para sensibilizá-los a aprovar o PLC 180, assim como fez a Câmara em 20 de novembro de 2008. A expectativa é que a CCJ vote o projeto em maio.
A proposta chegou à Comissão dias depois de passar pela análise dos deputados e já teve três audiências públicas realizadas para debater sua constitucionalidade. Inúmeras tentativas de votar a matéria foram feitas pela relatora Serys Slhessarenko (PT-MT), apoiada pelos 15 senadores que já se manifestaram favoráveis ao projeto durante as audiências (leia a matéria), mas esbarraram nas manobras do presidente da CCJ, Desmóstenes Torres (DEM-GO), para atrasar a tramitação. O ministro da Educação, Fernando Haddad, declarou que não entende porque alguns parlamentares, entre eles Torres, que aprovaram as cotas no Prouni (veja a lista) criticam a reserva de vagas para negros e índios nas instituições públicas.
Estatuto da Igualdade Outro assunto pautado nas audiências dessa quarta-feira nas salas da presidência do Senado e da Câmara, foi a criação do Estatuto da Igualdade Racial. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), o PL 6264/2005 está sob apreciação da Comissão Especial, responsável por analisar a proposta na Câmara. Os deputados Carlos Santana (PT-RJ) e Vicentinho (PT-SP), presentes nas duas reuniões com o Comitê Brasileiro em Defesa do PLC 180/2008, anunciaram que a votação do texto deve acontecer no dia 13 de maio, data e que se completará 121 anos da Abolição da Escravatura.
Participaram das audiências a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o Ceabra (Coletivo de Empresários Afro-Brasileiros), o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), o CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro), o Conen (Coletivo Nacional de Entidades Negras), a Comunidade de Terreiros de Matriz Africana de Goiás, a Coper Negros (Negros e Negras pela Habitação de Goiás), a Educafro, o MNU (Movimento Negro Unificado), o MSU (Movimento dos Sem Universidade) e a Nação Hip-Hop. Além de Santana e Vincentinho, também compareceram a deputada Dalva Figueiredo (PT-AP) e os senadores Inácio Arruda (PcdoB-CE) e Eduardo Suplicy (PT-SP).
Brasília, 30 de abril de 2009
Um grupo formado por 11 entidades e movimentos que fazem parte do Comitê Brasileiro em Defesa do PLC 180/2008 foi ao Congresso Nacional nesta quarta-feira, 29/04, pedir o apoio dos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) ao projeto que tramita na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado há cinco meses. O projeto cria cotas raciais e sociais em universidades públicas e escolas técnicas federais.
Os parlamentares declararam apoio total à matéria. Sarney afirmou que o Brasil tem graves problemas de inserção social e que as cotas é o caminho para começar a solucioná-los. Já Temer comprometeu-se a conversar com lideranças da Casa vizinha para sensibilizá-los a aprovar o PLC 180, assim como fez a Câmara em 20 de novembro de 2008. A expectativa é que a CCJ vote o projeto em maio.
A proposta chegou à Comissão dias depois de passar pela análise dos deputados e já teve três audiências públicas realizadas para debater sua constitucionalidade. Inúmeras tentativas de votar a matéria foram feitas pela relatora Serys Slhessarenko (PT-MT), apoiada pelos 15 senadores que já se manifestaram favoráveis ao projeto durante as audiências (leia a matéria), mas esbarraram nas manobras do presidente da CCJ, Desmóstenes Torres (DEM-GO), para atrasar a tramitação. O ministro da Educação, Fernando Haddad, declarou que não entende porque alguns parlamentares, entre eles Torres, que aprovaram as cotas no Prouni (veja a lista) criticam a reserva de vagas para negros e índios nas instituições públicas.
Estatuto da Igualdade Outro assunto pautado nas audiências dessa quarta-feira nas salas da presidência do Senado e da Câmara, foi a criação do Estatuto da Igualdade Racial. De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), o PL 6264/2005 está sob apreciação da Comissão Especial, responsável por analisar a proposta na Câmara. Os deputados Carlos Santana (PT-RJ) e Vicentinho (PT-SP), presentes nas duas reuniões com o Comitê Brasileiro em Defesa do PLC 180/2008, anunciaram que a votação do texto deve acontecer no dia 13 de maio, data e que se completará 121 anos da Abolição da Escravatura.
Participaram das audiências a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o Ceabra (Coletivo de Empresários Afro-Brasileiros), o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), o CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro), o Conen (Coletivo Nacional de Entidades Negras), a Comunidade de Terreiros de Matriz Africana de Goiás, a Coper Negros (Negros e Negras pela Habitação de Goiás), a Educafro, o MNU (Movimento Negro Unificado), o MSU (Movimento dos Sem Universidade) e a Nação Hip-Hop. Além de Santana e Vincentinho, também compareceram a deputada Dalva Figueiredo (PT-AP) e os senadores Inácio Arruda (PcdoB-CE) e Eduardo Suplicy (PT-SP).
48 obras do PAC afetam áreas indígenas, diz Cimi
29/4/2009
São Paulo, SP - O bispo da prelazia do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário, Dom Erwin Krautler, disse no início da semana (25), que 48 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, afetam diretamente terras indígenas.
O pronunciamento foi feito na 47ª Assembléia da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (BNBB). "Dentro do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC - amplamente difundido pelo Governo e incensado como principal responsável pelo futuro avanço econômico do país, há 48 obras que afetam diretamente terras indígenas com o agravante de que tanto nessas como nas outras obras não há a realização da Consulta Prévia em tempo hábil para os interessados, determinada pela Convenção 169 da OIT, que foi incorporada à legislação brasileira no ano de 2005".
O bispo citou obras com verbas do PAC, como a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a hidrelétrica de Estreito, no Tocantins e no Maranhão, além da transposição do rio São Francisco, na região Nordeste. O bispo também denunciou a violação de direitos e a violência contra os povos indígenas na Amazônia e em estados como o Mato Grosso do Sul e Bahia.
Dom Erwin Krautler, que é uma das lideranças sociais ameaçadas de morte no Pará, também falou sobre as decisões da Justiça a respeito do assassinato da missionária americana Dorothy Stang. Recentemente, o acusado de ser o mandante do crime, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, conseguiu um Habeas Corpus e foi liberado.
"Assistimos pasmos a um espetáculo inusitado que macula profundamente a Justiça. Prende-se com alarido e depois, sem mais nem menos, um réu já condenado consegue de novo a liberdade. Vale ressaltar que o outro acusado de ser mandante do assassinato da irmã, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, após breve passagem pelo presídio Americano em Belém, encontra-se em liberdade desde junho de 2006 por decisão do Supremo Tribunal Federal", concluiu.
São Paulo, SP - O bispo da prelazia do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário, Dom Erwin Krautler, disse no início da semana (25), que 48 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, afetam diretamente terras indígenas.
O pronunciamento foi feito na 47ª Assembléia da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (BNBB). "Dentro do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC - amplamente difundido pelo Governo e incensado como principal responsável pelo futuro avanço econômico do país, há 48 obras que afetam diretamente terras indígenas com o agravante de que tanto nessas como nas outras obras não há a realização da Consulta Prévia em tempo hábil para os interessados, determinada pela Convenção 169 da OIT, que foi incorporada à legislação brasileira no ano de 2005".
O bispo citou obras com verbas do PAC, como a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a hidrelétrica de Estreito, no Tocantins e no Maranhão, além da transposição do rio São Francisco, na região Nordeste. O bispo também denunciou a violação de direitos e a violência contra os povos indígenas na Amazônia e em estados como o Mato Grosso do Sul e Bahia.
Dom Erwin Krautler, que é uma das lideranças sociais ameaçadas de morte no Pará, também falou sobre as decisões da Justiça a respeito do assassinato da missionária americana Dorothy Stang. Recentemente, o acusado de ser o mandante do crime, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, conseguiu um Habeas Corpus e foi liberado.
"Assistimos pasmos a um espetáculo inusitado que macula profundamente a Justiça. Prende-se com alarido e depois, sem mais nem menos, um réu já condenado consegue de novo a liberdade. Vale ressaltar que o outro acusado de ser mandante do assassinato da irmã, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, após breve passagem pelo presídio Americano em Belém, encontra-se em liberdade desde junho de 2006 por decisão do Supremo Tribunal Federal", concluiu.
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