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Feira do Livro Indígena divulga tradições e cultura do índio em Cuiabá

Cuiabá / Várzea Grande, 06/10/2009 - 13:57.

Da Redação

O Governo do Estado abriu, nesta terça-feira (06.10), no Centro Histórico de Cuiabá, a Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (Flimt). O evento traz exposições de livros, pintura, adornos tradicionais, entre outras manifestações da cultura do índio e prossegue até o próximo sábado (10.10). São cinco dias de feira, montada em três ambientes na Praça da República e Palácio da Instrução: a oca central, pavilhão da República e os estandes dos editores.

A solenidade de abertura teve a participação dos pajés Álvaro Tukano e Manoel Moura, dos povos Tukano do Amazonas, que realizaram a cerimônia espírita indígena na porta de entrada da feira. Estudantes, populares e convidados assistiram ao ritual. A ocasião contou ainda com apresentação da Dança Andorinha, Mini e Ari por índios da Nação Nativa Umutina e lançamento da Declaração das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos dos povos indígenas.

Mato Grosso é pioneira, em todo o país, a iniciativa de abrir espaço e divulgar a cultura, tradições e história do índio. A literatura indígena é recente. O secretário de Estado de Cultura, Paulo Pitaluga, comentou que “começaram há pouco tempo essa produção literária. A escrever livros, literatura infantil, contos, poesias, declamar poesia, participar de saraus, a contar a sua história”, disse ao lembrar que são títulos diversos, antropologia, arqueologia e da etnografia.

O diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi), Daniel Munduruku, descreveu a feira como um grande momento, de troca de ideias, conhecimento e afeto entre os índios e não índios. “É a realização de um sonho, de prender a visibilidade para os povos indígenas que tem muita coisa a oferecer ao Brasil”, contou Munduruku, que também é escritor com 35 títulos publicados e dois a ser publicado na Flimt.

Opinião parecida tem a artista plástica Deuseni Félix, que elogiou a iniciativa do Governo do Estado por divulgar a cultura do índio com “uma exposição, onde brancos e índios participam e veem a beleza dos povos indígenas, o papel e a cultura que eles querem mostrar”.

VISITAÇÃO

O Centro Histórico de Cuiabá, com pontos de destaque na Praça da República e Palácio da Instrução, é o endereço da literatura e cultura indígena até o sábado. O local está aberto à visitação de pessoas de todas as idades. Nos três espaços, o público vai conhecer um pouco da história dos povos indígenas, das suas origens e tradições, contadas pelos próprios índios. Uma exposição de fotos do Marechal Rondon também está à mostra num dos espaços. A visitação é gratuita.

DECLARAÇÃO

A declaração da ONU faz parte de uma luta de 22 anos. Segundo o vice-reitor da Unemat, Elias Januário, ela traça as diretrizes e conceitos da história e tradição indígena, que reconhece as diferenças dos povos indígenas e o direito de serem respeitados na sua diferença. Cento e quarenta e três países, com exceção dos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, assinaram o documento, publicado também em português. Exemplares foram distribuídos na ocasião da abertura da Flimt.

UNEMAT

Num pavilhão no Palácio da Instrução, diversos livros de autores índios e não índios, publicados por editoras e autores independentes estão à exposição, e para venda, ao público. Alguns, com apoio do Governo. Pitaluga lembrou que a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) que mais produz e editora livros indígenas.

SEMINÁRIO

Outras atividades fazem parte da programação da Flimt, como o Seminário de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso realizado nesta manhã após a solenidade de abertura.

Mais informações sobre a programação da Feira do Livro Indígena no site da SEC: www.cultura.mt.gov.br

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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…