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Mostrando postagens de Outubro, 2008

Sobre a morte e o morrer

(A propósito do dia 02 de novembro)

Meu povo munduruku vê a morte como um processo natural e necessário. Em seu mito de origem conta que nossos ancestrais viviam no mundo do centro da terra onde só havia fartura e bonança e os caçadores não precisavam se esforçar muito para conseguir os alimentos para o dia-a-dia.
Havia um caçador, no entanto, que era muito esforçado e andando a esmo notou que havia um tatu maior do que o normal e passou a persegui-lo. O animal ao se ver perseguido fugiu cavando um buraco na abóboda celeste. O caçador foi atrás e entrando pelo buraco deparou-se com um mundo bem diferente do que estava acostumado. Ficou assustado e voltou para junto dos seus a fim de contar-lhes o que havia descoberto. Todos o ouviram com atenção e decidiram ir conhecer o mundo de cima. Teceram, então, uma rede bastante comprida e um exímio arqueiro lançou uma certeira flechada que fincou numa árvore.
Todos passaram a subir pela corda com cuidado. E muitos já haviam partido, mas quando …

Noticias fresquinhas

Em São Gabriel da Cachoeira, índio vota em índio
São Gabriel da Cachoeira, o terceiro maior município do País, no extremo Norte do Estado do Amazonas, tem 109 mil km2 onde vivem espalhadas 700 comunidades indígenas de 23 etnias diferentes. O município mais indígena do Brasil elegeu no primeiro turno um prefeito e um vice índios - Pedro Garcia, do PT, é tariana e seu vice, André Baniwa, do PV, pertence aos baniwa. Eles irão comandar um território onde vivem 45 mil habitantes e terão como desafios: melhorar o sistema de Saúde, dar sentido à Educação e atender à demanda por saneamento. Pedro Garcia é o quarto índio que chega a prefeito no Brasil. Mas esta é a primeira vez que se elegem titular e vice indígenas. Eles derrubaram a crença que "índio não vota em índio" - Valor Econômico, 23/10, Política, p.A10.

Uribe admite que polícia atirou contra marcha de indígenas
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu ontem que a polícia disparou contra a marcha de 10 mil indígenas…

Almir Surui ganha prêmio internacional

Recebi a mensagem abaixo que repasso a todos e todas. É uma alegria saber que o parente Suruí ganhou esse importante prêmio internacional. Minhas congratulações ao nobre Almir.
DM


O indígena Almir Narayamoga Surui, de Cacoal da Terra Indígena Sete de Setembro, ganhou o Prêmio de Defensor dos Direitos Humanos.

O prêmio será entregue no Victoria Hall (teatro mais importante de Genebra na Suiça, com um concerto da Orquestra Suiça, que tocará Villa-lobos e Mozart, seguidos do artista brasileiro-suiço José Barrense-Dias que é o responsável para entregar o Prëmio a Almir.

Este prêmio foi dado por sua luta em defesa do meio ambiente e contra o desmatamento na Amazônia, além de sua luta para salvar os indios isolados.

Para Rondônia e Cacoal, é um orgulho ter um filho da terra recebendo um dos prêmios mais importante da Europa, que foi dado a Dalai Lama e agora é dado ao indígena Almir Surui.




Ivaneide Bandeira Cardozo
Associação de Defesa Etnoambiental - Kanindé

Mais uma Universidade Federal aprova política de cotas

Aracaju - SE - A Universidade Federal de Sergipe (UFS), aprovou por
meio do seu Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) o
Programa de Ações Afirmativas (Paaf), que garante a implementação da
política de cotas para negros e indígenas, a partir do Processo
Seletivo Seriado de 2010. Com a de Sergipe chega a 53 o número de
instituições públicas a adotarem ações afirmativas no país.
O Programa garante a reserva de 50% das vagas para
estudantes de
escolas públicas. Desse total, 70% serão destinadas a estudantes
autodeclarados negros, pardos ou indígenas. Também será reservada
vaga por curso aos portadores de necessidades especiais.
Segundo o reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Subrinho (foto), a
aprovação do sistema "é mais um reflexo da política de expansão e
inclusão vivida pelas universidades públicas nos últimos anos".
"Acredito que nossas políticas de ações afirmativas – neste caso, as
cotas – é um coroamento para tornar a universidade mais inclusiva.
Começamos com o aument…

Ler é somar-se ao mundo

A leitura tem sido propagandeada como um bom instrumento para nos tornar mais participantes do mundo e das decisões que acabam afetando nossas vidas. É verdade. Também acredito nisso. Mas isso não pode ser dito apenas a respeito da leitura que se faz nos livros. Há outras tantas formas de ler o mundo que devem ser levadas em consideração para não se correr o risco de parecer arrogantes.
Penso por exemplo, na leitura de mundo que fazem os povos tradicionais. Considerados ágrafos durante muito tempo não se pode negar a eles uma sabedoria que vai além da compreensão capitalista da transformação da realidade.
Para a sociedade capitalista a transformação do mundo tem a ver com o domínio da natureza e com o consumo que isso gera. É a política posta em prática quase sempre quando se diz que é preciso interferir no mundo de maneira inclusivista. Políticas de inclusão são, normalmente, desenvolvidas visando tornar o diferente - índio, negro, pobre, deficiente.. - um igual. É tornar o diferente …

EDUCAR É PARA POUCOS

Minha homenagem ao dia dos confessores de sonhos mais conhecidos como Professores.

Educar é um ato heróico em qualquer cultura.
Talvez seja pelo fato de que educar exija que a pessoa saia um pouco de si e vá ao encontro do outro; um outro desconhecido; um outro anônimo; um outro que me questiona; um outro que me confronta com meus próprios fantasmas, meus próprios medos, minha própria insegurança.
Talvez seja pelo fato que educar exija sacrifício, exija renúncia de si, exija abandono, exija fé, exija um salto no escuro.
Talvez por isso seja algo para poucos.
Seja para pessoas que acreditam nas outras pessoas.
Seja para pessoas que não se acomodaram diante da mesmice que a sociedade pede todos os dias.
Talvez por isso seja mais fácil encontrar professores que educadores:
Professores são donos do conhecimento.
Educadores são mediadores.
Professores são profissionais do ensino.
Educadores fazem do ensino um estimulo para seu conhecimento pessoal.
Professores usam a palavra como instrumento.
Educado…

Imprensa Oficial lança revista Graciliano Ramos

A Imprensa Oficial lança no próximo dia 21 de outubro a revista Graciliano Ramos, uma publicação mensal de cunho científico e cultural. O evento acontece às 10h, no Museu da Imagem e do Som (MISA).

O novo veículo do cenário editorial alagoano é resultado de uma articulação entre a Companhia de Empreendimentos Intermediação e Parcerias de Alagoas (Cepal), que é gestora da Imprensa Oficial, e Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan).

A revista Graciliano Ramos abordará assuntos diversos: literatura e artes em geral; temas tradicionais da área de saúde, ciências exatas e letras; além das problemáticas sócio-políticas de Alagoas.

A direção cultural da revista é do professor Luiz Sávio de Almeida. Para ele, a especificidade da publicação está no olhar. “A linha editorial da Graciliano Ramos é calcada no recorte aprofundado dos temas, que serão tratados pelos nossos mais valiosos especialistas”, afirma.

Segundo ele, a publicação se destina, prioritariamente, à grande massa de estudan…

Índios cobram R$ 180 por passagem de caminhão em reserva

A estrada que corta a reserva indígena no Parque Nacional do Xingu tem pontos vigiados por guerreiros. Para passar pelo trecho, é preciso pagar. O motorista de um caminhão bi-trem, carregado, deve deixar R$ 180 para os índios. Se o veículo estiver vazio, o preço é de R$ 150.

O valor é para atravessar o Rio Xingu. Dois índios operam a balsa mantida pela tribo. Em menos de dez minutos, é possível chegar à outra margem. A equipe de reportagem do "Jornal Hoje" pagou R$ 50 e recebeu o comprovante. No documento, é possível constatar que cada veículo tem um preço diferente. E, no caso dos ônibus, a cobrança é feita duas vezes. O motorista deve pagar R$ 60 e, cada passageiro, R$ 5.

A rodovia existe há mais de 30 anos e é o principal acesso entre oito cidades do norte de Mato Grosso. Sem ela, a viagem fica quase inviável.

Quando algum fazendeiro da região precisa transportar o gado na balsa, o faturamento dos índios aumenta. Os animais são levados até a beira do rio e lá embarcam em ca…

Lúcia Fernanda Kaingang na Suiça

Desde o dia 10 de outubro a jovem advogada indígena Lúcia Fernanda Kaingang está em Genebra, Suiça, para participar de reunião da Organização Mundial da Propriedade Intelectual - OMPI. Ela representa o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual - INBRAPI - única organização indígena brasileira com assento nesta organização criada pela ONU para tratar do tema da Propriedade Intelectual.
Nossa intelectual estará pela europa até o dia 01 de novembro quando retorna para o Brasil.
Ela contou que está de mudança para sua aldeia no Rio Grande do Sul de onde irá dirigir o Inbrapi. Considerou esta mudança essencial para aproximar-se ainda mais de sua cultura e educar o filho, Kyfe. Segundo a advogada o Inbrapi já provou que é uma instituição que veio para ficar e mostrou competência em todas as suas ações. Dessa forma, disse ela, não importa o lugar onde estará, pois a instituição estará com ela.
Desejamos muita boa e produtiva viagem à Lúcia.

Manoel Moura hospitalizado

É com muito pesar que noticio que o nosso grande líder indígena Manoel Moura Tukano, um dos principais nomes do movimento indígena brasileiro, está hospitalizado em Manaus.
Tive notícias de que o estado de saúde de nosso parente requer cuidados muito sérios. A internação de Moura aconteceu há alguns dias atrás e apresentava um quadro muito preocupante. Segundo informações que obtive de amigos, Moura apresentou alguma melhora nas últimas horas, mas ainda assim permanecerá internado por tempo indeterminado.
Nosso conselheiro Alvaro Tukano está se encaminhando para Manaus a fim de acompanhar o tratamento de Moura. Àlvaro está se deslocando para o Amazonas como enviado especial do Inbrapi para prestar solidariedade e ajuda ao companheiro de luta e grande aliado da causa indígena.
Vale lembrar que Moura foi um dos principais articuladores do movimento indígena brasileiro e um dos criadores da COIAB, FOIRN E COICA, entidades indígenas com importantes participações nas decisões do movimento ind…

Ailton Krenak: Um comendador à altura do título

No próximo dia 07 de outubro será a entrega da Comenda do Mérito Cultural outorgada pelo Ministério da Cultura. É um reconhecimento às pessoas que se destacam no mundo da cultura por seu trabalho e dedicação. É um reconhecimento digno num país que costuma não dar muita trela à cultura de seu povo.
A maioria das pessoas que recebem tal distinção é, normalmente, indicada por uma instituição ou governo. Há também organizações da sociedade civil que podem ser contempladas desde que militem pela divulgação da cultura brasileira.
Este ano o mundo indígena será mais uma vez contemplado através da pessoa de Ailton Krenak, o Botocudo das Minas Gerais. É um titulo absolutamente merecido por tudo o que esse parente vem realizando desde a década de 1980 em favor das culturas indígenas e, conseqüente, de todo o povo brasileiro.
Além de ter sido um dos principais expoentes do pensamento político do movimento indígena, Ailton foi um incentivador sempre pronto das diversas manifestações da cultura dos …

Uma feira de livro, uma memória, uma esperança.

Por Daniel Munduruku

Estive em Belém na ultima semana participando da XII Feira Pan-Amazônica do Livro. Fui participar de um seminário sobre Literatura Indígena junto com dois amigo queridos: Yaguarê Yamã e Graça Graúna (comigo no Museu Emílio Goeldi).
Foi um evento muito rico. Segundo os organizadores foram mais de 40 mil pessoas por dia. E eu posso dizer que fiquei muito impressionado com a quantidade de gente que se punha a caminhar entre as ruas literárias do Hangar, um centro de convenções maravilhoso construído na capital paraense.
Encontrei alguns amigos famosos caminhando pela feira: Ariano Suassuna, Rubem Alves, Marina Colassanti. Tive a alegria de ouvir Gabriel O Pensador conversando com um público jovem atento e me senti privilegiado por estar participando de um evento que une juventude e experiência numa rica troca de impressões.
Nos intervalos revisitei alguns pontos turísticos de minha cidade natal e vi como ela cresceu e está muito atenta ao crescimento aliado à preservação…

O PAC dos índios que a imprensa não vê

Belo artigo que nos ajuda a refletir sobre as verdadeiras intenções da politica indigenista do governo e sua "tara" por um desenvolvimento econômico que faz desaparecer as diferenças.

Por
Ricardo Tripoli e Noel Villas Bôas

O governo federal conseguiu ganhar pontos junto à opinião pública ao apoiar a retirada de não-índios da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Com isso, está conseguindo também esconder debaixo do tapete o retrocesso de seu PAC (Programa de Ação de Crescimento) para a política indigenista.

Não tem havido na imprensa praticamente espaço algum para as críticas que têm sido feitas por diversas entidades indigenistas desde meados de 2007, quando foram anunciadas as ações do "PAC índio". O assunto só veio temporariamente à tona por meio das declarações do relator James Anaya, das Nações Unidas, que em sua visita ao Brasil, em agosto, ressaltou que esse programa governamental não leva em conta as particularidades dos povos indígenas e prevê açõ…