31 de jul de 2008

Índios gays são alvo de preconceito no AM

KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Tabatinga (AM)


Entre os índios ticuna, a etnia mais populosa da Amazônia brasileira, um grupo de jovens não quer mais pintar o pescoço com jenipapo para ter a voz grossa, como a tradição manda fazer na adolescência, nem aceita as regras do casamento tradicional, em que os casais são definidos na infância.

Esse pequeno grupo assumiu a homossexualidade e diz sofrer preconceito dentro da aldeia, onde os gays são agredidos e chamados de nomes pejorativos como "meia coisa". Quando andam sozinhos, podem ser alvos de pedras, latas e chacotas.



Na frente, Manuel Guedes, pai dos índios Marcenio Guedes (de branco) e Natalício (ao fundo, de azul), que assumiram ser gays
Três ticunas da aldeia Umariaçu 2, na região do Alto Solimões, em Tabatinga (1.105 km de Manaus), contaram para a Folha como é a vida dos homossexuais indígenas na fronteira com a Colômbia e o Peru.

A população ticuna no Alto Solimões soma 32 mil índios. Na aldeia Umariaçu 2, que fica no perímetro urbano de Tabatinga, vivem 3.649 índios ticunas, 40% com menos de 25 anos. Entre esses jovens, pelo menos 20 são conhecidos como homossexuais assumidos.

Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), há registros de gays também nas aldeias de Umariaçu 1, Belém do Solimões, Feijoal e Filadélfia.

"Isso é novo para a gente. Não víamos indígenas assim, agora rapidinho cresceu em todas as comunidades. São meninos de 10, 15 anos", disse Darcy Bibiano Murati, 40, que é indígena da etnia ticuna e administrador substituto da Funai.

Marcenio Ramos Guedes, 24, e seu irmão, Natalício, 22, pintam o cabelo e as unhas e fazem as sobrancelhas. Trabalham como dançarinos em um grupo típico ticuna que se apresenta nas cidades da região.

Marcenio diz que brigava muito com o pai e que saiu de casa aos 15 anos. "Fui para Tabatinga trabalhar como "empregada doméstica". Eu fazia comida, passava roupa, lavava."

Ao voltar para casa, uma construção de madeira com dois cômodos, onde mora com quatro dos sete irmãos e os pais, Marcenio resolveu cuidar dos afazeres domésticos. O grupo de dança foi criado em 2007, com apoio da família.

"Não sofro discriminação por dançar, todo mundo respeita, assiste. Sofro preconceito [de outros jovens] na aldeia. Se falo alguma coisa, querem me bater, jogar pedra, garrafa."

Natalício diz que tem medo de andar sozinho. "Vou sempre com um colega", afirma.

O ticuna Clarício Manoel Batista, 32, é professor do ensino fundamental e estuda pedagogia na UEA (Universidade Estadual do Amazonas), em Tabatinga. Ele foi um dos primeiros a assumir a homossexualidade na aldeia Umariaçu 2. "Alguns me discriminam --indígenas daqui, não-indígenas também. Fico calado, não falo nada. Eu não ligo para eles", diz.

Clarício disse que contou aos pais que era gay aos 16 anos. "Meu pai não me maltratava porque sempre gostei de estudar, sempre fiz tudo em casa: limpeza, comida, lavar louça."


Natalício Guedes, 22, se assume gay, mas diz ter medo de andar sozinho; ele trabalha como dançarino em um grupo típico ticuna
Questionado se foi pelo trabalho doméstico que ganhou respeito em casa, ele confirmou. "Na verdade, eles [os pais] não queriam que eu fosse assim [gay]. Eles não gostam. Dizem: ninguém gosta desse jeito."

O antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) escreveu que há registros de homossexualidade entre índios desde ao menos o século 19. Em Mato Grosso, ele estudou os cadiuéus, que chamavam o homossexual de kudina --que decidiu ser mulher.

O cientista social e professor bilíngüe (português e ticuna) de história Raimundo Leopardo Ferreira afirma que, entre os ticunas, não havia registros anteriores da existência de homossexuais, como se vê hoje.

Ele teme que, devido ao preconceito, aumentem os problemas sociais entre os jovens, como o uso de álcool e cocaína.

"Isso [a homossexualidade] é uma coisa que meus avós falavam que não existia", afirmou.

29 de jul de 2008

O Brasil é grande, mas o mundo é pequeno

Meus queridos amigos e amigas.
Reproduzo abaixo o belíssimo artigo de Eduardo Viveiros de Castro sobre as loucuras que circulam em torno do tema da Amazônia e dos povos indígenas da região.
Sugiro que façam uma leitura atenta e irão gostar muito.
Recebam meus cumprimentos.
Daniel


O Brasil é grande, mas o mundo é pequeno
Eduardo Viveiros de Castro



Ao contrário do que disse o Ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, a Amazônia não é uma “coleção de árvores”. Estas existem nos hortos botânicos e nos jardins de palácios. A Amazônia é um ecossistema, uma floresta composta de árvores e uma infinidade de outras espécies vivas — inclusive seres humanos, que lá estão há pelo menos quinze mil anos. A Amazônia jamais foi um vazio humano antes da invasão européia; ao contrário, seu nadir demográfico foi alcançado após a invasão, com suas epidemias, seus massacres metódicos, seus descimentos forçados das populações nativas para fixação em missões e feitorias. E as populações indígenas encontraram, ao longo destes milênios de co-adaptação com o ecossistema amazônico (ou eco-sistemas - pois a Amazônia não é uma só, mas muitas), soluções de “sustentabilidade” infinitamente superiores ao processos truculentos e míopes de desmatamento com correntes, desfolhantes, motosserras e assim por diante. A floresta amazônica sempre foi povoada, e nunca foi, ou não é há mutos séculos, milênios talvez, “virgem” — a maioria das espécies úteis da floresta proliferou diferencialmente em função das técnicas indígenas de aproveitamento do território e de seus recursos. Mas do fato da floresta não ser mais virgem não se segue que seja legítimo estuprá-la. Pois é exatamente isso que se está fazendo.



A Amazônia está sim sofrendo um violento processo de agressão — e digo a Amazônia, não a tal coleção de árvores — a Amazônia inteira, suas populações tradicionais e suas miríades de espécies vivas. Um novo modelo de desenvolvimento, como tem sido reiteradamente pregado para o Brasil, , um que não seja a imitação simplória das receitas norte-européias, precisa ser um modelo que ponha a floresta no centro da equação — pois chegou-se a um momento da historia do planeta onde a vida é o valor em crise — a vida humana e não-humana. Não é mais possível fazer politica sem levar em consideração o quadro último em que toda politica real é feita, o quadro da imanência terrestre.



Usei a palavra imanência deliberadamente aqui. O ministro Mangabeira Unger falou em entrevista recente que o destino do homem é ser “grande, divino; não é ser uma criança aprisionada em um paraíso verde”; e que “todas as pessoas são espiritos que desejam transcender”. Os índios concordariam com o senhor de que todas as pessoas são espíritos; talvez não concordassem com a idéia de que só os seres humanos são pessoas, mas este é um outro problema. Com certeza, porém, não concordariam com a idéia de que todos os espiritos ou pessoas “desejam transcender”. Esta é uma afirmação que soaria aos ouvidos indígenas inquietantemente parecida com aquela que eles vieram ouvindo com tanta insistência durante os cinco séculos desde a chegada dos europeus — a afirmação de que eles são crianças que precisam ouvir a mensagem divina da transcendência para se tornarem seres humanos plenos, a saber, cristãos e bons cidadãos (i.e. com muita fé e nenhuma terra). Estou falando, naturalmente, da conversão e da catequese forçadas, às quais se juntaram, naturalmente também, a sujeição econômica e politica dos povos indígenas e uma história de etnocídio.



Os índios não estão “aprisionados em um paraíso verde” como disse o ministro. A Amazônia não é um paraíso; ao contrário, é uma laboriosa construção co-adaptativa, um sistema em equilíbrio dinâmico onde entrararam a engenhosidade técnica humana (indígena) e as infinitas engenhosidades naturais das espécies que ocupam a região. E os índios não estão aprisionados lá.



A idéia de que as populações indígenas precisam ser “liberadas”, que Mangabeira Unger expôs em certo texto recente, parece-me visceralmente equivocada. Os índios que sofrem de depressão, suicidio, alcoolismo são justamente os índios que não dispõem de terras — os índios do MS por exemplo —, não os índios da Amazônia como os Yanomami, povo forte e feliz, justamente por gozar de um território à medida de suas necessidades vitais e espirituais. As áreas indígenas da Amazônia são as áreas menos desmatadas, são elas que detêm a devastação nas fronteiras do país; e elas são peça essencial no processo de regularização ou estabilização jurídica da situação fundiária caótica que é a Amazônia, o paraíso da grilagem, da pistolagem, do narcotráfico, do contrabando e do subsídio. A Amazônia tem hoje cerca de 20% de seu território desmatado — nas áreas indígenas, é menos de 1%. Em Rondônia, a situação é catastrófica. Em Roraima, o que temos são arrivistas (arrozeiros) vindos do Sul surfando na onda da ditadura (integrar para não entregar), que sustentam um sistema politico local baseado na corrupção generalizada e na exploração exetnsiva de áreas sem nenhuma incorporação significativa de mão de obra. E ainda querem culpar os índios.



O General Heleno levantou uma lebre inexistente, e se fez porta-voz dos interesses mais retrógrados, civilizacionalmente, que hoje cobiçam a Amazônia. E o problema da Amazônia, ou do desenvolvimento da Amazônia, não é a falta de idéias, mas o excesso de interesses — o conflito de interesses, nem todos interessantes para o país. A posição do governador de Mato Grosso, que conjuga de maneira éticamente miraculosa (meu primeiro eufemismo do dia) o papel de representante de um Estado da federação, seu maior agente econômico e seu principal devastador ecológico, é repugnante, sob todos os titulos.



Naturalmente, os índios sofrem de vários problemas, muitos deles causados pela incúria dos órgaos e agências de estado que deveriam fazer respeitar seus direitos constitucionais. Mas também não se pode negar que os índios conhecem outras dificuldades de adaptação às formas socioeconômicas (e espirituais) da sociedade nacional, não porque lhes faltem oportunidades (ainda que lhes faltem, em muitos casos), mas porque suas culturas e sociedades escolheram desde muito cedo na história um caminho civilizacional radicalmente distinto do nosso — o que chamei de via da imanência em lugar de via da transcendência. As culturas indígenas não estão fundadas no princípio de que a essência do ser humano é o desejo e a necessidade. Seu modo de vida, seu “sistema” de vida, no sentido mais radical possível, é outro. Os índios não rezam pelo sistema econômico-teológico ocidental que consiste em tirar das pessoas o que elas têm e fazê-las desejar o que não têm – sempre. Outro nome desse princípio é ”capitalismo”, ou “desenvolvimento econômico”. Esta é a teologia bíblica da falta e da queda, da insaciabilidade infinita do desejo humano perante os meios materiais finitos de satisfazê-los.



O desenvolvimento é sempre suposto ser uma necessidade antropológica, exatamente porque ele supõe uma antropologia da necessidade: a infinitude subjetiva do homem – seus desejos insaciáveis – em insolúvel contradição com a finitude objetiva do ambiente – a escassez dos recursos. Estamos no coração da economia teológica do Ocidente, como tão bem mostrou Marshal Sahlins; na verdade, na origem de nossa teologia econômica do “desenvolvimento”. Mas essa concepção econômico-teológica da necessidade é, em todos os sentidos, desnecessária. O que precisamos é de um conceito de suficiência, não de necessidade. Contra a teologia da necessidade, uma pragmática da suficiência. Contra a aceleração do crescimento, a aceleração das transferências de riqueza, ou circulação livre das diferenças; contra a teoria economicista do desenvolvimento necessário, a cosmo-pragmática da ação suficiente. Os índios são os senhores da imanência. Que transcendência temos nós, os orgulhosos brasleiros, supostos representantes da Razão e da Modernidade, a oferecer a eles, neste desanimador começo de século? É mais fácil os índios nos libertarem que nós irmos libertar a eles. Pelo menos em espirito

12 de jul de 2008

Rede de saberes faz reunião em dourados com acadêmicos de direito

Visando aprofundar o conhecimento e a reflexão sobre os direitos indígenas no Brasil, com objetivo de fomentar o aprendizado técnico que permita contribuir no atendimento das demandas específicas dos povos indígenas, o programa Rede de Saberes, desenvolvido pela Instituições de Ensino Superior Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul campus de Aquidauana e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD realizou no dia 06 de junho de 2008 em Dourados um Encontro na UEMS às 15:00 hs para encaminhar a próxima etapa do Curso de Extensão destinado aos acadêmicos indígenas que cursam Direito em MS.
Além dos representantes de cada IES, estavam presentes representantes dos acadêmicos indígenas das diversas Universidades, com o intuito de avaliar os Cursos já realizados e discutir propostas para a nova fase do Curso de Extensão “Direito Indigenista para acadêmicos de MS”, que visa abordar temas que estejam articulados com as demandas indígenas, referindo-se à discussões sobre o ordenamento constitucional, legal e regulamentar brasileiro em relação aos povos indígenas, o direito internacional sobre os Povos Indígenas, a situação jurídica dos cidadãos indígenas, bens patrimoniais indígenas, a noção sobre Direitos Originários e os elementos constitutivos sobre suas terras tradicionais, o procedimento administrativo para demarcação de terras indígenas, hipóteses constitucionais de restrições aos direitos indígenas, organização, estrutura e funcionamento dos órgãos de administração pública que atuam com povos indígenas, entre outros.
Estavam presentes além de diversos acadêmicos de direito da UFGD,UFMS,UEMS e UCDB, o coordenador geral do rede de saberes, professor Antônio Brand, Beatriz Landa da coordenação do redes da UEMS e Eva Maria da coordenação do redes da UCDB.

O Memorial da América Latina, em São Paulo, organiza a exposição "Viagem Noturna - Arte Indígena: Preservação" de 28/junho a 3/agosto.

Memorial da América Latina convida a todos a uma 'Viagem Noturna' ao acervo indígena, exibe filmes e discute as questões da preservação e identidade

“Quando falamos em preservação, nos referimos a objetos que fazem parte de uma cultura, que não foram feitos simplesmente por fazer, senão que compõem uma narrativa de simbolismo e tradição”
Daisy Estrá, curadora

A Fundação Memorial da América Latina abre a exposição “Viagem Noturna – Arte Indígena: Preservação” em 28 de junho, na Galeria Marta Traba, com entrada franca.
A mostra propõe ir além da beleza plástica dos objetos. Busca uma reflexão sobre a cultura material do índio, a perda e a reconquista de suas tradições. Para esta “Viagem Noturna”, foi construído um ambiente à meia-luz que leva em conta a fragilidade das peças, protegendo-as de danificação.
Organizada por especialistas familiarizados com a cultura indígena, tradicional e atual, o acervo da Cid Collection sob a guarda do Memorial conta com aproximadamente 1.200 objetos da cultura material indígena de produção recente, com suportes e dimensões variados. As peças que compõem a coleção foram divididas em 11 categorias: adornos plumários, trançados, grafismos, cerâmicas, instrumentos musicais e de sinalização, armas, indumentárias e adornos de matérias ecléticos, objetos tecidos, utensílios e implementos, objetos rituais, mágicos e lúdicos e objetos de comercialização.
Os objetos expressam as culturas de diversas etnias como Xicrin (PA), Bororo (MT), Xingu (MT), Yanomami (AM e RR), Karajá (TO), Urubu-Kaapor (MA), Zoró (RO), Wayana (PA), Wajãpi (AP), Rikbaktsa (MT), Koxinawá (AC) e passaram por diversas etapas de restauração e conservação desde que chegaram ao Memorial.
Serão exibidos continuamente os documentários “Xingu Terra”, 1979, de Maureen Bisilliat, com fotografia de Lucio Kodato e narração de Orlando Villas Bôas, e “Iauaretê/Cachoeira das Onças”, 2006, de Vicente Carelli, além de uma filmagem sobre a conservação e restauração do acervo indígena no Memorial. Está programada também uma mesa redonda, com a participação de especialistas (representante indígena, conservador/restaurador, museólogo e comerciante), que discutirão o tema da Preservação.
O Memorial passou a ser guardião temporário do Acervo de Arte Indígena da Cid Collection, ligada ao Banco Santos, em dezembro de 2005, por resolução judicial (processo 2005.61.81900396-6, 6ª Vara Criminal Federal Especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e Lavagem de Valores, em processo de tombamento – resolução 14/CONPRESP/2005).
Saiba mais: Memorial aceita desafio de recuperar acervo indígena

Ficha técnica:
Curadoria da Conservação
Daisy Estrá
Coordenação Geral
Adriana Beretta
Conceituação do roteiro de textos e imagens
Maureen Bisilliat
Cenografia e Montagem
Marcos Albertin
Produção
Ângela Barbour
Trilha Sonora
Carlos Dourado

“Viagem Noturna – Arte Indígena: Preservação”

Período: 28 de junho a 3 de agosto
Entrada franca
Galeria Marta Traba - Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda (portões 1 e 6)
Funcionamento: e terça a domingo, das 9 às 18h
Tel.: 3823-4600

Marcos Palmeira apresenta programa sobre índios yanomami

Neste domingo (13), às 18h, o ator Marcos Palmeira apresenta, no sétimo programa da série "A'Uwe", da TV Cultura, o documentário brasileiro inédito "Missão Catrimani e Yanomami" (2004).

O filme retrata os cursos e as relações nos centros de atendimento da Missão Catrimani, fundada e gerida por missionários da Consolata que, em 1947, entraram em contato com os índios yanomami pela primeira vez.

A Missão Catrimani deu nome a um dos territórios dentro da Terra Indígena Yanomami, no Estado de Roraima. A missão conta com um total de 505 indígenas, divididos em 12 grupos, e o complexo tem casas que servem de apoio para as missões de saúde.

O programa semanal "A'Uwe" conta com 27 episódios sobre o universo indígena. A série da TV Cultura serve como um canal de divulgação e de discussão das questões indígenas do país.

Realizados por documentaristas ou pelos próprios índios, cada programa aproxima o telespectador das tradições, rituais, conflitos e histórias das diferentes tribos. (Fonte: Folha Online)