6 de set. de 2011

Sonhos Yawanawa em cartaz na Casa dos Povos Indígenas

Rose Farias (Assessoria FEM)  


Exposição traz ao público acreano uma amostra das mais belas pinturas das visões de ‘uni’ (ayahuasca) da pajé Kátia Hushahu e da artista plástica mexicana Beatriz Padilha

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A Exposição Sonhos Yawanawa, da artista plástica Kátia Hushahu, abriu ao público na última segunda-feira, 5, com a apresentação de um grupo de mulheres yawanawa (Foto:Val Fernandes)
A Exposição Sonhos Yawanawa, da artista plástica Kátia Hushahu, abriu ao público na última segunda-feira, 5, com a apresentação de um grupo de mulheres yawanawa que entoaram cantos da cultura do povo da queixada (yawa), na Casa dos Povos Indígenas (antigo Kaxinawá).

O evento contou com a presença do presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Dircinei Souza e do Assessor dos Povos Indígenas, Zezinho Yube, do pajé Tata Yawanawa, do líder índigena Tashka Yawanawa, de convidados e outras lideranças.  Sonhos Yawanawa traz ao público acreano uma amostra das mais belas pinturas das visões de ‘uni’ (ayahuasca) da pajé Kátia Hushahu e da artista plástica mexicana Beatriz Padilha. O projeto da exposição que fica em cartaz até o dia 10 deste mês, tem o apoio do governo do Estado, através da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

“O governo do Estado vem fomentando nos últimos anos uma política para os povos indígenas procurando atender as diversas áreas. Na cultura, a FEM tem trabalhado em parceria com a Assessoria dos Povos Indígenas, buscando fortalecer e respeitar a rica cultura dos povos indígenas no Acre. Essa é a segunda exposição em cartaz neste espaço em menos de um mês. São projetos ricos e artísticos que representam a cultura desses povos, e que precisam ser mostrados ao público. Esses projetos simbolizam a diversidade cultural do nosso Estado”, comentou Dircinei Souza.

Para Tashka Yawanawa, Hushahu é um grande exemplo para todas as mulheres indígenas e não-indígenas ao redor do mundo. “Ela está traçando uma nova história para o povo Yawanawá, onde a mulher é respeitada e escutada nas mesmas condições dos homens”, disse o líder indígena.

O encontro entre Hushahu e Beatriz foi feito por Tashka Yawanawa, que conheceu a artista num evento mundial de preservação da natureza em Cancun, no México, em 2009. Tashka foi palestrar sobre a preservação ambiental do território Yawanawa e renascimento cultural e espiritual do seu povo. Logo depois, Beatriz Padilha veio visitar a comunidade yawa e desenvolver um trabalho que pudesse apoiar o projeto de preservação. Acabou ficando encantada ao saber que na aldeia, a shaman Kátia Hushahu estava desenvolvendo um projeto para preservar e fortalecer a cultura de seu povo, através da arte. 

Há três meses, as duas artistas estão mergulhadas nas pinturas, o que resultou na exposição Sonhos Yawanawa, que expressa em forma de arte as visões do 'uni' (ayahuasca) traduzidas em pinturas por Kátia Husharu. A artista usa as cores naturais como urucum, que para o povo Yawanawa significa saúde, beleza e alegria. “Quando uma pessoa está pintada de urucum expressa tudo isso”, diz a artista. Também utiliza o jenipapo, usado nos rituais sagrados de cura Yawanawa.

“Essa exposição tem como objetivo divulgar a cultura e arte Yawanawa. Husharu nunca foi numa escola de arte, tudo que ela aprendeu vem da floresta, o seu conhecimento vem das visões dos ancestrais”, explica Tashka Yawanawa. 

A exposição ficará em cartaz em Rio Branco até o dia 10 deste mês, e depois circulará pelo no Rio de Janeiro, México, Londres e Estados Unidos. Hushahu fará várias apresentações sobre seu trabalho para o público londrino, e nos Estados Unidos seu trabalho estará num encontro mundial de empresas de cosmésticos, que terá um estande para mostrar sua arte.

“É a arte da floresta que irá mostrar as cores, o cheiro da floresta pelo mundo afora”, define Tashka Yawanawa.

‘Vamos permanecer’, diz indígena de acampamento alvo de ataque em MS

Duas semanas após o ataque ao acampamento de um grupo indígena da etnia Guarani-Kaiowá na zona rural de Iguatemi, a 466 quilômetros de Campo Grande, o clima ainda é de tensão e medo entre as 55 famílias provisoriamente instaladas às margens de uma estrada vicinal. O relato foi feito por telefone ao G1 pelo líder indígena Hide.
“Não vamos brigar com os fazendeiros, só queremos nossa terra e vamos permanecer”, disse o líder indígena referindo-se ao processo de demarcação da terra indígena Pueblito Kue.
Após o ataque registrado em 23 de agosto, quando parte do acampamento foi incendiado, o grupo mudou-se para as margens de uma rodovia estadual. O local também é próximo de um rio que delimita a Terra Indígena Sassoró. Mesmo assim, segundo Hide, as ameaças continuaram. “A gente não tem mais lona e usa palha de coqueiro para se abrigar, mas o pessoal vem à noite e derruba tudo”, conta o líder indígena.
Tonico Benites, intérprete da língua guarani e que tem dialogado com os indígenas acampados em Iguatemi, relatou que no último fim de semana o grupo ficou praticamente isolado. “A estrada foi bloqueada e alguém derrubou a ponte móvel que servia para abastecer o acampamento com comida. As autoridades já foram avisadas sobre o que está acontecendo lá”, afirma.
O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar as denúncias de ataque e analisa materiais colhidos no local do ataque. Em vistoria, a Polícia Federal havia encontrado aproximadamente 20 balas de borracha deflagradas. (Fonte: Hélder Rafael/ G1)

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...