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Sonhos Yawanawa em cartaz na Casa dos Povos Indígenas

Rose Farias (Assessoria FEM)  


Exposição traz ao público acreano uma amostra das mais belas pinturas das visões de ‘uni’ (ayahuasca) da pajé Kátia Hushahu e da artista plástica mexicana Beatriz Padilha

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A Exposição Sonhos Yawanawa, da artista plástica Kátia Hushahu, abriu ao público na última segunda-feira, 5, com a apresentação de um grupo de mulheres yawanawa (Foto:Val Fernandes)
A Exposição Sonhos Yawanawa, da artista plástica Kátia Hushahu, abriu ao público na última segunda-feira, 5, com a apresentação de um grupo de mulheres yawanawa que entoaram cantos da cultura do povo da queixada (yawa), na Casa dos Povos Indígenas (antigo Kaxinawá).

O evento contou com a presença do presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Dircinei Souza e do Assessor dos Povos Indígenas, Zezinho Yube, do pajé Tata Yawanawa, do líder índigena Tashka Yawanawa, de convidados e outras lideranças.  Sonhos Yawanawa traz ao público acreano uma amostra das mais belas pinturas das visões de ‘uni’ (ayahuasca) da pajé Kátia Hushahu e da artista plástica mexicana Beatriz Padilha. O projeto da exposição que fica em cartaz até o dia 10 deste mês, tem o apoio do governo do Estado, através da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

“O governo do Estado vem fomentando nos últimos anos uma política para os povos indígenas procurando atender as diversas áreas. Na cultura, a FEM tem trabalhado em parceria com a Assessoria dos Povos Indígenas, buscando fortalecer e respeitar a rica cultura dos povos indígenas no Acre. Essa é a segunda exposição em cartaz neste espaço em menos de um mês. São projetos ricos e artísticos que representam a cultura desses povos, e que precisam ser mostrados ao público. Esses projetos simbolizam a diversidade cultural do nosso Estado”, comentou Dircinei Souza.

Para Tashka Yawanawa, Hushahu é um grande exemplo para todas as mulheres indígenas e não-indígenas ao redor do mundo. “Ela está traçando uma nova história para o povo Yawanawá, onde a mulher é respeitada e escutada nas mesmas condições dos homens”, disse o líder indígena.

O encontro entre Hushahu e Beatriz foi feito por Tashka Yawanawa, que conheceu a artista num evento mundial de preservação da natureza em Cancun, no México, em 2009. Tashka foi palestrar sobre a preservação ambiental do território Yawanawa e renascimento cultural e espiritual do seu povo. Logo depois, Beatriz Padilha veio visitar a comunidade yawa e desenvolver um trabalho que pudesse apoiar o projeto de preservação. Acabou ficando encantada ao saber que na aldeia, a shaman Kátia Hushahu estava desenvolvendo um projeto para preservar e fortalecer a cultura de seu povo, através da arte. 

Há três meses, as duas artistas estão mergulhadas nas pinturas, o que resultou na exposição Sonhos Yawanawa, que expressa em forma de arte as visões do 'uni' (ayahuasca) traduzidas em pinturas por Kátia Husharu. A artista usa as cores naturais como urucum, que para o povo Yawanawa significa saúde, beleza e alegria. “Quando uma pessoa está pintada de urucum expressa tudo isso”, diz a artista. Também utiliza o jenipapo, usado nos rituais sagrados de cura Yawanawa.

“Essa exposição tem como objetivo divulgar a cultura e arte Yawanawa. Husharu nunca foi numa escola de arte, tudo que ela aprendeu vem da floresta, o seu conhecimento vem das visões dos ancestrais”, explica Tashka Yawanawa. 

A exposição ficará em cartaz em Rio Branco até o dia 10 deste mês, e depois circulará pelo no Rio de Janeiro, México, Londres e Estados Unidos. Hushahu fará várias apresentações sobre seu trabalho para o público londrino, e nos Estados Unidos seu trabalho estará num encontro mundial de empresas de cosmésticos, que terá um estande para mostrar sua arte.

“É a arte da floresta que irá mostrar as cores, o cheiro da floresta pelo mundo afora”, define Tashka Yawanawa.

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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

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