Índios paraenses discutem seu próprio caminho

Da Redação
Agência Pará

Indígenas de 41 etnias do Pará discutem, em Belém, os rumos da educação escolar indígena no Estado. A garantia de pactuar compromissos que vão garantir a educação escolar em aldeias paraenses é da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que promove a 1ª Conferência Regional Escolar Indígena, em ação conjunta com o Ministério da Educação (MEC).

A solenidade de abertura na noite de segunda-feira (10), foi marcada por danças e manifestações culturais de indígenas que estarão reunidos até o dia 14, no Parque dos Igarapés. O evento dá continuidade à primeira fase do evento, ocorrido em Marabá, no período de 27 a 31 de julho, durante a versão estadual, realizada no município de Bom Jesus do Tocantins, sul do Pará.

A Conferência em Belém reúne todos os eixos temáticos voltados à questão indígena que estarão sendo discutidos durante a Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, em Brasília, de 21 a 25 de setembro.

Os participantes foram saudados e receberam as boas vindas ao evento da coordenadora de educação escolar indígena da Seduc, Puyr Tembé.

Todas as regiões do Estado estão representadas na conferência, se consolidando com um fórum de debates sobre as questões indígenas, pontuou Sheila Juruna, da região de Altamira. “Aqui estão as comunidades de base que vão discutir a educação. Nós estamos esperando as respostas para as nossas perguntas”.

O coordenador de educação escolar do MEC, Gersen Baniwa, observou que o Brasil tem uma história de complexidade quando se trata de educação, pois não é à toa que após 509 anos realiza a 1ª Conferência Escolar Indígena, o que demonstra o conservadorismo da educação brasileira. Ele destacou que na área da saúde indígena já foram realizadas três conferências. Baniwa encorajou os índios, caciques e a sociedade civil a lutar buscando o diálogo com os dirigentes políticos. “A nossa força é o nosso poder de convencimento”, concluiu.

O representante da secretária de Educação, Wilson Barroso, ressaltou que “nós não temos uma educação indígena voltada para os indígenas por conta da educação colonizadora. Mas, o cenário está mudando, graças a atitude do governo popular que tem cor e ideologia e que está ao lado das causas sociais”. Barroso encerrou afirmando que todos são importantes para mudar os indicadores ao longo dos 509 anos.

Programação – No primeiro dia de conferência, pela manhã foi apresentado e aprovado o documento base e o regimento interno, apresentação e aprovação da programação e acordo de convivência. À tarde, será formada a primeira mesa temática, sob o tema “Políticas, Gestão e Financiamento da Educação Escolar Indígena”, que reúne palestrantes do MEC, Seduc, Funai e Undime.

Ao todo, cinco mesas temáticas com eixos de discussão estarão sendo amplamente debatidos até o dia 14, entre elas, “Educação Escolar, Territorialidade e Autonomia dos Povos Indígenas”, “Participação e Controle Social”, Diretrizes para a Educação Escolar Indígena” e “Práticas Pedagógicas Indígenas”.

A cerimônia de abertura foi prestigiada por autoridades engajadas na luta indígena, como o presidente da Fundação Curro velho, Walmir Bispo; André Ramos, que representou o titular da Fundação Nacional do Índio (Funai); Carlos Henrique, representante da Secretaria de Estado de Cultura (Secult); Sheila Juruna e Paulinho Payakan, representantes das organizações indígenas; e Gersen Baniwa, coordenador de Educação Escolar Indígena do MEC.

Ascom/Seduc