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Simpósio: “Arqueologia, Memória e História Indígena”


Apresentação

O simpósio “Arqueologia, Memória e História Indígenaa ser realizado na Universidade Federal de Santa Catarina é fruto de uma parceria tripartite entre o recém criado laboratório LEIA, Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia da UFSC, o LINTT, Laboratório Interdisciplinar de estudos sobre tecnologia e território, sediado no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e o LETT, Laboratório de Tecnologias Tradicionais, da UFRGS. O evento será realizado entre os dias 7 e 9 de novembro no auditório do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral (MARquE). “Arqueologia, Memória e História Indígena” dá continuidade aos seminários do LINTT, atingindo assim sua terceira edição, a primeira fora do estado de São Paulo, unindo-se à VI semana de arqueologia e patrimônio da UFSC. Nesta edição, o seminário será promovido pelo LEIA, reforçando o vinculo deste novo centro no grupo de pesquisa CNPq sobre Tecnologia e Território, no qual os outros dois laboratórios mencionados já fazem parte.
O objetivo de trazer este simpósio para a Universidade Federal de Santa Catarina é fortalecer o crescimento da arqueologia nesta instituição, propiciando assim uma parceria com a USP e com a UFRGS. Esta parceria reflete também o crescente diálogo entre os docentes dosprogramas de pós-graduação das três universidades, a saber: Prof.Dr. Lucas Bueno – Programa de Pós-Graduação em História da UFSC, Profa.Dra. Adriana Schmidt Dias – Programa de Pós Graduação em História da UFRGS e Profa.Dra. Fabíola Andréa Silva – do Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Dessa maneira, a realização deste evento se confirma como uma ferramenta para o aprofundamento das discussões sobre arqueologia na universidade com professores e pesquisadores de diversas áreas e universidades. Ao estimular o debate na universidade, também incentivamos a participação dos alunos de arqueologia em eventos acadêmicos, oferecendo assim um estímulo para o aprofundamento de seus estudos motivados por professores e pesquisadores engajados em pesquisas arqueológicas internacionalmente reconhecidas.


O tema para este simpósio é História Indígena e Arqueologia. Busca-se assim refletir sobre as populações indígenas numa perspectiva de longa-duração, aliando abordagens teórico-metodológicas da história indígena e da arqueologia. Tendo como eixo temático os ameríndios, o simpósio busca conjugar pesquisas etnográficas com análises materiais abarcando contextos atuais, coloniais e pré-coloniais. O conjunto de abordagens propostas se desdobra em temas tais como memória, representações e formas de interação, tecnologia e território, cotidiano, cultura material, tradição oral/escrita, e educação e formação intelectual. De caráter multidisciplinar, tais abordagens buscam compreender a diversidade sócio-cultural destas populações atuais e pretéritas, pautando-se em reivindicações das comunidades indígenas com relação à memória, história e cultura. A integração desses diferentes eixos tem o intuito de conferir um caráter histórico para a situação contemporânea das populações indígenas, prerrogativa necessária para atuação em discussões relativas ao lugar do indígena na sociedade brasileira, sua diversidade e perspectivas de futuro.
A escolha deste tema se deve primeiramente a crescente demanda das populações indígenas por pesquisas arqueológicas em seus territórios. Esta por sua vez, se deve a um crescente processo de reafirmação e reconstrução identitária que as populações indígenas vêm passando, também relacionado a novas delimitações das atuais terras indígenas, numa tentativa de ampliação e resgate de territórios ancestrais. A luta pela permanência das populações indígenas em seus territórios e pela sua continuidade cultural sempre fez parte da relação destas populações com a sociedade nacional, no entanto, a relação destas práticas com a arqueologia é um processo muito recente no Brasil. O tema é, no entanto, muito discutido internacionalmente, com especial destaque em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, mas também está presente em outros contextos. As reivindicações das populações indígenas com relação à construção de sua própria história têm impulsionado uma série de mudanças teóricas e metodológicas na arqueologia, etnoarqueologia e antropologia, sendo cada vez mais aceito a necessidade da multivocalidade na construção dos discursos científicos. No Brasil, contudo, esta demanda indígena ainda encontra pouca interlocução no meio acadêmico da arqueologia e muito menos na arqueologia consultiva. Não obstante, alguns pesquisadores têm demonstrado a riqueza teórico-metodológica de abordagens colaborativas com populações tradicionais, entre povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. A organização de um seminário acerca deste tema permite um compartilhamento de experiências de pesquisa em diversos contextos brasileiros e enriquece o debate com pesquisadores internacionais que têm se voltado para este tema.
Pioneiro nos trabalhos de arqueologia em terra indígena com abordagens colaborativas e multivocais, o LINTT tem concentrado as pesquisas sobre este tema no Brasil. Sua parceria com o LEIA vem incentivar a formação desta nova linha de pesquisa neste recém-inaugurado laboratório. Neste mesmo sentido, o LEIA vem realizando uma parceria com o LABHIN, Laboratório de História Indígena do departamento de história da Universidade Federal de Santa Catarina. Este último laboratório com uma extensa trajetória de atuação junto às populações indígenas do sul do Brasil, especialmente os Xokleng, Kaingang e Guarani do estado de Santa Catarina.
O estabelecimento destas parcerias, em síntese, visa aprofundar o conhecimento sobre o passado das populações indígenas brasileiras integrando múltiplas e diversas visões em sua construção no presente. Este seminário nos proporcionará refletirmos sobre estas novas abordagens da arqueologia e da história em terras indígenas, proporcionando reflexões comparativas sobre esta construção multivocal do conhecimento.

Mais informações e inscrições: http://leia.ufsc.br/simposio/

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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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