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CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM HISTÓRIA E CULTURA INDÍGENA

 Em 2008, foi sancionada a lei 11.645, que acrescentou a obrigatoriedade do ensino de história e cultura indígena nos currículos escolares, com o objetivo de garantir que conteúdos relacionados à questão indígena sejam abordados no Ensino Básico em disciplinas como Educação Artística, Literatura, História do Brasil e Sociologia. Desde então, os professores têm buscado com maior intensidade obter conhecimentos relacionados a esses temas que possam subsidiar a preparação de suas aulas.

O processo de colonização do Brasil relegou os povos indígenas a uma condição de subalternidade, opressão e invisibilidade histórica e cultural. Nesses mais de 500 anos de Brasil, genocídios, escravização, expropriações territoriais e perseguições foram perpetradas contra os índios. A sua contribuição para a formação do repertório cultural da nação brasileira foi imensa e de grande valor, porém, permanece sem o devido reconhecimento. Até os dias de hoje, percebemos que nas escolas brasileiras pouco se fala a respeito dessa contribuição, muito em razão de os professores não terem uma preparação adequada para abordar o assunto.

Não raro, os indígenas são retratados na grande mídia de modo pejorativo, como “exóticos”, “selvagens”, “primitivos”, “atrasados no processo de evolução histórica” e “entraves ao desenvolvimento”. Esses estereótipos impregnam no senso comum da população, fazendo-a discriminar os índios antes mesmo de conhecê-los. Muitos educadores, por ter acesso apenas a esse tipo de informação distorcida, repassam-na aos seus alunos sem ter condição de fazer a devida depuração crítica dos fatos e conteúdos.

O censo realizado pelo IBGE em 2000 constatou que Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena entre os estados brasileiros, estimada em mais de 50 mil indivíduos de grupos étnicos variados. Esses números só vêm confirmar a importância dessas comunidades no cotidiano sul-mato-grossense. Neste contexto, a escola tem um papel crucial de suscitar a reflexão dos alunos sobre os acontecimentos que envolvem a causa indígena, suas aspirações e reivindicações, todavia, de um modo equilibrado e imparcial, procurando ponderar sobre todos os pontos de vista disponíveis.

No intuito de atender uma crescente demanda de professores e futuros educadores de Naviraí por conteúdos acerca da história e das culturas dos povos brasileiros originários e de transformar os cursistas em multiplicadores desse tipo de saber é que a UFMS está promovendo a partir do segundo semestre de 2012, sob a coordenação do professor Victor Ferri Mauro, a primeira edição do curso de Formação de Professores em História e Cultura Indígena.

As aulas estão programadas para começar a partir do dia 4 de agosto e acontecerão aos sábados pela manhã em semanas intercaladas no campus da UFMS em Naviraí. Estão previstos oito encontros ao todo, com aulas expositivas e debates com especialistas do tema. Serão abertas 60 vagas, sendo 30 para professores que atuam na educação básica das escolas de Naviraí em disciplinas de humanidades e áreas afins e outras 30 para alunos da UFMS/CPNV. As inscrições acontecerão no mês de junho.

Maiores informações podem ser obtidas através do site www.navirai.ufms.br, do e-mail historiaeculturaindigena@hotmail.com ou do telefone (67) 3409-3422.


http://cpnv.sites.ufms.br/extensao/projetos-de-extensao/historia-e-cultura-indigena


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Daniel Munduruku, índio e escritor

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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

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