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Reflexos da Ancestralidade


Os Guarani costumam dizer que o passado não está ANTES do presente, mas DENTRO do presente. Sabemos que o mundo é movido por inúmeras energias, que estão presentes desde os tempos remotos. Nossos ancestrais aprenderam a usar estas forças ao longo do tempo em vários seguimentos.
O tempo deixou suas pegadas e marcas, que hoje carregamos e continuam aqui, conosco. Somos a impressão do reflexo de uma ancestralidade, que nos confiou o legado de um tempo que não termina, que continua em nós, de um espaço que está marcado por esses passos remotos.
A morte levou nossos ancestrais para outro plano, mas o tempo preservou parte da história: o canto, a dança, a bebida tradicional e a força que faz do indígena um ser pleno no seu mundo.
Reflexos da Ancestralidade revela parte da vida e da cultura indígenas, narradas por vários autores com esta origem em livros que relatam belas histórias e a presença destes povos como sobreviventes num mundo cheio de códigos e condutas contrárias a preservação natural ou planejada do planeta.
A tradição indígena tem como princípio o respeito ao outro, que está num mesmo nível de igualdade, desde o menor ao maior dos seres. É nesta base que o mundo se equilibra, permitindo que cada um tenha, por direito, a possibilidade de viver o seu tempo, quer seja sobre ou sob a terra, no ar, nas águas ou debaixo delas.
Esta exposição revela que é com a mistura dos sentidos e da própria história, que os artistas plásticos Uziel Guainê, do povo indígena Maraguá, do Amazonas, e Jaider Esbell Macuxi, de Roraima, transportam para telas o olhar ancestral transfigurado e atualizado, advindo do tempo imemorial com seus reflexos ancestrais.
Cristino Wapichana 

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MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…