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Menor salário em MT é pago a uma mulher índia; apenas R$ 151,39

Keka Wernewck
do Centro Burnier Fé e Justiça




Mulheres indígenas na base da pirâmide social
Novas formas de exploração do povo da terra

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já começou a liberar os primeiros dados do Censo 2010. Um dos indicadores é o valor do rendimento nominal de homens e mulheres, com recorte de sexo, cor e raça. A pesquisa mostra que no Brasil e em Mato Grosso homens ainda recebem salários maiores que as mulheres. Em Mato Grosso, um homem recebe, em média, R$ 983,96 e as mulheres, R$ 503,20. Ou seja, R$ 480,76 a menos. E quem ganha menos são as mulheres indígenas, em média apenas R$ 151,34. Seguidas das pardas, R$ 399, 12, e pretas, R$ 437, 67. Mulheres brancas recebem R$ 685,87, ou seja, R$ 182,67 acima da média feminina. “Uma coisa que dá para perceber olhando Mato Grosso nessa perspectiva salarial e por municípios é que dos 10 municípios onde as pessoas ganham menos cinco são da Baixada Cuiabá: Barão de Melgaço, Livramento, Acorizal, Jangada e Poconé”, destaca o sociólogo Inácio Werner, da coordenação do Centro Burnier Fé e Justiça. Esses dados se referem a pessoas acima de 10 anos e que trabalham fora de casa
Para Inácio, isso indica que “apesar de estarem muito próximos da capital, não têm uma política que garanta sustentabilidade econômica e social. São sempre muito clientelistas com relação à Cuiabá. Têm muitos habitantes na zona rural, mas mesmo assim não produzem para alimentar a região, produzem só para subsistência e isso não gera renda digna, até mesmo porque a agricultura familiar não tem tido investimentos e, ao invés de produção local, as cidades preferem ir buscar alimento em Goiás ou no Paraná”.
Os outros cinco municípios são Campinápolis, Santa Terezinha (Araguaia), Cotriguaçu (Nortão), Planalto da Serra (Médio Norte) e Porto Estrela (Grande Cáceres).
Campinápolis é a cidade onde se ganha menor salário em Mato Grosso. A cidade tem muitos habitantes indígenas e o salário médio deles é de somente R$ R$ 39,33. Em Campinápolis, é alto o índice de mortes entre a população indígena.

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Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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