Pular para o conteúdo principal

Seminário discute como créditos de carbono podem ajudar reserva Tembé

Sessenta representantes do povo Tembé estão reunidos na Universidade Federal do Pará (UFPA) para participar do Seminário Desenvolvimento local e mitigação dos efeitos gases estufa via REDD na Terra Indígena do Alto Rio Guamá (TIARG). O evento realizado nos dias 29 e 30 de setembro, no auditório do Programa Pobreza e Meio Ambiente da Amazônia (Poema), discute formas de promover a preservação da floresta, de tal modo que o meio ambiente preservado seja fonte de recursos para a melhoria das condições de vida das populações indígenas que vivem em Reservas do Estado do Pará.

Segundo o coordenador do Poema, Thomas Mitschein, o primeiro dia da programação do Seminário se dedicou a discutir a relação ímpar que os povos indígenas têm com a natureza. “Diferente da sociedade ocidental, estes povos mantêm uma relação mais harmoniosa com o meio ambiente. Isso acontece por processos históricos e culturais que se sustentam até hoje. Nesta quinta-feira, 29 de setembro, discutimos isso, desde o contexto mundial até a herança cultural Tembé de como se relacionar com a natureza”, conta.

Já nesta sexta-feira, 30, o Seminário mostra como a natureza é fonte de vida não apenas para os indígenas, mas também para toda a humanidade. “Esse cuidar da natureza deve ser fonte de recursos por meio de iniciativas de diversos programas, inclusive com a negociação de créditos de carbono. Na medida em que eles garantem a preservação da floresta, o que inclui, a realização de uma reserva de três milhões em carbono, eles vão receber créditos de carbono. Estamos aqui discutindo como isso funciona e como deve funcionar para que eles tenham uma ideia mais nítida disso”, explica Thomas Mitschein. Clique aqui e veja a programação.

Créditos de carbono garantem preservação da floresta – Há dois anos o Poema discute com os indígenas mecanismos de promoção do desenvolvimento local a partir da redução da degradação ou a partir da preservação da floresta. “Em termos simples, a destruição da floresta intensifica o efeito estufa porque emite gás carbônico na atmosfera. Por outro lado, quando preservamos o meio ambiente, é como se retirássemos o carbono da atmosfera e o estocássemos dentro da própria floresta, combatendo as ameaças da mudança climática e com a vantagem adicional de também preservar os serviços ambientais, a qualidade da água e a biodiversidade da Amazônia”, sintetiza o pesquisador do Poema.

“Descobrimos que, dentro de uma área de cem mil hectares, há um potencial de 3 milhões de toneladas de carbono, que os Tembé estão deixando estocadas na floresta e, com o apoio de diversas instituições, esta preservação é uma possibilidade de mobilizar recursos a serem investidos em ações que promovam o desenvolvimento local destes povos, tais como a implantação de sistemas agroflorestais, da piscicultura, entre outros”, revela.

Ou seja, ao cuidar da floresta, e com isso, gerar efeito positivo para toda humanidade, os indígenas podem obter créditos de carbono que podem ser convertidos em recursos financeiros diretos para sustentar projetos que promovam o desenvolvimento sustentável das reservas indígenas. “Eles podem, inclusive, receber remuneração para tomar conta das reservas contra os invasores”, lembra Thomas Mitschein. Entre as instituições parceiras do projeto e que atuam no Seminário realizado na UFPA estão a Fundação Nacional o Índio (Funai), o Ministério Público Federal e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Projeto Tembé pode ser ampliado a outras reservas indígenas paraenses – No seminário estão reunidos os Tembé do Rio Guamá e do Rio Gurupí, que vivem próximo do município de Paragominas, próximo também da fronteira com o Estado do Maranhão. Eles representam as 272 famílias, as quais somam, aproximadamente, 1.400 pessoas, que vivem numa área de 217 mil hectares na Terra Indígena do Alto Rio Guamá.

“O projeto Tembé pode se transformar num referencial, pelo menos, para todas as reservas indígenas do Pará. Esta é uma primeira iniciativa que será a base para discutir com todas as outras lideranças indígenas das reservas a aplicação de ações semelhantes que vão da mesma linha. A realidade é sempre diferente para cada um, por isso o projeto deve ser sempre discutido e analisado cuidadosamente, mas o caminho é este”, aponta Thomas Mitschein.

Sistemas agroflorestais ajudam a recuperar áreas degradadas - Nas áreas que já estão alteradas ou degradadas, o Seminário incentiva a adoção de sistemas agroflorestais de cultivo como estratégia de recuperação aliada a promoção do desenvolvimento local voltado às populações indígenas. “Já temos áreas alteradas ou degradadas, especialmente no Rio Guamá, onde tivemos muitas invasões. Os sistemas agroflorestais, são mecanismos eficientes para recuperar estas áreas porque são sistemas que copiam a floresta, do ponto de vista de que têm estágios de crescimento diferenciado. Nestes sistemas você associa agricultura com espécies nativas, dentro de uma lógica que permite que todas as espécies se desenvolvam adequadamente”, sintetiza o coordenador do Poema.

Durante a tarde desta quinta-feira, a Mesa Redonda “Sistemas Agroflorestais – um meio eficiente para recuperar áreas alteradas na TIARG” sintetiza a discussão sobre como os índios Tembé podem utilizar os sistemas agroflorestais no sentido de ajudar a devolver a saúde ou melhorar as condições da terra na qual desenvolvem suas atividades agrícolas e produtivas.

Serviço:

Seminário Desenvolvimento local e mitigação dos efeitos gases estufa via REDD na Terra Indígena do Alto Rio Guamá (TIARG).

Período: 29 e 30 de setembro de 2011

Local: Auditório do Poema / UFPA
Inscrições: No local
Informações: (91) 3201.8026 / 3201.7700 / 3201.8027 / 3201.7687

Site: http://www.poema.org.br/

Clique aqui e conheça a programação completa.

Assessoria de Comunicação da UFPA

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…