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Índios da Amazônia interpretam movimento das estrelas

Planetário em Manaus mostra calendário desenvolvido pelos indígenas.
Eles sabem a hora certa de caçar, pescar, de plantar e de colher.

Do Globo Rural
Uma réplica de como o céu é visto na Amazônia foi montada na reserva Adolpho Duke, em Manaus, Amazonas. O planetário tem formato cilíndrico, por dentro, um céu feito de fibra de vidro escuro ajuda a entender como os índios decifram o movimento dos astros.
Um projetor reproduz as imagens das estrelas formando os lados leste e oeste do céu da Amazônia, onde passa a linha do Equador. O programa de computador foi criado pelo astrônomo Germano Afonso, do Museu da Amazônia. Com oito metros de diâmetro, o planetário tem capacidade para 60 pessoas.
Os visitantes aprendem que, na Amazônia, o dia e a noite têm a mesma duração. As estrelas nascem no leste e se escondem no oeste, formando um ciclo que determina a passagem do tempo.
E foi observando o movimento dos astros que os índios montaram um calendário anual. Assim, eles sabem a hora certa da caça, da pesca, da piracema, da colheita e do plantio.
O índio da etnia desana ensina os estudantes como a tribo interpreta os sinais que vêm do céu.
A constelação das plêiades é chamada pelos desanas de nekaturu, que significa sete estrelas. Quando elas desaparecem no lado oeste do céu é o começo das chuvas, sinônimo de fartura com colheita abundante.
Na constelação de escorpião, os índios enxergam uma cobra surucucu. Na linguagem desana é a formação de anhá, responsável pela cheia dos rios.
As plêiades, conhecidas popularmente como as sete estrelas, e a surucucu ocupam lados opostos no céu. Quando uma aparece no leste, a outra some no oeste. Para os índios, as duas formações de estrelas significam diferentes condições de vida na Terra, saúde ou doença, fartura ou escassez de alimentos.
Na tribo desana, a cerca de 45 quilômetros de Manaus, à margem do Rio Negro, os sinais que vêm do céu influenciam nos costumes do povo. O sábio da tribo, o pajé Kassibi Kumu, mostra uma pequena horta e explica que cada planta tem o momento certo para o cultivo. A época é ideal para plantar a mandioca, usada para fazer o tucupi, prato típico da região.
As estrelas podem dizer muita coisa. Para os índios, a Terra é um reflexo do céu.

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Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

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Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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