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Tocantins sediará Jogos dos Povos Indígenas pela segunda vez

O Tocantins participará do evento com suas oito etnias - Karajá, Apinajé, Krahô, Xerente, Javaé, Krahô Kanela, Aticum e Pankararú.


Postador: surgiu.com (abr)
Foto: Márcio Vieira / Secom
Fonte: por Aldenes Lima em Comunicação
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Mais de 1.400 indígenas de 33 etnias do Brasil, dos Estados Unidos, Bolívia, Equador, Nicarágua, Venezuela e Canadá e um investimento de mais de R$ 1 milhão. Estes são os números da 11ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, lançada na tarde desta terça-feira, 9, dia em que se comemora o Dia Internacional do Índio. O evento acontecerá entre os dias 8 e 15 de outubro deste ano, na Ilha de Porto Real, na cidade de Porto Nacional.

Segundo a coordenadora Indígena da Secretaria Estadual da Cultura, Joana Munduruku, o Tocantins participará do evento com suas oito etnias - Karajá, Apinajé, Krahô, Xerente, Javaé, Krahô Kanela, Aticum e Pankararú.

Para o representante do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena (ITC), Marcos Terena, os jogos são um movimento que apesar de envolver indígenas de todo o país e de outros países, é organizado respeitando as particularidades dos indígenas locais. “Procuramos mostrar os valores culturais, étnicos, espirituais e ambientais dos povos indígenas”, afirmou, acrescentando que cada jogo tem sua característica específica, pois dos quase 240 povos indígenas existentes no Brasil, só alguns participam das edições e esta participação ocorre como um rodízio entre as comunidades. “Para este ano queremos incentivar a participação dos jovens e a importância da economia verde”, ressaltou Terena.

De acordo com a secretária Nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer, Rejane Penna Rodrigues, o Tocantins foi escolhido para sediar pela segunda vez os Jogos dos Povos Indígenas pela boa execução do evento realizado em 2003. “Este será o maior evento dos povos indígenas na América Latina e acreditamos que Porto Nacional será uma grande sede para o evento em que os indígenas poderão mostrar sua diversidade cultural e ao mesmo tempo interagir com os não indígenas”, afirmou.

Para o secretário da Juventude e dos Esportes do Tocantins, Olyntho Neto, que representou o governador Siqueira Campos no evento de lançamento, “os jogos são muito importantes, com visibilidade internacional, e mostram que o Tocantins tem condições de sediar grandes eventos como este”.

A prefeita de Porto Nacional, Tereza Martins, prestigiou o evento e falou da satisfação de sediar a competição. “Os jogos indígenas vem somar com a tradição e os costumes de nossa terra. É com muita alegria que recebemos os competidores e estamos com as portas abertas”, afirmou.

Prêmio

Para homenagear e fortalecer a cultura indígena no Estado, o Governo do Tocantins lançou o Prêmio Indjarruri Karajá 2011 de Apoio à Preservação das Tradições Indígenas, que contempla as manifestações de culturas populares do Tocantins, em conformidade com o Plano de Trabalho Anual do Fundo Estadual de Cultura, aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura do Tocantins e dará R$ 200 mil em premiação. “É uma homenagem ao nosso grande líder Indjarruri, por todo o seu trabalho tanto no Tocantins, como em nível nacional, no movimento nacional e estudantil indígena, pois ele foi o primeiro líder. Para as comunidades indígenas é a grande oportunidade de mostrar seus projetos, porque quem sabe de suas necessidades e demandas são os próprios indígenas”, informou Joana Munduruku.

Podem ser inscritos projetos sobre gravação de CD e DVD, literatura indígena e festas tradicionais e cada projeto deve ser enviado via correio para a Secretaria Estadual da Cultura. O edital com as informações completas está disponível no www.cultura.to.gov.br.

Idjarruri

Idjarruri Karajá, já falecido, abandonou ainda criança a aldeia, na Ilha do Bananal, para concluir o primeiro grau. Nos anos 70 uniu-se a outros estudantes em Brasília para formar a União Nacional Indigenista (Unind). Sofreu represálias e viu companheiros serem mortos. Idjarruri representou o Brasil como um dos três delegados no encontro para discutir o desenvolvimento institucional indígena, no México. Foi representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.

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Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

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Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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