O Aleph


Faz alguns dias que terminei de ler o mais recente título lançado por Paulo Coelho, o escritor brasileiro mais lido no mundo. Eu o ganhei dos meus filhos no dia dos pais. O livro se chama O Aleph. Devo confessar aos meus leitores que gostei. Aliás, gosto das obras de Paulo Coelho. Não sou fã de carteirinha, mas gosto sim do estilo de alguns de seus livros.
Tem gente que não gosta deste autor. Alguns dizem que ele não faz literatura e, sim, autoajuda. Não concordo. O que sei sobre literatura é que ela serve para entreter as pessoas. Ela acende uma chama dentro de quem lê. A escrita tem que ter mágica para prender seu leitor do começo até o final, tem que ter história, tem que ter emoção. Acho que Paulo Coelho costuma trazer isso para seus leitores. E isso o torna um escritor e sua escrita, literatura.
Acho que literatura que faz com que seus leitores sintam prazer de serem humanos porque os lembra que existe uma alma por trás da casca corpórea não pode ser desprezada. Gosto de Saramago, mas não leio Saramago. Leio Jorge Luis Borges com a mesma intensidade que lia Hermann Hesse (Sidharta é uma obra-prima) nos meus tempos de juventude. Aprendi mais com Hesse que com Borges. Quem irá dizer que Érico Veríssimo é menos autoajuda que Zíbia Gasparetto? Ou que Manoel de Barros é menos mágico que Saint-Exupery (e seu Pequeno Príncipe)? Ou ainda que Adélia Prado é menos poética que Rubem Alves?
o importa os conceitos (ou preconceitos) que temos dos escritores. O fato é que as várias facetas de nossa alma aceita os diferentes estilos literários. Ideologias a parte, sabemos que há livros e leituras para todos os gostos e o que importa, de fato, é como estes estilos “caem” dentro de quem os lê. Ainda bem que assim é.
Quando lecionava na cidade de São Paulo, entre 1989 e 1995, utilizei diversos textos de Paulo Coelho para motivar os estudantes – de escola pública e particular – a descobrirem sua “lenda pessoal”. Naquele tempo o escritor havia iniciado seu périplo pelas letras e conquistado leitores em todo o mundo com a obra “O Alquimista” que nos convidava a atravessar o deserto em busca da realização pessoal. Era uma obra que não tinha a complexidade de uma “Odisséia” de Ulysses, mas falava ao coração. Muitos estudantes ficaram “tocados” por aquela leitura e diversos deles entenderam que não se tratava de um livro definitivo, mas fizeram dele um motivo para caminharem. Não creio que o escritor quisesse isso, mas era isso que aquela juventude precisava no momento. Pronto.
O Aleph dá continuidade a esta busca por um homem já mais maduro, que percebe ser hora de confrontar o caminho já feito, repensar a vida, reorganizar as prioridades ou, simplesmente, confirmar sua fé e suas crenças. Quem não precisa disso levante o dedo...e minta.
Foi um presente muito bem recebido. E como tal o li em poucos dias para valorizar o gesto de quem mo deu. Talvez meus filhos tenham imaginado que eu precise repensar algumas atitudes. Talvez apenas tenham sido levados pela consciência de que gosto de ler. Talvez foram motivados pelo momento. Nada disso dá pra saber.
Ou talvez tenham entrado no espírito d”O Aleph” e sentiram a mágica que ele contém.
Do que trata o livro? Bom, aí já é outra história.