Pular para o conteúdo principal

Prova semelhante ao Enem vai analisar desempenho de indígenas



MANAUS – Os estudantes indígenas do Amazonas terão o desempenho de aprendizado analisado por meio de uma prova semelhante ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A iniciativa é desenvolvida pela Secretaria do Estado de Educação (Seduc) e tem o objetivo de comparar os resultados obtidos, com os divulgados no último exame do Ministério da Educação. Segundo índice do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), uma escola indígena amazonense teve a pior pontuação de todo o País.

O Sistema de Avaliação de Desempenho Educacional do Amazonas, como será chamado o exame, deve seguir os mesmos moldes de conteúdo do Enem, mas com uma diferença: o idioma. Segundo a Seduc, a questão linguística é um dos principais desafios responsáveis pelos resultados negativos no exame do ano passado, se comparado a escolas de educação tradicional, tanto da rede pública, quanto da particular.

O resultado do novo exame, que será realizado na segunda quinzena de novembro – após o Enem – vai ser finalizado em um relatório comparativo. Além de avaliar o desempenho estudantil, a prova deve ainda servir de subsídio para uma possível reestruturação da educação indígena no Estado. Se for constatado que a deficiência na área é devido a métodos ou ao conteúdo geral empregado, haverá mudanças. 

A Seduc já começou o processo de licitação para escolha da empresa responsável pela avaliação. O resultado deve sair até o dia 15 de agosto. Uma escola será escolhida para a realização do projeto-piloto. 


Idioma

De acordo com o professor e coordenador do Enem no Amazonas, Edson Melo, o ideal seria que o MEC realizasse a avaliação do Ensino Médio de acordo com cada dialeto, tornando os resultados mais coerentes com a realidade das comunidades. Ele destacou que a educação indígena é diferente da estrutura convencional do ensino. “Ela é feita com alfabetização na língua materna, valorizando os conhecimentos culturais. Outra questão importante é lembrar que, para eles, o idioma estrangeiro é o português”, afirmou.

O desafio linguístico foi apontado pelo professor como o fator decisivo para as baixas notas da Escola Estadual Indígena Dom Pedro II, no município Santo Antônio do Içá, a 888 quilômetros de Manaus. A instituição obteve 249,25 pontos no Enem, bem abaixo da média de 500 pontos definida pelo Inep, ocupando a pior colocação do ranking nacional. “O que derrubou a pontuação foi a redação em português”, explicou Melo, que comentou ainda que a produtão do texto em língua portuguesa seria equivalente a uma em outra língua estrangeira para a maioria dos alunos do ensino tradicional.


Desafios

Além da dificuldade referente ao idioma, a educação indígena enfrenta ainda a problemática da falta de profissionais. A presidente do Sindicato dos Professores do Amazonas, Isis Tavares, lembrou que muitas vezes a própria comunidade não aceita docentes de fora das tribos. Já Edson Melo destacou que os professores que trabalham na educação média dos índios ainda sofrem muitas vezes com a falta de formação específica. “Eles são formados somente em magistério. Então é muito difícil cobrá-los em disciplinas como física ou química”, contou.


Enem

O Enem vai ser realizado em 43 municípios do Amazonas, nos dias 6 e 7 novembro. Este foi o terceiro ano consecutivo que o MEC aumentou o número de cidades para a realização da prova. Segundo o coordenador do Enem no Estado, há dois anos atrás eram apenas dez municípios, e ano passado já foram 35. “O nosso desejo é que a prova seja realizada em todos os 62 municípios do Amazonas, facilitando a locomoção dos estudantes”. Ele afirmou ainda que, por exemplo, um aluno de Juruá terá de ir para Tefé para participar do Exame, em uma viagem de aproximadamente dois dias. 


Fonte: Isaac de Paula - portalamazonia@redeamazonica.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…