Índios fazem leituras de artefatos Kayapó em oficina no Pará

Fonte: MPEG



Foto: divulgação

BELÉM - Representantes das aldeias Kikretum e Moikarakô, do povo indígena Mebêngôkre-Kayapó – grupo que está distribuído entre várias aldeias no Sul do Pará e no Norte do Mato Grosso – estiveram no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) para a realização da oficina “Mebêngôkre-Kayapó: um encontro com os objetos do passado”. O evento foi realizado no período de 21 e 25 de julho.

Resultado de uma parceria entre a Coordenação de Ciências Humanas do Museu e os Kayapó, a oficina promoveu o encontro entre esse povo e artefatos de sua cultura material que estão sob guarda na Reserva Técnica Curt Nimuendajú, pertencente ao MPEG.

- A proposta é fazer um diálogo entre as leituras das peças, sobre sua função e sentido. Além disso, contribui para comprovar que o acervo não é algo estático-, explicou Glen Shepard, curador das coleções etnográficas da Reserva Técnica.

Registro

Uma das principais finalidades da oficina foi enriquecer o conhecimento sobre o povo Mebêngôkre- Kayapó, bem como implementar as informações sobre os artefatos Kayapó que compõe a coleção Irã-Amiraire, da reserva técnica do Goeldi.

- A coleção Irã-Amiraire é composta por 685 peças do início do século XX e é uma das coleções mais importantes do mundo relacionada aos Kayapó. Com essa oficina, buscou-se, também, a recontextualização desse acervo antigo, um trabalho de resgate de informações, como os nomes em Mebêngôkre.-, esclareceu o historiador Carlos Eduardo Chaves, da Reserva Técnica do MPEG.

Dessa forma, durante essa semana, atividades de identificação e restauro de peças foram realizadas. Além disso, outra iniciativa da oficina foi a promoção de uma espécie de intercâmbio cultural, no qual os indígenas puderam registrar em vídeo cantos e narrativas tradicionais de seu povo. Esse material produzido será utilizado tanto pelos pesquisadores do Museu, quanto pelos próprios indígenas, que receberão esses registros para a divulgação nas aldeias, auxiliando na preservação e difusão de sua cultura.

- Um dos trabalhos da liderança é tomar cuidado para que os índios mantenham a cultura. É importante aprender sobre as tradições e passar a cultura para outras gerações-, explicou o cacique Mro´hô Kayapó, quando perguntado sobre essa possibilidade de diálogo e troca cultural.

Exposição

Outra iniciativa da oficina foi promover discussões sobre patrimônio, políticas museais e conservação de acervos, no intuito de permitir que, no futuro, os próprios indígenas possam organizar trabalhos ou espaços museais que envolvam sua cultura material.

Nesse sentido, também foram propostas discussões sobre uma exposição que o Museu Goeldi está preparando sobre o povo Mebêngôkre- Kayapó. Essa exposição, prevista para o dia 24 de setembro, no Museu do Estado do Pará, faz parte da programação do Ano da França no Brasil e é fruto de uma parceria entre o MPEG, o IRD (Institut de Recherche pour le Développement) e os indígenas. Muitas das peças que formarão o acervo da exposição foram elaboradas durante a oficina. Posteriormente, elas serão doadas a Reserva Curt Nimuendajú.

Organização

As atividades das oficinas foram organizadas pelos pesquisadores do Museu Goeldi e do IRD, Claudia López, Pascale de Robert, Carlos Eduardo Chaves e Robinson Silva, contando com a participação de seis representantes Kayapó: Akiaboro Kayapó, Mro´hô Kayapó, Bepkamrire Kayapó, Pio´reru Kayapó, Mokuka Kayapó e Takakma Kayapó. (AL)


Através do Portal Amazônia

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