Noticias dos povos indígenas

Índios de Rondônia viajam à Europa para conhecer acervo recolhido em suas aldeias






Vanessa Farias

Sete índios dos povos Aruá, Jabutí, Kanoé, Makurap e Tuparí, que vivem nas terras indígenas de Rio Branco e Guaporé, em Rondônia, embarcam neste sábado para a Suíça, onde terão a oportunidade de mostrar a cultura de cada etnia e trocar conhecimentos com pesquisadores suíços. A viagem no valor de aproximadamente R$ 70 mil está sendo financiada pelos museus etnográficos de Basiléia, na Suíça, de Viena, na Áustria; de Berlim, na Alemanha e do museu de Leiden, na Holanda.

O intercâmbio é resultado de um projeto de recuperação de costumes indígenas realizado a longo prazo das duas terras indígenas. “Os museus possuem arquivos do ano de 1934, quando as pesquisas com esses povos começaram”, conta a fotógrafa e jornalista Gleice Mere que faz a intermediação há dois anos entre os índios e os pesquisadores suíços.

Anísio Aruá, José Anderê Makurap, Marlene Tupari, Dalton Tupari, Analícia Makurap, José Augusto Kanoé e Armando Jabuti estão ansiosos para conhecer os objetos e registros fotográficos de seus antecedentes que estão guardados nos museus. “Além de querer conhecer os parentes dos homens que nos ajudaram no passado fazendo esses registros e levando a nossa cultura para outro país, nós queremos ver as fotos dos nossos pais e avós, identificar o nosso passado”, diz Marlene Tupari.

O indígena José Anderê anseia por uma única expectativa. “Eu nem sei ler nem escrever, nem sei quantos anos de idade eu tenho, mas única coisa que quero é poder ver meus pais que eu não conheci. Tomara que tenha fotos deles por lá”, dispara. A filha, Analícia, estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental e acredita que a viagem servirá para ampliar seus conhecimentos. “Nós vamos trocar experiências com pessoas que vivem em um país de primeiro mundo, e isso pode ser muito bom para o nosso conhecimento de vida”, declara.

Cestos de olho de palha usados na aldeia para “guardar” as galinhas que vão chocar os ovos, roupas tradicionais, arcos e flechas são a contrapartida dos indígenas para os museus. “Eles precisam levar novos arquivos para o museu para enriquecer o material que já existe lá”, explica Gleice Mere.

Registros

Em 1934, o pesquisador suíço Emil-Heinrich Snethlage chegou à região do Guaporé, onde morou por seis meses coletando materiais para os museus, conhecendo os costumes dos povos e registrando a história das tribos da área. Em uma segunda viagem à região, Emil escreveu um diário de 1042 páginas que nunca foi publicado, gravou um filme mudo e sons de cânticos indígenas que são reconhecidos pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.

“Essa viagem vai marcar a gente, com o que vamos poder ver de diferente no trabalho que nossos avós e pais faziam, as fotos, as músicas. Tudo vai ser importante para nós”, enfatizou José Augusto Kanoé. Para aqueles que nunca saíram do Estado, um medo que não é maior do que a vontade de viajar é revelado. “Eu nunca viajei de avião. Dá um medo de imaginar, mas eu vou conseguir”, diz Marlene Tupari.

Além de visitas aos cinco museus patrocinadores, está previsto também o encontro com as famílias dos pesquisadores que passaram pela região de Rio Branco e Guaporé, oficinas com crianças locais, apresentações de filmes sobre a Amazônia, dança e pintura indígena e o reconhecimento do acervo de objetos guardados nos museus. A chegada dos indígenas na Suíça está prevista para este domingo e o retorno da viagem será feito em 20 dias.
Fonte: Diário da Amazônia

Indígenas isolados correm risco de extinção, diz ONG

Segundo organização inglesa, grupos estão localizados no Maranhão e em Mato Grosso

Funai reconhece gravidade do caso, mas afirma que toma medidas preventivas; para antropólogo, solução está na demarcação de áreas

De Matheus Pichonelli:

Relatório da ONG inglesa Survival International aponta que duas tribos brasileiras de índios isolados estão entre as com maior risco de extinção na América do Sul.

O estudo indica que os territórios de índios awá (ou guaja), no oeste do Maranhão, e de índios kawahiva do rio Pardo, que vivem no norte de Mato Grosso, estão sendo destruídos pela exploração ilegal de madeira.
Juntos, os dois grupos somam, no máximo, 110 índios.

Indígenas isolados são populações que vivem até hoje sem contato com outras tribos ou órgãos indigenistas. De acordo com a CGII (Coordenação Geral de Índios Isolados), ligada à Funai (Fundação Nacional do Índio), foram identificadas 69 áreas no país onde podem existir índios não contatados.

A ONG aponta ainda que outras duas tribos do Peru e uma do Paraguai também correm risco de extinção. No Peru, o problema é a exploração de petróleo e madeira. Já no Paraguai, são criadores de gado brasileiros que ameaçam os índios. A existência dessas populações veio à tona em maio de 2008, quando a Funai divulgou imagens de grupos isolados no Acre. Fotos de índios tentando acertar o avião dos "invasores" com arcos e flechas tiveram repercussão internacional.

À época, o episódio gerou contestações sobre a existência dos grupos. No relatório, a ONG cita o caso de um jornal britânico que publicou reportagem lançando dúvidas sobre a história e, meses depois, admitiu a validade das imagens. Segundo Fiona Watson, coordenadora da Survival International, as fotos criaram interesse de pessoas que não sabiam da existência de grupos isolados em pleno século 21. Assinante do jornal leia mais em: Indígenas isolados correm risco de extinção, diz ONG

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