Pular para o conteúdo principal

Senado Federal debate Jogos Mundiais Indígenas

O Senado Federal, através de sua Comissão de Educação, Cultura e Esporte, debateu, na manhã desta quarta-feira, 12, em audiência pública, em Brasília, os aspectos que envolvem a realização dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), que acontece em Palmas, de 23 de outubro a 1º de novembro.

Na abertura da audiência, o presidente da Comissão, senador Romário (PSB-RJ), falou sobre a importância do evento e confirmou presença na abertura. “O importante não é competir, e sim celebrar. Eu, particularmente, acredito que este mote que permeia os Jogos Mundiais Indígenas deveria permear todo tipo de evento esportivo. Pois não podemos mais pensar o esporte sem ter em vista o intercâmbio de culturas e estímulo à cooperação. Com certeza, estarei em Palmas para o início desta grande competição”, disse.

Na sequência, Romário passou a condução dos trabalhos para a senadora Lídice da Mata (PSB-BA), uma das autoras do requerimento que defendeu uma edição nacional dos Jogos na Bahia. A senadora Ângela Portela (PT-RR) lembrou a participação dos indígenas de Roraima no evento. Já o senador Donizeti Nogueira (PT-TO) ressaltou o potencial turístico que o evento traz para a cidade sede. “Estamos trabalhando para transformar Palmas na Capital do turismo de aventura.”

O primeiro palestrante da audiência, Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal (ITC), mencionou algumas especificidades do evento. “Durante os Jogos serão realizadas uma Feira de Alimentação Orgânica Indígena e um desfile de moda indígena. A cozinha que abastecerá os atletas durante o evento contará com a participação de índios que estudam Nutrição em todo o país.”

Itens do plano para sediar o evento foram destrinchados pelo secretário dos Jogos Mundiais Indígenas, Hector Franco, na ocasião representando o prefeito de Palmas, Carlos Amastha. “Elaboramos junto às entidades parceiras, um projeto amplo que contempla segurança, saúde, hospitalidade, mobilidade e turismo. O plano de segurança é integrado ao Ministério da Justiça e cuida da segurança dos atletas, das delegações e da cidade como um todo. O segundo plano é ligado à área de saúde, e conta com todas as instâncias - federal, estadual e municipal - e prevê desde a saúde dos atletas até a saúde do público e da cidade".

Franco deu detalhes sobre os planos de mobilidade e turismo. "Durante os Jogos, utilizaremos o transporte alternativo, através de ônibus de tração elétrica, que farão as rotas do Centro à Vila dos Jogos. No que diz respeito à hospitalidade, atuamos junto ao Ministério do Turismo para adequar o setor de hotelaria da cidade e incentivamos a hospedagem alternativa. Além disso, temos preparado a cidade para receber o espírito dos Jogos.”

O atleta Edson da Silva Xerente, da etnia Xerente, falou do significado dos Jogos para os povos indígenas. “Os Jogos Mundiais estão sendo muito importante para nós. Estamos nos preparando para representar o nosso país da melhor forma possível. Na Copa do Mundo as pessoas conheceram o futebol do Brasil. Agora vamos ter oportunidade de mostrar para o mundo nossos esportes tradicionais e também conhecer outros.”

No dia 19 de agosto, os Jogos serão pauta de mais uma audiência pública, desta vez, na Câmara dos Deputados, também em Brasília.

Fonte: http://esporte.surgiu.com.br/noticia/208675/senado-federal-debate-jogos-mundiais-indigenas.html

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…