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Exposição ¡Mira!, no Centro Cultural UFMG, revela arte contemporânea indígena da América do Sul.



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O Centro Cultural UFMG inaugura na próxima sexta, 14 de junho, a exposição ¡Mira! – Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas. A mostra reunirá, pela primeira vez no país, obras de artistas indígenas da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru. O evento se estenderá até 11 de agosto, e a entrada será gratuita.
Pinturas, desenhos, cerâmicas, esculturas, vídeos e fotografias estarão expostos durante dois meses em um dos mais antigos edifícios (recém-restaurado) do centro histórico da capital mineira. A proposta do Centro Cultural é trazer ao público as novas estéticas dos povos ameríndios, definida pela produção artística que alia saber tradicional às modernas tecnologias.
“As artes visuais que alguns indígenas estão fazendo, expondo e vendendo entram em nosso mercado, na cidade grande, como objetos e signos de outras realidades”, explica Maria Inês de Almeida, curadora e coordenadora da exposição. “O que distingue suas peças dos objetos e signos tradicionais, frutos da cultura oral, são a tensão e a perturbação, algo que um indivíduo é capaz de expressar quando vê o mundo de longe”, completa a diretora do Centro Cultural.
¡Mira! é resultado de pesquisa realizada por equipe formada por antropólogos, comunicadores e indigenistas, que percorreu milhares de quilômetros em busca da arte indígena latino-americana. Foram levantadas mais de 300 obras de 75 artistas de 30 etnias diferentes. Depois, um conselho curador, composto por especialistas em artes visuais, escolheu mais de 100 obras para a exposição.

Atividades
Na semana de abertura, seminário sobre as artes e culturas indígenas em sua relação com a        contemporaneidade será composto de oito mesas de debates, em que artistas da exposição, indígenas      convidados, pesquisadores e educadores conversarão sobre diferentes temas. A discussão vai girar principalmente em torno das relações entre as artes indígena e ocidental: ruptura da tradição, continuidade, ou diálogo? Quais as técnicas e as estéticas que os indígenas assimilam? O que índios trazem de inovação para a arte ocidental?

No pátio do Centro Cultural, uma oficina de tururi – tela feita com a fibra da entrecasca de uma árvore – será ministrada por artistas da etnia Ticuna, e haverá também bate-papos informais com artistas integrantes da exposição, que vão demonstrar seus processos de trabalho.
Segundo a organização do evento, através de múltiplas linguagens, a exposição ¡Mira! Promove, em caráter inédito, o intercâmbio entre as novas experiências artísticas desenvolvidas pelos povos indígenas da América do Sul e ainda oferece ao público a oportunidade de conhecer o pensamento e a perspectiva indígena em meio às artes visuais contemporâneas.

O Centro Cultural UFMG fica na Av. Santos Dumont, 174, Centro de Belo Horizonte. Informações: (31) 3409-8290.
(Com assessoria de comunicação da exposição)

Matéria original: https://www.ufmg.br/online/arquivos/028646.shtml

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Postado no Blog da TV CULTURA
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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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