Pular para o conteúdo principal

Livro sobre educação escolar indígena no Rio Negro será lançado nesta segunda (27/8)

A partir de artigos, depoimentos e entrevistas que descrevem os processos pelos quais passaram as diferentes escolas indígenas do Rio Negro, no noroeste amazônico, a publicação resume treze anos do projeto de Educação desenvolvido pelo ISA e pela Foirn. O lançamento é nesta segunda (27) na abertura do seminário "Presença indígena da universidade", no prédio das Ciências Sociais, na Universidade de São Paulo, entre 18 e 21h

A publicação Educação Escolar Indígena do Rio Negro 1998-2011, Relatos de experiências e lições aprendidas, editado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pelo ISA, faz um resumo do projeto de Educação desenvolvido por ambas as instituições no Rio Negro, noroeste amazônico.
São treze anos de educação escolar indígena no Alto Rio Negro, contados ao longo de mais de 400 páginas, descrevendo os processos pelos quais passaram as diferentes escolas indígenas da região com artigos, depoimentos e entrevistas. O projeto tem apoio de longo prazo da Fundação Rainforest da Noruega, da Norad e apoio institucional da Cooperação Austríaca, do Horizont3000, Aliança pelo Clima e Fundação Gordon & Betty Moore. O projeto foi inspirador de uma ampla reforma na educação escolar na região, mas que ainda não está completa.
O livro foi organizado pela antropóloga Flora Cabalzar que trabalhou durante muitos anos no projeto, com apoio do Instituto Arapyaú. Entre 1998 e 2011, período que a publicação abrange, foram muitas as conquistas dos povos indígenas rionegrinos em relação à educação escolar, com a implantação de projetos diferenciados muito bem-sucedidos. É o caso das escolas Baniwa-Coripaco, como a Escola Pamáali, no Rio Içana, que completou dez anos em 2011, e de algumas outras como a Tuyuka Utapinopona, no Alto Rio Tiquié, que formou sua primeira turma de ensino médio em 2009, e a Tukano Yupuri, no Médio Rio Tiquié, que em 2011 também formou sua primeira turma de ensino médio.
A proposta político- pedagógica dessas escolas valoriza os conhecimentos indígenas, sem prejuízo dos conhecimentos e ciências dos “brancos”. Reaproxima as crianças e jovens dos velhos conhecedores, alfabetiza as crianças em sua língua materna e estimula o ensino por meio de pesquisas colaborativas e interculturais com a participação de pesquisadores indígenas e parcerias com universidades. A publicação será lançada em 27 de agosto, em São Paulo, na abertura do seminário "Presença Indígena na universidade", no Prédio das Ciências Sociais da USP, Sala 14, na Avenida Professor Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, São Paulo. e está à venda na loja do site do ISA. O seminário é promovido em conjunto pelo Iepé com o Centro de Estudos Ameríndios e o Projeto Temático Redes Ameríndias, ambos da USP. E conta com o apoio da Fapesp, da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e da Embaixada da Noruega.

ISA, Instituto Socioambiental.

http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=3649

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…