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"Não somos donos da teia da vida, mas um de seus fios”













Moura Tukano

O Mundo foi tecido por um Criador. Sem limites e sem fronteiras. Nossos atos têm conseqüências imediatas por sermos fios dessa teia. Ele deu-nos a cada um a porção de responsabilidade própria de conduzir o seu fio de modo a garantir a sintonia com os demais, proporcionando todo o possível para a Teia se manter sólida, aconchegante, prazerosa. Bem tecida com amor, fartura e musicalidade ela foi deixada começada no Plano Original para Mãe Terra.

Uma Teia bem tecida, com a beleza da matéria-prima que inclui as cores, os rumores, os aromas, os sabores e as notas musicais e todos os elementos proporcionados pela Mãe-Terra com as garantias do seu Fundador, depende muito da solidez e da responsabilidade própria de cada fio que fará a segurança, a proteção e a manutenção da vida num eterno movimento comemorado em cada fase da Lua. Em cada plantio, cada colheita, cada dança, cada noite de luar. Nos acasalamentos e nos nascimentos. Nas festas da despedida e na grandeza da continuidade em todas as estações do tempo e do espaço.

Quando um fio irresponsável se rompe, certamente enfraquecerá ou afetará outros sensivelmente ao redor. Cada abandono é um fio rompido. Cabe ao homem manter limpo e fortalecido este elo inato. Isto se chama dignidade, integridade. Isto também se chama: alimentar o espírito. Urge de cada um a conservação fundamental da Teia, matriz que os ancestrais passaram de geração a geração.

São fios que ligam o passado ao futuro e que estão nas mãos do presente. Eles não podem se romper. São permanentes. São guardados na área sagrada da memória e no porta-jóias do coração. São sementes escolhidas bem embaladas no cantinho sagrado aguardando o êxtase da fecundação. Fio que começa como cordão umbilical oxigenando a vida. Guardá-los, é responsabilidade de cada um. A história não pode ser interrompida tragicamente por causa do rompimento de qualquer fio. O tênue fio de uma teia possui a força do Grande Tecelão, o Grande Espírito. Cabe a nós, que viemos como sementes guardadas e amadas, a responsabilidade de produzir sementes puras para o equilíbrio, paz, alegria desta teia formada por três inesquecíveis tempos da eternidade: o passado, o presente e o futuro. Não saia da Teia. E ajude a tecê-la cada vez que um fio pueril, doente ou enfraquecido precisar de você.

9º Encontro Nacional de Escritores e Artistas Indígenas - 2012 – Abril - FNLIJ - RJ

Foto: Roní Wasiry Guará

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Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…