Jeguaká Mirim - Um Kurumin que sonha ser escritor












Filho do escritor indígena Olívio Jekupé, pretende trilhar o caminho da literatura indígena assim como o pai.

Conheça um de seus textos.
   

A árvore que Falava
Autor: Jeguaká Mirim
 

Certa vez nasceu na aldeia uma árvore que falava. Diferente de todas as outras, ela sabia conversar com as crianças. Numa tarde de muito calor, pediu: 
-- Kyringue (crianças), quero água. 
Mas ninguém respondeu. As crianças não sabiam de onde vinha aquela fala. Todos olharam uns para os outros confusos.
Até que um dos "indinhos" percebeu que a voz vinha da árvore. O nome do menino era Verá. Ele se aproximou. Os outros foram embora, mas o Verá ficou ali. Depois foi buscar água, e disse para a árvore: 
-- Árvore, é você quem está falando? 
-- Sim, sou eu mesma. 
Em seguida a árvore bebeu a água e agradeceu ao "indinho". 
Verá e a árvore ficaram muito amigos. Ele lhe prometeu trazer água todos os dias. Combinou também que não contaria aos amigos sobre as conversas que tinham, porque ninguém ia mesmo acreditar. 
Daquele dia em diante, a árvore passou a conhecer todos os segredos do menino. Em troca, ensinava-lhe sobre os poderes de cura das plantas. 
Árvore e menino trocavam histórias diariamente. Verá lhe dava água e a árvore falante lhe oferecia sombra. Verá foi crescendo com muita sabedoria, enquanto que a árvore permanece em seu lugar, falando ao coração das crianças que conseguem ouvir sua voz secreta.