Pular para o conteúdo principal

Política indigenista é discutida no Congresso das Cidades Amazônicas

Da Redação
Agência Pará

A programação do segundo dia do I Congresso das Cidades Amazônicas, que acontece em Belém, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, foi iniciada com um debate sobre Logística de Transporte na Amazônia, contando com a participação de representantes do Ministério dos Transportes e do Ministério da Defesa. Em seguida, entrou na pauta de discussões o tema "Questões Indígenas", do qual participaram o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e o secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Fábio Filgueiras.

O presidente da Funai afirmou que o órgão federal, que estabelece e executa a política indigenista no Brasil, orgulha-se de ser o responsável por boa parte das terras indígenas demarcadas na Amazônia, contribuindo para a preservação da região e das futuras gerações. Sobre as críticas ao desmatamento no Pará, Márcio Meira considera muitas delas de "má fé", já que "mais de 40% do Pará é formado por unidades de conservação ambiental e terras indígenas", o que, segundo ele, é um número positivo.

O secretário da Sejudh falou sobre os recentes avanços do Pará na defesa dos direitos indígenas, tais como a realização da 1ª Conferência Estadual dos Povos Indígenas, ocorrida em 2008, que contribuiu para a construção da Política Estadual para o setor. Para Filgueiras, a participação dos municípios e dos Estados é fundamental, apesar do que diz a legislação brasileira, que determina que a responsabilidade sobre a política indigenista é do governo federal. "A União não tem como tratar da questão indígena sozinha, por isso estamos mudando essa ótica. Hoje estão em construção 17 escolas de ensino médio que serão inauguradas dentro de comunidades indígenas no Pará", afirmou o secretário, citando outras ações do governo do Estado em andamento, como a criação do Conselho Indígena e de um Fundo Estadual para o setor. "Independentemente da questão legal, não podemos dar as costas para o problema", enfatizou.

O prefeito do município de Ipixuna, Evaldo Cunha, elogiou o posicionamento do secretário da Sejudh e disse ser a favor da municipalização dos debates sobre os povos indígenas. "Se Estado, Funai e municípios caminharem de mãos dadas, será possível avançar muito mais", declarou.

Jurandir Silva, vereador do município de Paragominas (PA), também defendeu o estreitamento das relações entre órgãos públicos municipais e povos indígenas. Uma das ações de sucesso em Paragominas é a manutenção de escolas indígenas, que procuram manter a diversidade cultural e linguística das comunidades. As aulas são conduzidas tanto em português, quanto em língua materna. O município recebeu este mês a 10ª edição dos Jogos dos Povos Indígenas, que reuniu 1.300 índios de 28 diferentes etnias brasileiras. "A realização do evento demonstrou o quanto são ricos os povos indígenas, o quanto temos que aprender com eles e o quanto temos que evoluir para respeitá-los", afirmou o vereador.

Também participaram do debate o prefeito do município de Normandia (RR), Orlando Oliveira, e um representante da Prefeitura de Oiapoque (AP).

Jussara Kishi - Secom

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…