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Índios pedem que professores de escolas indígenas demitidos pelo ex-prefeito, sejam recontratados

O pequeno município mato-grossense de Rondolândia, localizado na fronteira com Rondônia, distante cerca de 80 quilômetros de Ji-Paraná vive desde a última sexta-feira (11/8) com um grupo de aproximadamente 300 índios da etnia Zoró acampados dentro da Prefeitura da cidade de forma pacifica. As lideranças indígenas reivindicam a recontratação dos servidores que trabalham nas escolas indígenas, demitidos pelo ex-prefeito, José Guedes no ano passado.

Impasse

O problema com as escolas indígenas de Rondolândia vem se arrastando desde outubro do ano passado, quando o ex-prefeito José Guedes deixou de pagar os salários dos professores, principalmente nas escolas do povo Zoró.
A situação permaneceu com a administração do atual prefeito, Bertilho Buss (PSDB) insistindo que as escolas funcionassem apenas com o quadro efetivo dos servidores concursados, resultado no atraso do inicio das aulas nas escolas daquele município.
Segundo as lideranças metade dos servidores das escolas indígenas Zoró, ocupam cargos comissionados ou trabalham com contratos emergenciais. No mês de maio alguns destes servidores foram contratados e o prefeito se comprometeu, através de portaria, em oferecer teste de seleção e contratar seguindo as regras da CLT, assim todos contratados ou não começaram a trabalhar.

Tumulto

Ás provas seletivas foram aplicadas no dia 18 de junho, sendo que na mesma data o Executivo baixou portaria contratando todos os aprovados. Mais a situação voltou a ficar problemática novamente em decorrência da demissão desses servidores ocorrido no final de julho, também através de portaria. Além da falta de professores as lideranças indígenas protestam contra a falta de pagamento, reforma nas escolas localizadas nas aldeias, sendo que os projetos já foram aprovados.
De acordo com as lideranças, o prefeito de Rondolância se encontra no Estado do Espírito Santo, e somente retorna ao município nesta sexta-feira (14/8). A reportagem não conseguiu manter contato com o prefeito para comentar o assunto.

A descoberta dos Zorós

Pouco mais de 30 anos se passaram desde o primeiro contato do homem branco com os Zoró. Para o cacique Manoel Thoatore, as três décadas de contato com a civilização branca provocaram uma série de mudanças na vida e na cultura dos indígenas. A tribo foi "descoberta" em 1971, mas o primeiro contato entre indígenas e brancos somente se deu sete anos depois. Hoje, os Zoró ainda vivem relativamente isolados. Eles são coletores de castanha do Pará, colhem até cem toneladas do fruto por ano. Sua alimentação tradicional é a base de castanha, da chicha, do beiju de farinha de mandioca e a paçoca de castanha.
Até a década de 80, o carro chefe da economia do povo era a borracha. Também fabricam peças artesanais e usam técnicas refinadas na produção de peças artesanais ricamente adornadas.
A aldeia da etnia Zoró fica no noroeste de Mato Grosso, distante 70 km de Rondolândia. A aproximação com o homem branco, diz Thoatore, foi inevitável. Ele conta que as grandes fazendas começaram a ampliar suas divisas e se aproximaram em demasia das aldeias de seu povo. A história desse contato foi contada, por dois dos nove clãs dos Zoró, durante uma gincana cultural, organizada pelos indígenas em parceria com a Associação do Povo Indígena Zoró Pangyjej (Apiz). A proposta do evento foi mostrar, aos mais novos, um pouco da cultura daquela nação da floresta.
A nação Zoró tem, hoje, cerca de 650 índios, divididos em nove clãs e 23 aldeias. Na gincana, os Pangyejej e os Zarupnej foram os protagonistas.


Fontes: Redação do Diário da Amazônia

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