Pular para o conteúdo principal

Países Amazônicos preparam políticas de proteção aos Conhecimentos Tradicionais dos Povos Indígenas

India Karota: anciã centenária da etnia Waiãpi do Amapá
Foto: Chico Terra
Ministros e autoridades governamentais dos oito países que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) - Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela – se reunirão entre os dias 4 e 6 de agosto, em Paramaribo, capital do Suriname, para trocar experiências governamentais, desafios práticos e promover ações conjuntas de proteção aos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e outras comunidades tribais da Amazônia.
A Oficina Regional Amazônia sobre Conhecimentos Tradicionais dos Povos Indígenas e Outras Comunidades Tribais será realizada com o apoio do governo do Suriname, anfitrião do evento. A partir do encontro, a Secretaria Permanente da OTCA (SP/OTCA) espera obter recomendações para uma Agenda Regional Indígena de contemple ações de conservação e proteção aos conhecimentos ancestrais desses povos.

A Oficina foi programada em cumprimento ao mandato recebido pela Organização dos Ministros e demais autoridades que estiveram presentes na I Reunião Regional de Autoridades Governamentais de Assuntos Indígenas da OTCA, ocorrida em setembro de 2008, em Georgetown (Guiana), onde se definiram os temas prioritários às atividades da SP/OTCA.

A Agenda Regional Indígena está em fase de elaboração e funcionará como um guia para a SP/OTCA com ações de curto, médio e longo prazo, oferecendo ferramentas aos países amazônicos para uma política pública comum que garanta a proteção e valorização do conhecimento ancestral, com a consequente melhora da qualidade de vida das populações que vivem na região.

O processo de elaboração dessa agenda de atividades ocorre com a participação ativa nos eventos da OTCA de outros setores relevantes regionalmente, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Parlamento Amazônico (Parlamáz) e Associação de Universidades Amazônicas (Unamaz).

Além do mandato recebido pela OTCA para priorizar Conhecimentos Tradicionais dos Povos da Amazônia na pauta indígena, a Organização vem trabalhando outros temas da Agenda Regional em cumprimento ao estabelecido no Relatório de Georgetown: Proteção aos Indígenas Isolados e/ou em Contato Inicial; e Terras e Territórios Indígenas.

Desafios

Na Amazônia existem 420 povos indígenas, número que traduz a diversidade cultural da região. Só no Brasil, o número de idiomas e dialetos indígenas pode chegar a 180 mil, segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai). De acordo com o coordenador de Assuntos Indígenas da OTCA, Jan Fernando Tawjoeram, trabalhar com a valorização e proteção de Conhecimentos Tradicionais é um tema bastante delicado, pois envolve todo um setor industrial que produz medicamentos, cosméticos e outros produtos com base nesse conhecimento ancestral e na matéria-prima da floresta, sem, no entanto, melhorar a vida das comunidades locais.

No encontro dos Países Membros para tratar o tema, a OTCA espera chegar a entendimento consensual sobre quais aspectos da cultura indígena as nações amazônicas devem entender por Conhecimentos Tradicionais. A Oficina também servirá para que os países troquem experiências sobre políticas de proteção aos conhecimentos tradicionais indígenas já implementadas por seus governos. Cabe destacar que a OTCA, nos últimos anos, desenvolveu uma série de programas e iniciativas dentro do contexto de Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais, que terá grande aproveitamento para o tema que será discutido em Paramaribo.

Sobre a OTCA

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) é um organismo intergovernamental que reúne os oito países que compartilham a região amazônica: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Com sede permanente em Brasília (Brasil), a Secretaria Permanente da OTCA foi estabelecida em dezembro de 2002 para implementar os objetivos do Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), assinado pelos países em 1978 com o objetivo de promover ações conjuntas para o desenvolvimento harmônico da Bacia Amazônica. Os Países Membros assumiram à época o compromisso comum com a preservação do meio ambiente e o uso racional dos recursos naturais da Amazônia.

A OTCA concentra suas atividades em cinco coordenações: Meio Ambiente; Saúde; Assuntos Indígenas; Ciência, Tecnologia e Educação; e Transporte, Infraestrutura, Comunicação e Turismo. Hoje, a SP/OTCA é dirigida pelo Embaixador Manuel Picasso, atual Secretário Geral. A OTCA tem a convicção que a Amazônia, por possuir um dos mais ricos patrimônios naturais do planeta, é estratégica para impulsionar o futuro desenvolvimento dos Países Membros: um patrimônio que deve ser preservado e promovido, em consonância com os princípios de desenvolvimento sustentável.
Fonte: www.otca.info

Postagens mais visitadas deste blog

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO

MINHA VÓ FOI PEGA A LAÇO Pode parecer estranho, mas já ouvi tantas vezes esta afirmação que já até me acostumei a ela. Em quase todos os lugares onde chego alguém vem logo afirmando isso. É como uma senha para se aproximar de mim ou tentar criar um elo de comunicação comigo. Quase sempre fico sem ter o que dizer à pessoa que chega dessa maneira. É que eu acho bem estranho que alguém use este recurso de forma consciente acreditando que é algo digno ter uma avó que foi pega a laço por quem quer que seja. - Você sabia que eu também tenho um pezinho na aldeia? – ele diz. - Todo brasileiro legítimo – tirando os que são filhos de pais estrangeiros que moram no Brasil – tem um pé na aldeia e outro na senzala – eu digo brincando. - Eu tenho sangue índio na minha veia porque meu pai conta que sua mãe, minha avó, era uma “bugre” legítima – ele diz tentando me causar reação. - Verdade? – ironizo para descontrair. - Ele diz que meu avô era um desbravador do sertão e que um dia topou com uma “tribo” sel…

Garimpo invade bacia do Tapajós

por


Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal. A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012. A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. “Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para…

Daniel Munduruku, índio e escritor

Postado no Blog da TV CULTURA
28/07/2009 | 18h00 | Mariana Del Grande

Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

Em breve a Loja…