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Faculdade forma 90 índios de 22 etnias em MT

indiosmt200709 Primeira instituição do gênero na América do Sul formou 186 professores até agora. Educação indígena tem 12 anos

JOSANA SALES
contato@agenciaamazonia.com.br
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CUIABÁ, MT - A Faculdade Indígena Intercultural, ligada à Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) forma esta semana 90 universitários indígenas oriundos de 22 etnias situadas em vários territórios indígenas. O presidente da Funai, Marcio Meira, prestigia o ato solene. A Faculdade Indígena Intercultural foi criada ano passado e é a primeira da América do Sul.

A nova instituição que funciona desde 2007 foram incorporados vários cursos superiores ligados ao Programa de Educação Superior Indígena Intercultural (Proesi), coordenado pelo vice-reitor da Unemat, professor Elias Januário. Em 12 anos de Educação Superior Indígena, a escola formou 186 indígenas.

"Com a criação da Faculdade Intercultural Indígena, estamos concluindo mais uma etapa e pavimentando o caminho na direção da tão sonhada Universidade dos Povos Indígenas, que acredito será realidade daqui alguns anos", comentou Elias Januário. Atualmente existe apenas uma Universidade Indígena no mundo, na cidade do México.

A Faculdade Indígena é dotada de infra-estrutura necessária para aulas das etapas presenciais dos cursos. Possui ainda alojamento dos cursistas durante as etapas; sede administrativa e demais dependências a serem utilizadas pelo Proesi.. "A faculdade tem sido um exemplo para o País quanto a criação de políticas públicas para os povos indígenas e abriu as portas para que outras universidades abrissem vagas para os indígenas", disse Francisca Novantino, membro da Comissão Nacional de Política Indigenista e vice-presidente do Conselho de Educação Indígena de Mato Grosso.

indiosmt200709a Currículos específicos

A oferta de cursos de formação com currículos específicos e diferenciados tem sido uma das ações da universidade no campo da Educação Superior Indígena. A partir do ano 2000 funcionam os cursos de Licenciatura Específica para Formação de Professores Indígenas, após ter participado das discussões estabelecidas para sua concepção, com representação na então Comissão Interinstitucional e Paritária designada para este fim no ano de 1997.

São oferecidos três Cursos de Licenciatura Específica para a Formação de Professores Indígenas: Línguas, Artes e Literaturas; Ciências Matemáticas e da Natureza; e Ciências Sociais. Quanto à metodologia, os cursos obedecem a um regime especial e são desenvolvidos de forma intensa e presencial nos períodos de férias e recessos escolares, com atividades cooperadas entre docentes e cursistas nos períodos em que estes estão ministrando aulas nas escolas indígenas.

Currículo flexível

Durante as etapas intermediárias, os estudantes desenvolvem atividades de estágio nas escolas de suas aldeias, acompanhados por professores da instituição, aproximando ainda mais a universidade da realidade vivida em cada comunidade indígena, contribuindo dessa forma para a consolidação de uma educação escolar específica e diferenciada, que atenda aos anseios de cada povo.

O currículo é flexível e definido com ampla participação dos estudantes e demais envolvidos no contexto, partindo de pressupostos, como a afirmação da identidade étnica e valorização dos costumes, língua e tradições de cada povo. Propõem-se também a buscar respostas para os problemas e expectativas das comunidades, assim como compreender os processos históricos vividos pelas comunidades indígenas e por formas de sociedade estão mergulhadas. Ao longo de oito anos de execução os cursos contam com três turmas que atendem a 340 estudantes de 45 diferentes etnias.

Fonte:http://www.agenciaamazonia.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=351:faculdade-forma-90-indigenas-de-22-etnias-em-mato-grosso&catid=1:noticias&Itemid=316

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Daniel Munduruku é o maior escritor indígena do Brasil. Graduado em Filosofia e doutorando em Educação na Universidade de São Paulo, ele tem 34 livros publicados e seu nome ocupa as prateleiras das melhores livrarias do país.

Diferente da maioria dos índios, que ainda lutam para derrubar conceitos antiquados em relação as suas culturas e tentam conseguir espaço para mostrar as tradições, Daniel Munduruku vive da literatura indígena e conseguiu um feito inédito: seus livros são adotados em diversas escolas públicas e particulares de todo o país! Um passo gigante em direção ao futuro: nossas crianças já começam a conhecer o índio de verdade, ao invés daquele ser nu, limitado e inferior que, durante cinco séculos, povoou a imaginação da sociedade brasileira.

Leia abaixo alguns trechos da entrevista que Daniel Munduruku concedeu ao Blog do A’Uwe por e-mail.



Visite o site do escritor: www.danielmunduruku.com.br

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