30 de out. de 2009

Índios Guarani Kaiowá e Terena prometem denunciar Funai à OEA e ONU por omissão


Helio de Freitas, de Dourados


Ademir Almeida/Diário MS
Vestidos de morte, índios protestam em Dourados contra violência em aldeias; eles acusam Funai de barrar a polícia
Índios guarani-kaiowá e terena da reserva de Dourados prometem denunciar a Funai e o governo brasileiro por omissão à OEA (Organização dos Estados Americanos) e à ONU (Organização das Nações Unidas).

O assistente social Kenedy de Souza Morais disse ao Campo Grande News que a comunidade indígena está produzindo um vídeo com imagens e informações sobre os assassinatos, estupros, roubos e outros crimes ocorridos nas aldeias Bororó e Jaguapiru. O objetivo, segundo ele, é chamar a atenção da comunidade internacional para o “extermínio” dos índios.

“Quem sabe, com a pressão dos órgãos internacionais, o governo e a Funai tomem alguma providência. A Funai tenta manter uma aparente tutela sobre os povos indígenas e por isso barra a entrada da segurança pública nas aldeias. Vamos mandar um relatório para a OEA e para a ONU denunciando os assassinatos, mostrando relatos de pais e mães que perderam seus filhos”, afirmou.

O assistente social fez parte do protesto realizado nesta sexta-feira para cobrar da Funai mais segurança nas aldeias. Vestido com uma fantasia de morte, Kenedy Morais discursou durante o ato público em frente à Funai e acusou a administradora regional do órgão, Margarida Nicoletti, de vetar a entrada da polícia nas aldeias, permitindo que a comunidade indígena fique exposta à criminalidade.

Margarida Nicoletti também discursou e negou que tenha barrado a entrada da polícia nas aldeias. Ela mostrou cópias de ofícios que teriam sido enviados aos órgãos de segurança pública solicitando a presença da polícia nas aldeias. “Não tem como a Funai fazer a segurança nas aldeias, mas nunca negamos segurança aos índios. Já autorizamos por escrito [a entrada da polícia], mas não cabe à Funai determinar que a polícia faça segurança aos índios”, afirmou.

Violência – Com cerca de 12 mil habitantes, a reserva de Dourados enfrenta uma onda de violência e criminalidade. A área, de 3.600 hectares e cortada por dezenas de estradas vicinais, tem pontos de venda de bebidas alcoólicas e de drogas, prostituição e virou esconderijo para produtos roubados na cidade. Nos últimos meses, os moradores se depararam com aumento do número de assassinatos com extrema violência. Corpos retalhados a golpes de facão são encontrados com frequência nas estradas vicinais.

Levantamento do MPF (Ministério Público Federal) mostra que o índice de homicídios nas aldeias de Dourados é 495% maior que a média dos últimos 12 meses no país. O índice de assassinatos nas aldeias Bororó e Jaguapiru é de 145 mortes para cada 100 mil habitantes. Já o índice de homicídios no país é de 24,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.

O procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida afirma que o índice de homicídios entre os índios de Dourados supera até mesmo o índice de assassinatos do Iraque, que tem índice de 93 homicídios para cada grupo de cem mil habitantes.

Campo Grande News

Inscrições para vestibular indígena 2010 começam domingo

Redação 24 Horas News

O Processo Seletivo Específico exclusivo para estudantes dos povos indígenas de Mato Grosso, para ingresso em cursos de graduação no período letivo de 2010, abre inscrições no próximo domingo (01). São oferecidas 10 vagas suplementares para o período 2010/1, distribuidas entre os cursos de Administração (três vagas), Ciências Contábeis (duas vagas), Ciências Sociais (duas vagas), Ciências Econômicas (três vagas) ; e 10 vagas para o períodos de 2010/2, nos cursos de Psicologia (três vagas), Serviço Social (três vagas), Comunicação Social (duas vagas) e Geografia (duas vagas), todas no campus de Cuiabá.

As inscrições começam às 08h do dia 01 de novembro e podem ser feitas até as 23h59 do dia 13, no endereço eletrônico www.ufmt.br/vestibular. Além da inscrição, o candidato deverá enviar a Carta de Recomendação devidamente preenchida e assinada pela liderança da Comunidade Indígena a qual pertence até o dia 13 de novembro. A Carta de Recomendação deverá ser enviada por meio de Correspondência Registrada com Aviso de Recebimento ou via Sedex para o endereço da Coordenação de Concursos e Exames Vestibulares – CEV/UFMT. As inscrições serão feitas somente pela Internet e, aos candidatos que não tiverem acesso, será disponibilizado equipamento, no período de 03 a 13 de novembro, em diversos pontos do Estado. Confira a lista dos locais onde o equipamento estará disponível e outras informações no Edital.

O Processo Seletivo é composto por duas fases: a primeira constituída por prova objetiva e prova de redação, no dia 13 de dezembro; a segunda por prova oral, no período de 08 a 12 de fevereiro de 2010. A divulgação do resultado final será feita até o dia 24 de fevereiro de 2010 e a matrícula dos aprovados na primeira convocação será realizada no dia 03 de março.

Mais informações pelos telefones (65) 3615.8150, 3615.8151 e 3615.8152.

28 de out. de 2009

Força-tarefa deve cobrar políticas públicas para os índios do Rio Grande do Sul

A política pública de educação escolar indígena do Estado do Rio Grande do Sul, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa, na manhã de ontem. O debate, promovido pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, ocorreu no Plenarinho, sob coordenação da deputada Stela Farias (PT).
A criação de uma força-tarefa para cobrar políticas públicas para os indígenas é um dos encaminhamentos da audiência. Ela deverá ser formada por representantes da Assembleia Legislativa, governo federal, governo estadual, Ministério Público e entidades representativas dos indígenas.
Entre os encaminhamentos, ficou definido o envio de documento ao governo estadual para a instituição de uma Política Estadual Indigenista; a organização de um seminário sobre o tema a ser realizado no primeiro semestre de 2010; a criação do Conselho Escolar Indígena; a ampliação de vagas aos indígenas nas instituições de Ensino Superior, inclusive na Uergs; o pedido de ampliação de verbas públicas aos indígenas; a solicitação de melhoramento da assistência aos indígenas; a construção de escola para a comunidade Charrua; o aumento dos recursos para financiamento dos estudantes indígenas das escolas de Ensino Superior; o pedido para que a Secretaria de Estadual de Educação faça o reconhecimento de escolas indígenas e melhore a estrutura física das escolas; o reforço da merenda escolar e mais contratação de professores e funcionários indígenas para os colégios.

Ação Civil

A promotora de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público, Miriam Balestro, adiantou que deve mover ação civil pública obrigando o governo estadual a implementar uma política pública para os indígenas, com orçamento específico. Ela destacou a importância do controle social no fortalecimento da sociedade democrática.
De acordo com a representante da Secretaria Estadual de Educação e coordenadora das escolas Indígenas do Rio Grande do Sul, Jeni Jussara Reck, houve avanço na elaboração de material didático na língua materna dos alunos e alguns livros já estão formatados, com participação de representantes indígenas dos colégios. O governo estadual é responsável por 58 escolas indígenas kaingang e guarani, do primeiro ao nono ano.
A coordenadora destacou, ainda, que neste ano foi concluída a formação específica de todos os professores que atuam nas escolas indígenas do Estado. Quanto à formação de professores de nível superior, afirma que existe carência de cursos específicos no país.
A audiência foi requerida pelo Conselho Estadual dos Povos Indígenas. Estiveram presentes representantes da administração Regional da Funai/Passo Fundo, da Secretaria Estadual de Educação, Ministério Público, universidades do Estado, dos povos indígenas, dentre esses, Guarani, Kaingang e Charrua, entre outros.

PF prende 2 suspeitos de ataques a comunidade indígena em SC

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira dois suspeitos de tentar coagir membros da comunidade indígena Guarani da Aldeia Cambirela, no município de Palhoça (SC). Segundo a PF, a juíza Ana Cristina Kramer, da 1ª Vara Federal Criminal de Florianópolis, expediu os mandados contra os suspeitos de, com a ajuda de terceiros, agredir índios e destruir duas casas para que a comunidade não construísse residências em um terreno.

Ainda de acordo com a PF, os suspeitos alegavam que são donos do terreno e, durante anos, ameaçaram e agrediram os indígenas para deixassem não construíssem casas no local. O grupo usaria facões, pedras e arma de fogo para que os índios deixassem a área, que seria demarcada.

Os suspeitos ainda teriam destruído e ateado fogo em duas residências. Com eles teria sido apreendida uma garrucha e munições. Os presos responderão pelas acusações de dano qualificado e causar incêndio, expondo a perigo a vida.


Redação Terra

Paragominas, no Pará, constrói 'Vila Olímpica' de ocas para disputa dos Jogos Indígenas

Amigos e amigas, a noticia abaixo é muito importante porque traz elementos informativos que apresentam como serão os jogos indígenas em Paragominas, no Pará. Com certeza vale a pena para quem puder ir.

É preciso apenas "consertar" o termo usado pelo jornalista que não atinou para o fato que o termo aborígene não se aplica mais para nenhum povo indígena do planeta. Isso é uma falha ainda presente nos principais manuais de redação dos grandes jornais brasileiros. Fica aqui meu alerta. É isso.

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João Sorima Neto, O Globo

Mais de 1.300 índios disputam Jogos Indígenas em Paragominas, no Pará. Abertura terá rituais (foto) - Divulgação Jogos Indígenas

SÃO PAULO - Ainda não eram 3 horas da madrugada no Alto Xingu, Mato Grosso, quando uma delegação de 40 índios de oito aldeias da etnia Kiukuro partiu nesta terça-feira em direção à cidade de Paragominas, no Pará. Será uma viagem de dois dias, com trechos feitos de balsa, caminhão e ônibus. Os integrantes dessa expedição não reclamam do trajeto e até encaram a jornada como uma espécie de treino para manter o físico em dia. Essa delegação é composta por atletas indígenas, uma das muitas que vão disputar a décima edição dos Jogos Indígenas, entre os dias 31 de outubro e 7 de novembro.

- Para nosso povo, enfrentar uma viagem longa de dois dias, com direito a trajetos de balsa, de caminhão e de ônibus é motivo de muito orgulho - diz o cacique Jacalo, uma das lideranças Kuikuro.

Os povos Kuikuro participam este ano dos Jogos Indígenas para mostrar que são craques no futebol, tanto no masculino quanto no feminino. Para formar as seleções, eles fizeram uma seletiva de cinco dias. Na prática, estão viajando apenas os melhores. Os Kuikuro também se preparam para mostrar o "Maricumã", que é uma dança para agradecer a chuva e a fertilidade, e o "Jaguari", uma luta entre guerreiros.

" Até a data da realização dos jogos é especial para nós, pois segue o nosso calendário lunar "

Vão se juntar aos Kuikuro, 1.300 indígenas de todo o país. Além deles, foram convidados aborígenes do Canadá, da Austrália e da Guiana Francesa. A arena dos jogos no Parque Ambiental de Paragominas receberá oito das nove modalidades que estarão em disputa: arco e flecha, arremesso de lança, cabo de força, canoagem, corrida de 100 metros, corrida de fundo, corrida de tora e natação/travessia. Já o futebol será disputado em campos da cidade.

A 'Vila Olímpica' dos Jogos Indígenas está praticamente pronta. São 28 ocas que vêm sendo construídas por uma força-tarefa formada por 25 indígenas das etnias Tembé e Kaapor. Eles vieram de 11 aldeias, algumas distantes até 150 quilômetros de Paragominas. É deles também o trabalho de organizar a arena onde acontecem os jogos, montar a estrutura onde serão instaladas arquibancadas, os camarotes e barracas para a exposição de artesanatos. O local tem capacidade para receber um público de seis mil pessoas por dia.

Além das modalidades esportivas, os índios vão mostrar aos visitantes atividades como lutas corporais, corrida de tora, zarabatana, entre outras. Para Sérgio Tembé, da reserva indígena do alto Rio Guamá, em Paragominas, o que mais deve chamar a atenção do público são os rituais indígenas, as famosas "pajelanças".

- Cada etnia tem seus ritos próprios, identidades culturais preservadas ao longo dos anos. Fazemos questão de preservar nossas raízes. Até a data da realização dos jogos é especial para nós, pois segue o nosso calendário lunar - conta.

Realizados desde 1996, os Jogos dos Povos Indígenas têm como objetivo integrar as comunidades do país através de esportes tradicionais. Os jogos também servem como uma espécie de resgate da identidade cultural desse povo com a realização de danças, cantos e pinturas corporais.

Os Jogos Indígenas deste ano estão sendo chamados de Olimpíada Verde. Isso porque Paragominas passou recentemente da condição de cidade desmatadora para a que mais refloresta em todo o estado do Pará, com mais de 50 milhões de árvores nativas replantadas, graças ao projeto Município Verde, desenvolvido há mais de um ano pela prefeitura local.

Os jogos seguirão o ritual indígena, que acontece no dia anterior à abertura oficial. Na sexta-feira, precisamente ao por do sol, será aceso o fogo sagrado - uma espécia de pira olímpica - com a participação de duas etnias indígenas. A noite é de festa. Os índios comparecem adornados com óleo de massaranduba e, na cabeça, cocares de penas vermelhas e azuis. Junto ao peito, muitos usam uma espécie de colar de linha branca. Amarrados aos calcanhares, chocalhos. E a pintura do corpo é vermelha e preta, feita de urucum e jenipapo. A solenidade é denominada "Cerimônia de Acendimento do Fogo Ancestral Indígena". Segundo a organização do evento, mais de 50 mil pessoas estão sendo esperadas nos oito dias de jogos.

27 de out. de 2009

Indígenas expõem arte amazônica na sede da ONU em Nova York

Ao todo, cem obras serão expostas até 6 de novembro.
Participantes são de cinco etnias distintas.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

Obras de oito artistas indígenas da Amazônia estão em exposição na sede da ONU, em Nova York. A mostra acontece dentro de evento organizado pela Sociedade da Língua Portuguesa da Organização das Nações Unidas (UNSRC) e acontece de 26 de outubro a 06 de novembro de 2009, no saguão do prédio da sede.

Divulgação /Divulgação

Obra 'Besouro III' de Dhiani Pa'saro, feita em marchetaria. (Divulgação)

Ao todo, serão expostas cem obras de arte de tinta acrílica sobre tela e marchetaria. Os artistas que participam da mostra são Duhigó e Yúpuri, da etnia tukano; Dhiani Pa'saro, da etnia wanano; Iwiri-ki e Sãnipã, da etnia apurinã; Tóo Xac Wa, da etnia óro náo; e Tchanpan e Kawena, da etnia kokama. Eles são integrantes do elenco da Galeria de Arte e Imaginário da Amazônia (Gaia), em Manaus.

Divulgação /Divulgação

'Banzeiro de cobra', de Duhigó em tinta acrílica sobre tela. (Foto: Divulgação)

26 de out. de 2009

Projeto do TJRO com o Povo Karitiana ganha destaque em evento nacional

O projeto de Inclusão Digital para Índios Karitiana, realizado pelo Tribunal de Justiça Estadual em parceria com Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Rondônia, foi apresentado e ganhou destaque durante o evento do Programa Senai de Ações Inclusivas 2009 (PSAI), realizado no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

De acordo com a presidente do TJRO, desembargadora Zelite Andrade Carneiro, as boas práticas desenvolvidas pelo Judiciário de Rondônia têm proporcionado bons resultados à sociedade. O diretor regional do Senai, Vivaldo Matos, ressalta que o Poder Judiciário tem se mostrado aberto ao cidadão. "As iniciativas que o Tribunal de Justiça têm disseminado a importância da cidadania. O Senai abraçou a causa por acreditar que é um dos caminhos corretos para a inclusão". Segundo a coordenadora regional do PSAI, Maria Batista da Silva, a experiência adquirida com o projeto voltado aos índios foi gratificante. "A parceria com TJ buscou o reconhecimento do Departamento Nacional e do Departamento Regional, o que provocou uma somatória de ações inclusivas. É o que nos motivas desenvolver ações parceiras em prol da sociedade".

Prêmios

O projeto de Inclusão Digital para Índios Karitiana está concorrendo aos prêmios Innovare, que identifica, premia e divulga práticas inovadoras do Poder Judiciário, Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia; ARede 2009, que contempla projetos que utilizam tecnologias da informação e comunicação (TICs) para promover a inclusão social; e Professor Samuel Benchimol, que promove a reflexão sobre as perspectivas econômicas, tecnológicas, ambientais, sociais e empreendedorismo para o desenvolvimento sustentável da Região Amazônica.

A execução do projeto de Inclusão para Índios Karitiana iniciou em abril com a doação de computadores para a aldeia. No mês de maio, foram disponibilizados dois professores e material didático para o início das aulas no laboratório de informática cedido pelo Senai. Em julho, o Tribunal buscou outras parcerias para implantação do laboratório na aldeia. As empresas Energia Sustentável e Casablanca Cerimonial patrocinaram uma noite de autógrafos do livro "Dançando na Luz", de autoria da desembargadora Zelite Andrade Carneiro. A renda foi revertida para a tribo.

Em setembro foi realizada na aldeia a entrega dos certificados para os 13 índios multiplicadores de conhecimentos, além do laboratório de informática composto por computadores, impressoras e softwares livres. Através da parceria firmada com Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a comunidade indígena tem acesso à internet, por meio de uma antena parabólica denominada VSAT (sigla em inglês para Very Small Aperture Terminal). A VSAT da aldeia Karitiana é reforçada pelo sistema de banda larga, via satélite IP Advantage, que permite maior velocidade para acesso à rede mundial de computadores.

Mercado de Trabalho

De acordo com os representantes do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), a Caixa Econômica Federal (CEF) abriu 300 vagas de estágio para os indígenas, após tomar conhecimento do projeto de Inclusão Digital para os Índios Karitiana. A psicóloga do IEL, Daniele Mejia Cavalcante, informou que os indígenas de Rondônia que tem mais de 16 anos e que estão estudando já começaram a ser chamados para o estágio remunerado da Caixa.

Fonte: Rondonoticias
Autor: Rondonoticias


Declaração dos Direitos Indígenas é entregue à Presidência do TJMT

Redação 24 Horas News
Com assessoria


O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Mariano Alonso Ribeiro Travassos, recebeu um exemplar da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, entregue por uma comissão composta por representantes da Faculdade Indígena Intercultural, vinculada à Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Editora Entrelinhas, parceira na confecção do livro. A entrega ocorreu na última sexta-feira (23 de outubro).

“O principal objetivo é criar um instrumento de apoio à Constituição Federal quanto aos direitos indígenas”, afirmou o coordenador da Faculdade, professor Elias Januário. Foram doados 300 exemplares ao Poder Judiciário. O presidente do TJMT destacou que enviará os livros aos magistrados das comarcas de Mato Grosso.

“A Declaração não é instrumento juridicamente vinculante, contudo serve para estabelecer diretrizes para as políticas e legislações nacionais que dizem respeito aos povos indígenas”, disse o professor, que atua há 12 anos em educação indígena. Ao todo 3.000 exemplares foram impressos e serão distribuídos gratuitamente para os povos indígenas, sociedade civil organizada, órgãos governamentais, além de bibliotecas públicas e escolas de Mato Grosso. Para a diretora-executiva da editora, Maria Teresa Carracedo, a entrega dos exemplares aos magistrados mato-grossenses reforça o conhecimento do teor da declaração e representa um fortalecimento para reforçar a autonomia dos povos indígenas.
Mato Grosso tem hoje, 71 áreas indígenas (homologadas, regularizadas, delimitadas, identificadas ou em estudo) e uma Faculdade em Barra do Bugres (distante 160 km de Cuiabá), que oferece três cursos de graduação e uma pós-graduação em Educação Escolar Indígena. A faculdade já formou mais de 400 índios e publicou 23 livros, escritos por professores e alunos de 34 etnias do Estado. A mestra em Educação pela UFMT, a índia Francisca Navantino de Ângelo Paresi participou da confecção do documento. “É uma maneira de fazer com que o governo brasileiro assuma seus compromissos perante a comunidade internacional, além de resguardar os direitos indígenas”, finalizou a educadora.

Conteúdo - A Declaração dos Direitos Indígenas, com 46 artigos, foi aprovada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em 13 de setembro de 2007, depois de 22 anos de discussão. A demora deu-se exatamente por representar cerca de três milhões de índios em todo o mundo. O documento reafirma a democracia dos direitos indígenas; a preocupação com as injustiças históricas; o direito aos territórios; o reconhecimento das culturas e práticas tradicionais indígenas, da educação escolar específica e intercultural, entre outros. Um dos artigos prevê a desmilitarização das áreas indígenas. Ao todo, 143 países assinaram a declaração, com exceção dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

24 de out. de 2009

Abertas inscrições ao credenciamento para Jogos dos Povos Indígenas

Da Redação
Agência Pará

As inscrições da mídia que fará a cobertura da décima edição dos Jogos dos Povos Indígenas estão abertas até o próximo dia 28. Todo jornalista interessado em cobrir o evento deve preencher o formulário e enviá-lo para o e-mail: imprensa.jpi@gmail.com. Ao solicitar o pedido, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas do Brasil e do exterior também deverão ler o Termo de Compromisso de Utilização de Imagem.

A confirmação do credenciamento será feita pelo Comitê Intertribal via e-mail até o dia 29. Ao se apresentar na Assessoria de Imprensa montada no Parque Ambiental de Paragominas (PA) os profissionais devem portar carteira de identidade, registro profissional, além do comprovante de que trabalha na empresa, para assinar o Termo de Compromisso.

A página do site dos Jogos Indígenas, do Ministério do Esporte, contará com outros links como os da divulgação (fotos, matérias, e áudio e vídeo), do histórico do jogos, das etnias participantes, com a etnografia de cada representação indígena e das modalidades esportivas e tradicionais.

O Parque Ambiental é a sede dos Jogos dos Povos Indígenas 2009, que acontecem de 31 de outubro a 7 de novembro em Paragominas (PA). No espaço, foi construída a Aldeia Olímpica, que consta de Arena Circulo Indígena e de alojamento para 1.300 indígenas com a montagem de 28 ocas. Além de 33 etnias brasileiras, confirmaram presença aborígenes do Canadá, da Austrália e da Guiana Francesa.

Localizada ao noroeste do Pará e distante 310 quilômetros da capital Belém, a cidade de Paragominas fica às margens da Rodovia Belém-Brasília. A prefeitura da cidade, sede dos Jogos Indígenas, disponibiliza relação da rede hoteleira local para interessados em se hospedar.

Ascom - Ministério dos Esportes

23 de out. de 2009

Lideranças kaiapó mandam carta a Lula

preocupados com a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, os kayapó querem ser ouvidos em audiência pública. Entre as lideranças que assinam a carta está o cacique Raoni. Leia o texto na íntegra.


AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL – SENHOR LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Nós, lideranças indígenas da etnia Kayapó – Mebenokre – MT e aldeias do Sul do Pará, vem mui respeitosamente dirigir-nos até a presença de Vossa Excelência para expor nossas preocupações quanto à usina Hidrelétrica de Belo Monte sobre o rio Xingu, pois muito pouco tem feito os governos por convidar as populações indígenas e suas populações, bem como a extensiva população ribeirinhas e cidades existentes naquelas regiões.Os povos indígenas, neste caso, os povos Kayapó tem sido guardião em defesa do meio ambiente, da biodiversidade e dos ecossistemas, entretanto temos a mão limpa e cuidadosa de zelar pelas riquezas naturais.

É fato que inicialmente temos que divulgar tudo aquilo que é bom ao desenvolvimento sustentável de todos os povos, mas ainda estamos muito preocupados e gostaríamos que Vossa excelência, como sempre olha em prol dos povos indígenas, coloque em audiência pública para os povos indígenas melhor entenderem essa situação.

As matas, os cursos de rio que tanto conhecemos e temos respeito culturalmente, além de proporcionar a nós farta alimentação, estamos temerários que seremos então mais prejudicados, no jornal o Globo – G1 edição de 29.09.09 páginas 1 e 2 o Sr. ministro Edison Lobão fez alusão comentada que ele próprio vê forças demoníacas que puxam ou tentam jogar o país para baixo, de certo entendimento envolvendo tacitamente que as populações indígenas entravam ou dificultam o processo de construção da referida Usina.

Gostaríamos de que o Sr. ministro Lobão pudesse nos entender melhor, até porque desde os primeiros ensaios sobre a Usina na década de 80, os indígenas nunca tiveram opinião antagônica com a questão mas que forçam o desejo de que o empreendimento não venha destruir os ecossistemas e biodiversidade que milenarmente cuidamos e ainda podemos preservar. Sr. presidente, nosso grito fica registrado para que os estudos sejam bem executados e procurem discutir com os povos indígenas deste grande berço ecológico dos nossos antepassados. Quando vimos escrito o que o ministro Lobão escreveu, ficamos indignados e horrorizados com a manifestação, possivelmente enxergando os indígenas como espíritos do mal em protestar muitas vezes a construção da Usina.

Vamos sim ficar mais atentos ainda e solicitamos que Vossa Excelência não esqueça de recomendar ao Sr. Ministro que nós indígenas estamos presentes, vivendo as políticas de governo e que queremos participado do processo sem que ao menos sejamos taxados de ruins demoníacos que emperram a evolução do país.

Assim registramos nosso apelo e confiante no conceituado a respeito do governo de V. Excelência, nos colocamos muito favorável para que o processo venha ser realizado sempre juízo para os povos indígenas desta região.

Colider – MT – 15 de outubro de 2009.

Veja abaixo a cópia onde aparecem as assinaturas da lideranças.



ISA, Instituto Socioambiental.

21 de out. de 2009

Histórias do mestre Munduruku

Mais famoso escritor brasileiro de origem indígena, Daniel Munduruku preserva a sua cultura em dezenas de livros, a maioria deles adotada no ensino fundamental

Maíra Magro

FOTOs: JULIA MORAES/AG. ISTOÉ; Rolli ne Laporte ;

Encantada com as histórias indígenas contadas pelo professor de filosofia, uma aluna perguntou: "Onde eu encontro essas informações?" O mestre, desconcertado, não soube o que responder. Elas não estavam escritas em lugar nenhum. Foi assim, há mais de uma década, que Daniel Munduruku, índio criado na aldeia Maracanã, no interior do Pará, decidiu transportar as lendas e tradições de seu povo para o papel.

Hoje, aos 45 anos, é considerado o principal representante de um gênero ainda em formação no Brasil: a literatura escrita pelos povos indígenas. Sua primeira obra, "Histórias de Índio" (Companhia das Letrinhas), de 1996, vendeu mais de 60 mil cópias e está na 16a edição. A segunda, uma enciclopédia com verbetes nativos, ganhou o Prêmio Jabuti. Ao todo, Munduruku publicou 31 livros, a maioria voltada para o público infanto-juvenil - e lança outros dois na Feira Indígena de Mato Grosso, que acontece de 6 a 10 de outubro, em Cuiabá.

As obras ganharam destaque nas livrarias e são adotadas por escolas em todo o País. "Ele é uma figura absolutamente original dentro da literatura brasileira", diz o escritor Moacyr Scliar. A temática de Munduruku não envolve apenas a tradição indígena e seus valores, mas também o respeito à natureza e à vida em comunidade.

É atual porque trata dos dilemas da civilização, questões que enfrentou desde criança - começando pelo seu nome de branco, Daniel Monteiro Costa (mais tarde, adotou a denominação de seu povo como sobrenome artístico). Na aldeia, a língua nativa era proibida durante as aulas com os missionários católicos.

"Uma violência tremenda, que nos fazia sentir excluídos", diz. No livro "Meu Avô Apolinário", premiado pela Unesco, ele conta como os ensinamentos do avô paterno o ajudaram a valorizar sua identidade. Em outros, trata de mitos, brincadeiras infantis e também de amor. Na juventude Munduruku recorreu à Igreja para concretizar o sonho de ser professor.

Passou seis anos no seminário, onde se formou em filosofia, com especialização em história e psicologia: "Foi uma jogada inconsciente para continuar estudando." Hoje é ativista pelos direitos indígenas, tem um blog e faz doutorado em educação. Casado e pai de três filhos, ele não se preocupa em passar só para eles a tradição oral de sua cultura. Quer vê-la viva também nas escolas e no papel.

Fonte: Revista Istoé e Portal Terra

20 de out. de 2009

Índios recebem folhetos sobre nova gripe em língua xavante

Fonte:Portal Amazônia




CUIABÁ - Índios da etnia xavante devem receber panfletos especiais com informações sobre a nova gripe, em Mato Grosso. O Distrito Sanitário Especial Indígena de Barra do Garças elaborou material escrito na língua xavante, que será distribuído pelos profissionais de saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Os folhetos devem ser entregues até o fim de novembro, em seis pólos. Mais de 15 mil índios devem ser beneficiados.

Confira o especial sobre o Vírus H1N1

No início de outubro, foi realizada uma oficina em uma reserva indígena, onde foi distribuída a primeira tiragem dos panfletos.

As equipes de saúde que atuam em comunidades indígenas já receberam álcool em gel, máscaras, aventais, lenços descartáveis e outros produtos usados na prevenção da doença.

O coordenador regional da Funasa, Marco Antônio Stangherlin, diz que os agentes também receberam orientação para evitar contatos com não-índios. "Antes de entrar nas aldeias, as equipes de saúde ficam em observação durante sete dias no intuito de identificar o desenvolvimento de algum sintoma", afirma.

Já foram constatados oito casos de gripe no distrito.

17 de out. de 2009

Funai apóia projetos de mulheres indígenas no Mato Grosso

A Takiná, Organização de Mulheres Indígenas do Mato Grosso, terá o apoio da Funai para desenvolver seus projetos. A decisão foi firmada no dia 13, quarta-feira, em Cuiabá, em uma reunião conjunta com o Administrador Executivo da Funai Benedito Garcia, a Coordenadora de Mulheres Indígenas Léia Bezerra do Vale e a direção recém eleita da organização.

A Takiná foi criada no mês de setembro, reunindo as mulheres indígenas que residem no estado do Mato Grosso, com a finalidade de ser um centro de integração e referência das mulheres indígenas; promover o intercâmbio com as mulheres indígenas e não indígenas sensíveis à questão indígena e buscar mecanismos que possibilitem a melhoria da qualidade de vida das mulheres indígenas em suas comunidades através de programas e projetos nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, auto-sustentabilidade entre outros.

Durante a reunião, Léia do Vale falou da importância do encontro para planejamento em conjunto, onde cada parceiro formaliza o seu compromisso para que as ações previstas sejam concretizadas. “É fundamental o apoio das unidades regionais, onde estão os técnicos que lidam diretamente com as demandas dos povos indígenas”, concluiu.

A Funai apoiará inicialmente as oficinas da Takiná sobre uso de bebidas tradicionais, nutrição, violência e intercâmbio para formação de lideranças. Para Benedito Garcia a reunião do planejamento em conjunto esclarece os procedimentos burocráticos institucionais e fortalece o trabalho das parcerias com as organizações indígenas.


Redação 24 horas news

16 de out. de 2009

Marina apoia ultimato de índios por demarcação em MS

SÃO PAULO - A senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência, manifestou apoio ontem ao ultimato dos índios guarani-caiuás, que deram prazo de 30 dias para a Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciar a demarcação das terras tidas como indígenas em Mato Grosso do Sul. "Estou aqui na condição de senadora, não como pré-candidata à Presidência da República. Não prometo resolver os problemas aqui apresentados, mas estou junto com vocês nessa luta para a reconquista das terras de seus antepassados", afirmou Marina para os caciques reunidos em Japorã.



"Posso até não ser mais senadora no próximo ano, mas continuarei lutando pela causa indígena como professora, como uma aliada ativa e se for possível até como presidente." Ela explicou ter obtido bons resultados na busca dos direitos das minorias. Contou que desde os 17 anos de idade trabalhou no Acre pelos 12 mil índios do Estado. "Imaginem aqui em Mato Grosso do Sul, onde vivem 60 mil indígenas. O problema é bem maior. Prometo levar pessoalmente seus depoimentos ao presidente da República e vou usar a tribuna do Senado para buscar soluções para a questão."



"Temos 32 tekohas para serem demarcados. Vamos esperar um mês, depois nós mesmos vamos demarcá-las", disse o cacique Getúlio Lima a Marina, usando o termo guarani para se referir à terra tradicionalmente indígena. A posição do cacique foi endossada pelos representantes de todas as tribos do Estado presentes à reunião, com a declaração de um "grito de guerra". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agência Estado

13 de out. de 2009

Jefferson Praia homenageia escritor indígena Daniel Munduruku

[Foto: senador Jefferson Praia (PDT-AM)]
Página Multimídia

O senador Jefferson Praia (PDT-AM) homenageou nesta quinta-feira (8) o escritor indígena Daniel Munduruku. Autor de obras como Histórias de Índio e Meu avô Apolinário, Munduruku, de acordo com o senador, tem contribuído com a preservação da cultura indígena com suas dezenas de livros - a maioria deles adotada no ensino fundamental.

Jefferson Praia leu trechos de reportagem publicada pela revista Istoé a respeito da trajetória do líder indígena, professor de filosofia, criado na aldeia Maracanã, no interior do Pará. De acordo com a revista, entre as 31 obras de Munduruku - muito elogiadas por escritores como Moacyr Scliar -, há uma enciclopédia de verbetes nativos, vencedora do Prêmio Jabuti.

A matéria também conta que Munduruku, cujo nome de batismo é Daniel Monteiro da Costa, foi educado por missionários católicos, em aulas onde era proibido utilizar o idioma indígena. Hoje, é ativista pelos direitos indígenas, tem um blog e faz doutorado em educação.

O senador também leu o texto Piolhos, Poesia e Política, a transcrição de uma palestra em que o próprio Munduruku faz uma reflexão sobre os significados da expressão "relações harmônicas do homem com a natureza" à luz da tradição cultural indígena.

Na ocasião, o professor disse que, com seus antepassados, aprendeu que "nós não somos donos da teia da vida, somos apenas um de seus fios, e que a gente não tem posse sobre o ambiente, a gente tem parceria, a gente tem que viver como parceiros e não como donos, até porque a terra nos é dada, a natureza nos é dada, a vida nos é dada como um brinde, como um presente, e a gente devia tratar isso como um presente que a gente tem que cuidar direito".

Da Redação / Agência Senado

Flimt realiza lançamento do livro “A palavra do grande chefe”

Cuiabá / Várzea Grande, 10/10/2009 - 08:28.

Da Redação

Um depoimento histórico e periodicamente recriado através dos tempos conhecido como “A Carta do Chefe Seattle”, é o que conta a História do Livro A palavra do grande chefe, que foi lançado na tarde de sexta-feira (09.10) na Feira do Livro Indígena(Flimt) , no estande do Núcleo de escritores indígenas (NEARIN), localizado no estacionamento do Palácio da Instrução, no Centro de Cuiabá.

A obra é do autor índio Munduruku, formado em filosofia, com licenciatura em história e psicologia; doutorando em Educação na Universidade de São Paulo (USP). Tem mais de 30 livros publicados. E do também autor Maurício Negro, artista gráfico e escritor, além de bacharel em comunicação social pela ESPM e autor-ilustrador de livros infantis.

A obra relata, a resposta do líder, Noah Sealth, mais conhecido como Chief Seattle, ao grande chefe de Washington, o então presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce do ano de1854, que acabou se transformando em um documento importante e memorável.

O livro “A palavra do grande chefe” é uma adaptação livre, poética e ilustrada do discurso do Chefe Seattle. Durante o dia do sábado (10) estará à disposição no estante do Nearin na Flimt.

Feira oportuniza a interação do público com escritores

Cuiabá / Várzea Grande, 07/10/2009 - 18:35.

Da Redação

Uma aula de simpatia e erudição, foi o que as escritoras Heloisa Prieto e Ana Claudia Ramos apresentaram num bate papo aberto ao público, na Feira do Livro Indígena(Flimt) que acontece na Praça da Republica na capital cuiabana.

Durante a conversa as escritoras puderam mostrar suas opiniões e sugestões relacionadas ao meio editorial brasileiro. Para a escritora Ramos, o marketing ainda é restrito para alguns autores da literatura nacional. “Nós autores ainda temos pouco espaço nas livrarias, quando conseguimos algum apoio, nossos livros ficam escondidos atrás da literatura estrangeira ”.

Para Pietro, escritora com mais de 40 obras no mercado nacional, o Brasil não é um país de analfabetos, é um país de leitura anarquista.Onde temos um livro oficial ou politicamente correto, e o livro não oficial, aquele que se escreve com afinco e dedicação.

Ana Claudia Ramos, aproveitou a ocasião para falar de seu novo livro, “A historia de Clarice”um livro que de acordo com ela relembra sua infância, em seus livros prediletos de quando menina, que entre eles as influencias mais fortes são de “Bolsa Amarela”, “O soldadinho de chumbo” e “A vendedora de fósforo”. Clássicos infantis que tem como pano de fundo a morte e a perda. Temas que Ana considera que deve ser levado as crianças com naturalidade, e que os adultos erroneamente acreditam ser tabu.

“A historia de Clarice” conta a historia de uma menina, que fica órfã e após um episódio traumático se cala , acaba por ir morar com uma tia com quem tinha pouco contato e a partir deste novo relacionamento recheado de literatura, ela redescobre o afeto, “A esta menina emprestei minha paixão e o encantamento por essas historias”, revela Ana.

Heloisa que também lança um livro resume sua obra como um texto autobiográfico. “Eu tiro muito da minha vida quando eu escrevo algo, eu escrevo em protesto contra a morte. Eu criei um universo que resgata pra mim algo que eu perdi com tanta dor”, diz

Seu livro “Terra” é uma homenagem ao seu tio que morreu na Amazônia após largar tudo para viver na floresta. Entre as novidades, a negociação com Warner dos direitos do livro, ”As melhores coisas do mundo” que em breve será transformado em filme.

Para encerrar a conversa Ana Pietro resume literatura como parte essencial da vida do ser humano. “Os livros marcam momentos da minha vida, e eu acho que vou me tornando uma pessoa melhor a partir do meu contato com eles.” Finaliza.

INBRAPI presenteia SEC em Feira do Livro Indígena

Cuiabá / Várzea Grande, 10/10/2009 - 17:09.

Da Redação

Com objetivo de levar conhecimento da cultura indígena para o centro urbano das cidades mato-grossenses, o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI), realizou nessa sexta-feira (09), durante a Feira do Livro Indígena (Flimt), a entrega de 30 kits do projeto Porandubá para a Secretaria de Estado de Cultura.

O projeto Porandubá traz 28 histórias em CDs, de 24 etnias indígenas existentes no país. “Os relatos são registros de culturas e tradições de cada povo. Este material é uma sugestão de como o professor pode trabalhar dentro da sala de aula as histórias dos índios. Cada etnia tem seus costumes,” comentou Cristino Wapichana, um dos coordenadores do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas(Nearim).

A Secretaria vai disponibilizar este estudo (CDs) na sala indígena da Biblioteca Pública, Estevão de Mendonça, no Palácio da Instrução. Álém de ser distribuído para todos os pólos de bibliotecas do Estado através do sistema estadual de bibliotecas.

Roda de histórias movimenta público no Palácio da Instrução

Cuiabá / Várzea Grande, 07/10/2009 - 13:27.

Da Redação

Histórias, mitos, música e ritos. Assim iniciou a primeira roda de conversas indígenas da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso na manhã desta quarta-feira (07) em Cuiabá. As rodas serão sempre no Pavilhão do Palácio, localizado aos fundos do Palácio da Instrução. Elias Maraguá, da etnia Maraguá iniciou um bate-papo com os alunos da Escola Estadual Presidente Médici, falando sobre os costumes de seu povo. Elias explicou aspectos culturais como a utilização de cocares, ornamentos e vestimentas. Em seguida, os pajés Manoel Moura Tukano e Álvaro Tukano (ambos da Etnia Tukano), realizaram um rito de iniciação. Eles explicaram que este é o rito realizado pelos tukanos pra iniciar uma conversa com os mais jovens.

Com uma grande interação, os alunos assistiram as apresentações musicais realizadas por Marcio Bororo, Jucélio Paresi e Cristino Wapichana. Eliane Potiguara e Eli Macuxi contaram histórias e mitos de seus povos, lembrando sempre, que tudo, faz parte de uma grande memória e da ancestralidade. Para encerrar, o jovem Carlos Tiago, da Etnia Satere Mawe recitou uma poesia que compõe a Antologia de escritores indígenas lançada na noite da terça-feira, durante a Feira.

VENDA DE LIVROS E VISITAÇÃO ESCOLAR

A visitação escolar está sendo realizada com o acompanhamento de monitores e tem duração de uma hora e meia. Os estudantes podem participar das palestras, oficinas, contação de histórias e pintura corporal.

Já as editoras e livrarias estão comercializando obras no Fundo do Palácio da Instrução. No local tem também os lançamentos e rodas de histórias.

Para participar das atividades confira a programação no site da Secretaria de Estado de Cultura.

Literatura e ilustração infantil na Praça da República

Estimular o imaginário infantil, despertar em cada criança a busca pelo conhecimento, fazendo com que ela visualize uma história distante de sua realidade. Estes foram alguns os assuntos abordados na palestra sobre Literatura e Ilustração Infanto - Juvenil na sala de aula, que ocorreu nesta quarta (07) na Feira do Livro Indígena, que está sendo realizada na Praça da República da capital até o dia 10 de outubro.

Durante a palestra, profissionais ministraram temas voltadas a literatura em sala de aula e fizeram relatos de suas experiências com a literatura indígena. “A educadora indígena Severiá Idioriê, começou sua apresentação falando da importância da literatura para os indígenas”.” A literatura faz parte da nossa existência, através das obras literárias tomamos contato com a vida”

Para Idioriê a arte da ilustração tem que ser aprendida na escola pelo professor. “A criança tem que viver literatura em todos os momentos , até na hora de aprender a desenhar”.

Entre os profissionais da bancada da palestra, estavam, os ilustradores de livros infantis, Jô Oliveira e Mauricio Negro; a escritora Heloisa Pietro; e a professora e escritora Ana Claudia Ramos e a educadora e também escritora Ser Severiá Idioriê.

Feira do Livro Indígena divulga tradições e cultura do índio em Cuiabá

Cuiabá / Várzea Grande, 06/10/2009 - 13:57.

Da Redação

O Governo do Estado abriu, nesta terça-feira (06.10), no Centro Histórico de Cuiabá, a Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (Flimt). O evento traz exposições de livros, pintura, adornos tradicionais, entre outras manifestações da cultura do índio e prossegue até o próximo sábado (10.10). São cinco dias de feira, montada em três ambientes na Praça da República e Palácio da Instrução: a oca central, pavilhão da República e os estandes dos editores.

A solenidade de abertura teve a participação dos pajés Álvaro Tukano e Manoel Moura, dos povos Tukano do Amazonas, que realizaram a cerimônia espírita indígena na porta de entrada da feira. Estudantes, populares e convidados assistiram ao ritual. A ocasião contou ainda com apresentação da Dança Andorinha, Mini e Ari por índios da Nação Nativa Umutina e lançamento da Declaração das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos dos povos indígenas.

Mato Grosso é pioneira, em todo o país, a iniciativa de abrir espaço e divulgar a cultura, tradições e história do índio. A literatura indígena é recente. O secretário de Estado de Cultura, Paulo Pitaluga, comentou que “começaram há pouco tempo essa produção literária. A escrever livros, literatura infantil, contos, poesias, declamar poesia, participar de saraus, a contar a sua história”, disse ao lembrar que são títulos diversos, antropologia, arqueologia e da etnografia.

O diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi), Daniel Munduruku, descreveu a feira como um grande momento, de troca de ideias, conhecimento e afeto entre os índios e não índios. “É a realização de um sonho, de prender a visibilidade para os povos indígenas que tem muita coisa a oferecer ao Brasil”, contou Munduruku, que também é escritor com 35 títulos publicados e dois a ser publicado na Flimt.

Opinião parecida tem a artista plástica Deuseni Félix, que elogiou a iniciativa do Governo do Estado por divulgar a cultura do índio com “uma exposição, onde brancos e índios participam e veem a beleza dos povos indígenas, o papel e a cultura que eles querem mostrar”.

VISITAÇÃO

O Centro Histórico de Cuiabá, com pontos de destaque na Praça da República e Palácio da Instrução, é o endereço da literatura e cultura indígena até o sábado. O local está aberto à visitação de pessoas de todas as idades. Nos três espaços, o público vai conhecer um pouco da história dos povos indígenas, das suas origens e tradições, contadas pelos próprios índios. Uma exposição de fotos do Marechal Rondon também está à mostra num dos espaços. A visitação é gratuita.

DECLARAÇÃO

A declaração da ONU faz parte de uma luta de 22 anos. Segundo o vice-reitor da Unemat, Elias Januário, ela traça as diretrizes e conceitos da história e tradição indígena, que reconhece as diferenças dos povos indígenas e o direito de serem respeitados na sua diferença. Cento e quarenta e três países, com exceção dos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, assinaram o documento, publicado também em português. Exemplares foram distribuídos na ocasião da abertura da Flimt.

UNEMAT

Num pavilhão no Palácio da Instrução, diversos livros de autores índios e não índios, publicados por editoras e autores independentes estão à exposição, e para venda, ao público. Alguns, com apoio do Governo. Pitaluga lembrou que a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) que mais produz e editora livros indígenas.

SEMINÁRIO

Outras atividades fazem parte da programação da Flimt, como o Seminário de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso realizado nesta manhã após a solenidade de abertura.

Mais informações sobre a programação da Feira do Livro Indígena no site da SEC: www.cultura.mt.gov.br

5 de out. de 2009

Histórias do mestre Munduruku

Matéria que circula na edição desta semana na REVISTA ISTO É.

Mais famoso escritor brasileiro de origem indígena, Daniel Munduruku preserva a sua cultura em dezenas de livros, a maioria deles adotada no ensino fundamental.

Por Maíra Magro

Encantada com as histórias indígenas contadas pelo professor de filosofia, uma aluna perguntou: "Onde eu encontro essas informações?" O mestre, desconcertado, não soube o que responder. Elas não estavam escritas em lugar nenhum. Foi assim, há mais de uma década, que Daniel Munduruku, índio criado na aldeia Maracanã, no interior do Pará, decidiu transportar as lendas e tradições de seu povo para o papel.
Hoje, aos 45 anos, é considerado o principal representante de um gênero ainda em formação no Brasil: a literatura escrita pelos povos indígenas. Sua primeira obra, "Histórias de Índio" (Companhia das Letrinhas), de 1996, vendeu mais de 60 mil cópias e está na 16a edição. A segunda, uma enciclopédia com verbetes nativos, ganhou o Prêmio Jabuti. Ao todo, Munduruku publicou 31 livros, a maioria voltada para o público infanto-juvenil - e lança outros dois na Feira Indígena de Mato Grosso, que acontece de 6 a 10 de outubro, em Cuiabá.
As obras ganharam destaque nas livrarias e são adotadas por escolas em todo o País. "Ele é uma figura absolutamente original dentro da literatura brasileira", diz o escritor Moacyr Scliar. A temática de Munduruku não envolve apenas a tradição indígena e seus valores, mas também o respeito à natureza e à vida em comunidade.
É atual porque trata dos dilemas da civilização, questões que enfrentou desde criança - começando pelo seu nome de branco, Daniel Monteiro Costa (mais tarde, adotou a denominação de seu povo como sobrenome artístico). Na aldeia, a língua nativa era proibida durante as aulas com os missionários católicos.
"Uma violência tremenda, que nos fazia sentir excluídos", diz. No livro "Meu Avô Apolinário", premiado pela Unesco, ele conta como os ensinamentos do avô paterno o ajudaram a valorizar sua identidade. Em outros, trata de mitos, brincadeiras infantis e também de amor. Na juventude Munduruku recorreu à Igreja para concretizar o sonho de ser professor.
Passou seis anos no seminário, onde se formou em filosofia, com especialização em história e psicologia: "Foi uma jogada inconsciente para continuar estudando." Hoje é ativista pelos direitos indígenas, tem um blog e faz doutorado em educação. Casado e pai de três filhos, ele não se preocupa em passar só para eles a tradição oral de sua cultura. Quer vê-la viva também nas escolas e no papel.

3 de out. de 2009

Histórias indígenas alimentam imaginação do público durante a FLIMT

As histórias indígenas trazem imagens inusitadas e belas, que tentam explicar os humanos, os fenômenos da natureza e a origem das coisas procurando sempre dar sentido e criar diferentes modos de vida. Essas histórias serão contadas por escritores e professores durante a Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT).

As “Rodas de Histórias Indígenas” começam na quarta-feira, às 11h, na Oca Central, e vão encher os ouvidos de crianças e adultos que acompanharem as atividades. A primeira roda será comandanda por Ely Macuxi e Eliana Potiguara. À tarde, a “Roda de História” será no Pavilhão da República, a partir das 15h30, com o escritor Cleomar Umutina e com Yaguarê Yamã, índio do povo Saterê Mawé que vive na fronteira entre os Estados do Amazonas e do Pará.

Na sexta-feira (09.10), mais rodas acontecem. "De manhã, às 11h, a atividade será na Oca Central priorizando a temática feminina. Nós pensamos em uma roda só composta de mulher indígenas para este horário”, explica Cristino Wapixana, vice-coordenador nacional do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (Nearin). O Nearin é parceiro da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) na idealização da FLIMT.

Às 16h, também na sexta-feira, a roda será no Stand Nearin, com os escritores Elias Seixas e Olívio Jekupé. Olívio é Guarani da Aldeia Krukutu, autor de diversos livros, que contam mitos, poesias e histórias dos índios Guarani. Entre os títulos, “Verá – O contador de histórias”, “Larandu – O cão falante” e “Xerekó Arandu - A morte de Kretã”.

Rodas de Conversas têm participação do público



Trocar experiências, desenvolver assuntos e saciar dúvidas do visitantes, essa é a ideia das “Rodas de Conversas”, mais uma atividade preparada pela organização da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso para toda a população. Com assuntos pré-determinados pelos escritores e professores que orientam as conversas, as “Rodas” acontecem na quarta e quinta (07 e 08.10), no Pavilhão da República e também na Oca Central.

A primeira roda, às 15h no dia 7, será orientada por duas escritoras: Anna Claudia Ramos e Heloisa Prieto, que desenvolvem em seus trabalho a temática infantil e juvenil. Anna Claudia, escritora e ilustradora conta que desde pequena tem mania de contar histórias. “Passava horas brincando e inventando novos mundos para morar e viajar. Foi assim que cresci descobrindo que a literatura é mágica e que por ela podemos viajar, brincar e sermos o que quisermos”, explica. Um exemplo de sua obra é “As Marias”, que conta a história de duas meninas que nunca se conheceram mas tinham em comum uma coisa: professoras encantadas por livros.

Na mesma linha, Heloisa Prieto, escritora infanto-juvenil é de uma família de contadores de histórias e tem cerca de 40 títulos publicados. Colecionadora de prêmios, Heloisa ajudou a mexer com a imaginação das crianças participando do programa Castelo Rá-Tim-Bum. Ela conta que as histórias de contos de fada, também atraem os adultos, o que muda são os personagens.

“Contos de fadas e literatura fantástica constituem um gênero literário que é considerado como o mais apreciado por jovens e crianças. Porém, isso não exclui o leitor adulto que também pode encantar-se com as peripécias do Mago Merlin ou rei Arthur”, defende.

Para o dia 08, às 11h30, está agendada mais uma “Roda de Conversa”. Com assunto direcionado ao indígena, a roda será na Oca Central, com orientação do artista e escritor Rivanildo Wapichana e também do líder indígena Álvaro Tukano.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...