31 de mar. de 2010

STF rejeita ação da CNA para restringir demarcação de reservas indígenas


Da Redação

O STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou uma ação proposta pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) que poderia dificultar a demarcação de terras indígenas no Brasil. A decisão foi tomada pelos ministros Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski, que integram a Comissão de Jurisprudência da Corte.
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A CNA pretendia que o Supremo aprovasse uma súmula vinculante declarando que os dispositivos da Constituição que garantem aos indígenas a posse das terras tradicionalmente ocupadas por eles não abrangem aldeias extintas antes de 5 de outubro de 1988 —data de promulgação da Carta Magna.
Para isso, a Confederação citou um precedente do ministro Marco Aurélio Mello (RE 219983), em que ficou fixado que os incisos I e XI do artigo 20 da Constituição (são bens da União as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios) não alcançam territórios ocupados por indígenas apenas em passado remoto.
Entretanto, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski ressaltaram que essa decisão de Marco Aurélio —que deu origem à Súmula 650—não tem nenhuma relação com demarcação de reservas indígenas, já que o processo tratava apenas de uma ação de usucapião.
Ao determinar o arquivamento da ação, os ministros afirmaram que a CNA “busca, claramente, obter uma nova e mais ampla dimensão do texto sumular, desvinculando-o, por completo, da restrita questão jurídico-constitucional que o originou”. Ou seja, segundo os ministros, a Confederação tentou utilizar um precedente que trata de ações de usucapião para dificultar as demarcações de reservas indígenas.
As súmulas vinculantes são utilizadas para uniformizar o entendimento do Supremo sobre determinado tema, e, uma vez aprovadas, tem de ser obrigatoriamente seguidas por todos os tribunais do país.
Segundo Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, a edição de súmula vinculante depende da existência de uma consolidação da jurisprudência sobre uma determinada matéria, o que não existiria no caso da ação proposta pela CNA. Eles entenderam que falta o requisito formal da existência de reiteradas decisões do Supremo “sobre essa complexa e delicada questão constitucional, que se encontra, felizmente, em franco processo de definição”.
Eles citaram a Ação Cível Originária 1383 e o Mandado de Segurança 28555, em que a questão já foi enfrentada em decisão liminar, “o que permite vislumbrar-se, num futuro próximo, seu pleno enfrentamento quando do julgamento de mérito desses processos pelo Plenário desta Casa”.
Assim, a Comissão de Jurisprudência do STF manifestou-se pela inadequação formal da proposta de edição de súmula vinculante e, consequentemente, pelo seu imediato arquivamento. Os ministros entenderam que não foi satisfeito requisito indispensável para a regular tramitação da PSV, seja pela total inadequação do uso de súmula de jurisprudência relacionada a tema diverso daquele tratado na proposta, “seja pela inexistência de reiteradas decisões que tenham dirimido definitivamente todos os aspectos de tão controvertida questão constitucional”.

Bonifácio José Baniwa assume Secretaria de Estado para os Povos Indígenas


Fonte: Portal Amazônia, com informações da Seind

Foto: Divulgação/Seind











MANAUS -
Waku sese, que significa muito obrigado em sateré-mawé. Foi desta forma que o líder indígena Jecinaldo Sateré-Mawé oficializou o desligamento dele como titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), nesta quarta-feira (31), no Fazendário Clube.


Tornar o movimento indígena cada vez mais forte e sólido no Amazonas. Este foi o tom do discurso de despedida feito, de forma emocionada, por Jecinaldo, durante o almoço que marcou o lançamento da agenda de atividades da Seind para 2010.

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O ex-presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas (Fepi) e então secretário Executivo da Seind, Bonifácio José Baniwa, assume interinamente a Seind. Ainda nesta quarta-feira, Jecinaldo entregou a carta de desincompatibilização ao governador Eduardo Braga. 

Antes de apresentar a Agenda, o sateré fez um balanço das atividades da Seind nesses quase sete meses de criação do órgão. Ele falou dos avanços e perspectivas da pasta para este ano.

Ações

Lembrou que entre as principais ações programadas estão a Inclusão Digital em Terras e Comunidades Indígenas; o Projeto Propriedade de Saberes e afirmação da Identidade Étnica; os projetos do Território da Cidadania Indígena no Alto e Médio Rio Negro e também no Madeira; e o Fortalecimento do Arranjo Produtivo do Artesanato Indígena no Alto Solimões, Vale do Javari e Médio Purus.

- Agradeço a confiança do governador e das organizações e lideranças indígenas em poder contribuir de forma participativa com o governo, disse.

- O Boni é do Rio Negro e o José Mário (Mura) do Madeira, eles vão continuar o projeto que nasceu das lutas indígenas, comentou.

Representantes

O evento teve a participação de representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Casa Civil, Coordenação das Organizações Indígenas Brasileira (Coiab) e Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Para o líder do Governo na ALE, deputado Sinésio Campos, um dos que lutaram pela criação da Seind, a secretaria chegou para ficar e tem demonstrado isso nesses sete meses.

- Esta secretaria está discutindo políticas públicas de inclusão social no Estado que tem a maior população indígena do Brasil, destacou.

- Por isso é bom que os outros estados criem suas secretarias, pois o Amazonas está dando um exemplo de cidadania, acrescentou.

Oficina com a Funai

Uma outra atividade da Agenda-Seind é a oficina que o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), e a Fundação Nacional do Índio (Funai) promovem nos próximos dias 7 e 8, em Manaus.

O objetivo é promover condições para um planejamento de atividades integradas, de modo a otimizar a gestão de ações de políticas públicas, além de identificar processos de acompanhamento e de orientação à implementação de agendas compartilhadas junto aos povos indígenas.

O evento é um dos resultados do Termo de Cooperação Técnica firmado entre o órgão e a instituição no último mês de dezembro, durante a realização do Fórum Amazonas Indígena (Forind), e faz parte da agenda de atividades da Seind para 2010.

Programação

A oficina começa às 8h30, no Lord Manaus Hotel. A abertura dos trabalhos será feita pelo presidente da Funai, Márcio Meira, e o líder indígena Jecinaldo Sateré-Mawé.

Entre os temas a serem debatidos estão a atuação da Funai no Amazonas e as ações previstas no Plano Plurianual (PPA); panorama da Seind sobre a atuação do Governo do Estado junto aos povos e comunidades indígenas; gestões territorial e ambiental das terras indígenas; e promoção dos povos indígenas no Amazonas, na perspectiva de valorização do patrimônio sócio-cultural indígena. (JK)

Palestrantes indígenas sugerem sistema educacional específico


Ministério da Educação


Edson Brito é professor indígena do povo guarani, em São Paulo. O educador, filho de pais da etnia caiapó, veio à Conferência Nacional de Educação (Conae) trazer uma sugestão: que as avaliações educacionais para os indígenas seja diferente das avaliações dos não-indígenas.

“Nossas escolas, na maioria das vezes, se saem mal em avaliações estaduais e federais. Ficam taxadas de ruins”, salienta.

A razão, segundo Brito, é de que o ensino nas escolas indígenas não segue o padrão das outras escolas de educação básica; é diferenciado por ser bilíngue e voltado para culturas específicas.

O coordenador de educação escolar indígena do Ministério da Educação, Gersen dos Santos, afirmou, nesta terça-feira, 30, durante um dos colóquios da Conae, que as ações na área indígena ganham um novo rumo, o da construção de um sistema próprio de educação. “Esse sistema deverá levar em conta as especificidades de cada povo e a noção de territorialidade”, disse.

Segundo Gersen, o território é a base de um povo e vai além do aspecto geográfico; contém a identidade e a cultura de cada etnia. “Escola diferenciada só tem sentido se fortalecer a vida coletiva”, ressaltou.

Hoje, a gestão do ensino dos povos cabe ao ente federado no qual estão localizados. “O problema desse sistema é que a educação escolar será diferente para uma mesma etnia. Os xavantes, por exemplo, estão espalhados por vários municípios do Mato Grosso e há etnias que se encontram em mais de um estado.”

Para o coordenador, a escola para os indígenas tem que se basear no conceito de território etnoeducacional, que ultrapassa o modelo de estados e municípios.

Maria das Dores de Oliveira, representante do Conselho Nacional de Educação (CNE), citou os avanços das discussões na área, realizadas durante a 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (Coneei), em novembro de 2009.

À época, foram debatidos o respeito à diversidade dos povos, os processos próprios de aprendizagem e a utilização das línguas maternas no ensino. “Agora, os resultados devem ser agregados à Conae”, sugeriu. Assessoria de Comunicação Social

Deputada Janete integra Federação para cidadania dos povos indígenas

 
Brasília, 31/03/2010 – Diretoria e conselhos da Federação Indígena Brasileira – FIB – reuniram-se em solenidade de posse no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. A FIB é presidida pelo professor Alfredo Silva, Eli Leão Catachunga (vice-presidente) e Maria Janete de Souza (tesoureira) que tomaram posse em setembro do ano passado junto com os conselhos deliberativo, consultivo e assessorias. A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) foi convidada pelo presidente e integra o conselho consultivo da entidade, que trabalha pela organização social, política e econômica das comunidades indígenas.

“É preciso consolidar os direitos das populações indígenas, como cidadãos e cidadãs brasileiras, respeitando e valorizando suas peculiaridades e diferenças culturais entre si e com os não índios, suas terras demarcadas e seus espaços históricos tradicionais, além de torná-los cidadãos plenos de direitos e soberanos nas suas decisões. Os povos indígenas do meu estado e os povos indígenas do Brasil tem renovado meu compromisso na mobilização permanente pela consolidação dos seus direitos seus direitos e com sua causa”, afirma a deputada Janete Capiberibe.

Após a solenidade que aconteceu dia 23 de março, os convidados foram recepcionados em jantar com pratos típico da Amazônia, por onde inicia-se o trabalho da FIB. Abaixo, os membros da Federação Indígena Brasileira, cuja sede é em Brasília e o trabalho pode ser acompanhado em http://fibbrasil.blogspot.com/.

1. Alfredo B.P.Silva - presidente - Brasília-DF
2. Eli Leão Catachunga - Vice-presidente - Brasília -DF
3. Maria Janete O. Souza - Tesoureira - Brasília -DF
4. Jacimar Oliveira Gouvea - Conselho Fiscal - AM
5. Edson Oliveira Santos - Conselho Fiscal - MT
6. João Alfredo P. Silva - Conselho Fiscal - RR
7. Kohalue Kajará - Conselho Deliberativo - TO
8. Carlos A. Pereira - Conselho Deliberativo - RR
9. Wilsom Matos da Silva - Conselho Deliberativo - MS
10. Joana Euda Barbosa - Conselho Deliberativo - TO
11. Marcos Mariano Justino Terena - Conselho Deliberativo - Brasília-DF
12. Anmily Paula dos Santos Martins - Conselho Consultivo - RJ
13. Edson Santos - Conselho Consultivo - Brasília -DF
14. Hariessa Cristina Villas Boas - Conselho Consultivo - RJ
15. Maria Helena Veronese Rodrigues -Conselho Consultivo - RR
16. Vanessa Grazziotim - Conselho Consultivo - AM
17. Alexandro da Anunciação Reis - Conselho Consultivo - Brasília-DF
18. Francisco Joaci Freitas Luz - Conselho Consultivo - RR
19. Emília Fernandes - Rio Grande do Sul -RS
20. Janete Góes Capiberibe - Conselho Consultivo - AP
21. Alda Freire de Carvalho - Conselho Consultivo - Brasília - DF
22- Eliane Thaines Bodah - Assessoria Internacional
23. Ingrid Nicholl - Assessoria Internacional
 

29 de mar. de 2010

ONG quer punição para empresa brasileira acusada de desmatar área indígena

Da France Presse
A organização Survival Internacional pediu nesta segunda-feira que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expulse do Pacto Mundial presidido por ele a subsidiária de uma empresa de pecuária brasileira envolvida em um controverso projeto de desmatamento em uma área indígena no Paraguai.

"A pecuarista Yaguareté Porá é uma subsidiária de uma empresa brasileira que está destruindo as florestas no Paraguai pertencentes à tribo dos Ayoreo-Totobiegosode", afirma a organização de defesa dos povos indígenas em uma carta dirigida a Ban Ki-moon.

A Survival acusa a empresa de "flagrante violação" da Constituição paraguaia, do direito internacional e dos princípios aos quais se comprometeu ao assinar o Pacto Mundial em 2008, uma iniciativa voluntária promovida pela ONU mediante a qual as empresas comprometem-se a alinhar suas estratégias e operações com 10 princípios baseados em direitos humanos, trabalhistas, de meio ambiente e de luta contra a corrupção.

"A Yaguareté não honrou seus compromissos em matéria de direitos humanos. Pedimos ao Pacto Mundial que a expulse ou, caso contrário, (o grupo) correrá o risco de perder sua integridade", declarou Stephen Corry, diretor da organização internacional com sede em Londres, citado no comunicado.

Segundo a Survival, a companhia apenas pretende conservar 16.784 hectares dos 78.549 hectares que possui em uma área de selva que faz parte do território dos Ayoreo-Totobiegosode, uma tribo isolada que vive na região oeste do Paraguai, na fronteira com o Brasil.

A organização indica que alguns membros da tribo que já foram contatados e lutam desde 1993 pela titularidade legal de suas terras denunciaram diversas vezes as operações da empresa pecuarista.

ra/js/lb/fp

28 de mar. de 2010

"A natureza é um parente que precisa ser cuidado"

Daniel Munduruku: relação de cuidado com a natureza (Foto: DIVULGAÇÃO)
Quando criança, Daniel Munduruku, que hoje é mestre e doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, tinha vergonha de ser índio. ``O índio era visto como estorvo ao progresso, ao desenvolvimento``, explica. Mas seu avô o levou a fazer um passeio, longe da aldeia, para conhecer uma cachoeira. O vô pediu que ele ouvisse o que o rio tinha a dizer.

``Sentei e tentei ouvir. Mas o rio não falou``, brinca. Logo, o avô explicou que o rio nunca para diante de uma pedra ou obstáculo, que sempre tem pulsão para chegar ao grande rio. ``A gente acredita que, quando morre, a gente vai para a nascente do rio Tapajós``, acrescenta.

Daí, Daniel entendeu que o rio sempre conversa com os índios, que fazem rituais para conversar com os seres da natureza. ``A relação que o povo indígena tem com a natureza não é de superioridade. A natureza não é algo que vai ser transformado para gerar lucro. A natureza é um parente, que precisa ser cuidado e resgatado``, explica, citando que na cidade o homem não cultiva essa relação. Daniel contou a história também durante o evento de abertura do Movimento Cyan, na última segunda-feira, Dia Mundial da Água.

Para ele, o cuidar da natureza precisa ser despertado em todos. ``Campanhas, movimentos são coisas exteriores à gente. Enquanto não tomarmos isso como movimento interior da gente, vamos continuar sendo pessoas jogando palavras ao vento. Sinto-me feliz e honrado em participar de um povo que fala pouco, mas vive muito essa realidade``, completou. 
 
O Povo Online

11 de mar. de 2010

Montagem da estrutura do Salão do Livro está a todo vapor

Nesta sexta-feira, 12, às 9 horas, o secretário estadual da Educação e Cultura, senador Leomar Quintanilha visita a estrutura montada na Praça dos Girassóis, em Palmas. O local será o palco do maior evento literário da região norte do país: o 6º Salão do Livro do Tocantins.
A área construída este ano foi ampliada, passou de 8.350m² para 10.800m². A estrutura metálica, a cobertura dos galpões, o piso e a parte elétrica já estão prontos. Agora vem a etapa de acabamento, decoração e instalação da refrigeração.
Mais de 100 pessoas estão envolvidas na montagem. A previsão da empresa contratada para realizar o trabalho é de que até o início da próxima semana tudo esteja concluído, para que os expositores montem seus estandes.
A tenda será totalmente climatizada, com 115 estandes, praça de alimentação e auditório principal com mil lugares. Haverá ainda três espaços temáticos: café literário, espaço infantil e espaço jovem.

Espaços temáticos

Café literário – Destinado ao lançamento de publicações de estudantes, professores, da Associação Tocantinense de Letras e outros autores.  Ainda participam do espaço Elisa Lucinda, Leda Nagle e Paulo César Saraceni, diretor do filme “O Gerente”, inspirado em um conto de Carlos Drummond de Andrade.
Espaço Infantil – Voltado ao entretenimento de crianças com até 10 anos. Haverá apresentação de teatro e de várias outras atrações como o espetáculo das Marionetes do Guarujá e o Cocoricó, além de interação com palhaços, como a dupla Batatinha e Cocada.
Espaço Jovem – Espaço para as apresentações musicais e artísticas, além das palestras voltadas ao público jovem. Já estão confirmadas as participações do professor Sérgio Nogueira, do Soletrando, Laura Miller, do Programa da Rede Globo Altas Horas, do escritor Daniel Munduruku, do grupo Ciência em Show, além dos humorísticos Os fulanos e Terça Insana.

Salão do Livro

O 6ª Salão do Livro do Tocantins será realizado entre os dias 19 e 28 de março e tem como tema “A leitura acelera a Educação”. Os homenageados são os escritores Carlos Drummond de Andrade e Odir Rocha.
Os números gerais revelam a grandiosidade do evento. Ao todo são mais de 500 atrações, 500 editoras participantes e 80 mil títulos expostos. E a expectativa é de que pelo menos 200 mil pessoas visitem o espaço. (Informações da Ascom/Seduc)

4 de mar. de 2010

Governo do Tocantins discute realização do III Fórum Social Indígena

O Governo do Tocantins, através da Seciju - Secretaria da Cidadania e Justiça, na busca de melhorias para os povos indígenas do Estado, realiza o III Fórum Social Indígena com o tema “Novos Olhares, Novas Perspectivas para os Povos Indígenas”. Parceiros do Fórum reuniram-se na tarde desta quarta-feira, 3, no auditório da  Seciju, para discutirem os detalhes do evento. De acordo com o projeto do Fórum, o acontecimento da conferência permite fazer uma avaliação conjunta sobre a visibilidade que os órgãos governamentais passaram a ter em relação às políticas públicas para os povos indígenas.
Dentre os objetivos do Fórum estão a identificação de subsídios à estruturação e consolidação de políticas públicas indigenistas para o Tocantins; oportunizar e ampliar o conhecimento acerca dos direitos e deveres indígenas, fortalecendo as organizações representativas e o envolvimento de estudantes universitários indígenas como facilitadores, possibilitando a construção coletiva para melhores perspectivas de vida.
O III Fórum trará uma visão abrangente sobre a política indigenista na atualidade, com palestras que abordarão os eixos norteadores que apontam as principais demandas, que são: políticas de promoção da igualdade racial para os povos indígenas no Brasil; biodiversidade e conhecimentos tradicionais; os desafios dos direitos indígenas na atualidade; a formação empreendedora como estratégia de combate à insegurança alimentar e nutricional nos territórios indígenas; educação escolar indígena; educação superior para indígenas; a situação da saúde indígena no Tocantins; saberes, inovações práticas dos povos indígenas na conservação do meio ambiente; procedimentos de elaboração de projetos via SICONV – Sistema de Convênio, do Governo Federal e os povos indígenas e seus valores culturais.
O evento, que está previsto para acontecer de 7 a 9 de abril, no auditório do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, contará com a participação de lideranças indígenas de reconhecimento regional, nacional de internacional.
Estiveram presentes representantes da Seciju, Seduc – Secretaria Estadual da Educação, STDS – Secretaria Estadual do Trabalho e do Desenvolvimento Social, Sesau – Secretaria Estadual da Saúde, UFT – Universidade Federal do Tocantins, SEPPIR/PR – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, UNEIT – União dos Estudantes Indígenas do Tocantins, OIT – Organização Indígena do Tocantins, ADTUR-TO – Agência de Desenvolvimento Turístico do Tocantins, Polícia Militar, CIM, Funai, Funasa, Assembléia Legislativa, SANEATINS, PROVIDA e universitários.

Indígenas no Tocantins

No Estado existem sete povos indígenas, os quais são: Apinayé e Krahô (povos Timbira); Javaé, Karajá e Karajá/Xambioá (povos Iny); Xerente (povo Akwê) e Krahô-Canela. Estes totalizam uma população de 11 mil e 589 indígenas. Além destes povos, existem representações étnicas oriundas de outros Estados, as quais são formadas pelos povos: Ava-Canoeiro, Tuxá, Guarani, Pankararu, Atikum, Apurinã, Fulni-ô, Guajajara, Krikati, Gavião e Macuxi, que somam, aproximadamente, 280 indígenas. Ao todo totalizam 11 mil e 869 indígenas.
Os povos indígenas do Estado vêm se organizando social e politicamente com o objetivo de participar da política de desenvolvimento social, econômico e ambiental do Tocantins, através de organizações locais, regionais e estaduais, além de suas tradicionais lideranças. (Informações da Ascom/Seciju)

Índios de MS vão à Funai, Ministério da Justiça e STF

 
Um grupo com 40 lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul está hoje em Brasília para participar de reuniões na Funai (Fundação Nacional do Índio) e Ministério da Justiça.

No período da manhã, a reunião foi na Diretoria de Assuntos Fundiários, na Funai. Índios terenas das aldeias Buriti, Taunay e Ipegue, localizadas na região de Aquidauana, pediram a regularização das terras indígenas.

À tarde, a situação jurídica das aldeias será discutida no Ministério da Justiça. Os índios também querem estudo antropológico em uma aldeia no município de Nioaque.

De acordo com o chefe de meio ambiente indígena da Funai de MS, Jorge Antônio das Neves, o grupo também vai ao STF. Apesar de não ter reunião agendada, o objetivo será discutir a situação da aldeia Cachoeirinha.

Em janeiro, o presidente do STF, ministro Gimar Mendes, concedeu liminar determinando a reintegração de posse das fazendas Petrópolis e São Pedro do Paratudal, que pertencem à família do ex-governador Pedro Pedrossian.

As propriedade rurais foram incluídas pela Funai (Fundação Nacional do Índio) na área indígena Cachoeirinha. Na liminar, Gilmar Mendes justificou que a cadeia dominial das fazendas remontam aos anos de 1871 e 1898, anterior, portanto, à data de 5 de outubro de 1988, fixada como marco temporal de ocupação indígena no Brasil pelo STF.

“Eles saíram antes de 88 porque foram expulsos”, afirma Jorge das Neves.


Fonte:   AgoraMS

Xavantes criticam Decreto que pode fechar Funai de Primavera do Leste

Sem qualquer discussão com as comunidades indígenas e nem mesmo com os funcionários da FUNAI, o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aproveitando a distração decorrente dos festejos de final de ano, baixou o Decreto n. 7.056, de 28 de dezembro de 2009, que aprovou o novo Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas da Fundação Nacional do Índio – FUNAI. Apesar do nome pomposo, qual seja, "restruturação" da FUNAI, na verdade a medida adotada pelo Governo Lula visa enfraquecer e extinguir a maioria das administrações do órgão. Segundo o cacique da etnia Xavante, Domingos, da Terra Indígena Sangradouro, e que tem
criticado duramente o decreto presidencial, as Administrações da Funai serão reduzidas apenas para 34, quando hoje existem 74, situação que dificultará a vida dos índios, trazendo maior obstáculo, entre outros, no que pertine à ordenação de recursos. Dentre as Administrações que serão extintas é dada como certa a de Primavera do Leste (141 Km de Paranatinga), situação que obrigará os Xavantes dos municípios que a integram a se deslocarem para Barra do Garças, aumentando significativamente a distância e dificultando a vida dos indígenas. Ainda segundo o cacique Domingos, os únicos beneficiários com o decreto baixado pelo Presidente Lula serão tribos que vivem na Amazônia, que contam com apóio de ONGs -Organizações Governamentais.
De outro lado, os índios Xavantes que residem no município de Novo São Joaquim também questionaram o decreto federal, ao mesmo tempo que criticam o presidente da FUNAI, Márcio Augusto de Meira, principalmente porque o mesmo, quando tomou posse e entrou em
exercício no cargo, prometeu que qualquer alteração nas questões ligadas aos índios passariam por um amplo debate com as comunidades indígenas. Com a edição do Decreto n. 7.056/2009, passou a fortalecer os argumentos no sentido que a intenção do Governo Petista, na verdade, foi "privatizar" a FUNAI, prejudicando os principais
interessados que são os índios brasileiros, em suas mais de 240 etnias, e favorecendo sobretudo ONGs, como o Instituto Socioambiental e o CTI - Centro de Trabalho Indigenista, organizações fortíssimas que têm andado livremente por áreas indígenas e recebem, para isso,
consideráveis quantidades de recursos públicos e verbas de diversas entidades privadas e até mesmo de governos estrangeiros. Com a alegada "reestruturação da FUNAI", o órgão público sai de cena e deixa de cumprir sua obrigação legal de proteger, identificar, inventariar e dar destinação ao Patrimônio Indígena. Em síntese, os serviços que deveriam ser bem cumpridos pela FUNAI, que tem a missão
prevista no Ordenamento Jurídico do país de velar pelo índio brasileiro, passa a ser terceirizado à custa de muitos recursos públicos, serviços esses que serão desenvolvido sobretudo por
ONGs, ávidas principalmente por verbas governamentais. Enquanto isso, o índio brasileiro passa, de ruim para pior e, como no descobrimento do Brasil, muito mais que descamisados, "pelados"!

Fonte: Clipping da 6ªCCR do MPF.

1 de mar. de 2010

Belo Monte: a volta triunfante da ditadura militar?


O Governo Lula possui méritos inegáveis na questão social. Mas na questão ambiental é de uma inconsciência e de um atraso palmar.
Ao analisar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) temos a impressão de sermos devolvidos ao século XIX.
É a mesma mentalidade que vê a natureza como mera reserva de recursos, base para alavancar projetos faraônicos, levados avante a ferro e fogo, dentro de um modelo de crescimento ultrapassado que favorece as grandes empresas à custa da depredação da natureza e da criação de muita pobreza.
Este modelo está sendo questionado no mundo inteiro por desestabilizar o planeta Terra como um todo e mesmo assim é assumido pelo PAC sem qualquer escrúpulo. A discussão com as populações afetadas e com a sociedade foi pífia.
Impera a lógica autoritária; primeiro decide-se depois se convoca a audiência pública. Pois é exatamente isto que está ocorrendo com o projeto da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu no Estado do Pará.
Tudo está sendo levado aos trambolhões, atropelando processos, ocultando o importante parecer 114/09 de dezembro de 2009, emitido pelo IBAMA (órgão que cuida das questões ambientais) contrário à construção da usina, a opinião da maioria dos ambientalistas nacionais e internacionais que dizem ser este projeto um grave equívoco com consequências ambientais imprevisíveis.
O Ministério Público Federal que encaminhou processos de embargo, eventualmente levando a questão a foros internacionais, sofreu coação da Advocacia Geral da União (AGU), com o apoio público do Presidente, de processar os procuradores e promotores destas ações por abuso de poder.
Esse projeto vem da ditadura militar dos anos 70. Sob pressão dos indígenas apoiados pelo cantor Sting em parceria com o cacique Raoni foi engavetado em 1989. Agora, com a licença prévia concedida no dia 1º de fevereiro, o projeto da ditadura pôde voltar triunfalmente, apresentado pelo Governo como a maior obra do PAC.
Neste projeto tudo é megalômano: inundação de 51.600 ha de floresta, com um espelho d'água de 516 km2, desvio do rio com a construção de dois canais de 500m de largura e 30 km de comprimento, deixando 100 km de leito seco, submergindo a parte mais bela do Xingu, a Volta Grande e um terço de Altamira, com um custo entre 17 e 30 bilhões de reais, desalojando cerca de 20 mil pessoas e atraindo para as obras cerca de 80 mil trabalhadores para produzir 11.233 MW de energia no tempo das cheias (4 meses) e somente 4 mil MW no resto do ano, para por fim, transportá-la até 5 mil km de distância.
Esse gigantismo, típico de mentes tecnocráticas, beira a insensatez, pois, dada a crise ambiental global, todos recomendam obras menores, valorizando matrizes energéticas alternativas, baseadas na água, no vento, no sol e na biomassa.
E tudo isso nós temos em abundância. Considerando as opiniões dos especialistas podemos dizer: a usina hidrelétrica de Monte Belo é tecnicamente desaconselhável, exageradamente cara, ecologicamente desastrosa, socialmente perversa, perturbadora da floresta amazônica e uma grave agressão ao sistema-Terra.
Este projeto se caracteriza pelo desrespeito: às dezenas de etnias indígenas que lá vivem há milhares de anos e que sequer foram ouvidas; desrespeito à floresta amazônica cuja vocação não é produzir energia elétrica mas bens e serviços naturais de grande valor econômico; desrespeito aos técnicos do IBAMA e a outras autoridades científicas contrárias a esse empreendimento; desrespeito à consciência ecológica que devido às ameaças que pesam sobre o sistema da vida, pedem extremo cuidado com as florestas; desrespeito ao Bem Comum da Terra e da Humanidade, a nova centralidade das políticas mundiais.
Se houvesse um Tribunal Mundial de Crimes contra a Terra, como está sendo projetado por um grupo altamente qualificado que estuda a reinvenção da ONU sob a coordenação de Miguel d'Escoto, ex-Presidente da Assembléia (2008-2009) seguramente os promotores da hidrelétrica Monte Santo estariam na mira deste tribunal.
Ainda há tempo de frear a construção desta monstruosidade, porque há alternativas melhores. Não queremos que se realizem as palavras do bispo Dom Erwin Kräutler, defensor dos indígenas e contra Belo Monte:
"Lula entrará na história como o grande depredador da Amazônia e o coveiro dos povos indígenas e ribeirinhos do Xingu".
PS: Queiram escrever para esses e-mails oficiais seja da Presidência da República, seja do Ministério do Meio Ambiente, seja do IBAMA e demais autoridades para reforçar a campanha da suspenção do projeto da construção da Unsina Hedrelétrica de de Belo Monte no Xingu, por amor aos povos indígenas, à Amazônia e à Mãe Terra.

Ao Sr. Presidente da Republica Luiz Inácio Lula da Silva; Ao Sr. Ministro de Energia Edison Lobão; Ao Sr Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc; Ao Sr. Presidente do IBAMA Roberto Messias Franco
Cc: A Subprocuradora geral da Republica sra Débora Duprat; Ao Secretário-Executivo do MME Márcio Pereira Zimmermann; Ao Chefe de Gabinete do MME José Antonio Corrêa Coimbra; A Secretaria Executiva do MMA Izabella Mônica Vieira Teixeira; Ao Secretario de energia Elétrica do MME Josias Matos de Araujo; Ao Chefe de Gabinete do IBAMA Sr. Vitor Carlos Kaniak

Leonardo Boff é teólogo

Novo Lançamento da Brinque-Book

Vídeo nas Aldeias lança edição especial de Cineastas Indígenas, para escolas de ensino médio


Para receber gratuitamente o kit composto por cinco DVDs realizados por cineastas de cinco etnias indígenas,as escolas de ensino médio devem se cadastrar no site da Video nas Aldeias.

A coletânea é a primeira reunindo vídeos dos cineastas dos coletivos de cinema de cinco povos indígenas - Kuikuro, Panará, Huni Kui, Xavante e Ashaninka - e foi lançada em 2008 pela Vídeo nas Aldeias, que desde 1987 dedica-se a formar cineastas indígenas. A edição especial para 2010 está voltada às escolas do ensino médio e destaca-se por oferecer uma visão única da realidade indígena brasileira: o ponto de vista dos próprios indíos. O Vídeo nas Aldeias está cadastrando escolas de ensino médio que queiram receber gratuitamente a coleção de DVDs. Para tanto basta acessar o site Video nas Aldeias.
Além do box com os DVDs, as escolas irão receber um Guia para professores e alunos, com informações sobre cada um dos povos, fontes para pesquisa complementar e temas para discussão em sala de aula. A fonte de pesquisa utilizada pela Vídeo nas Aldeias foi o site Povos Indígenas no Brasil, do ISA.




Três mil escolas de ensino médio de todo o Brasil se comprometeram a utilizar os filmes em sala de aula, envolvendo o maior número possível de alunos nos debates. O Guia paa alunos e professores também está disponível em formato digital no site www.videonasaldeias.org.br/forum.
A equipe da Vídeo nas aldeias e os cineastas indígenas que têm acesso à internet estarão conectados para responder perguntas e esclarecer dúvidas no fórum do site: www.videonasaldeias.org.br/forum.

ISA, Instituto Socioambiental.

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - 2025/26

  Mais uma vez o ano se encerra e com ele vem a necessidade de pactuarmos novos comportamentos, novas atitudes e novos projetos. É, portanto...